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O processamento top-down e a construção do

SEÇÃO IV CONCEITOS DE ENSINO DE LEITURA E

2.4. Ensino de leitura e cognição

2.4.1 Modelos de leitura e processos cognitivos

2.4.1.1 O modelo descendente (top-down) de Goodman

2.4.1.1.1 O processamento top-down e a construção do

Carrell (1988) citando a Teoria dos Esquemas (Rumelhart, 1977,1985, como veremos mais adiante) mostra que o conhecimento prévio do leitor é fator relevante para uma boa leitura, pois o conhecimento sobre o assunto do texto facilita o trabalho do leitor. Conseqüentemente, uma das razões pelas quais um esquema pode falhar para um leitor em segunda língua é que o esquema, geralmente, é específico a uma dada cultura (por exemplo, carnaval, festa de São João e futebol para os brasileiros). O mesmo motivo pode ser dito em relação a textos de conhecimentos específicos (ciências, economia, filosofia).

Para solucionar o problema de conhecimento prévio, Carrell (op.cit) sugere atividades apropriadas de pré-leitura, que foram objeto de estudo de vários pesquisadores. Uma das atividades é antecipar a informação prévia relevante relacionada à leitura que virá posteriormente. Segundo a autora, os métodos de ensino seriam mais eficientes se auxiliassem a construir conhecimento prévio, explorando o texto com as experiências simbólicas, o explícito e a instrução dedutiva. O melhor que o professor de leitura em sala de aula pode fazer é experimentar um número de atividades de pré-leitura. Um

8 These unitary processes are flexible. They will vary purpose, with audience, with content, with

proficiency, with language, with ortography, but they involve universals. There is, thus, diversity within unity in writing and reading.

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ensino de conhecimento prévio apropriado pode ser realizado através das atividades de pré-leitura orientadas pelo professor como ver filmes, slides, peças de teatro, imagens; fazer passeios; lembrar de experiências da vida real; fazer debates em aula e atividades de role-play.

Conseqüentemente, para ajudar os leitores de uma segunda língua a construir o conhecimento prévio que eles precisam para sua leitura, e para ajudá-los como acessar tal conhecimento no processo de leitura, as atividades de pré-leitura devem ativar o conhecimento-prévio já existente como também ajudar a construir conhecimentos relevantes sobre assuntos que ainda não são dominados pelo leitor. Para isso, pesquisas oferecem várias abordagens e métodos para facilitar a leitura através da ativação do conhecimento prévio.

Para Carrell (1988, p.248),

todos esses métodos treinam o leitor a fazer algo antes de ler, a fim de ativar o conhecimento prévio apropriado - criando os textos por si mesmos, estabelecendo um propósito de comunicação para leitura, prevendo sobre o que o texto será, compartilhando as experiências prévias sobre o tópico, associando livremente o tópico, ou sondando o texto. A livre associação ao conhecimento prévio também dá ao leitor um propósito para a leitura. (Tradução da autora)9

De particular relevância para leitores de segunda língua em níveis de proficiência inferior e com vocabulário limitado na segunda língua, por quem o significado tende a quebrar no nível da palavra, são as atividades de pré-leitura envolvendo tarefas de associação de palavras-chave ou conceitos-chave.

9 All of these methods train the reader to do something before reading in order to activate

appropriate background knowledge either creating the text themselves, setting a communication purpose for readind, predicting what a text will be about, sharing prior experiences on the topic. Free associating of background knowledge also gives the reader a purpose for reading.

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Pearson e Johnson (1978), citados por Carrell (1988), propõem o uso de tarefas de associação da palavra em estabelecimentos de instrução para render um diagnóstico do que os estudantes já sabem e o que eles precisam saber sobre o conceito chave. Associações iniciais feitas por estudantes podem ser de diferentes tipos (super-ordenadas, subordinadas, atributos, definições, sinônimos, antônimos, contradições, antagonismos, mudanças, experiências pessoais, ou até mesmo palavras de sons similares). Conforme os estudantes apresentam essas associações, o professor as escreve no quadro; o professor pode ir até mesmo mais longe ao organizar as associações na forma de um mapa semântico para os estudantes, a fim de fazer associações.

Ao tentarem fazer com que os estudantes ampliem seus conceitos, os autores encorajam o professor a usar analogias, comparações, até mesmo metáforas para construir pontes entre o que os estudantes já sabem sobre um conceito e o que eles podem precisar saber, a fim de ler e entender um texto particular. Obviamente, é também útil para o professor oferecer vários exemplos do novo conceito, bem como vários exemplos do que não é, assim os estudantes tem um sentido dos parâmetros do conceito.

Diferentes atividades de pré-leitura podem ser mais ou menos eficiente com diferentes níveis de proficiência. Segundo Carrel (op. cit.), em um estudo, Hudson (1982) comparou um tipo de atividade de pré-leitura explícita (a qual consistia em ter os estudantes brevemente visto um conjunto de imagens sugestivas, discutindo as imagens, e então individualmente gerar um conjunto de previsões sobre o que eles esperavam encontrar na passagem) para um outro tipo de atividade de pré-leitura (um tipo de atividade com vocabulário).

Ele descobriu que o tipo de atividade de pré-leitura anterior tinha um efeito significativamente maior ao facilitar a compreensão da leitura comparada com a última. Alguns materiais de leitura em segunda língua existentes incluem quantidades simbólicas de exercícios de pré-leitura, geralmente na forma de passagens preliminares com pré-leitura, busca de informação, ou questões de previsão para o leitor ter em mente enquanto lê.

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Além disso, alguns textos que têm questões de compreensão seguindo as passagens, sugerem que essas podem ser usadas como questões de pré- leitura. Esses exercícios de propor questões, prognosticar e de pré-leitura supostamente funcionam ao motivar os estudantes a ler o que segue com um propósito, isto é, ganhar a informação, requisito para responder todas as questões. Eles também supostamente funcionam para conseguir que o estudante preveja, dentro de uma área do conteúdo geral, o que o texto será.

Vale acrescentar que Carrel & Eisterhold (1988) enfatizam a importância das atividades de pré-visualização do texto para leitores em segunda língua por causa do potencial da especificidade cultural do conteúdo do texto, valorizando as atividades de pré-visualização do texto, as quais incluem a pré-visualização do gênero do texto, bem como do conteúdo do texto.