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CAPÍTULO 2 – A ESTÂNCIA TURÍSTICA DE SALTO (SP) E A ORGANIZAÇÃO

3.4 O processo de elaboração do material didático

Como mencionado anteriormente, o projeto “Educação Repaginada” iniciou-se no dia 20 de junho de 2011 com a participação de dez professoras polivalentes, cada uma de um CEMUS, para primeiramente um processo de formação promovido pelas assessoras educacionais, Julyany Gonçalves e Raquel Blasque.

De acordo com a diretora de formação, Viviane Bacelar, enquanto tramitava o processo licitatório para a contratação da editora, as assessoras realizavam a formação com os docentes vinculadas ao projeto, tendo em vista o levantamento de conteúdos, temas e objetivos de cada área de conhecimento e ano de ensino.

Segundo Julyany Gonçalves, a Raquel Blasque e ela trabalharam os seguintes temas: motivação, ludicidade, afetividade e desenvolvimento humano. Além de levantar sugestões para a elaboração do material didático, metodologia para as diferentes áreas, procurando contemplar o turismo. Para Julyany, a formação foi importante para:

[...] que a gente começasse a unificar algumas linguagens, então, por exemplo, a questão ludicidade, é importante, principalmente, para um

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material dos anos iniciais do ensino fundamental, a gente achava que era, só que a gente precisava sentir do grupo como funcionava isso. Então, a gente fez dinâmica, a gente fez capacitação, ai quando as coisas estavam alinhadas a gente conseguia fechar o tema e criar o consenso do grupo que era fundamental, útil, antes da criação do material.

Os professores se reuniam na sala 12 do Centro de Educação e Cultura (CEC) “Anselmo Duarte”, de segunda-feira à sexta-feira, das sete horas às onze horas e trinta minutos da manhã, com a saída deles da sala de aula, a escola se reorganizou com a alocação de professores substitutos ou que “dobram” o período para assumir as turmas. A diretora de formação e as assessoras participavam dos encontros do projeto uma vez por semana, geralmente, às segundas-feiras.

A partir da pesquisa de campo e das entrevistas, verificou-se que as dez professoras polivalentes foram divididas em dois grupos de cinco, um destinado para a criação do material didático para o ciclo I e o outro para o ciclo II. A divisão baseou-se na afinidade de cada educadora com os ciclos. Após quatro meses de início do projeto, mais quatro professores passaram a fazer parte do projeto, dois de Arte e dois de Educação Física, encarregados de elaborar atividades para suas respectivas disciplinas.

As professoras entrevistadas relataram que a função dos educadores no projeto foi desde elaborar as atividades reflexivas, tendo em vista a proposta pedagógica da rede municipal e a realidade local, até escolher imagens, inclusive o nome e a capa dos livros.

Inicialmente, os professores traçaram os objetivos de cada ano de ensino e de cada área de conhecimento com base na Orientação Curricular do município (ANEXO H - somente ementas, habilidades e critérios de avaliação). Para a diretora de formação, esse material didático não faria sentido, se não fosse articulado com as Diretrizes da SEME. (BACELAR, 2011)

Entretanto, os entrevistados afirmaram que além da Orientação Curricular do município, outros materiais orientaram o trabalho de produção, como o Planejamento Escolar da SEME, os livros didáticos da Módulo Editora e de outras editoras. Para relacionar as atividades didáticas com a realidade local, os professores utilizavam por referência livros, revistas e sites sobre a história e a cultura da Estância Turística de Salto. A professora Luciene da Silva relatou que além desses materiais, o grupo dela entrevistou alguns moradores antigos da cidade, pesquisou documentos no museu municipal e tirou fotos de ruas e pontos turísticos do município.

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A mesma professora declarou que o material de Salto segue o mesmo padrão de Indaiatuba, por exemplo, quantidade de páginas e unidades. Segundo ela, o grupo do ciclo I se apoiou nesse material, porém buscando melhorar as atividades e adequá-las à proposta pedagógica da rede municipal de Salto.

A professora Edna Tarosso afirmou que o material de Indaiatuba se distancia do de Salto por não ter tido o olhar turístico. Segundo ela, o grupo do ciclo II preferiu não se apoiar muito no material elaborado para o município vizinho, optando por criar as suas próprias atividades pedagógicas.

Com base na entrevista concedida pelo ex-secretário, Wilson Caveden, os professores vinculados ao projeto, por representarem cada unidade escolar, deveriam compartilhar a experiência com os demais professores da rede e envolvê-los no projeto. Ele relatou não saber se isso ocorreu, mas essa foi a orientação da SEME.

A este respeito, a professora do ciclo I enfatiza:

[...] a gente buscou nos HTC´s (Horário de Trabalho Coletivo), nos encontros com esses professores, sugestões de atividades, comentando as nossas dificuldades, o que a gente estava fazendo, pegando sugestões desses professores, como eles pensam, o que eles pensam [...] (TAROSSO, 2011).

Todavia, essa troca de experiência entre os docentes foi comprometida. Conforme a diretora de formação, a partir de novembro de 2011 os professores participantes do projeto foram dispensados do Horário de Trabalho Coletivo (HTC) para se dedicarem exclusivamente à elaboração do material, devido à necessidade de cumprimento dos prazos. (BACELAR, 2011).

No processo de elaboração do material didático, os professores desenvolviam as atividades das unidades de uma área de conhecimento, em seguida, entregavam esses rascunhos para a diretora de formação, Viviane Bacelar, e para a assessora, Julyany Gonçalves. A primeira verificava se o material estava de acordo com as Orientações Curriculares do município para os ciclos I e II. A segunda enviava a produção para a editora inserir figuras, fotos e referências bibliográficas e, quando necessário, os autores da Módulo Editora devolviam o material com algumas sugestões para as atividades pedagógicas.

Após os ajustes didáticos dos professores em conjunto com a diretora de formação, o material contendo todas as unidades das três áreas do conhecimento (Linguagem, Ciência da Natureza e Humanas), relativas ao período de um bimestre, era

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encaminhado à editora, a qual o devolvia para as assessoras, em forma de “boneco66” para a revisão final. Na sequência, o material era novamente enviado para a editora para ser impresso.

Viviane Bacelar afirmou que a editora era responsável pela revisão final do material, mas a SEME recomendou a participação dela e também dos professores.

O contrato administrativo (202/2011) estabeleceu que a Módulo Editora deveria apresentar amostras do material didático do aluno e do docente, conforme o cronograma abaixo:

Quadro 03 – Prazo de Execução dos serviços

Prazo (contar da assinatura do

contrato)67

Livro Entregas de Amostras

75 dias 1º 1º, 2º e 3º anos do Ciclo I e 1º e 2º anos do Ciclo II 105 dias 2º 1º, 2º e 3º anos do Ciclo I e 1º e 2º anos do Ciclo II 120 dias 3º e 4º 1º, 2º e 3º anos do Ciclo I e 1º e 2º anos do Ciclo II Fonte: Contrato de prestação de serviços nº 202/2011, p. 2, 2011.

A diretora de formação informou que a intenção era finalizar a elaboração do material em novembro de 2011. No entanto, no decorrer do projeto, percebeu-se que não seria possível cumprir o cronograma inicial e a sua elaboração continuou em 2012. (BACELAR, 2011).

Para a representante da editora, o maior desafio do projeto “Educação Repaginada” foi justamente o cumprimento do cronograma, pois a elaboração de um material didático específico como esse requer pesquisa sobre a realidade local. (GONÇALVES, Jane).

A professora do ciclo I também destacou os desafios enfrentados no processo de elaboração das atividades para o material didático:

[...] todo dia é um desafio, tem que estudar, porque não é simples, por exemplo, aquele tema que você acha tão abstrato tem que trazer mais para a realidade dele (aluno), tem que ir atrás de foto, tem que ir atrás de fonte, deixar para a criança um linguajar adequado, culto, porém fácil para ele entender o que está sendo passado para ele. (SILVA, 2011).

Todavia, diante de tanto estudo, a mesma professora reforçou:

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Encadernado e formatado de acordo com as regras para a edição de um livro didático. 67

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Não é fácil, é um trabalho difícil, porém de aprendizado intenso, todo dia a gente aprende, fora a amizade que a gente conquista e saber como cada um pensa de um modo diferente e como isso enriquece o livro, esses professores são muito inteligentes, têm tanta capacidade e que bom seria se todos da rede pudessem participar desse projeto, mas cada dia vir uma professora, também não ia dar, mas quem tiver a oportunidade é bom. (SILVA, 2011).

A professora do ciclo II também salientou o que a experiência da elaboração do material didático significou para sua vida profissional:

Olha, eu gostaria de acrescentar, assim, que está sendo uma experiência muito rica, estamos cansadas, mas eu acho que na hora que a gente terminar todo esse material, a gente se tornará profissionais diferenciados, com uma experiência muito diferente, muita rica, essa coisa de uma pesquisa constante, de um aprender constante, então eu acho que a gente vai despertar nas pessoas que aprender é uma aventura. (TAROSSO, 2011).

No dia 30 de janeiro de 2012, o material didático foi lançado, na sala de teatro “Palma de Ouro” do Centro de Educação e Cultura (CEC), em um encontro que reuniu todo corpo docente da rede municipal. Os professores que participaram do projeto “Educação Repaginada” foram homenageados pela SEME com flores e com o recebimento dos livros do primeiro bimestre. Os demais professores e os alunos receberam o material na escola, no primeiro dia letivo.

O material referente ao primeiro e segundo bimestre foi elaborado pela equipe do projeto até fevereiro de 2012 e a versão final relativa ao quarto bimestre, foi encaminhada para a editora no dia 10 de setembro do mesmo ano.