Há vários conceitos para a globalização da economia. Reunindo o que há na literatura, pode-se dizer que são mudanças nas relações do comércio internacional, nos métodos tradicionais de produção e nos investimentos. De uma forma objetiva, a globalização nada mais é do que a extrapolação das fronteiras geográficas, organizacionais, comerciais, produtivas e tecnológicas, desencadeadas, inicialmente, pelo dinâmico processo de transformação das empresas domésticas em exportadoras. Depois,
foram as importantes modificações trazidas pelas novas tecnologias, que permitiram romper barreiras antes intransponíveis, como é o caso das telecomunicações, que facilitou enormemente as comunicações ao redor do planeta.
Para DANIELS (1996), “a globalização envolve fazer negócios em todo o mundo, de uma nova maneira, equilibrando a qualidade dos seus produtos ou serviços com as necessidades específicas das diversas bases de clientes locais”. Significa determinar quem são os seus consumidores locais ou os clientes globais dos seus produtos e serviços. Acrescenta o autor que, “esses consumidores globais podem ser grandes clientes com operações em muitos países, ou podem ser pessoas em todo o mundo que, contagiadas pelas tecnologias de informação, passaram a desejar os mesmos produtos, independentemente do local em que vivem”. O autor coloca, ainda, que, ser global possibilita à empresa:
• Enfrentar a concorrência;
• Ficar atualizada em relação às novas tendências tecnológicas; e
• Criar e tirar vantagem do desenvolvimento de novas oportunidades de negócios.
O processo de globalização dos mercados, cuja derivação compreende a idéia de uma “aldeia global”, extrapolou o âmbito puramente organizacional, provocando, nos últimos anos, transformações de ordem política, econômica e social, praticamente em todos os países do mundo. A integração dos mercados vem da consolidação do capitalismo, tendo à frente uma importante mudança entre personagens neste contexto.
O esfacelamento do Estado centralizador ou totalitário se deu com a queda do comunismo, através de exemplos como a independência dos países do leste europeu e o fim da União Soviética. Por outro lado, países como os da América Latina, em sua maioria, e alguns da Europa, destacando-se Portugal e Espanha, que exerciam um papel decisivo em suas economias (como empreendedores), saem de cena devido a um novo quadro econômico que compreendeu ao aumento do endividamento interno e externo, implantação de reformas econômicas e a imposição, pela sociedade, de uma nova ordem política e social (queda de vários regimes políticos).
Como uma das conseqüências, um amplo programa de privatizações varre o planeta, com a venda de inúmeras empresas ou negócios estatais ao setor (capital) privado, propiciando aos países receber significativo aporte de recursos financeiros para eqüalização das suas dívidas interna e externa, além de possibilitar novos investimentos sociais. Os governos passaram, via de conseqüência, a não mais contemplar, sozinhos, a tomada de decisão na condução de suas políticas econômicas.
Entra, portanto, o capital privado representado por grandes corporações nacionais e multinacionais que, atentas as novas oportunidades como a recente abertura do mercado brasileiro e os programas de privatizações de empresas estatais, passaram a ser coadjuvantes no conjunto de decisões da economia dos países, tendo forte presença e capital disponível, disseminando novos hábitos de consumo e de cultura ao redor do mundo.
A crescente expansão de grandes corporações nacionais e, principalmente, multinacionais (Coca-Cola, General Motors, Ford, Toyota, Volkswagen, Fiat, 3M, Unilever, McDonald’s, IBM e Microsoft, dentre muitas outras), cujos faturamentos, isoladamente ou em conjunto, representam valores muito maiores que o PIB (Produto Interno Bruto) de muitos países, é outra característica do processo de globalização, assim como o estreitamento econômico e cultural entre nações.
Os produtos e serviços passaram a não ter mais uma nacionalidade única, explicado pelo fato de as grandes corporações decidirem o quê, como e onde (qual país) fabricar, implicando que um mesmo produto pode ter várias origens, envolvendo a concepção, fabricação e distribuição de produtos ou serviços. Não existe mais limites, seja geográficos ou tecnológicos, como fatores inibidores para as políticas (decisão) de investimento, produção e vendas.
As grandes corporações tendem a instalar suas fábricas naqueles países que ofereçam mais vantagens fiscais e que proporcionem economia de escala, através de uma infra-estrutura adequada, mão-de-obra disponível (principalmente especializada) e, existência de matéria-prima barata e/ou forte presença de fornecedores. Restou às nações
a competição entre si para conseguir atrair estes investimentos, embora suijam questionamentos quanto a qualidade dos mesmos, principalmente nas questões que envolvem o aproveitamento irracional de recursos naturais, tecnologia ultrapassada ou atividades altamente poluentes.
A consequência direta é, ao mesmo tempo, uma certa homogeneização de produtos e serviços entre países e a introdução do desemprego estrutural, pelo corte de custos frente ao acirramento da concorrência e a necessidade de obtenção de melhoria da qualidade dos produtos à preços menores. A propósito, afirma DRACHE (1999) que.
“O que há de especial sobre essa onda em que todos estão inter-relacionados por meio do mercado globalizado, é que não se trata de uma força capaz de mobilizar milhões de pessoas; tampouco tem qualquer interesse em fortalecer instituições democráticas ou dar às comunidades mais recursos; não possui valores distributivos centrais que cerquem as desigualdades locais ou externas; não é participativa, a não ser para um grupo poderoso de empresas globalizadas; e, nada partilha em comum com os objetivos do liberalismo que prometem melhorias individuais e coletivas por meio da reforma do Estado .
A globalização, portanto, tende a ampliar a riqueza das nações desenvolvidas. A sua riqueza, atualmente, não é mais aplicada em caderneta de poupança, imóveis, ouro ou outros bens ativos, mas em investimentos nos mercados financeiros ao redor do mundo, através da formação de fundos de pensões, que por sua vez, aplicam os recursos disponíveis em bolsas de valores, implicando que este capital volátil ou especulativo, não se traduzirá em investimento direto na economia dos países escolhidos.