1.1 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
1.1.4 O processo de interação com as interlocutoras
Considerando a necessidade de aproximação com as docentes com quem pretendia realizar as entrevistas, optei38 por fazer uma visita in loco as instituições onde elas estavam vinculadas, buscando, ao mesmo tempo, informações mais pertinentes sobre essas instituições. Desse modo, no segundo semestre de 2008 visitei as três instituições, onde tive a oportunidade de interagir com as professoras que, posteriormente, foram entrevistadas. Elas me acolheram bem e dispuseram de seu tempo, entre as muitas atividades acadêmicas, para uma primeira conversa, que se estabeleceu de maneira informal. Esclareci o motivo pelo qual estava ali e falei sobre o que pretendia pesquisar. Recebi informações precisas acerca da instituição, da relação com os colegas de trabalho e sugestões de nomes e contatos de outras professoras que poderiam, também, ser entrevistadas. Além disso, indicaram-me bibliografias, inclusive emprestaram-me seus livros, que foram úteis para revisar e aprofundar o tema da Teologia Feminista. Na ocasião dessa visita, tive acesso à biblioteca das instituições e ali pude consultar a bibliografia indicada e fotocopiar capítulos de livros que interessavam à realização da pesquisa. Depois dessa primeira visita, mantive um contato mais sistemático com as possíveis interlocutoras.
A pesquisa de campo, nesse caso as entrevistas em profundidade com as docentes, foi realizada durante os meses de maio a agosto de 2009. O fato de essas mulheres residirem em cidades diferentes exigiu de minha parte a articulação das entrevistas por e-mail e o planejamento das viagens necessárias. Houve, também, imprevistos que exigiram um novo planejamento de uma das viagens e uma nova agenda de entrevistas, a ser combinada com as interlocutoras39.
Programei a ida a Porto Alegre seguida da participação do 4º Seminário Corpo Gênero Sexualidade: Composições e desafios para a formação docente, que se realizou em maio, na cidade de Rio Grande - RS. Essa minha ida a Porto Alegre coincidiu com a realização do Congresso Estadual de Teólogos/as40, realizado em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre, no qual as teólogas, que seriam minhas interlocutoras, estavam
38 Ao descrever sobre a experiência de campo, que é bem pessoal, assumo a primeira pessoa, de acordo com a justificativa que se encontra na nota 68.
39 Isso aconteceu em uma das minhas viagens ao Rio de Janeiro, planejada para fins de junho. Três dias antes da viagem uma das professoras me informou, por correio eletrônico, que não teria condições de me atender, pois na data combinada estaria em uma reunião na cidade de Chicago, com o grupo editorial de uma Revista Latino-americana de Teologia, da qual fazia parte. Como esta professora era uma pessoa significativa para a minha pesquisa, cancelei a viagem e precisei iniciar novamente todos os contatos para rearticular uma nova agenda.
40 O congresso reuniu estudantes e docentes das sete instituições católicas de teologia do Rio Grande do Sul. O número maior dos participantes era do sexo masculino.
envolvidas. Isso, por um lado, trouxe o desafio de ter que me adequar ao tempo dessas professoras e estender os dias de minha estada naquela cidade. Por outro lado, foi positivo pela oportunidade de participar do congresso como um espaço de observação participante e de obtenção de outras informações acerca das instituições teológicas. Notei que em quase todas as mesas ou conferências parecia estar garantida a presença de uma mulher41.
Considero importante comentar duas atividades do congresso com eixo de discussão voltado para a Teologia Feminista. Atividades acadêmicas, indubitavelmente, pensadas e organizadas pelas professoras mulheres, as quais deixavam visíveis algumas dinâmicas de gênero que se reproduzem no campo do saber teológico42. A primeira delas se refere ao seminário “Movimento e Teologia Feminista: memória avaliativa dos 12 anos de caminhada”43, no qual foi apresentada a trajetória de articulação realizada no Estado do Rio Grande do Sul, por meio dos encontros estaduais, com temáticas voltadas para a emergência dessa teologia, no universo acadêmico44. O seminário tinha como objetivo rever e avaliar a caminhada, em vista de novas estratégias de continuidade. De acordo com as informações das docentes, essa experiência, que agregou diferentes institutos de teologia e teve a participação de estudantes e professores de ambos os sexos em torno da Teologia Feminista, foi única no mundo.45 A segunda atividade trata-se do Painel interdisciplinar ecumênico: Teologia Feminista em diálogo..., que foi agregado ao congresso, de maneira estratégica, pelo Grupo de Reflexão da Teologia Feminista da instituição “C”, visando colocar em pauta essa reflexão, em um evento que reunia um bom número de teólogos. Integrava o referido painel: uma estudante, a qual partilhou sobre a sua experiência e a importância da Teologia Feminista, como disciplina obrigatória na grade curricular da graduação; uma estudante egressa e integrante do Movimento Feminista, que participou de toda a trajetória dos 12 anos do grupo de reflexão da Teologia Feminista; o coordenador estadual do Centro de Estudos Bíblicos
41 Segundo uma das interlocutoras, garantir a presença feminina nas mesas era uma política das mulheres teólogas, como uma ação afirmativa, uma vez que as estruturas institucionais e os discursos masculinos haviam discriminado e invisibilizado as mulheres deixando-as ausentes das esferas do saber teológico. Para garantir essa presença nas mesas, seja na função de debatedora, coordenadora ou conferencista, às vezes elas se desdobram, ou até repetem a pessoa, uma vez que no campo da teologia as mulheres ainda são minoria.
42 Essas questões, aqui, somente são citadas, mas retomadas no corpo do trabalho com a intenção de analisá-las.
43 Esses 12 anos se referem aos encontros estaduais, pois a sua articulação na ESTEF iniciou-se em 1990.
44 Os temas abordados nestes encontros estaduais foram: 1996 – Mulher e Teologia na Igreja e na Sociedade;
1997 – A Questão de Gênero e a Mulher na Bíblia; 1998 - Teologia Feminista no Contexto da América Latina;
1999 - Mulher e os Ministérios na Perspectiva do Novo Milênio; 2000 – Espiritualidade Feminista; 2001 – Teologia Feminista: Ontem, Hoje e Perspectivas; 2002 – Conflito de Gênero nos Diferentes da Sociedade;
2003 - Corporeidade, Mulher e Poder; 2004 – Ecofeminismo, Terra, Água e Relações de Gênero; Imagens de Deus e Relações de Gênero; 2005 – Imagens de Deus e Relações de Gênero; 2006 - Teologia Feminista e Teologias; 2007 – Teologia Feminista em Diálogo com... (ESTEF, 2008).
45 Essa informação veio das professoras teólogas, durante a apresentação do seminário, do qual participei, justamente por ser uma experiência única e pioneira, no sentido de uma articulação estadual, com a forma de participação mencionada no texto acima.
(CEBI) do RS, o qual falou sobre a metodologia popular de leitura Bíblica do CEBI, que tem como um dos eixos de leitura e interpretação bíblica, o ecofeminismo e as questões de gênero, cujo eixo despertou também para a iniciativa de estudos sobre masculinidades na Bíblia; um teólogo luterano, que abordou questões sobre a teologia queer46 e a sua importância no conjunto das teologias contemporâneas (feminista, afro e índia).
Observei que, nas duas atividades, além de mulheres, houve uma boa participação de homens. Isso, de certa maneira, confirma que, no campo acadêmico da Teologia, a questão de gênero e do feminismo vem agregando homens que reconhecem a necessidade desse instrumental de análise para o pensamento teológico. Por outro lado, também foi possível presenciar contradições, inclusive a resistência de alguns docentes homens em pronunciar o termo “Teologia Feminista” ou mostrar que possuem certa sintonia com essa perspectiva teológica, diante de um público maior de homens, como se isso fosse comprometer a sua posição no campo. Isso ficou evidente na atitude de um dos coordenadores do evento, que era o responsável para dar as informações sobre as diferentes atividades. Quando foi necessário informar questões de ordem práticas sobre o Painel Interdisciplinar Ecumênico: Teologia Feminista em diálogo..., o coordenador chamou uma das teólogas da coordenação do referido painel. Em outro momento fez questão em dizer que tal atividade não integrava as atividades do congresso, mas que era algo à parte. Sua postura me causou estranhamento. Durante a entrevista, com uma das docentes, esta também mencionou o fato citado, bem como a sua indignação em relação ao professor que é seu colega de trabalho e que, no cotidiano, diz ser favorável à proposta da instituição em iniciativas vinculadas à Teologia Feminista. Esse acontecimento evidencia as contradições existentes entre o discurso em favor da construção de novas relações de gênero e a prática cultural e institucional vigente.
Em função do congresso de teologia precisei negociar a agenda com as interlocutoras. Consegui uma entrevista antes do congresso, cuja conversa ocorreu nas dependências da instituição, em que a professora atuava. As outras duas professoras abriram um espaço durante o evento, quando não estavam envolvidas em atividades. Uma das interlocutoras sugeriu que a entrevista fosse realizada na sala dos professores do Centro Universitário La Salle (UNILASSALE), que estava sediando o Congresso Estadual dos Teólogos/as 47. Ficamos em um dos cantos da sala, porém aos poucos, devido ao intervalo das aulas, o espaço foi sendo ocupado por professores/as e as suas conversas começaram a nos
46 Essa teologia é recente no universo teológico e encontra desafios e resistências no universo acadêmico, sobretudo por parte do pensamento hegemônico.
47 Durante o congresso foram suspensas apenas as aulas do curso de Teologia. Os demais cursos universitários funcionaram normalmente.
atrapalhar. Tivemos de parar com a entrevista e encontrar outro lugar para continuá-la, com tranquilidade. As três professoras entrevistadas eram membros de congregações religiosas48.
Já, no Rio de Janeiro, após o primeiro imprevisto, já descrito, foi possível cumprir a agenda programada no período de cinco dias, conforme me havia organizado, considerando que as entrevistas dependiam da disposição e do tempo de cada professora. Todas foram realizadas nas dependências da universidade. Houve, também, pequenos contratempos.
Apesar de ter combinado com elas que o tempo para a entrevista seria em torno de até duas horas, em algumas situações tivemos que renegociar o tempo em uma hora e 10 minutos, por causa de outros compromissos dessas professoras. Uma delas tinha uma agenda cheia, devido ao cargo de diretora do Decanato do Setor de Teologia e Ciências Humanas da Universidade49 de modo que procurou ser objetiva e rápida em sua fala, atendendo aos objetivos da entrevista. Com outra professora tivemos que realizar a entrevista em duas seções, que no seu todo ultrapassaram o tempo de duas horas. Essa professora contou detalhes importantes. Uma terceira, com quem eu havia realizado contato na primeira visita a essa universidade, se encontrava na França cursando o pós-doutorado. Como tinha interesse em sua narrativa, por ser uma das que produzia teologia incorporando perspectivas das teorias de gênero e do feminismo, continuei mantendo contato com ela. Agendamos a entrevista para uma data assim que ela retornasse ao Brasil, que coincidiu com a minha participação no Congresso Brasileiro de Sociologia no Rio de Janeiro, em 2009. Em função disso, permaneci no Rio por mais três dias e a entrevista ocorreu no primeiro dia em que a professora esteve na universidade, depois do seu retorno da França. O encontro com as secretárias do Departamento de Teologia foi caloroso, havendo a partilha de novidades de ambas as partes e isso ocupou parte do tempo reservado para entrevista. Desse modo, acabamos reduzindo a conversa em torno de uma hora e alguns minutos, haja vista que a professora tinha compromisso marcado logo em seguida e eu tinha a viagem de retorno a Curitiba. Das sete
48 Suas diferentes funções se encontram no quadro 01, mais adiante. Contudo, convém mencionar que uma dessas professoras já havia lecionado na Instituição “C”, e participou assiduamente na organização dos primeiros encontros estaduais de Teologia Feminista. No período da pesquisa, lecionava em outra faculdade e coordenava uma iniciativa vinculada ao saber teológico, em uma universidade da região metropolitana de Porto Alegre.
49 Esse Decanato integra os seguintes cursos de graduação: Design, Educação, Filosofia, Letras, Psicologia e Teologia. Pelas informações que tive, este é um cargo de confiança. A referida professora, vinculada ao Departamento de Teologia, até então, tinha sido a primeira e única mulher decana, ou seja, diretora de um setor que agrega vários cursos de graduação.
professoras dessa Universidade, entrevistei cinco delas, sendo que três eram casadas, uma solteira e uma religiosa50.
A realização das entrevistas com as interlocutoras de Curitiba foi facilitada pelo fato de estarmos residindo na mesma cidade. Por isso, foram programadas em um espaço maior de tempo para cada uma, conforme a agenda disponível dessas professoras. Entrevistei as três docentes que lecionavam no curso de graduação de Teologia da Universidade, sendo que uma das entrevistas foi realizada na própria instituição, na sala da professora, num sábado pela manhã, quando o ambiente estava mais calmo51. As outras duas foram feitas na casa das professoras. Isso permitiu uma longa conversa informal, posterior à realização da entrevista.
Essas mulheres possuíam uma trajetória bem específica; duas ainda estavam cursando o doutorado e uma o havia concluído recentemente. Duas já tinham sido membros de congregações religiosas e, na ocasião da pesquisa, uma estava solteira e a outra, casada. A terceira também era casada e pertencia à confissão religiosa batista e, por esse motivo, necessitou do aval de liberação do arcebispo da arquidiocese, para inserir-se em uma instituição de ensino de teologia católica52.
Considerando a necessidade de mais informações a respeito do universo acadêmico teológico, e sabendo da presença confirmada de uma das principais teólogas feministas brasileiras53 no XXII Congresso da SOTER: Religião, Ciência e Tecnologia54, com a qual eu tinha interesse em conversar, mesmo que informalmente a respeito da produção na perspectiva feminista no campo teológico, participei do evento. Havia cerca de 300 participantes, teólogas/os, cientistas da religião, estudantes de Teologia. O evento acolheu comunicações orais de profissionais de outras áreas de saber como da antropologia, psicologia e sociologia, cujos estudos tinham como foco o tema da religião. Inscrevi-me para o grupo de trabalho Teologia e Gênero, no qual houve a participação de muitas mulheres e um número
50 Das outras duas, uma não tinha agenda e a outra estava em viagem. A intenção inicialmente era entrevistar somente as três professoras que eram consideradas membro do grupo das pioneiras na produção da Teologia Feminista no Brasil, mas como houve oportunidade acabei entrevistando cinco professoras.
51 Durante a entrevista com essa professora, um professor (leigo) esteve no local, pois ela havia agendando com ele a elaboração de um trabalho para depois de nossa conversa. Enquanto conversávamos, ele a aguardava na sua sala ao lado. Sendo que a sala de cada professor é uma espécie de cabine, separada por divisórias, nossa conversa possivelmente poderia ser ouvida por este professor. Com essa interferência, percebi que a professora mudou sua postura. Antes, estava bem mais à vontade para abordar certas questões referentes às relações institucionais. Com a presença do professor, na sala ao lado, além de falar mais baixo, abordava certas questões com mais cautela.
52 Segundo essa interlocutora, a sua presença e atuação na universidade católica veio por meio do convite do ex-diretor do curso de graduação em Teologia e, na época da pesquisa, era coordenador da pós-graduação. Por esse motivo, ela o considerava um homem aberto e de visão futurista.
53 Essa teóloga, atualmente, mora em Pernambuco, escreve muito e profere conferências internacionais.
54 O congresso é um evento anual promovido pela Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (SOTER) e bem avaliado pela CAPES. Este congresso foi realizado nos dias 06 a 09 de julho de 2009, nas dependências da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte.
reduzido de homens. Nas mesas e conferências também se observou a presença de algumas mulheres teólogas55.
O fato de estar hospedada no mesmo local de muitos dos participantes, permitiu-me estabelecer contatos e “conversas de corredores”, significativas para a pesquisa. Pude checar algumas informações, sobretudo as relacionadas ao número de instituições teológicas presentes em cada Estado. Colhi outras informações de teólogos leigos, em relação a sua experiência no campo acadêmico da teologia. Estabeleci contato com outras teólogas, com as quais compartilhamos experiências de vida acadêmica. Foi nessas conversas de mesa e de corredores que conheci mais duas teólogas, ambas casadas, cujas trajetórias de vida, no universo da teologia, me pareceram importantes, já que tinham algo a acrescentar em minha pesquisa. Essas mulheres se inseriam nos critérios estabelecidos para a escolha das interlocutoras. Falei do tema e dos objetivos da pesquisa que estava realizando e elas consideram um estudo significativo, como também se manifestaram dispostas a colaborar com a investigação. Negociamos o horário da entrevista, que sempre ocorreu após as atividades do dia, em torno das 21h e 30 minutos. Chegamos a ultrapassar o horário das 23 horas, por serem narrativas interessantes, nas quais eu sentia que se estabelecia uma relação intersubjetiva. Uma trabalhava em uma faculdade de Minas Gerais e a outra, em uma universidade do Estado de São Paulo, sendo que esta última, além de lecionar no curso de graduação em Teologia da universidade, ministrava aulas em um instituto diocesano, de cunho seminarístico. Diante disso, esta professora pode partilhar, de forma comparativa, as dinâmicas de poder e de gênero que circulavam nessas instituições, em relação a sua posição de sujeito de saber, como mulher.
Nessa ocasião entrevistei, ainda, uma das principais teólogas feministas do Brasil, já que a sua presença no congresso da SOTER foi o principal motivo que me levou a participar do evento. Essa teóloga esteve em uma das mesas que tinha como objetivo aprofundar e comentar, pela perspectiva teológica, a conferência Mito, religião e ciência: articulação de saberes, proferida no período manhã, sob o ponto de vista da física e do pensamento filosófico. A sua reflexão me pareceu de grande erudição e extremamente crítica. Notei que a sua fala provocava reações silenciosas de discordâncias, por parte de alguns teólogos. A entrevista com essa teóloga56 teve como objetivo clarear algumas dúvidas que surgiram
55 No entanto, não estavam em todas as mesas. Segundo uma das interlocutoras, essa presença, ainda reduzida nas conferências e mesas, foi uma conquista das mulheres, que sempre participam do evento.
56 Essa teóloga não atuava mais na docência, mas continuava escrevendo, proferindo conferências internacionais e trabalhando com grupos de mulheres populares,
durante a revisão do tema acerca da Teologia Feminista. Contudo, foi significativa porque ela, também, narrou a sua trajetória e suas experiências no universo da teologia.
No total, realizaram-se 14 entrevistas em profundidade, as quais foram devidamente gravadas, transcritas e categorizadas por temas, para fins de análise. O tempo médio das entrevistas foi em torno de uma hora e meia a duas horas. Seguiu-se um roteiro temático, aberto57. Essa técnica permitiu que as docentes tivessem maior liberdade para falar sobre o que elas consideravam mais importante entre os diferentes temas abordados. Pelo fato de as perguntas serem abertas, muitas vezes, certos temas reapareciam, e isso é uma das vantagens das entrevistas em profundidade, já que possibilita a pessoa entrevistada explorar a mesma questão, a partir de diferentes enfoques.
Durante este trabalho, optei por não entrevistar nenhum homem, considerando que a abordagem analítica das relações de gênero não se limita a pensar as relações entre homens e mulheres, dentro de um dado espaço social, mas também analisar as mulheres na relação com as estruturas e com as convenções normativas de gênero de um sistema simbólico masculino, que produzem relações desiguais e discriminação social, em sua própria experiência, e este era o meu interesse. Assim, a proposta desta pesquisa me levou a priorizar a voz de sujeitos femininos, no sentido de compreender as dinâmicas de gênero e poder, nos processos de inserção e de produção da docência, em instituições de ensino, majoritariamente masculinas.
Durante este trabalho, optei por não entrevistar nenhum homem, considerando que a abordagem analítica das relações de gênero não se limita a pensar as relações entre homens e mulheres, dentro de um dado espaço social, mas também analisar as mulheres na relação com as estruturas e com as convenções normativas de gênero de um sistema simbólico masculino, que produzem relações desiguais e discriminação social, em sua própria experiência, e este era o meu interesse. Assim, a proposta desta pesquisa me levou a priorizar a voz de sujeitos femininos, no sentido de compreender as dinâmicas de gênero e poder, nos processos de inserção e de produção da docência, em instituições de ensino, majoritariamente masculinas.