Os resultados alcançados no ano de 1999 permitiram uma reavaliação do programa. Mantinha-se o foco, mas era necessário um aprimoramento e a readequação para atender ao aumento da demanda de novos grupos de produtores.
A estratégia reformulada baseava-se em ações plurianuais, com um encadeamento lógico, por meio de uma programação de atividades para um período de cinco etapas, assim definidas:
• 1ª etapa: sensibilização e organização dos produtores nas respectivas cadeias produtivas;
• 2ª etapa: capacitação dos produtores, estruturação e fortalecimento de atividades associativistas/cooperativistas;
• 3ª etapa: fomentar estruturas de comercialização para cada cadeia produtiva, coordenada por uma Central de Apoio aos Agronegócios do Alto Tietê;
• 4ª etapa: fortalecimento dessas estruturas de comercialização e ampliação do universo de produtores participantes do programa;
• 5ª etapa: estruturas de comercialização já organizadas e ampliadas, sendo repassado o controle do processo aos produtores.
Também foram definidos os papéis de cada ator dentro da estratégia: • Produtor
- O produtor deverá participar de alguma associação formal ou informal e/ou cooperativa;
- Para participar do programa de comercialização deverá: - Participar do Sistema Agroindustrial Integrado (SAI);
- Assinar termo de compromisso, comprometendo-se a entregar produtos de acordo com o programa paulista de normatização e padronização; - Fazer o curso de Capacitação Rural do SEBRAE-SP;
- Aqueles que possuem perfil de liderança, participar do curso AGROIDEAL. • Sindicato Rural de Mogi das Cruzes
- Deverá ser responsável pela gestão do Programa AGROALT; - Indicar um coordenador (gestor) com a responsabilidade de:
- Coordenar as ações de parcerias, em comum acordo com o SEBRAE-SP; - Implantar o curso de Capacitação Rural do SEBRAE-SP;
- Coordenar as ações junto aos produtores; - Realizar visitas técnicas a instituições parceiras;
- Realizar programas de treinamentos, missões, seminários e oficinas de trabalhos, utilizando os produtos e serviços das instituições parceiras, quando assim for possível.
• SEBRAE-SP
- Disponibilizar seus produtos e serviços sempre que solicitado pelo parceiro, a fim de garantir a efetividade das ações planejadas;
- Coordenar junto com os parceiros o planejamento das ações para o biênio 2000-2001;
- Orientar os parceiros nas tomadas de decisões;
- Fomentar e apoiar o Programa AGROALT, utilizando seus recursos de produtos, serviços e convênios.
• Mercado fornecedor
- Desenvolver parcerias de apoio (patrocínios) e promover ações em conjunto (missões e feiras);
• Instituições públicas
- Articular as ações de cada instituição em conjunto, de modo que cada uma consiga cumprir de maneira eficaz sua missão, resultando em ações harmônicas e complementares;
- Promover ações de discussão sobre a legislação e política para o setor em questão (seminários);
- Promover propostas técnicas com objetivo de acionar o poder legislativo em todas as esferas (municipal, estadual e federal), de modo que resulte em benefício à cadeia produtiva.
A estratégia e os papéis entre os atores buscavam organizar o ambiente e coordenar a rede de cooperação que se formava. Também foram definidos os recursos que cada parceiro poderia disponibilizar para o Programa AGROALT.
No decorrer do ano 2000, a prioridade foi atender às demandas dos grupos de produtores de frutas, cogumelos e ovos de codorna. As ações basearam na segunda etapa da estratégia, pois já havia uma organização do grupo. Com o foco na divulgação dos produtos da região e no fomento de novos canais de comercialização, foram realizadas novas campanhas de degustação, lançamento de safra e pesquisa junto ao público consumidor.
A organização dessas atividades era nova e exigia ações em conjunto entre as instituições e os grupos de produtores. Os resultados eram animadores e vislumbrava-se que o caminho estava correto, necessitando de pequenas correções. Mas o ponto de estrangulamento era a falta de técnicos que pudessem atender à demanda.
A solução apresentada foi o lançamento do Programa SAI, convênio em nível estadual entre o SEBRAE-SP, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e um parceiro local, que disponibilizava recursos financeiros para contratação de técnicos que atuariam no desenvolvimento das cadeias produtivas agrícolas do estado de São Paulo.
Programa AGROALT35. Foram priorizadas duas frentes: a continuidade das ações dos grupos já implantados (segunda e terceira etapas) e a abertura de novos grupos (etapa um), principalmente na cadeia de hortaliças e flores; ampliar as ações para os municípios de Guararema, Biritiba Mirim e Salesópolis.
Durante o ano de 2001, foram várias as atividades de treinamento, palestras e campanhas de promoção dos produtos. As demandas aumentavam e havia a necessidade de reposicionar estrategicamente o Programa AGROALT. A transição entre a terceira e quarta etapas precisaria de novas formas de atuação dos parceiros. Muitas informações foram colhidas com as campanhas de degustação, treinamentos, participação em feiras e exposições, colocando novas indagações, reestruturando conceitos e reforçando idéias (Anexo 7).
Algumas posições eram bem claras:
• o Sindicato Rural de Mogi das Cruzes não poderia assumir a coordenação do Programa AGROALT, pois sua base era Mogi das Cruzes e Biritiba Mirim36, não podendo atender por questões legais e regimentais produtores de outros municípios; • embora a direção da CATI/EDR Mogi das Cruzes se mostrasse alinhada com o
programa, os técnicos resistiam, principalmente com a chegada dos técnicos do Programa SAI. Salvo os trabalhos realizados na cadeia do caqui e no município de Salesópolis, não havia uma integração, fato esse inusitado: embora participasse da elaboração da estratégia e da direção do programa, não conseguiam trabalhar nas questões operacionais;
• o Programa AGROALT era dependente economicamente do aporte financeiro do SEBRAE-SP;
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Esse convênio foi assinado entre o SEBRAE-SP, Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo e Organization for Industrial, Spiritual and Cultural Advancement Brasil (OISCA – Organização para o Desenvolvimento Industrial, Espiritual e Cultural), no valor de R$ 429.817,00, com a contratação de
• a necessidade de criar uma instituição imparcial, que pudesse gerir o programa, independente das alterações políticas e técnicas das instituições que apoiavam. Na segunda fase do Programa AGROALT fica claro que havia a necessidade de organizar melhor a rede, com regras, normas e compromissos entre os atores. Conforme De Franco (2001), a relação de poder implica a distribuição de poder e a sua regulação. Para que isso ocorra, esse conjunto de relações não pode ser estático e podem ocorrer diversas conformações de redes (VALE, 2007; OLAVE, AMATO NETO, 2001).
Nesse momento, os laços que envolviam os atores do território não se tornam somente de cunho produtivo, mas também há outros elementos (históricos e culturais) envolvidos, como, por exemplo, o posicionamento do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes ante a questão da representatividade regional; a dificuldade de sinergia entre técnicos da CATI e SEBRAE-SP; a entrada de novos grupos de produtores.
Era importante um reposicionamento do Programa AGROALT, no qual, mais do que o peso institucional de alguns atores, a vontade de compartilhar deveria ser o motor, exigindo um algo nível de acordo entre as instituições e os produtores; o desenvolvimento partindo “de baixo”; e a criação de uma coordenação local que expressasse o acordo e a união entre os atores (SOUZA, MIGLINO, BETTINI, 2005; COELHO, 2001).
A terceira fase do programa teve como foco a superação desses desafios, com o surgimento da idéia de criação do Instituto para o Desenvolvimento dos Agronegócios (IDEAGRO) e os seus respectivos impactos.