Na Tabela 13 é destacado um resumo quantitativo das ações dentro do programa. As ações estão agrupadas em capacitação (cursos, palestras e consultorias), acesso a mercados (eventos, missões e caravanas), tecnologia e inovação (simpósios, trabalhos publicados) e suporte institucional (convênio e eventos).
Tabela 13: Atividades voltadas para a capacitação do produtor rural da região do Alto Tietê entre 1997 e 2005, realizadas pela parceria SEBRAE-SP, Sindicato Rural de Mogi das Cruzes e CATI/EDR Mogi das Cruzes
ATIVIDADES44 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 TOTAL Cursos Gerenciais (1) 1 1 7 1 8 8 26 Cursos Técnicos (2) 2 1 20 23 Cursos Formação de Lideranças (3) 1 1 3 5 Cursos Qualidade (4) 1 1 2 Palestras técnicas 1 1 1 1 5 1 6 16 Missões e Caravanas 2 4 2 3 4 15 Consultorias Coletivas 5 1 6 Simpósios 2 1 1 4 Eventos 2 3 2 2 3 12 Convênio SAI 1 1 1 3 Trabalhos publicados (5)45 2 1 1 1 2 3 10
Número de Grupos Atendidos 2 3 4 4 8 3 17 3 25 69
Número de Produtores
atendidos (6) 25 34 53 53 94 31 154 31 512
Fonte: adaptado de Perosa, Vieira e Nitzsche (2006).
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a) Cursos Gerenciais: cursos com mais de 8 horas, voltados para a formação empreendedora e a capacitação gerencial da atividade agropecuária. Foram incluídas: Programa de Capacitação Rural, Curso Despertar Rural e cursos do Sistema de Gestão Empresarial, Aprender a Empreender, todos eles ofertados pelo SEBRAE-SP.
b) Cursos Técnicos: cursos voltados para a capacitação na técnica da produção, com objetivo de introdução de novos procedimentos para aumento da produtividade. Foram considerados: Oficinas SEBRAETEC, cursos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e da CATI.
c) Cursos de Formação de Liderança: voltados para o fortalecimento da organização social, através da capacitação e formação de novas lideranças no setor agrícola. Foram considerados: Curso AGROIDEAL, Curso Ideal e Curso Juntos Somos Fortes, todos eles ofertados pelo SEBRAE-SP.
d) Cursos de Qualidade: voltados para a implantação de procedimentos de qualidade na gestão e na produção. Foram considerados: Programa Qualidade Total e PAS, ambos ofertados pelo SEBRAE-SP. e) Palestras: voltados para o desenvolvimento do setor agrícola da região, abrangendo a gestão empresarial,
mercado, marketing, técnicas de produção, associativismo e desenvolvimento pessoal. Foram consideradas atividades com até 4 horas de duração. Realizadas por todos os parceiros envolvidos. f) Missões e Caravanas: viagens técnicas realizadas com grupos de produtores para conhecimento de novas
tendências de produção, mercado e tecnologia. Organizadas por todos os parceiros envolvidos;
g) Consultorias Coletivas: atividades com acadêmicos e técnicos especializados em produção, gestão e mercado, que atendem a demandas específicas dos grupos de produtores, seja por cadeia, seja por região. Organizadas por todos os parceiros envolvidos.
h) Simpósios: evento técnico realizado no mínimo por 3 dias consecutivos, organizado por atores locais e não locais e focados na melhoria das técnicas de produção e gestão.
i) Eventos: atividades para divulgação dos produtos agrícolas da região (campanhas de safra), campanhas de degustação e abertura de programas regionais. Foram considerados aqueles que tinham especificamente atividades voltadas para o aprimoramento do produtor. Não foram consideradas as atividades puramente políticas, como assinaturas de convênios.
j) Convênio SAI: ano de implantação do convênio SAI – Módulo Mogi das Cruzes, na região do Alto Tietê. k) Número de Grupos Atendidos: grupos formais e informais de produtores rurais que foram formados e/ou atendidos conjuntamente pelos parceiros SEBRAE-SP, Sindicato Rural e CATI, ou especificamente pelo Programa SAI nos anos em que estava conveniado.
Outros resultados qualitativos devem ser mensurados, pois foram estimulados diretamente pelo contato das instituições com o programa. Destacamos os mais relevantes:
• todas as prefeituras municipais revitalizaram suas Diretorias ou Secretarias Municipais, sendo que particularmente em Mogi das Cruzes e Salesópolis foram ocupadas por técnicos oriundos do programa;
• o Sindicato Rural de Mogi das Cruzes tem sua diretoria formada em sua maioria por produtores que participaram do AGROIDEAL. O restante da diretoria participa ativamente dos grupos de produtores que estão no Programa AGROALT;
• a presidência da Câmara Setorial de Hortaliças foi ocupada pelo Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, sendo presidida pelo agrônomo responsável pela área técnica desse sindicato;
• a TV Diário, coligada à Rede Globo, criou um programa específico para a agricultura da região, transmitido aos sábados;
• os principais jornais da região criaram um caderno agrícola semanal e são atendidos tecnicamente pelo IDEAGRO, CATI e Sindicato Rural de Mogi das Cruzes (Anexos 18 e 19);
• em todas as feiras e eventos temáticos na região (sejam da Associação Comercial, Centro das Indústrias do Estado de São Paulo – CIESP, universidades, entre outros) há um espaço reservado para a promoção dos produtos do Programa AGROALT;
• as universidades locais (Universidade de Mogi das Cruzes – UMC – e Universidade Braz Cubas – UBC) tornaram-se mais pró-ativas em relação ao tema, seja atuando no agrário, seja reforçando ações no contexto do rural;
• o turismo rural ganhou uma dimensão territorial, sendo visto integrado de maneira sistêmica entre os municípios. Lideram o processo Salesópolis, como
eixo de desenvolvimento para o município, e o Circuito das Flores, em Mogi das Cruzes, como atividade complementar à produção agrícola;
• as relações com os órgãos de fiscalização, principalmente Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB), Vigilância Fitossanitária, Departamento de Proteção aos Recursos Naturais (DPRN) e Vigilância Sanitária, tornaram-se mais estratégicas, inserindo temas importantes e impactantes na produção local. As ações educativas e preventivas foram priorizadas;
• as revendas da região estão mais sensíveis à proposta do programa e intensificaram suas participações nos eventos e em ações técnicas;
• as parcerias com instituições de ensino e pesquisa intensificaram-se, com a realização de estágios pelos acadêmicos da graduação e pós-graduação, visitas técnicas e trabalhos de conclusão de curso. Destacam-se a UNESP Botucatu, Instituto de Economia Agrícola (IEA), Instituto Biológico (IB), Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”/Universidade de São Paulo (ESALQ/USP), FEAGRI/UNICAMP, Universidade de Taubaté, Faculdades Integradas Cantareira e EMBRAPA CENARGEN;
• trabalhos em conjunto com a CEAGESP, Câmara Setorial de Hortaliças, APAS, ANDEF, Instituto Brasileiro de Fruticultura (IBRAF);
• apoio técnico em projetos de captação de recursos alinhados ao programa, como o Programa de Melhoramento Genético do Oncidium (orquídea chuva-de-ouro), realizado pela AFLORD e captado recursos junto ao CNPq; Projeto Circuito das Flores, captado recursos junto à Prefeitura Municipal de Mogi das Cruzes; Centro de Pesquisas de Agricultura Sustentável, em Salesópolis, captado junto ao Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE); Incubadora Tecnológica Mogi das Cruzes (INTEC), captado junto ao SEBRAE- SP, universidades e Prefeitura Municipal de Mogi das Cruzes;
• parceria técnica na utilização da rede de cooperação do Programa AGROALT para o Programa de Microbacias do Rio Tietê Cabeceiras, da CATI;
• convênios com laboratórios de análises de solo, água e plantas.
Nesses resultados qualitativos o destaque vai para a formação, o crescimento e o fortalecimento das redes de cooperação. Podemos concluir que o capital social desse território teve um aumento significativo, impossível de ser mensurado quantitativamente, mas possível de ser visto na quantidade de canais de relacionamento que surgiram. Outro destaque é que nesse capital foram incluídas e valorizadas as atividades não-agrícolas, principalmente a valorização da paisagem, da cultura e da história desse território rural.
Os investimentos públicos aumentaram, com destaque para o SEBRAE–SP, que foi o maior investidor financeiro no programa. O destaque negativo é a ausência total da participação do governo federal, sendo insignificante a sua participação dentro dessa rede. Também o governo estadual participa pouco financeiramente, mas os órgãos relacionados à agricultura aumentaram o seu nível de participação.
Outro ponto difícil de ser mensurado é o resultado individual de cada propriedade. Muitas variáveis externas ao programa influem diretamente na produtividade e na competitividade das propriedades. O que se percebeu é que o aumento da demanda na formação de grupos e a estabilidade dos antigos grupos reforçam a imagem de que há um ganho individual, pautado principalmente pela máxima da cultura da cooperação: o sucesso coletivo sustenta o sucesso individual!
Por fim, o Programa AGROALT promoveu mais acertos do que erros. Recolocou o tema da agricultura na pauta de discussão no Alto Tietê, introduzindo novos elementos, como a valorização do rural, a necessidade de buscar parceiros externos e o caminhar conjunto de todos os envolvidos.
Resta agora discutir os desafios futuros do programa e sua estabilidade no longo prazo. Esse será o tema a ser discutido no próximo capítulo.
CAPÍTULO 4
OS DESAFIOS FUTUROS DO PROGRAMA AGROALT
Tratar sobre os desafios futuros do Programa AGROALT implica separá-los de algumas perspectivas: quanto à perspectiva setorial, abordando sua ação particularmente em cada cadeia; quanto à perspectiva territorial, abordando sua ação como um projeto com clara identificação com o rural no Alto Tietê; quanto à perspectiva local, como animador de políticas públicas locais; e, por último, sua interface com outros programas e projetos.