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8 8 O período entre 1987 e

3. A arquitetura escolar

3.2. O Programa arquitetônico

Segundo Deliberador (2010), o programa arquitetônico para a concepção de projetos para a edificação escolar pública do estado de São Paulo é fixo e estabelecido em função do modelo pedagógico definido pela Secretaria do Estado da Educação (SEE). Um dos problemas é a sua rigidez quanto ao dimensionamento dos espaços e a falta de detalhamento das necessidades (metas, objetivos e desempenhos), originando projetos dentro de um padrão repetitivo e com pouca preocupação em se atender as exigências específicas de cada comunidade.

Muitas vezes, as escolas já estão obsoletas (número de salas, acessos, equipamentos, entre outras questões) antes mesmo de serem entregues, de modo que as adaptações imprescindíveis para o desenvolvimento de uma atividade são supridas pelo improviso. Mas a tarefa de repensar os espaços escolares é do arquiteto da atualidade, que diante de tantas pesquisas nacionais e internacionais que apoiam o desenvolvimento das competências necessárias para criar espaços que contemplem, no mínimo, os elementos necessários para o conforto humano e para o processo de aprendizagem.

No Brasil, há outros fatores complicadores. As implantações das escolas públicas acontecem, em geral, em regiões urbanas periféricas com infraestrutura muitas vezes caóticas e em lotes com dimensões insuficientes e formatos nem sempre ideais para acomodarem o programa arquitetônico de uma nova escola. (KOWALTOWSKI e MOREIRA, 2012, p. 1)

Assim, a partir da experiência e do conhecimento do arquiteto, as decisões de projeto devem assegurar a coerência para a solução dos problemas, incorporando as necessidades fundamentais do edifício escolar quanto à sua forma, seu uso, organização dos espaços, mobiliário e equipamentos, conforto e segurança.

usuários, às condições locais, às tecnologias disponíveis, a legislação restritiva e também as necessidades durante a vida útil da edificação. Ação que resulta na “intuição” e que é possível somente quando o arquiteto tem conhecimentos anteriores e experiências desenvolvidas ao longo da prática e que são recuperadas ao longo da atividade projetual. (FLÓRIO, TAGLIARI, 2009, p. 95)

Embora o programa arquitetônico do edifício escolar, estabelecido pela FDE, não especifique todas as informações e a discussão passe para o campo dos “desejos” de uma melhoria necessária, o arquiteto deve ter conhecimento para pesquisar, interpretar os dados geográficos, sociais, econômicos e culturais do local e identificar os aspectos mais relevantes e as principais necessidades, segundo a sua percepção, a da FDE e do seu futuro usuário.

Sendo relevante estabelecer prioridades para a concepção das ideias de projeto, Hertzberger (1999) afirma que se pode valorar cada uma das necessidades, transformando-as em requisitos a serem atendidos no projeto do edifício escolar:

 Humanos: relações sociais a serem mantidas, características físicas, psicológicas e fisiológicas dos usuários, etc.;

 Ambientais: clima, terreno, entorno, recursos naturais;  Culturais: métodos pedagógicos, histórico, social, legal;  Temporais: crescimento, mudanças, políticas;

 Econômicos: construção, materiais utilizados, manutenção;  Estéticos: forma, espaços, significados;

A observação e o atendimento de cada um desses requisitos demanda criatividade e interpretação dos dados, sendo fundamental a observação dos elementos explícitos ao programa arquitetônico (quantidade de salas, área construída, disposição do mobiliário) e as necessidades implícitas (humanização, beleza, funcionalidade, atratividade, entre outros) para o edifício escolar.

Nos últimos anos, a FDE construiu várias escolas no estado de São Paulo, projetadas por renomados escritórios de arquitetura, fornecendo o programa arquitetônico, as diretrizes e os manuais técnicos com as devidas especificações para a concepção dos projetos. Sendo assim, segundo o MP:A (2008), mais do que compreender os programas, os arquitetos devem ter competência técnica para produzir edifícios escolares diversificados, sem falhas e obrigatoriamente adequados as novas realidades:  Melhoria da qualidade dos espaços físicos e dos equipamentos como condição para a melhoria da

qualidade das práticas de ensino e de aprendizagem. Uma escola moderna deve oferecer espaços de trabalho e de estudo, espaços multifuncionais, espaços de socialização e espaços abertos à comunidade, bem como as infraestruturas de comunicação e as melhores condições de conforto.  Contribuindo para o bem-estar físico e psicológico de alunos, professores, funcionários e

comunidade, ajudando a criar laços de afeto e amorosidade com o processo educativo e a socialização.

 Valorizando a integração da escola com o tecido urbano, reforçando os laços que vinculam a vida da cidade e dos seus habitantes com o seu futuro projetado.

Os programas arquitetônicos são gerados a partir do planejamento da rede física escolar e suas necessidades atuais e futuras. Uma tabela quantitativa de ambientes é definida sem contemplar o caráter qualitativo dos espaços. A interpretação dos dados para a elaboração projeto fica a cargo de cada profissional envolvido no processo.

Os programas arquitetônicos apresentados

na Figura 3.10 e 3.11são para as escolas de Ensino Fundamental de 1º ao 5º ano (ciclo I) e 6º ao 9º ano (ciclo II) respectivamente, e

em função do modelo pedagógico definido pela Secretaria de Educação:

Figura 3.10: Programa Arquitetônico - Ciclo I Fonte: FDE, 2014

Os programas determinam as quantidades dos diversos ambientes que devem compor a edificação, em função da necessidade de atendimento, ou seja, do número de alunos que prestará atendimento. Cabe ressaltar que o programa do Ciclo I não contempla sala de leitura, biblioteca, laboratório ou sala de uso múltiplo.

Figura 3.11: Programa Arquitetônico - Ciclo II Fonte: FDE, 2014

A FDE disponibiliza um catálogo de fichas técnicas de cada ambiente escolar contendo as plantas genéricas e funcionais, principais instalações e componentes e as exigências técnicas relativas ao conforto térmico, iluminação, ventilação e acabamentos, em sintonia com as normas e legislação vigente. São ainda apresentados "layouts" com a distribuição dos móveis nos espaços escolares, definindo o esquema básico de distribuição, tipo e quantidade de mobiliário a ser utilizado nos ambientes que compõe a unidade escolar.

O projeto desenvolve-se quase como um quebra cabeça, adequando os ambientes padronizados em uma organização espacial apropriada ao terreno. Essa padronização permite uma eficiência no processo, agilidade nos orçamentos e prazos de execução das obras, mas em muitos casos, os espaços não são plenamente adequados às necessidades dos usuários, do local e das exigências de conforto, por falhas de interpretação do arquiteto ou de planejamento do programa arquitetônico.