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Neste tópico apresentamos o Programa Juventudes por meio da análise de dois documentos principais e institucionais que amparam as unidades operacionais do Sesc São Paulo com conceitos, parâmetros, objetivos e informações para a implantação, acompanhamento e avaliação das ações e atividades propostas.

O primeiro documento, o de maior relevância, é o Termo de Referência do Programa Juventudes (SESC, 2013). Elaborado e encaminhado às unidades operacionais do Sesc São Paulo apresenta informações para a operacionalização das ações e propostas com objetivo de

“[...] fortalecer essas ações e sistematizar o trabalho com os jovens em unidades que ainda não implantaram projetos nesta área”. (SESC, 2013, p. 1).

Na construção e apresentação do documento, o Sesc acredita, dentro do seu campo de atuação, nas unidades operacionais que “podem constituir-se espaços de convivência e de promoção de novas sociabilidades para os jovens em suas respectivas regiões, como mais uma opção democrática de lazer e cultura nas cidades” (SESC, 2013, p. 1).

O Termo de Referência do Programa Juventudes é um documento em formato de texto contendo 8 páginas, contendo os seguintes itens: Introdução; O Conceito; Objetivo;

Justificativa; Princípios Norteadores; Ações Estratégicas; Implementação; Metodologia e Formato; Quadro Resumo do perfil e funções para atuação do educador; Referências Bibliográficas.

O segundo documento analisado nesta dissertação, a Apresentação do Programa Juventudes (SESC, 2018), foi encaminhado às unidades operacionais do Sesc São Paulo no ano de 2018, é um documento complementar, por ter sido elaborado a partir do Termo de Referência. Este foi construído com objetivo de ser um documento de apoio para os Educadores Infanto-juvenil e Técnicos de Referência do nas unidades operacionais, para acompanhamento das ações e implantação. Em formato de tópicos, com informações objetivas e sintéticas, traz esse contraponto ao Termo de Referência que tem uma abordagem descritiva sobre a estruturação da proposta.

Na apresentação encontramos informações adicionais além dos dados contidos no Termo de Referência, com a possibilidade de ampliar a análise sobre os conceitos, objetivos, operacionalização e parâmetros do programa. A apresentação foi encaminhada e apresentada aos técnicos de referência e educadores infanto-juvenis que atuam ou que têm interesse na implementação do Juventudes nas unidades operacionais.

O documento em questão está em formato de apresentação, contendo 20 lâminas, aborda as seguintes unidades temáticas: GEPROS; quem são esses jovens? quem é considerado jovem?

Dados do Estado de São Paulo; o que é o Programa Juventudes? parâmetros do Programa?

Diretrizes do Programa; Objetivos do Programa; Eixos de Ação; Profissionais envolvidos com o Programa Juventudes; Juventudes em Foco.

Ambos os documentos analisados foram elaborados pela Gerência de Estudos e Programas Sociais do Sesc São Paulo (GEPROS), no seu núcleo de Infâncias e Juventudes.

É importante ressaltar que os documentos, como já destacado, mesmo em momentos diferentes, objetivam sistematizar o trabalho com jovens nas unidades operacionais. Antes mesmo da consolidação do Termo de Referência, havia ações destinadas às juventudes, porém, sem o amparo conceitual com orientações que promovessem a potencialização das ações do Programa Juventudes. Portanto, há o entendimento de que anterior à promulgação do Termo de Referência em 2013, as unidades do Sesc São Paulo realizavam ações para as Juventudes, sem uma linha de atuação e parâmetros conceituais que delinearam a construção dessas ações e propostas. Este estudo parte do entendimento que o Termo de Referência é o marco para as ações com as Juventudes no Sesc São Paulo.

É importante relatar que no ano de 2013 houve movimentos com forte envolvimento de jovens no Brasil, como a Jornada Mundial da Juventudes, evento promovido pela Igreja Católica na cidade do Rio de Janeiro. A promulgação do Estatuto da Juventude, instituído pela Lei nº 12.852/13, tratando exclusivamente dos direitos dos jovens e das diretrizes e políticas públicas para as juventudes. Também, em 2013, o Movimento Passe Livre organizou e realizou manifestações para reivindicar a adoção de “tarifa zero” no transporte público para estudantes.

Nos anos seguintes, foram realizados outros movimentos com grande adesão popular, levando pessoas às ruas para reivindicar os investimentos empregados para realização de grandes eventos esportivos, como a Copa da Confederações de 2013, Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de Inverno de 2016. Não podemos deixar de destacar o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff.

Não é objetivo do trabalho analisar estes movimentos, mas é possível interpretar que a efervescência dos atos e das transformações sociais geradas naquele período, inspiradas pelo protagonismo das juventudes, sejam propulsores para idealização e implantação do Programa Juventudes no Sesc São Paulo.

4.1.1 Os documentos, seus objetivos e contextos

Ao elaborar documentos com subsídios conceituais e operacionais para ação com as juventudes, o Sesc São Paulo entende que pode “constituir-se de espaços de convivência e de

promoção de novas sociabilidades para os jovens em suas respectivas regiões, como mais uma opção democrática de lazer e cultura nas cidades” (SESC, 2013, p. 1).

No Termo de Referência do Programa Juventudes o objetivo do programa é “promover a autonomia e desenvolver noções de responsabilidade e ética, na relação com os jovens com respeito às suas especificidades e diferenças, colaborando para o desenvolvimento de suas potencialidades” (SESC, 2013, p. 2). Ampliando a reflexão sobre a análise deste objetivo, em outro documento institucional produzido pelo Sesc São Paulo que não é foco desta pesquisa, encontramos outro objetivo que justifica atuação do programa por meio da “[...] ampliação do repertório cultural, estímulo à convivência e a formação de vínculos. As atividades do Programa Juventudes são pautadas na participação efetiva do jovem” (SESC, 2020, p. 70), apresentando aspectos que se unem aos objetivos e conceitos previstos para as ações do programa.

O Programa Juventudes busca desenvolver ações e propostas para jovens com idade entre 13 e 29 anos, sendo desenvolvido de dois formatos. Em formato de curso, o programa pretende “desenvolver ações processuais, sistemáticas e permanentes para adolescentes na faixa etária de 12 a 17 anos, de forma a permitir a formação de vínculos e sua participação ativa na elaboração de propostas que atendam suas demandas e expectativas'' (SESC, 2013, p. 2).

Para ações na faixa etária acima de 17 anos, “entende-se que as propostas devam ser mais pontuais, mas não menos dedicadas à ampliação do universo cultural dos jovens, que hoje, são também produtores de cultura que necessitam de espaços para compartilhar suas produções e ter acesso a projetos culturais afinados com seus interesses, que permitam a participação, o encontro, o diálogo, a troca e a convivência” (SESC, 2013, p. 2).

É importante ressaltar que as diretrizes e informações contidas no Termo de Referência permitem alterações e adaptações no formato em cada unidade, como destacado no próprio documento.

Além disso, é preciso considerar o contexto em que cada unidade está inserida o que influência diretamente no perfil do público a ser atendido. Por fim, vale lembrar que adesão a um dos formatos não impede que outros aqui propostos ou definidos pela equipe também sejam desenvolvidos. A unidade poderá sentir-se desafiada a trabalhar com diferentes faixas etárias, o que apenas enriquecerá as ações do programa [...]

(SESC, 2013, p. 4).

O projeto político-pedagógico do programa, sua elaboração com a participação efetiva dos jovens, educadores, equipes técnicas e a comunidade, têm como base o contexto social e territorial onde está inserido, respeitando as demandas das juventudes locais e as dimensões culturais construídas através das relações sociais dos partícipes do processo educativo. Essa prática é justificada, pois cada coletivo apresenta a sua própria história, vitrines e espaços que

se constroem sobre as perspectivas do encontro e compartilhamento, por meio de experiências e contextos formados dentro de cada unidade que acolhe as ações do programa.

4.1.2 O Conceito de Juventudes do Programa

O Termo de Referência também traz o entendimento para utilização do termo, que abrange as características diversas na sua constituição simbólica.

Chamaremos de Juventudes, no plural, o público ao qual vamos nos referir. Optamos por chamar assim e não de adolescentes por compreendermos que há uma visão de certo modo naturalizante e biologista nesse conceito, cujos estudos estão mais pautados na análise de um tempo cronológico que pré-determinaria essa fase da vida (SESC, 2013, p. 1).

O termo “Juventudes” se justifica conceitualmente não somente pela faixa etária de atuação, que compreende a fases e etapas da vida distintas para os jovens, mas também pelas características empreendidas na construção social dessas pessoas, conforme destacado no trecho abaixo:

Tratar sobre o tema Juventudes é, sem dúvida, complexo e desafiador. Afinal, o que é, ou então, quem é a juventude? Não há uma única resposta para essa pergunta. É importante entender que juventude é uma construção social muito diversa, que abarca inúmeros segmentos. Para entender a juventude precisamos contextualizá-la a partir de suas relações com gênero, raça, cultura e classe social. Não há uma única juventude, e sim várias formas de vivências de juventudes. O jovem, portanto, se encontra em todos os espaços, vivendo as mais diferentes realidades. Ao discutirmos a relação entre política e juventude poderíamos nos voltar para os mais diversos segmentos, pois o jovem está na saúde, na educação, no transporte, no trabalho, na cultura, no bairro (MARTIN; VITAGLIANO, 2019, p. 9).

Ampliando a contextualização para o melhor entendimento do conceito de Juventudes, o documento Termo de Referência ressalta que “contempla uma faixa etária, inserida em contextos sociais e culturais muito particulares, com demandas subjetivas absolutamente diversas, que merecem o nosso olhar atento” (SESC, 2013, p. 1).

4.1.3 Os objetivos

O Termo de Referência (SESC, 2013) e a apresentação do Programa Juventudes (SESC, 2018), em seus textos, têm diferenças sutis no que diz respeito aos objetivos do programa. No Termo de Referência, como já citado, traz os seguintes objetivos. “Promover a autonomia e desenvolver noções de responsabilidade e ética, na relação com os jovens com respeito às suas especificidades e diferenças, colaborando para o desenvolvimento de suas potencialidades (SESC, 2013, p. 02).

Segundo a apresentação do Programa Juventudes (2018), os objetivos para o programa são:

“Promover a socialização - Entre jovens

- Intergeracionalidade [intergeracional]

Desconstruir estereótipos e preconceitos relacionados aos jovens.

Respeitar as diferenças.

Exercitar a autonomia (responsabilidade)

Ampliar o universo cultural” (SESC, 2018, grifo nosso).

Conforme destacado, existem diferenças nos objetivos apresentados, mas que se complementam, trazendo conexões entre as dimensões apresentadas. O Termo de Referência (SESC, 2013) traz objetivos como ética e o desenvolvimento das potencialidades dos jovens, itens não apresentados na Apresentação do Programa Juventudes (SESC, 2018), que têm aspectos como promover a socialização intergeracional, ampliação do universo cultural e desconstrução de preconceitos e estereótipos. Unindo os objetivos dos documentos, encontramos inúmeras camadas de análises e discussões que montam a atuação do programa, pois os campos destacados, abrem possibilidades e feridas, que remetem a vidas dos jovens na sociedade contemporânea.

A intersecção de objetivos, desafios e desejos a serem elencados na composição do programa, são demandas e dificuldades da sociedade contemporânea, que busca através de diversas áreas de atuação com os jovens, em especial na área da educação, elementos que possam analisar e compreender o desenvolvimento através da potencialidade desses grupos.

Gohn (2010), amplia a reflexão sobre os objetivos do programa e as demandas sociais ligadas às juventudes, quando destaca a aprendizagem via processos de compartilhamento de experiências, em espaços coletivos, nos territórios onde acompanham as trajetórias de vida das pessoas e dos grupos (GOHN, 2010).

4.1.4 Diretrizes e Parâmetros

Na Apresentação do Programa Juventudes (2018), encontramos elementos fundamentais que implicam na constituição conceitual do programa, e por consequência, estes pontos têm reflexos significativos nas ações e propostas. As diretrizes e parâmetros orientam as construções das propostas e ações e delimitam áreas de atuação, bem como os recortes no trabalho, para criar consonância com os contextos sociais onde o programa está inserido.

Os parâmetros são:

Adolescentes e jovens de 13 a 29 anos;

Público especializado e interessado na temática.

Educação como processo permanente.

Atendimento qualificado.

Ampliação do atendimento com foco no público prioritário.

Diversidade das e nas juventudes (SESC, 2018).

De forma a considerar e respeitar as diretrizes, é importante ressaltar dois pontos que devem caracterizar o programa: a da educação como processo permanente e a diversidade das e nas juventudes. Esta reflexão é abordada no Termo de Referência por meio da análise de uma pesquisa citada no documento. O Termo de Referência apresenta uma pesquisa que remete à reflexão pontuada. A pesquisa intitulada “O Sonho Brasileiro”, realizada pela empresa BOX 1824 em 2011, traz dados que indicam que “grande parte do público juvenil são pessoas participativas, preocupadas com o seu entorno e principalmente criativos em relação aos projetos pessoais e coletivos” (SESC, 2013, p. 2).

As informações nãos estão contidas na Apresentação do Programa Juventudes, porém, devido ao período de elaboração destes documentos e suas características distintas, um com objetivo de implementação do programa, outro com perspectivas de apresentação da proposta em andamento, identificamos uma complementaridade entre ambos, compondo uma visão de evolução conceitual do programa.

As diretrizes demonstram esse avanço na compreensão do programa, abordando os seguintes pontos:

Reconhecimento do público;

Relação com o território;

Diversidade cultural;

Democracia cultural;

Sujeitos de direitos;

Participação do jovem;

Acolhimento /Espaços de diálogo e afeto;

Transversalidade /Temas e linguagens (SESC, 2018, s/p.).

Partindo das simetrias entre os documentos, ao trazer as diretrizes, mesmo não estando implícitas no Termo de Referência, há forte relação com as temáticas destacadas no documento.

Aponta a necessidade de praticar um olhar inclusivo os trabalhar com recorte etários das juventudes e ressalta:

[...] negociar a participação juvenil com respeito aos aspectos sociais, culturais e antropológicos vai muito além de apenas atender demandas. É importante ver o jovem como sujeitos de diretos que não estão nem atrás nem na frente, mas ao lado dos adultos. Por isso, o maior desafio consiste em buscar diálogo com as juventudes, escutar o que o jovem tem a dizer sobre si mesmo e compartilhar sua visão de mundo (SESC, 2013, p. 2).

Esta pesquisa considera que a conexão dos conceitos e diretrizes apresentadas nos documentos que, pontuam reflexões que engajam de forma contundente e significam quando se estabelecem formas e análises que permitam melhor conhecimento a respeito da atuação com jovens em programas socioeducativos.

4.1.5 Princípios norteadores e Eixos de ação

Os princípios norteadores para elaboração e acompanhamento do programa estão destacados no Termo de Referência (2013), e compreendem o “fazer com o jovem; reconhecer o jovem como ser criativo; criar condições de diálogos e trocas e promover a formação de vínculos (SESC, 2013, p.3).

Os eixos de ação descritos na Apresentação do Programa Juventudes (2018) apontam exclusividade na concepção da proposta, destacando a necessidade dos fazeres “para o jovem;

com o jovem; sobre o jovem/juventudes” (SESC, 2018, s/p.), criando uma perspectiva de vínculo e horizontalidade nas relações.

Os tópicos apresentados nas diretrizes do programa, eixo de ação e princípios norteadores se articulam, priorizando uma visão ancorada ao conceito de juventudes. Os formatos propostos levam em consideração metodologias que devem estar atreladas aos valores e princípios apontados nos documentos, reconhecendo a diversidade e as dimensões das juventudes como prioritárias no desenvolvimento das ações e atividades.

Visando a valorização e a inclusão destes contextos nos propósitos a serem trabalhados, não só como elementos figurativos e pontuais nas propostas, mas como cerne do contexto de atuação com as juventudes nas relações empregadas, como trajetória identitária do programa, o Termo de Referência destaca:

Considerando que o trabalho com jovens deve primar pela diversidade de abordagens e metodologias, para assim, estar de acordo com o conceito preconizado pelo programa que trata do público juvenil no plural, ou seja, considerar que existem muitas formas de ser jovem, com perspectivas e demandas bastante diversas e esse fato desse ser considerado ao desenvolver projetos com esse público (SESC, 2013, p.

4).

4.1.6 Os profissionais

As seções seguintes dos documentos, abordam a atuação específica nas atividades do programa. A apresentação do Programa Juventudes (2018), destaca os profissionais envolvidos

no programa. Estes profissionais atuam nas unidades operacionais e devem manter relação constante com todos os processos do programa de acordo com suas funções.

Os profissionais envolvidos nas ações do Programa Juventudes são o técnico de referência (ou técnico de programação), educadores infanto-juvenis e profissionais externos.

Os técnicos de programação, denominados como técnico de referência, com a função de fazer a “gestão dos espaços, atividades e das pessoas envolvidas no programa em todas as instâncias” (SESC, 2018, s/p.).

Os educadores de atividades infanto-juvenis, têm a função de acompanhamento e participação nas ações e propostas no programa de forma integral. Sua atuação envolve fazer a mediação diretamente com o público; realizar trabalho com grupos de jovens; Atuação nas ações e projetos do dia a dia com os jovens; pesquisa, planejamento e execução de ações;

aprofundamento e conhecimento sobre as especificidades dessa faixa etária (SESC, 2018, s/p.).

O documento cita que profissionais externos podem fazer parte das ações do programa, porém não faz orientação específica sobre a atuação destes profissionais.

4.1.7 Educadores e suas funções

O Termo de Referência (2013) descreve, de forma detalhada, as demandas e orientações para atuação dos educadores infanto-juvenis frente ao programa. O documento lista uma série de ações a serem realizadas pelos educadores e técnicos mediante ao recorte etário, traçando perspectivas de atuação em três faixas: para adolescentes (13 a 17 anos); para jovens-jovens (18 a 24 anos); para jovens-jovens-adultos (24 a 29 anos). Citaremos no trecho a seguir as demandas referentes a atuação para jovens-adolescentes, foco desta pesquisa.

- Dois ou mais encontros semanais de 3 horas cada um, manhã e tarde.

- Oferecer refeição ou lanche conforme as possibilidades.

- Duas turmas de 30 jovens (no máximo) em cada período.

- Trabalho por projetos, envolvendo o uso de linguagens artística diversas (música, dança, teatro, gastronomia, literatura, artes plásticas e visuais)

- Desenvolver oficinas temáticas.

- Praticar a metodologia de “Roda” para estabelecer conversas significativas acerca do projeto, expectativas e opiniões do jovem sobre o projeto.

- Fortalecer o vínculo entre jovens e educadores.

- Proporcionar a participação dos mesmos na elaboração do projeto de forma lúdica e criativa, aproveitando as ideias trazidas pelos jovens.

- Promover acesso a bens culturais, saídas para instituições na cidade e aproveitar a programação do Sesc como um todo (SESC, 2013, p. 5).

O documento também aponta a necessidade do educador infanto-juvenil, manter sua carga de trabalho semanal de 30 (trinta) horas, com ações exclusivas dedicadas ao programa.

Para as unidades operacionais que optarem pelo atendimento em dois turnos, manhã e tarde, a orientação de dois educadores atuando junto ao programa.

O documento lista em dois momentos, de forma descritiva, as funções do profissional, um passo a passo para o trabalho cotidiano. Estes educadores devem ter nível universitário em qualquer área de formação (licenciatura) e de preferência experiência pregressa com jovens e adolescentes. Suas funções são:

- Planejar: capacidade de elaboração, planejamento e desenvolvimento de propostas socioeducativas no contexto da recreação e lazer, mapear o entorno da unidade, estabelecer parcerias com projetos e instituições afins, constituir redes de atendimento;

- Programar: criatividade e sensibilidade para propor programações que dialoguem com o conceito de cada programa, de modo a promover uma abordagem transversal e abrangente dos temas propostos, além de articular criticamente os diversos aspectos da realidade;

- Executar: capacidade de propor e desenvolver ações socioeducativas não formais, ter ferramentas educacionais para mediar processos de aprendizagem, ser proativo diante da necessidade de explorar o potencial de espaços lúdicos ou não. Realizar reuniões com pais e responsáveis;

- Contratar: identificar momentos do Programa em que seja interessante convidar e contratar profissionais que possam colaborar e enriquecer o projeto realizado;

- Avaliar: ter capacidade de avaliar e reavaliar as ações desenvolvidas com a perspectiva de corrigir metas e estabelecer uma reflexão ampliada com a equipe;

- Reconhecer o entorno da Unidade;

- Estabelecer parcerias com instituições afins;

- Propor programações temáticas que envolvam adolescentes e jovens;

- Compor grupos de atendimento conforme demanda. Acompanhar as ações da FDE10, tentando estabelecer aproximações além de tentar ampliar as possibilidades de atendimento desses jovens (SESC, 2013, p. 7).

Já o Termo de Referência (2013) especifica pontos fundamentais na implementação, acompanhamento e avaliação do programa. No campo das ações e estratégias para o trabalho com os jovens, tratando de aspectos para a operacionalização, é necessário “considerar o contexto em que a unidade está inserida, o que influencia diretamente no perfil do público a ser atendido” (SESC, 2013, p .4). Esta análise estabelece laços para o atendimento que vai além da relação direta com os jovens, estendendo aos familiares, parceiros, colaboradores, ou seja, a comunidade como um todo. Neste sentido, é necessário para o desenvolvimento perene das ações do programa:

- Formar e fortalecer redes de atenção;

- Mapear o entorno da unidade e reconhecer as ações desenvolvidas com jovens;

- Reconhecer as demandas juvenis e a partir delas elaborar os projetos;

- Fortalecer as ações, dando-lhes maior consistência e fundamentação teórica;

10 Fundação para o Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo, estabeleceu parceria com o Sesc São Paulo para o desenvolvimento de ações e propostas extracurriculares para os alunos da rede.

- Sistematizar ações e fomentar processos educativos na ação com jovens;

- Gerar conhecimento e disseminar metodologias sobre os projetos com base nos registros das ações;

- Identificar vocações e demandas juvenis (SESC, 2013, p. 4).

A implantação e acompanhamento do Programa Juventudes amparado nestes documentos, apontam caminhos que permeiam os conceitos, diretrizes e parâmetros apresentados, porém, há abertura para o trabalho para além das prerrogativas do programa, em áreas distintas e complementares. Como atividades esportivas e visitas externas. Esta complementaridade, possibilita a criação de espaços para a relações horizontais com os envolvidos, que tendem a contribuir com os propósitos e intenções apresentadas

Há um trecho do Termo de Referência (2013) que sintetiza as reflexões realizadas neste capítulo.

Consideramos que o trabalho com jovens deve primar pela diversidade de abordagens e metodologias, para assim, estar de acordo com o conceito preconizado pelo Programa que trata do público juvenil no plural, ou seja, considerar que existem muitas formas de ser jovem, com perspectivas e demandas bastante diversas e esse fato deve ser considerado ao desenvolvermos projetos com esse público (SESC, 2013, p. 4).

No próximo tópico, apresentaremos o Programa Juventudes em ação do Sesc Itaquera.