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Programa Juventudes

4.3 Programa Juventudes: a perspectiva dos profissionais que atuam

Em continuidade à construção dos dados desta pesquisa, a seguir, apresentamos as respostas dos participantes referentes a aplicação do questionário on-line (Apêndice I), que sintetiza a perspectiva dos profissionais que nele atuam e que estão mais em contato com o fazer diário com os jovens.

Ao acessar o questionário, os participantes tiveram acesso a uma síntese da pesquisa, objetivos, justificativas, benefícios educacionais da proposta, formas de acompanhamento, contato e outros tópicos referentes ao termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) conforme preconizado pela ética em pesquisa.

A partir destas informações, trataremos em analisar as 27 respostas dos funcionários do Sesc Itaquera, envolvidos diretamente com o Programa Juventudes.

Todas as questões têm por finalidade obter informações, dados e apreciações da equipe sobre o conhecimento dos conceitos, objetivos e diretrizes do programa, bem como a consonância das intencionalidades e ações com os propósitos contidos nos documentos que estruturam a atuação das propostas do programa na unidade.

4.3.1 As questões e análises das respostas

As questões 1 e 2 foram destinadas à ciência dos procedimentos da pesquisa, como preconizado pela ética na pesquisa científica, e a concordância dos participantes em responder ao questionário. A questão 3 solicita o nome completo dos três participantes. Essas informações não serão analisadas.

A partir da questão n° 4, o questionário está organizado em quatro dimensões:

i) Jovens (participação e envolvimento com as ações do programa);

ii) Educadores (mediadores na construção de conhecimentos e saberes e condutores do processo de ensino aprendizagem);

iii) Plano de Trabalho (Ações, propostas e práticas educativas);

iv) Envolvimento dos coparticipantes (pais e responsáveis, parceiros do território, colaboradores, comunidade).

4.3.2 A formação inicial

A questão 4 está relacionada à formação inicial da equipe, exigência para exercer a função de educador infanto-juvenil na instituição. Todos os participantes têm formação nas áreas das ciências sociais e ciências humanas, com graduações em Ciências Sociais, História e Psicologia.

Nesta perspectiva, ao analisar a formação dos participantes e o trabalho a ser realizado no programa, entendemos a importância da atuação embasada nas demandas e expectativas dos jovens do território, que por meio destas articulações, em que as histórias e trajetórias de vida possam contrastar com a construção do trabalho da equipe.

4.3.3 O tempo e a atuação

Quando perguntados sobre o tempo de atuação especificamente no programa em tela, um educador infanto-juvenil respondeu ter pelo menos 3 anos de trabalho. O técnico de referência e o outro educador infanto-juvenil responderam ter menos de três anos de atuação junto ao programa. Circunstância que interfere no desenvolvimento das ações, entendendo que

o histórico do programa, com mudanças significativas no formato e a participação de diferentes parceiros ao longo destes anos, são pontos fundamentais que estabelecem as relações educacionais do Programa Juventudes. Ou seja, há a necessidade de tempo para maturação dos processos educacionais que estruturam o programa e o tempo para sedimentar estas relações de maneira perene, ainda não foi possível ao para o programa na unidade do Sesc Itaquera.

As respostas às duas questões apresentam dados sobre a atuação da equipe junto ao programa, pois mesmo com períodos variados como funcionários da instituição atuando no Núcleo Socioeducativo, o qual mantêm atividades em outros programas e outras faixas etárias, a atuação dos profissionais envolvidos no Programa Juventudes se deu no ano de 2019, pouco antes do início da pandemia de Covid-19 (2020). Assim, vivenciaram atividades presenciais no ano de 2029 e nas ações online desenvolvidas devido a suspensão das atividades presenciais nos anos de 2020 e 2021.

Conforme destacado no histórico do programa em Itaquera em 2019, houve mudanças significativas na formatação e objetivos no plano de trabalho. O programa passou a contar com dois educadores infanto juvenis dedicados exclusivamente ao programa. Outro ponto que embasou as ações do programa em 2019 foi a construção das propostas de trabalho pautadas na escuta dos jovens participantes e nas expertises dos educadores. Desta maneira, a linguagem do teatro deixou de ser o eixo disparador das atividades, entendendo que atuação da equipe em conjunto com os jovens, possibilitaria a busca desta nova identidade coletiva, e a descoberta de outras possibilidades de experimentação e vivências. Cabe ressaltar que o início da reestruturação no formato do programa da unidade em 2019, foi seguida pela suspensão das atividades presenciais em março de 2020, devido a pandemia de Covid-19, que obrigou que os trabalhos fossem estruturados por meio de ações virtuais. O objetivo foi de dar continuidade às ações e ampliar o escopo de trabalho com propostas que abarcassem temáticas direcionadas não somente para os jovens participantes do programa.

Foi apresentado uma única pergunta de característica quantitativa, que envolve o acompanhamento dos dados de ocupação e frequência do programa na unidade. A pergunta foi:

Qual a média de dados da ocupação e frequência dos jovens do curso nos anos de 2018 e 2019?

(Os dados podem ser colhidos pelo SGC - Sistema Gestor de Cursos ou por registros de coleta de dados internos da equipe do programa na unidade). Para esta pergunta obtivemos somente uma resposta informando o número de matrículas no ano de 2019. Entendemos que a ocupação das vagas do curso, bem como a frequência nas atividades compreendem as atividades dos

alunos matriculados. Comumente, os dados sobre a ocupação e frequência16 dos cursos processuais da instituição de curta, média e longa duração podem ser acessados por meio de um sistema, o Sistema Gestor de Cursos (SGC), o qual os educadores devem realizar os registros diários, principalmente sobre as presenças dos participantes.

Os três funcionários da equipe têm acesso ao SGC, entretanto dois funcionários da equipe optaram em não responder. Mesmo sendo um dos aspectos fundamentais para realização das ações do programa, há desconforto na equipe quando os dados de ocupação e frequência, que são dados quantitativos, são levados em consideração na construção e análise das propostas de trabalho e atuação.

4.3.4 Da participação dos jovens

A questão seguinte, de múltipla escolha, propõe a análise de quais pontos limitam a participação dos jovens no programa. Para as respostas, a equipe poderia opinar entre dez alternativas. Duas alternativas tiveram maior incidência de respostas: “a dificuldade de acesso à unidade" e a “complexidade de entendimento dos objetivos do programa”.

A dificuldade de acesso à unidade é real, que compreende o transporte público somente por duas linhas de ônibus. Outro aspecto é que a unidade está inserida em uma Área de Proteção Ambiental, espaços que geograficamente não mantêm empreendimentos imobiliários próximos. Os jovens participantes residem ou estudam em localidades afastadas, fazendo que tenham que andar grandes distâncias para chegar na unidade.

Apesar das melhorias que foram realizadas para que o bairro de Itaquera recebesse a abertura do Copa do Mundo de Futebol em 2016, aspecto que ampliou a especulação imobiliária com a construção de condomínios de prédios na região, não houve aumento da oferta de transporte público para acesso à unidade. A dificuldade de acesso a unidade se potencializa pela falta de recursos para pagamento do transporte público, pontos levantados pelos jovens, na realização das visitas às escolas da região, na divulgação do programa nos anos de 2019 e 2020, e por meio da escuta dos alunos das escolas, destacaram como aspecto impeditivo para participação no programa.

Em relação a “complexidade de entendimento dos objetivos do programa”, com a reestruturação do formato em 2019 na composição da equipe sendo composta por mais um educador infanto-juvenil, houve, no entendimento deste pesquisador, uma ruptura na

16 Ocupação é a capacidade de atendimento por número de vagas no programa. Frequência é a quantidade de presença nas atividades.

contextualização das ações e propostas, quando anteriormente tinha o teatro como linguagem principal das propostas de trabalho e as ações sendo desenvolvidas por parceiros externos em conjunto com o educador infanto-juvenil. Para que haja uma melhor comunicação dos objetivos e das propostas para o público-alvo, se faz necessário a compreensão conceitual do programa por meio do educador infanto juvenil, que tem papel fundamental no contato com todos os envolvidos. Sua análise e atuação estabelece o entendimento e o panorama geral das intencionalidades e ações, fazendo a conexão entre os objetivos e conceitos com as propostas de trabalho, favorecendo a comunicação com se aproxime do entendimento e expectativas dos jovens.

As opções “Ações que não condizem com as expectativas dos participantes”, a

“necessidade de formação de vínculos” e a “falta de apoio para o transporte” também foram alternativas assinaladas pela equipe, porém com menor incidência.

A questão seguinte aborda, por meio da análise da equipe, pontos que potencializam a participação e engajamento dos jovens nas propostas do programa. Duas alternativas foram assinaladas por todos os membros da equipe, a “alimentação inclusa na programação do curso”

e “atividades e ações propostas que atendam as expectativas dos participantes”.

A alimentação inclusa na programação do curso, no entendimento da equipe, é um dos principais atrativos para participação e engajamento dos alunos. A dinâmica do momento de alimentação na unidade mostra-se como um momento de encontros, interações, com a perspectiva de alimentação saudável e variada no restaurante, denominado Cozinha São Mateus. Outro ponto que faz a alimentação como essencial na participação dos jovens, é que alguns se deslocam da escola e vão direto para a unidade, tornando o almoço na unidade fundamental para sua participação nas atividades.

A segunda alternativa, contradiz a alternativa da questão anterior, quando destaca a falta de entendimento pelos jovens sobre os objetivos do programa. Podemos considerar que na pergunta anterior, quando a equipe relaciona a falta de entendimento da proposta, pode ser para os jovens que ainda não participam do programa. Na questão atual, levamos em consideração os jovens que já fazem parte do grupo.

4.3.5 Do Papel do Educador Infantojuvenil e o Técnico de Referência

A pergunta 12, exposta a seguir, é uma associação das ações com a o papel de cada membro da equipe em realizá-las. Os membros são os Educadores infanto-juvenis e o técnico de referência. As alternativas com concordância das respostas que ambos os profissionais

realizam naquela ação são as do mapeamento ao entorno da unidade; participar de reuniões de equipe e propor a contratação de profissionais para ministrar oficinas, palestras e bate papos.

A alternativa com total concordância entre as respostas é de que aquela ação deve ser realizada pelo educador de atividades infanto-juvenil são as de fazer contato com os pais e responsáveis; planejar, registrar e avaliar as ações com os jovens; e acompanhar o grupo de jovens em todas as programações estreitando os laços. Ao destacar nestas alternativas a atuação do educador com exclusividade, há pontos que nos remetem a ausência da atuação do técnico de referência nas ações e atividades de maior contato com os jovens.

Nenhuma das alternativas apresentaram a exclusividade como função ou ação totalmente desenvolvida pelo técnico de referência do programa, reafirmando a centralidade do educador nas ações e propostas realizadas.

As alternativas a seguir foram assinaladas como função de ambos ou do educador infanto-juvenil, sendo reconhecer instituições parceiras; visitar escolas para divulgar os projetos; visitar locais que realizam ações com jovens; organizar o mailing do público potencial do projeto; desenvolver projetos processuais com o público de modo a favorecer a construção de vínculos com os educadores e entre os jovens; elaborar relatórios mensais; acompanhar programações semelhantes fora do Sesc, como meio de identificar novas ideias; pesquisar textos e metodologias de trabalho que sejam referência na área; propor contratação de profissionais para ministrar oficinas, palestras, bate papos etc.; propor projetos pontuais a partir de temas de interesse do público jovem.

Na questão seguinte, destaca o grau de importância das ações que você realizou no Programa Juventudes, foi pedido para assinalar o grau de importância. Uma única ação, foi assinalada por toda equipe como muito importante. A alternativa foi “ter capacidade de avaliar e reavaliar as ações desenvolvidas com a perspectiva de corrigir metas de estabelecer uma reflexão ampliada com a equipe.” Conforme apontamos, a equipe enxerga a necessidade do acompanhamento e avaliação das ações propostas, com o intuito de orientar a elaboração dos Planos de Trabalho e sua execução. As perguntas a seguir destacam o olhar específico da equipe sobre o período e quem deve estar envolvido no planejamento e na avaliação do programa.

A alternativa que foi destacado o grau de importância razoavelmente importante e importante, foi a seguinte alternativa: “Compor grupos de atendimento conforme demanda”

Acompanhar as ações da FDE17, tentando estabelecer aproximações além de tentar ampliar as possibilidades de atendimento desses jovens.” Esta atividade não exige vínculo com os jovens participantes, por ser uma demanda de parceria do Sesc com instituições públicas, não despertando maior interesse da equipe na sua realização.

As alternativas seguintes, obtiveram a avaliação da equipe como muito importantes e importantes, trazendo relevância da sua execução junto às ações do programa. As alternativas são:

Planejar: Capacidade de elaboração, planejamento e desenvolvimento de propostas socioeducativas no contexto da recreação e lazer, mapear o entorno da unidade, estabelecer parcerias com projetos e instituições afins, constituir redes de atendimento.

Programar: Criatividade e sensibilidade para propor programações que dialoguem com o conceito de cada programa, de modo a promover uma abordagem transversal e abrangente dos temas propostos, além de articular criticamente os diversos aspectos da realidade.

Executar: Capacidade de propor e desenvolver ações socioeducativas não formais, ter ferramentas educacionais para mediar processos de aprendizagem, ser proativo diante da necessidade de explorar o potencial de espaços lúdicos ou não.

Realizar reuniões com pais e responsáveis.

Contratar: Identificar momentos do Programa em que seja interessante convidar e contratar profissionais que possam colaborar e enriquecer o projeto realizado.

Reconhecer o entorno da Unidade

Estabelecer parcerias com instituições afins. Propor programações temáticas que envolvam adolescentes e jovens.

Compor grupos de atendimento conforme demanda. Acompanhar as ações da FDE, tentando estabelecer aproximações além de tentar ampliar as possibilidades de atendimento desses jovens.

4.3.6 Do Plano de Trabalho

Na questão sobre se o “Termo de Referência do Programa Juventudes orienta a implementação e estruturação do programa nas unidades operacionais, destinando o

17Criada em 1987, a FDE – Fundação para o Desenvolvimento da Educação é responsável por viabilizar a execução das políticas definidas pela Secretaria de Estado da Educação, implantando e gerindo programas, projetos e ações destinadas a garantir o bom funcionamento, o crescimento e o aprimoramento da rede pública estadual de ensino.

Entre suas tarefas estão: construir escolas; reformar, adequar e manter prédios, salas de aula e instalações; oferecer materiais e equipamentos necessários à Educação; e viabilizar a capacitação de dirigentes, professores e agentes, visando sempre a melhor qualidade do ensino. (Fonte: https://www.saopaulo.sp.gov.br/orgaos-e-entidades/fundacoes/fde/)

atendimento para o curso processual a jovens na faixa etária de 13 a 17 anos. Analise os componentes abaixo e assinale três itens que considere fundamentais para a constituição do trabalho na sua unidade.”

Ao questionar aspectos contidos no Termo de Referência do Programa Juventudes, a pergunta aponta os elementos de orientação e estruturação do atendimento nas unidades, destacando três itens fundamentais para a constituição do trabalho. A alternativa que destaca a

“oferta de refeição” de acordo com as possibilidades, foi escolhida como fundamental por todos os membros da equipe, como já apontado em questões anteriores. As alternativas que destacam o “trabalho por projetos envolvendo linguagens artísticas nas ações propostas” e o

“fortalecimento de vínculos entre os jovens e educadores” também foram apontadas como importantes na constituição do programa.

Nesse sentido, os fatores que tratam as expectativas dos jovens em consonância com o perfil das atividades propostas, estabelecem relação com aspectos tratados nas questões anteriores, possibilitando o trabalho por projetos, a aproximação das intencionalidades com as demandas das juventudes locais. O trabalho e atuação dos educadores infanto-juvenil é fundamental no acompanhamento das atividades e concepção das propostas de trabalho. Seu papel na intermediação das relações sociais constituídas no programa, por meio das suas experiências e vivências pregressas, escutas e análises qualificadas das demandas dos jovens do território, possibilita a composição do trabalho com intervenções e proposições que partem destas conexões alinhadas aos processos educativos não formais.

Praticar “metodologia de roda18” para estabelecimento de relações significativas com os jovens e participação dos jovens na elaboração das atividades, também foram alternativas destacadas pela equipe.

Com base nos princípios norteadores que devem estruturar as ações do programa, foram elaboradas 4 perguntas que abordam elementos importantes na contextualização e realização das propostas de atividades. O contexto de “fazer com o jovem”, trouxe considerações ligadas à participação efetiva dos jovens nas rodas de conversa, propondo atividades que os jovens têm interesse em participar. No eixo de “reconhecer o jovem com ser criativo”, a equipe destacou o entendimento dos jovens como seres autônomos e portadores de saberes.

18 A Metodologia da roda de conversa é uma prática que tem em vista dar voz a todos os participantes, favorecendo a dialogicidade e empoderamento, estabelecendo percepções individuais e mútua sobre o espaço e as pessoas que ali estão, estimulando a troca de conhecimentos e saberes sem hierarquizar as relações, criando espaço para reflexão sobre a própria prática, construindo e fomentando processos educativos humanizadores.

Outra resposta apresentada aponta a possibilidade de trazer contratações de diferentes linguagens para agregar e potencializar inteligência diversas. Mesmo tratando-se de um aspecto importante, destacado por um dos membros da equipe, a resposta não tem relação com pergunta.

No eixo que trata de “criar condições de diálogo e trocas”, as respostas apresentadas fazem relação com a criação de ambientes favoráveis para troca de experiências e mediação de conflitos sobre situações do cotidiano dos jovens.

No contexto da” promoção e formação de vínculos”, o principal ponto levantado foi a

"atividade realizada para retomada dos vínculos com os jovens denominada Pequenos Afetos''.

Conforme citado no capítulo sobre o Programa Juventudes, com a dificuldade do contato remoto com os jovens participantes durante o período da pandemia, a equipe criou a proposta que encaminhou cartas via correio para os jovens, combinando encontros posteriores para realização de piqueniques na unidade com pequenos grupos acompanhados pelos educadores.

Mesmo com a atividade sendo realizada no período da pandemia, o convite trouxe a possibilidade de acolher os jovens em um momento de grande dificuldade, restabelecendo os vínculos propiciando momentos de trocas e expectativas de retomada das ações do programa.

Outra resposta para esta questão tem consonância com a atividade dos Pequenos Afetos, que aponta a necessidade de incentivar o diálogo constante para além dos conteúdos.

A pergunta a seguir, de múltipla escolha apresentou a seguinte questão. “Quais as ações e estratégias estabelecidas no planejamento do Programa Juventudes da sua unidade?”

As alternativas propõem ações que a equipe que atua no programa realiza, para acompanhamento e obter maiores informações sobre as conexões que podem compor às áreas de trabalho do programa. Das quatro alternativas, três foram elencadas com maior incidência, as quais foram: Mapeia, estabelece e amplia redes de contato com organizações e parceiros do entorno da unidade; Planeja, registra e avalia os processos de modo colaborativo; valoriza e da visibilidade à produção juvenil.

As alternativas apontam para possibilidades na atuação da equipe que está no cerne do trabalho para elaboração e planejamento de propostas socioeducativas processuais, pois, conforme descrito neste capítulo, torna-se evidente a necessidade de parceiros e funcionários de outros setores, envolvidos em todos os processos para o bom desenvolvimento da proposta do programa. Estabelecer e exercer esses contatos de forma efetiva e contínua é parte do papel da equipe, educador, técnicos e referência e gestores que têm atuação para o desenvolvimento das ações e propostas. É importante salientar que a construção desta micro rede de apoio, seu funcionamento deve se retroalimentar, ou seja, mesmo que o programa encaminhe demandas

diversas para estes parceiros internos e externos, temos que desenvolver estratégias de comunicação seguras para que o programa também seja demandado como parte desta rede.

A alternativa menos escolhida pela equipe foi a que trata do estímulo e diálogo entre as equipes dos diferentes setores da unidade, aspecto essencial para operação das atividades e o desenvolvimento de qualquer trabalho nas diversas áreas e setores, pela enorme estrutura e grande corpo de funcionários para operação da unidade. Outras duas alternativas foram assinaladas pela equipe, a de formar redes e fortalecer redes de atenção, aspecto que identificamos nas perguntas anteriores como deficitário no programa, ao apontar dificuldades na participação dos coparticipantes na proposta. Uma alternativa destacada pela equipe cita a geração de conhecimentos ao disseminar metodologias sobre os projetos com base no registro das ações. Conforme apresentado e discutido neste trabalho no capítulo que aborda os princípios da educação não formal, os envolvidos com o programa, ao compartilhar experiências com intencionalidade, constituem processos de ensino e aprendizagem, estes oriundos dos conhecimentos e saberes construídos por meio das vivências sociais dos participantes. Portanto, ao registrar essas ações e incluí-las nos processos de planejamento, acompanhamento e avaliação das ações e propostas, promovem formas metodológicas que possibilitam a melhora das ações e propostas.

Na questão “Cite três exemplos de ações que envolvem os princípios da pluralidade e diversidade cultural no Programa Juventudes”.

Uma das respostas citou o “acolhimento universal independente de gênero, raça ou deficiência”. Essa resposta cita os marcadores sociais e reforça a ampliação dos conceitos ao citar o termo acolhimento universal, tratando esses corpos como diferentes do contexto universal. A complexidade das Juventudes perpassa pela compreensão da diversidade intrínseca e extrínseca nas construções das relações desenvolvidas no programa, como uma extensão educativa intencional entendida como parte da nossa construção social individual e coletiva. É importante salientar que o respondente não responde à questão por completo (as 3 ações), mas contempla todas ao mencionar o “acolhimento universal”.

Outro respondente citou as ações: “oficinas de Afrobeat”, “oficina de DJ”, e a “rodas de conversa sobre as questões de gênero”, como princípios da pluralidade e diversidade cultural.

Nas oficinas são tratados temas que envolvem aspectos como povos tradicionais, movimentos sociais como hip-hop e outras temáticas próximas à realidade deles, usualmente não abordadas na educação formal. Segundo o educador, seja em conversas informais ou durante as atividades, como nas oficinas e “rodas de conversa”, essas ações e ambientes podem propiciar a trocas e o compartilhamento de experiências a partir das suas próprias vivências.