4 A QUESTÃO DA NECESSIDADE E DOS LIMITES DA PUBLICIDADE NO
4.4 A QUESTÃO DA PUBLICIDADE DO ADVOGADO NA INTERNET
4.4.1 O Provimento 94/2000 do Conselho Federal da OAB
O provimento 94/2000 veio para suprir necessidade clara do Código de Ética, no tocante à matéria publicidade, preenchendo as lacunas do referido Código no que diz respeito à matéria tão em voga. (RAMOS, 2003, p.45).
A doutrina registra o seguinte comentário relativo ao Provimento 94/2000:
Diante do mar de dúvidas no qual navegam os advogados e sociedades de advogados em relação aos limites da publicidade no âmbito da advocacia, notadamente na Internet, vem dirimi-las o Provimento nº 94/2000 do Conselho Federal da OAB, que dispõe sobre o tema, ansiosamente aguardado e bastante discutido no seio da categoria, não somente por profissionais, mas também pelos acadêmicos e estagiários, preocupados com o seu futuro, tentando decifrar os limites éticos, até mesmo porque esses jovens cresceram numa sociedade que massificou o uso do computador e da Internet, recursos tecnológicos insofismavelmente entrelaçados às suas vidas (CUNHA JUNIOR, 2000).
Ainda em fase final de aprovação, o mencionado Provimento prometia vir de forma vigorosa a promover mudanças e a atualizar as normas relativas à publicidade do advogado. O que ocorreu foi a transformação em texto legal os principais entendimentos já sedimentados no âmbito dos Tribunais de Ética e Disciplina dos Conselhos Seccionais da OAB. Acabou por esclarecer e oficializar alguns aspectos ainda nebulosos acerca da matéria, em especial àqueles relacionados aos recursos tecnológicos, como é o exemplo da Internet. (CUNHA JUNIOR, 2000).
Corrobora com o disposto acima, a doutrina:
Há, no país, um crescente número de normas que visam regular as relações humanas no meio tecnológico digital, a exemplo da Lei Federal n. 9.800/1999 (que trata da transmissão de requerimentos judiciais por fax e e-mail), da Instrução Normativa nº
156/99 da Receita Federal (que dispõe acerca da certificação eletrônica na relação com seus contribuintes na Internet), além de diversos projetos que visam regular as relações na Internet, tais como o comércio eletrônico, a assinatura digital, os crimes de informática, etc. É justamente nesse contexto que está inserido o mencionado Provimento, visando regulamentar situações antes desprezadas pelas normais profissionais (Estatuto, Código de Ética e Disciplina, Provimentos e Resoluções), porém amplamente discutidas, e decididas, pelos Conselhos da OAB. Nessa linha, o Provimento inovou em alguns pontos conforme veremos adiante. (CUNHA JUNIOR, 2000).
Faz-se necessário, para melhor compreensão do conteúdo do Provimento, comentar seus artigos pertinentes ao estudo em tese, colocando de forma resumida os principais aspectos:
O provimento 94/2000 prevê, em seu art. 1º, a possibilidade de publicidade informativa do advogado e da sociedade de advogados. Deve limitar-se a levar ao conhecimento do público em geral, ou da clientela, em particular, dados objetivos e verdadeiros a respeito dos serviços de advocacia prestados, observadas as normas do Código de Ética e Disciplina e as do próprio provimento, o que não implicou alteração, porque a publicidade já era permitida, dentro desses parâmetros. (ELIAS, 2000).
O art. 2º elucida o que seja publicidade informativa, posto que determina autorização expressa quanto aos idiomas falados ou escritos. Nesse passo, elucidou que são entendidos por publicidade informativa: a) a identificação pessoal e curricular do advogado ou da sociedade de advogados; b) o número da inscrição do advogado ou do registro da sociedade; c) o endereço do escritório principal e das filiais, telefones, fax e endereços eletrônicos; d) as áreas ou matérias jurídicas de exercício preferencial; e) o diploma de bacharel em direito e títulos acadêmicos e qualificações profissionais obtidos em estabelecimentos reconhecidos pelo Ministério da Educação e Cultura, relativos à profissão de advogado; f) os cargos exercidos na Ordem dos Advogados do Brasil ou em outras entidades da classe; g) os nomes dos advogados integrados ao escritório; h) o horário de atendimento ao público; e i) os idiomas falados ou escritos. (CUNHA JUNIOR, 2000).
Da doutrina extrai-se a interpretação do art. 3º do referido Provimento:
Na mesma linha, objetivando esclarecer, o art. 3o, fixa como "meios lícitos" de publicidade da advocacia, desde que contenham, exclusivamente, informações objetivas: a) cartões de visita e de apresentação do escritório; b) a placa identificativa do escritório, afixada no local onde se encontra instalado; c) o anúncio do escritório em listas de telefone e análogas; d) a comunicação de mudança escrita e por meio de mala-direta (correspondência) aos colegas e aos clientes cadastrados; e) a menção da condição de advogado e, se for o caso, do ramo de atuação, em anuários profissionais, nacionais ou estrangeiros; f) a divulgação das informações objetivas relativas ao advogado ou à sociedade de advogados, com modicidade, nos meios de comunicação escrita e eletrônica. Foi mantida a possibilidade de
veiculação em língua estrangeira, desde que acompanhada da tradução para o português. Tudo sempre com discrição e moderação, conforme arts. 28, 30 e 31 do Código de Ética e Disciplina. A inovação reside aqui na expressa autorização da utilização dos meios eletrônicos, conforme já admitia a jurisprudência administrativa da OAB. (CUNHA JUNIOR, 2000).
Já no art. 4º do Provimento. 94/2000 apresenta-se o que não é permitido ao advogado relativamente à publicidade advocatícia. Tem-se as seguintes vedações, a começar pelas impossibilidades de: fazer menção a clientes ou a assuntos profissionais e demandas sob seu patrocínio; fazer referência, direta ou indireta, a qualquer cargo, função pública ou relação de emprego e patrocínio que tenha exercido. (CUNHA JUNIOR, 2000).
Não é permitido também o emprego de orações ou expressões persuasivas, de auto-engrandecimento ou de comparação; a divulgação de valores dos serviços, sua gratuidade ou forma de pagamento; proibida a oferta de serviços em relação a casos concretos e qualquer convocação para postulação de interesses nas vias judiciais ou administrativas; veiculação do exercício da advocacia em conjunto com outra atividade; não é permitida a divulgação de informações sobre as dimensões, qualidades ou estrutura do escritório; informações errôneas ou enganosas. (CUNHA JUNIOR, 2000).
Fica vedada, ainda, a promessa de resultados ou indução do resultado com dispensa de pagamento de honorários; menção a título acadêmico não reconhecido; não é permitido o emprego de fotografias e ilustrações, marcas ou símbolos incompatíveis com a sobriedade da advocacia; utilização de meios promocionais típicos de atividade mercantil. (CUNHA JUNIOR, 2000).
O art. 5º que trata dos veículos admitidos para a informação publicitária da advocacia, arrola dentre estes os seguintes: Internet, fax, correio eletrônico e outros meios semelhantes, páginas mantidas nos meios eletrônicos de comunicação, revistas, folhetos, jornais, boletins e demais formas de comunicação escrita além de papéis de petições, de recados, de cartas, envelopes, pastas e outros análogos. (ELIAS, 2000).
Nos artigos 6º, 7º e 8º ficaram preservadas as proibições em relação à publicidade nos veículos rádio e televisão, painéis de propaganda, anúncios luminosos, cartas circulares, panfletos e intermediários, bem como aos limites das manifestações em caso de entrevistas e pronunciamentos públicos. (ELIAS, 2000).
Por derradeiro, cumpre consignar que tanto o Código de Ética quanto o Provimento 94/2000, além de inúmeras decisões das Turmas dos Tribunais de Ética espalhadas pelas Seccionais da OAB no Brasil, estão presentes para garantir que o prestígio profissional do advogado não se construa pela autopromoção, mas sim que venha a decorrer
de sua competência e capacidade, de seus conhecimentos jurídicos e técnica apurada para melhor aplicá-las no intuito de fazer triunfar os interesses dos patrocinados. (ELIAS, 2000).
4.5 A ANÁLISE DA COMPATIBILIZAÇÃO DAS EXIGÊNCIAS ATUAIS DO