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O segundo encontro: prevenção – 23/09/08 ,,,,

No documento joselyribeiroribeiro (páginas 101-104)

3 OS RESULTADOS DA PESQUISA

3.5 Os conteúdos trabalhados

3.5.2 O segundo encontro: prevenção – 23/09/08 ,,,,

A professora J iniciou a aula partindo de um gráfico entregue aos alunos contendo os temas de maior interesse dos alunos. Esse gráfico foi construído pela professora a partir da sondagem realizada na aula anterior.

Os temas indicados pelos alunos são os seguintes:

 Prevenção/DSTS/Formas de contágio (10 alunos);

 Primeira vez (4 alunos);

 Rapidinha (4 alunos);

 Dores (sexo, ereção, primeira vez, clitóris) (3 alunos);

 Orgasmo (feminino/masculino) (2 alunos);

 Gravidez na adolescência (2 alunos)

 Posições sexuais mais agradáveis (1 aluno);

 Métodos contraceptivos (1 aluno);

 Sexo/homossexualidade (1 aluno);

 Parafilias: zoofilia, necrofilia, distúrbios (1 aluno);

 Aborto (1 aluno).

Após este levantamento, pode-se afirmar que dos doze temas apontados pelos alunos, somente quatro desses estão relacionados diretamente ao aspecto biológico, e os oito restantes vão para além da perspectiva biologizante da sexualidade.

A professora deixa claro que, durante as “aulas não se deve falar em nome próprio”, assim, aconselha “sempre falar em terceira pessoa para não se expor”. Afirma ainda que, as aulas da disciplina “não têm a intenção de apresentar aos alunos o que é certo ou errado dentro da sexualidade humana, mas sim tentar entender a diversidade, e principalmente, trazer subsídios por meio dos textos e discussões, para que os alunos possam se posicionar diante de algumas questões”.

Essa fala da professora J esta em consonância com os objetivos propostos no Tema Transversal Orientação Sexual, à medida que este documento afirma que,

o objetivo do trabalho de Orientação Sexual é contribuir para que os alunos possam desenvolver e exercer sua sexualidade com prazer e responsabilidade [...] propõe a trabalhar o respeito por si e pelo outro [...] (MEC/BRASIL, 1997a, p. 133).

Dessa maneira, a professora J afirma que, nesta aula, a primeira discussão é sobre o tema mais solicitado pela turma: Prevenção. Antes de iniciar, a professora esclarece que muito embora ela seja professora de biologia, a intenção das aulas de sexualidade humana parte de várias perspectivas, e não só a biológica. Ela pede para que os alunos esqueçam que ela já foi professora de biologia da maioria deles e pensem na aula como algo diferente, pois a dinâmica destas aulas serão diferentes das aulas de biologia.

O material usado nesta aula foi um teste15 denominado “Sexo Seguro- Quiz – Você sabe se defender em situações de risco”, retirado de um site. A professora pede para os alunos responderem as 10 questões propostas no teste, coloca ainda que os alunos podem marcar mais de uma opção de resposta em cada questão. O teste se refere, basicamente, aos modos e hábitos de prevenção, uso de camisinhas, DST’s entre outros.

15

Em seguida, a professora prossegue a aula questionando se este teste é dirigido aos homens ou às mulheres. Os alunos respondem que serve para ambos. Assim, ela prossegue lendo cada pergunta e questionando as possíveis opções de respostas.

A primeira questão se refere ao hábito de levar camisinha na carteira. Nesta questão alguns alunos manifestaram suas opiniões nas seguintes falas:

 “A camisinha deve estar sempre na carteira, não sabemos que hora vamos usá-la [...]”

 “Não é só em dia de festa que devemos colocar a camisinha na carteira [...]”

 “As mulheres também podem ter camisinha na carteira [...]”

A partir da última fala citada, a professora aproveitou para questionar se “só quem deve ter camisinha são as pessoas com vida sexual ativa?” Os alunos se sentem motivados com esta questão e logo uma discussão contamina a sala num alvoroço. Neste momento, a professora aborda o tema da prevenção para além do aspecto biológico, como proposto pelo Tema Transversal Orientação Sexual (MEC/BRASIL, 1997a, p.117). À medida que se inaugura a discussão sobre se as mulheres também devem se prevenir da mesma forma que os homens, a professora abre o espaço para o debate sobre a forma que “as relações sociais definem os padrões para o que homens e mulheres devem fazer” (MEC/BRASIL, 1997a, p. 127) e não o que é melhor que eles façam para suas vidas.

Outra questão do teste que também trouxe maiores discussões foi a que perguntava “se pintar um clima e nenhum dos dois tiver camisinha, o que fazer?” Alguns alunos se manifestaram dizendo que “se a garota for direitinha o garoto deve transar sem camisinha sim, é só não ejacular dentro da menina”. A professora fica dividida entre discutir a expressão “se a garota for direitinha” e “ejacular fora”. Ao que pareceu, ela deu maior ênfase a última opção, afirmando que o coito interrompido não previne as DST’s, podendo até evitar a gravidez, e esclarece ainda que esta prática, pode gerar uma disfunção sexual, pois pode gerar frustração para os parceiros, além de reduzir o prazer e não conduzir ao orgasmo. Afirma ainda que, esta prática fora banida das políticas contraceptivas.

Embora a discussão sobre prevenção esteja diretamente relacionada ao aspecto biológico, médico, a professora J não se restringiu a essa perspectiva, como pode ser observado no seu questionamento sobre o fato das meninas “terem

camisinha”. Essa pergunta abre a discussão para um debate sobre as relações de gêneros presentes na sociedade atual, esbarrando na abordagem sociológica, proposta pelos Temas Transversais que apontam como objetivo “reconhecer como determinações culturais as características socialmente atribuídas ao masculino e feminino, posicionando-se contra discriminações a elas associadas” (MEC/BRASIL, 1997a, p. 133).

Após observar estes acontecimentos, a pesquisadora percebeu que a professora J estava preocupada em discutir a prevenção para além do uso de métodos, conduzindo os alunos a pensarem sobre “quem deve se preocupar com a prevenção? Os homens e/ou as mulheres?”, como também o fato do “sexo envolver o prazer de ambos os parceiros”. A discussão acerca do coito interrompido demonstra bem isto, há uma preocupação da professora com o aspecto psicológico dos alunos com relação à sexualidade bem desenvolvida, bem pensada.

No documento joselyribeiroribeiro (páginas 101-104)