1 JUVENTUDE E PROFISSIONALIZAÇÃO
2 A GÊNESE DA EDUCAÇÃO MILITAR E O COLÉGIO MILITAR DE CAMPO GRANDE (CMCG)
2.1 O ensino militar contemporâneo
2.1.1 O Sistema Colégio Militar do Brasil – SCMB
O Exército Brasileiro é uma das instituições que constituem as Formas Armadas do País. Estas são “[...] instituições nacionais, permanentes e regulares, organizadas com base na
hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República e dentro dos
limites da lei”. (BRASIL, 1980, p. 1, grifo nosso). O Exército faz parte das Forças Armadas e está subordinado à autoridade suprema do Presidente da República; tem por finalidade preparar a força terrestre “[...] à defesa da Pátria, à garantia dos direitos constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”. (BRASIL, CONSTITUIÇÃO FEDERAL, Art. 142, p. 87) e, em virtude disso, existe a preocupação constante em formar e aperfeiçoar jovens para sua atividade-fim.
No que se refere às relações no âmbito institucional, a honra patriótica é um valor caro a corporação. Essa definição está contida no Estatuto dos Militares e aparece no Manual do Aluno do Colégio Militar, que prevê no Artigo 4º como uma das metas gerais da proposta pedagógica: “[...] permitir ao aluno desenvolver atitudes e incorporar valores familiares,
sociais e patrióticos que lhe assegurem um futuro como cidadão, cônscio de seus deveres, direitos e responsabilidades, em qualquer campo profissional que venha a atuar”
(BRASIL. PORTARIA N. 42, de 6/2/2008, grifo nosso).
A sistematização da prática do ensino no Exército foi estabelecida pela Lei Ordinária Federal 9786/99, de 08 de fevereiro de 1999. Essa Lei estabelece que o sistema possui características próprias e tem como objetivo “[...] qualificar recursos humanos para a ocupação
18 Conforme Blós (2012, p. 64), o CMCG obteve “[...] muitos destaques, resultado da participação dos alunos nos clubes, revelaram-se no cenário da educação nacional, citamos: - Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP /2010): 11 medalhas de ouro, 14 de prata, 09 de bronze e 16 menções honrosas; - Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP/2011): nos níveis I, II e III, 10 medalhas de ouro, 07 de prata, 12 de bronze e 20 menções honrosas; - Olimpíada de Geografia-Viagem do Conhecimento/2011: 1º lugar. Figueira (2011, p. 122) demonstra que “[...] em 2009 o Colégio apresentou ótima classificação no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) ao se avaliarem as séries finais do ensino fundamental (5a a 8a). No estado de Mato Grosso do Sul apenas três instituições públicas tiveram boa pontuação sendo uma delas o referido Colégio que alcançou a melhor nota e ficou entre as cinco melhores do país.
Ver o Jornal “Gazeta do povo": Disponível em: < https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/ordem-em-meio- ao-caos-escolas-militares-ganham-espaco-com-bons-resultados-8mvefin96no0oydxmdkgaqreh/>.
de cargos e para o desempenho de funções previstas, na paz e na guerra, em sua organização” (BRASIL, 1999, p.1).
A Diretoria de Educação Preparatória e Assistencial (DEPA) é o órgão de apoio técnico-normativo do Departamento de Educação e Cultura do Exército - DECEx, abrangendo, atualmente, um Sistema composto por 13 (treze) Colégios Militares a difundir o ensino de qualidade no Brasil, por meio de suas unidades em Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Curitiba, Fortaleza, Juiz de Fora, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Santa Maria e o recém-criado Colégio Militar de Belém.
A Diretoria de Ensino Preparatório e Assistencial (DEPA) foi criada pelo Decreto nº 71.823, de 7 de fevereiro de 1973, para coordenar as atividades de planejamento e condução do ensino nos Colégios Militares (CM).
Os colégios Militares são “[...] organizações militares (OM) que funcionam como estabelecimentos de ensino (Estb Ens) de educação básica, com a finalidade de atender ao Ensino Preparatório e Assistencial” (BRASIL, R69, Art. 2, 2008). Explicitando os princípios gerais e os preceitos com a fundamentação que norteia a proposta pedagógica dos treze Colégios Militares (CM) que compõem o Sistema Colégio Militar do Brasil (SCMB).
Faz-se necessário o preciso atendimento das duas vertentes de ensino aqui destacadas: a preparatória e a assistencial, bem como do caráter imprescindível da articulação entre elas, no intuito do melhor cumprimento da missão dos Colégios Militares. Logo, é um objetivo do Sistema preparar seus alunos tanto para as fileiras militares tanto para a sociedade civil conforme os valores cultuados pela Instituição.
O artigo 2º, parágrafo 2º, inciso II, do Regulamento dos Colégios Militares, define que os mesmos
[...] subordinam-se, diretamente, à Diretoria de Educação Preparatória e Assistencial (DEPA) e, destinam-se a ‘capacitar os alunos para o ingresso em estabelecimentos de ensino militares, com prioridade para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEX), e para instituições civis de ensino superior’. O artigo 3º, do presente Regulamento, reafirma o compromisso do Colégio Militar em ‘ministrar a educação básica, nos anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano) e no ensino médio’. (BRASIL, R69, 2008).
De acordo com o preconizado pela Diretoria de Educação Preparatória e Assistencial - DEPA, a educação preparatória, neste sentido e em termos documentais, prepara para a vida. O ensino nestes estabelecimentos de ensino segue a determinação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) como principal referência no que diz respeito à princípios e finalidades da educação nacional e ao mesmo tempo em que obedece às normas e prescrições do Sistema de Ensino do Exército. Neste sentido
[...] Os Colégios têm como meta levar seus alunos à descoberta das próprias potencialidades, à autorrealização, à qualificação para o trabalho e prepará-los para a vida como cidadãos, educados conforme os valores, costumes e tradições do Exército Brasileiro. (EXÉRCITO BRASILEIRO. Como ingressar. Ensino Fundamental e Médio. ONLINE).
O Exército brasileiro, imbuído dos objetivos supramencionados, investe na qualidade do ensino, considerado pela instituição como inovador, o que possibilitaria ao discente o desenvolvimento nas áreas cognitiva, afetiva e psicomotora. A instituição possui meios dos quais utiliza para colocar em prática esta forma de ensino. No que tange a estrutura, os CMs possuem bibliotecas, laboratórios, ensino de idiomas estrangeiros (no caso da Língua Inglesa, ensinada por Níveis), Clubes e Grêmios, Clube de Leitura, Educação Artística, iniciação esportiva, atividades comunitárias e beneficentes, viagens e intercâmbios20.
O ensino preparatório deve habilitar todos os alunos ao prosseguimento dos estudos, seja pelo despertar das vocações militares – em especial para o ingresso na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), seja pela preparação aos processos seletivos ao Ensino Superior.
A educação assistencial remete à gênese e à justificativa do próprio SCMB, que é a “[...] busca do equacionamento das vicissitudes inerentes à profissão militar, das dificuldades impostas à família castrense que impactam o moral da tropa” (HISTÓRICO. DEPA ONLINE), e é
[...] neste cenário que se inserem os Colégios Militares, educandários fortemente ancorados nos valores éticos e morais, nos costumes e nas tradições cultuados pelo Exército Brasileiro. Deste somatório emerge a identidade do Sistema, capaz de gerar vínculo, apego e sentimento de pertença aos Colégios. Como estabelecimentos de ensino filiados aos códigos do Exército, os Colégios Militares sustentam-se sobre os mesmos pilares: a hierarquia e a disciplina. Esta peculiaridade, que os distinguem no todo maior da educação nacional, reforça a imagem que os Colégios Militares vieram lapidando ao longo de mais de cento e vinte anos: sua marca particular (DEPA, 2015, p. 17).
O SCMB preocupa-se “[...] em formar jovens ativos e criativos, autônomos e autores, providos de competências, habilidades e de valores éticos e morais cultuados pelo Exército Brasileiro, ou seja, indivíduos mais responsáveis, atuantes e transformadores” (DEPA, 2015, p. 17).
É na articulação eficaz da educação preparatória com a educação assistencial, em um ambiente identificado segundo os valores, costumes e tradição do Exército Brasileiro e apoiado sobre as mesmas hierarquia e disciplina que estruturam a Força Terrestre, que os Colégios Militares cumprem sua missão de proporcionar educação básica a seus alunos.
As metas gerais relacionadas no Art. 4º do Regulamento dos Colégios Militares (R-69), aprovado pela Portaria do Comandante do Exército nº 042 de 06 de fevereiro de 2008, sintetizam com precisão a ação educacional proposta para os Colégios Militares.
As metas consistem em
[...] I - Permitir ao aluno desenvolver atitudes e incorporar valores familiares, sociais e patrióticos que lhe assegurem um futuro de cidadão patriota, cônscio de seus deveres, direitos e responsabilidades, qualquer que seja o campo profissional de sua preferência;
II - Propiciar ao aluno a busca e a pesquisa continuadas de informações relevantes; III - Desenvolver no aluno a visão crítica dos fenômenos políticos, econômicos, históricos, sociais e científico-tecnológicos, ensinando-os, pois, a aprender para a vida e não mais, simplesmente, para fazer provas;
IV - Preparar o aluno para refletir e compreender os fenômenos e não, meramente, memorizá-los;
V - Capacitar o aluno à absorção de pré-requisitos fundamentais ao prosseguimento dos estudos acadêmicos e não de conhecimentos supérfluos que se encerrem em si mesmos;
VI - Estimular o aluno para a saudável prática de atividade física, buscando o seu desenvolvimento físico e incentivando a prática habitual do esporte; e
VII - despertar vocações para a carreira militar (BRASIL, R69, 2008, p. 3-4).
O Supervisor Escolar ratificou a meta de número I afirmando que “[...] A ideia é fazer com que o aluno se torne um cidadão que tenha poder de refletir e tomar decisões”. Afirma que a preocupação do CM é “[...] fazer com que o jovem de hoje, sejam os líderes do amanhã, e como a gente trabalha muito a questão de valores embutidos em toda a prática pedagógica, isso aí vai formando não só cognitivamente, mas na área afetiva também”.
Além das metas, acima, descritas, os CM são compreendidos como
[...] Organizações Militares do Exército Brasileiro que têm a missão de ministrar o ensino básico, nos níveis Fundamental e Médio não podem ser considerados como instituições públicas e nem como instituições privadas de ensino, sendo categoria sui generis e não podem ser submetidas, totalmente, ao regime legal das demais instituições de ensino, sejam elas públicas ou privadas, pois regem-se por normas internas próprias, conforme preconiza a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei n. 9.394/96, em seu Artigo 83 (BRASIL. MANUAL DO ALUNO DO COLÉGIO MILITAR DE CAMPO GRANDE, 2017, p. 3).
A fim de compreendermos o caráter legal sobre o funcionamento dos Colégios Militares, é necessário compreender, as Leis que regulam o Ensino Militar, no Exército Brasileiro.
Como as referidas leis guardam correspondência com o texto legal estabelecido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) impõe-se estabelecer os nexos existentes entre a lei maior e as que nela se amparam.
A necessidade de uma política educacional nacional está presente nas discussões dos educadores desde o começo do século passado quando se propugnava escola única, pública,
laica, obrigatória e gratuita por meio do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, redigido por Fernando de Azevedo e assinado por outros educadores, como Anísio Teixeira.
Com o passar do tempo, as necessidades educacionais foram se transformando e a LDB passou por alterações. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB n° 9.394/96) tem um histórico de muito trabalho e esforço realizado ao longo de anos, cujo envolvimento englobou não apenas educadores, mas políticos, profissionais do ensino das mais variadas vertentes que trabalharam em conjunto em prol da elaboração da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). A LDB tramitou por oito anos com propostas de educadores encaminhadas ao Congresso Nacional. Na análise de Saviani, a LDB 9394/96 ficou com texto final minimalista e em consonância com a proposta de Estado mínimo estabelecido como princípio da política governamental do período. Saviani explicita que
[...] o governo FHC, cuja política educacional seguia os ditames da orientação neoliberal, interferiu na reta final afastando o projeto aprovado na Câmara dos Deputados assim como o Substitutivo aprovado na Comissão de Educação do Senado e impondo seu projeto de LDB articulado com Darcy Ribeiro neutralizando, assim, os avanços que a luta pela escola pública havia conseguido incorporar ao projeto de LDB (SAVIANI, 2011, p. 1).
No que tange ao âmbito educacional, a Constituição Federal (CF) de 1988, em seu capítulo III, Artigos 205 a 214, descreve que a
[...] LDB teve a sua primeira sanção em 1961 por meio da Lei n. 4.024/61 e a mais recente em 1996 com a Lei n. 9.394/96. A LDB dispõe sobre os fundamentos, estruturas e normatização do sistema educacional brasileiro. Ao final do Estado Novo, com a Constituição de 1988, foi conferida à União autonomia para legislar sobre as diretrizes e bases da educação nacional. (CERQUEIRA, 2009, p. 1).
Ao longo de sua trajetória, a LDB passou por várias alterações com o objetivo de aperfeiçoá-la no sentido de tentar equilibrar os conflitantes pontos de vista a respeito da educação nacional. Não podemos perder de vista o panorama histórico que se configurava quando da sanção da primeira LDB, em 1961, uma vez que na
[...] tentativa de organizar o ensino ao novo quadro político (governo militar de 1964), como instrumento para dinamizar a própria ordem socioeconômica, ajusta-se a LDB 4.024/61, não sendo considerado pelo governo militar a necessidade de editar por completo a lei em questão. Atendendo à ideologia desenvolvimentista adotada pelo governo, ajustou-se a LDB de 61, sancionando a lei de 5.540/68, que reformou a estrutura do ensino superior, sendo por isso, chamada de lei da reforma universitária21. (CERQUEIRA, 2009, p. 2).
Araújo (2011) corrobora com esse ponto de vista quando afirma que
[...] No período que compreende as décadas de 1930 a 1970 haviam duas grandes correntes desenvolvimentistas: a nacionalista e a liberal. Essas duas correntes se
fizeram presentes nos embates políticos em torno da polarização que assinalou o longo processo de debate e tramitação da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira. Essa polarização entre o nacionalismo e o liberalismo, na verdade, esteve presente durante todo o período, desde o embate entre católicos e liberais na constituinte de 1933, pelo menos, e assumiu a forma do debate sobre o papel da educação no projeto de desenvolvimento do País (ARAÚJO, 2011, p. 285). A LDB n. 9394/96, em seu Art. 83, descreve que “[...] o ensino militar é regulado em lei específica, admitindo a equivalência de estudos, de acordo com as normas fixadas pelos sistemas de ensino” (BRASIL, 1996, p. 37). Depreende-se disso que os estabelecimentos onde ocorre o ensino militar devem proporcionar aos seus alunos conhecimentos civis, não apenas militar. Ainda que não esteja ligado ao sistema regular, deve se pautar no conteúdo desse sistema.
Ao rememorar a LDB n. 4.024/61, observa-se que, quanto à Administração do Ensino, estabelece que o ensino militar será regulado por lei especial. E “[...] esse tratamento de exceção dado ao ensino militar mostra que o Estado reconhece sua individualidade e especificidade” (MESQUITA, 2011, p. 25).
Com base no que determina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o Exército Brasileiro elaborou Lei própria para nortear o ensino em consonância com a Lei Federal. O ensino no Exército Brasileiro abrange diferentes níveis, desde Cursos, Estágios até os níveis de Pós-graduação. A presente lei de que trata esta unidade visa estabelecer as normas para o complexo sistema de ensino desta instituição.
A Lei N. 9.786, de 08 de fevereiro de 1999, (Anexo V), dispõe sobre o ensino no Exército Brasileiro. Para regulamentar determinadas leis gerais, são estabelecidos pareceres, portarias, resoluções que são utilizados como instrumentos de execução das leis. No caso da lei em questão, o instrumento que a regulamenta é o Decreto n. 3.182, de 23 de setembro de 1999.
A referida Lei define que o Sistema de Ensino do Exército deve qualificar os recursos humanos, provendo capacitações, certificações e diplomações. Tais ações estão previstas sem dissociar o ensino, a pesquisa e a extensão.22 Dessa forma, o Sistema de Ensino no Exército,
conforme o Artigo 2º da Lei n. 9.786, é
[...] composto por atividades variadas como: atividades de educação, de instrução e de pesquisa, institutos de pesquisa e outras organizações militares com tais incumbências, cursos, estágios e outras atividades de interesse do Exército, realizados por seu efetivo em organizações estranhas à sua estrutura, militares ou civis, nacionais ou estrangeiras. ((BRASIL, EXÉRCITO BRASILEIRO, Lei 9.786, 1999, p. 01).
22 Capacitações fora do Sistema de Ensino são permitidas. Além disso, o Exército dispõe de instituições de pesquisa como o Instituto Militar de Engenharia (IME) e a Escola de Educação Física do Exército (EsEFEx)
O Art. 3º trata sobre os princípios e objetivos do Sistema de Ensino do Exército que está assentado sobre os seguintes pilares: integração à educação nacional; seleção pelo mérito; profissionalização continuada e progressiva; avaliação integral, contínua e cumulativa; pluralismo pedagógico, aperfeiçoamento constante dos padrões éticos, morais, culturais e de eficiência; titulações e graus universitários próprios ou equivalentes às de outros sistemas de ensino. Tais objetivos se alinham com a filosofia da educação nacional.
Quanto ao perfil do aluno egresso de suas modalidades de ensino no que condiz às atitudes e comportamentos, há a seguinte expectativa: integração permanente com a sociedade; preservação das tradições nacionais e militares; educação integral; assimilação e prática dos deveres, dos valores e das virtudes militares; condicionamento diferenciado dos reflexos e atitudes funcionais; atualização científica e tecnológica; desenvolvimento do pensamento estruturado.
O Art. 5º trata sobre a estrutura do Ensino, considerando que o
[...] Sistema de Ensino do Exército realiza o ensino profissionalizante e o escolar, estruturando-se, basicamente, em: I - graus de ensino, que versam sobre a escolaridade das diferentes atividades de ensino e sua correlação com os níveis funcionais militares; II - linhas de ensino, que dispõem sobre as áreas de concentração dos estudos e das funções militares; III - ciclos de ensino, que dispõem sobre o grupamento das atividades de ensino necessárias à progressão na carreira militar (BRASIL, EXÉRCITO BRASILEIRO, Lei 9.786, 1999. p. 02).
No que se refere às modalidades de Cursos, estes são definidos de acordo com suas finalidades. São elas a Formação, que assegura a qualificação inicial, básica para a ocupação de cargos e para o desempenho de funções de menor complexidade em cada segmento da carreira militar e a prestação do serviço militar inicial e suas prorrogações; a Graduação, que qualifica em profissões de nível superior, com ou sem correspondentes civis, para a ocupação de cargos e para o desempenho de funções militares; a Especialização, que qualifica para a ocupação de cargos e para o desempenho de funções que exijam conhecimentos e práticas especializadas; A Extensão, que amplia os conhecimentos e as técnicas adquiridos em cursos anteriores, necessários para a ocupação de determinados cargos e para o desempenho de determinadas funções; o Aperfeiçoamento, que atualiza e amplia conhecimentos obtidos com a formação ou a graduação, necessários para a ocupação de cargos e para o desempenho de funções de maior complexidade; os Altos Estudos Militares, que qualificam para a ocupação de cargos e para o desempenho de funções privativos do Quadro de Estado-Maior da Ativa, bem como atualiza, amplia e estrutura conhecimentos em ciências militares, políticas e sociais e a Preparação, que amplia, sedimenta e uniformiza conhecimentos, bem como qualifica para o ingresso em determinados cursos.
O Art. 7º especifica que o Sistema de Ensino do Exército possui, além das modalidades militares “tradicionais”, o ensino preparatório e assistencial – nível fundamental e médio, por intermédio dos Colégios Militares, em consonância com a legislação federal pertinente, ressalvadas suas peculiaridades. O ensino preparatório e assistencial de nível fundamental e médio poderá ser ministrado com a colaboração de outros Ministérios, Governos estaduais e municipais, além de entidades privadas.
Com base em sua estrutura de ensino de formação para a carreira militar, podemos destacar as seguintes escolas:
[...] Escolas de Sargentos (Nível Médio); Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx); Escolas de Formação de Oficiais (AMAN/Bacharelado em Ciências Militares, reconhecido pelo MEC); Escolas de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO/Equivalente ao Mestrado, não reconhecido pelo MEC); Escola Comando Estado Maior do Exército (ESCEME/ Nível Doutorado, não reconhecido pelo MEC). Incluem-se nesse escalonamento as Escolas de Saúde do Exército (EsSEx), destinadas aos quadros de Médicos, Dentistas, Farmacêuticos, Veterinários do Quadro de Saúde; a Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx), destinada aos quadros do magistério militar, advogados, enfermeiros militares, psicólogos, e o Instituto Militar de Engenharia (IME), formação de Engenheiros Militares etc. (NOGUEIRA, 2014, p. 56).
O inciso II, do presente artigo, “[...] estabelece que os Colégios Militares devem manter regime disciplinar de natureza educativa, compatível com a sua atividade preparatória para a carreira militar”. (BRASIL, EXÉRCITO BRASILEIRO, Lei 9.786, 1999. p. 04)
A Educação de Jovens e Adultos está prevista no Art. 8º estabelecendo que essa modalidade, quando desenvolvida pelo Exército Brasileiro, deverá ter como objetivo a melhoria da escolaridade de seus recursos humanos, atender a legislação federal específica e será realizada mediante colaboração de outros Ministérios, Governos estaduais e municipais, além de entidades privadas.
O Art. 12 define que os cursos realizados em estabelecimentos de ensino militar por detentores de cargos de nível superior, constituem, para efeito universitário, cursos de pós- graduação, desde que atendida à legislação pertinente.
Assim, os cursos de formação de oficiais na Academia Militar das Agulhas Negras são de grau universitário, conferindo-se aos seus diplomados a graduação de Bacharel em Ciências Militares.
Por sua vez, o Art. 16 trata sobre os agentes de ensino. A compreensão é de que a atividade-fim do Sistema de Ensino do Exército é conduzida pelos agentes diretos e indiretos de ensino, assim caracterizados conforme o desempenho funcional, quando nomeados para os cargos de professor, instrutor, monitor e outros pertinentes ao ensino. As atividades regulares