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2 UM OLHAR PANORÂMICO SOBRE A ENERGIA NUCLEAR

2.6 A PROTEÇÃO RADIOLÓGICA E A SEGURANÇA NUCLEAR

2.6.3 O Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro

O Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (SIPRON) foi inicialmente instituído em 1980 através do Decreto-Lei nº 1.80937, sendo, no mesmo ano, regulamentado pelo Decreto nº 85.56538.

Esses instrumentos legais atribuíram ao SIPRON a responsabilidade por assegurar o planejamento integrado, a coordenação de ações conjuntas e a execução continuada de providências com o intuito de atender às necessidades de segurança do Programa Nuclear Brasileiro (PNB) e de seu pessoal, bem como da população e do meio ambiente a esse relacionados. Para tanto, foi definido que as necessidades do PNB seriam atendidas a partir da aplicação de medidas nos setores de: (a) proteção da população nas situações de emergência;       

36 Conforme Portaria MCT nº 305, de 26 de abril de 2010. Disponível em: < 

http://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=224730>. Acesso em: 24 abr. 2013. 

37 Decreto‐Lei nº 1.809, de 7 de outubro de 1980. Disponível em: 

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto‐lei/1965‐1988/Del1809impressao.htm>. Acesso em: 24 abr. 

2013. 

38 Decreto nº 85.565, de 18 de dezembro de 1980. Disponível em: 

<http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1980‐1987/decreto‐85565‐18‐dezembro‐1980‐435028‐

(b) segurança e saúde do trabalhador; (c) proteção do meio ambiente; (d) proteção física; (e) salvaguardas nacionais; (f) segurança nuclear; (g) radioproteção; e (h) inteligência.

Naquele momento, o SIPRON já fora constituído por um conjunto de organizações públicas (federais, estaduais e municipais) e privadas, tendo como Órgão Central a então Secretaria-Geral do Conselho de Segurança Nacional da Presidência da República.

Em setembro de 1988, o Decreto nº 96.77539 transfere para o Exército Brasileiro a responsabilidade pelo planejamento e execução das ações de evacuação da população e de controle das situações de emergência decorrentes de acidentes nucleares ou radiológicos, contando com a cooperação dos demais órgãos de apoio ao SIPRON.

Em abril de 1997, o Decreto nº 2.21040 detalha e aprimora a estrutura do Sistema41, incorporando novos órgãos participantes (Figura 6) e atribuindo suas competências. Além disso, apresentou também várias definições relevantes para o contexto desta pesquisa, entre estas:

(a) Plano de Emergência, um conjunto de medidas a serem implementadas em caso de situação potencial e/ou real de acidente;

(b) Segurança Nuclear, conjunto de medidas preventivas de caráter técnico incluídas no projeto, na construção, na manutenção e na operação de uma Unidade Operacional do SIPRON, destinadas a evitar a ocorrência de acidente ou a atenuar o efeito desse e;

(c) Situação de Emergência, a situação anormal de um projeto ou atividade do PNB que, a partir de um determinado momento, foge ao controle planejado e pretendido pelo órgão encarregado de sua execução, demandando a implementação do Plano de Emergência.

Esse mesmo Decreto atribui à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República a competência para exercer as atividades de Órgão Central do Sistema.

      

39 Decreto nº 96.775, de 27 de setembro de 1988. Disponível em: 

<http://legis.senado.gov.br/legislacao/ListaTextoIntegral.action?id=210016&norma=223260>. Acesso em: 03 

jun. 2014. 

40 Decreto nº 2.210, de 22 de abril de 1997. Disponível em: 

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1997/D2210.htm>. Acesso em: 24 abr. 2013. 

41 Revogando o Decreto nº 623, de 04 de Agosto de 1992, que por sua vez revogou o Decreto nº 85.565, de 18 

Figura 6: A Estrutura do SIPRON

Fonte: SIPRON, 2013

Durante o período em que a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE) exerceu a função de Órgão Central do SIPRON, foram publicadas algumas normas gerais42 sobre o funcionamento do próprio SIPRON e relativas à atuação em situações de emergência nuclear, sendo essas:

• NG 01 – Norma Geral para Funcionamento da Comissão de Coordenação da Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro – COPRON (Reservada);

• NG 02 – Norma Geral para Planejamento da Resposta a Situações de Emergência (Reservada);

• NG 03 – Norma Geral sobre a Integridade Física e Situações de Emergência nas Instalações Nucleares (Reservada);

• NG 04 – Norma Geral para Situações de Emergência nas Unidades de Transporte (Reservada);

• NG-05 - Norma Geral para o Estabelecimento das Campanhas de

Esclarecimento Prévio e de Informações ao Público para uma Situação de Emergência;

• NG-06 - Norma Geral para Instalação e Funcionamento dos Centros Encarregados da Resposta a uma Situação de Emergência Nuclear;       

42 Normas Gerais do SIPRON. Disponível em: <http://sipron.planalto.gov.br/legislacao/normas/gerais>. Acesso 

• NG-07 - Norma Geral para o Planejamento das Comunicações do Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro (SIPRON); e

• NG-08 - Norma Geral para o Planejamento e a Execução da Proteção ao Conhecimento Sigiloso.

Em novembro de 1997, a SAE, através da Portaria nº 14443, aprovou as “Diretrizes para Elaboração dos Planos de Emergência Relativos à Unidade 1 da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto – Diretrizes Angra 1”, estabelecendo várias atribuições, dentre essas as quais as relacionadas à elaboração dos planos de emergência, a saber:

(a) Plano para Situações de Emergência (PSE), elaborado pela CNEN, devendo conter as recomendações e os parâmetros técnicos que irão orientar os planejamentos dos órgãos envolvidos nas ações de proteção e segurança na área de influência da CNAAA;

(b) Plano de Emergência Local (PEL), elaborado pela ELETRONUCLEAR, devendo conter as medidas planejadas para serem desenvolvidas dentro da sua Área de Propriedade e medidas de apoio ao PEE/RJ a serem desenvolvidas nas ZPE-344 e ZPE-5, planejadas e executadas em coordenação com o Estado do Rio de Janeiro e Prefeitura de Angra dos Reis;

(c) Plano de Emergência Externo do Estado do Rio de Janeiro (PEE/RJ), elaborado pelo Governo do Estado do Rio Janeiro, devendo conter todas as medidas planejadas para serem desenvolvidas dentro de sua área de jurisdição, excluída a Área de Propriedade da ELETRONUCLEAR;

(d) Plano de Emergência Externo do Estado de São Paulo (PEE/SP), elaborado pelo Governo do Estado do São Paulo, devendo conter todas as medidas planejadas para serem desenvolvidas na área do Município de Bananal;

(e) Planos de Emergência Complementares (PEC), elaborados pelos Órgãos de Apoio do SIPRON, para o atendimento às necessidades de apoio, deverão conter as ações específicas de suas responsabilidades e necessárias a complementação dos planos acima citados.

      

43 Portaria nº 144/SAE, de 20 de novembro de 1997. Disponível em: 

<http://sipron.planalto.gov.br/legislacao/diretrizes/83‐legislacao/3622‐diretriz‐angra‐i>. Acesso em: 24 abr. 

2013. 

A partir de agosto de 2001, em função da publicação da Medida Provisória nº 2.216-3745, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) passou a exercer a função de Órgão Central do SIPRON. Em agosto de 2009, após a publicação do Decreto nº 6.93146, tal atribuição passou a ser exercida pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR), sendo responsável pela orientação superior, a coordenação, o controle e a supervisão do Sistema.

Em 2012, a Lei 12.73147 reformulou as atribuições do SIPRON incluindo a proteção de conhecimentos e tecnologias detidos por órgãos, entidades, empresas, instituições de pesquisa e demais organizações públicas ou privadas envolvidas nas atividades do PNB, assim como o planejamento e coordenação das ações, em situação de emergência nuclear, que tenham como objetivo proteger: (a) as pessoas envolvidas na operação das instalações nucleares e na guarda, manuseio e transporte dos materiais nucleares; (b) a população e o meio ambiente situados nas proximidades das instalações nucleares; e (c) as instalações e materiais nucleares (SIPRON, 2013).

Assim, no contexto desta pesquisa, o SIPRON, atualmente sob a coordenação do GSI/PR, é a autoridade maior no que se refere ao planejamento e coordenação superiores das ações de preparação e resposta a emergência na Central Nuclear Brasileira.

      

45 Medida Provisória nº 2.216‐37, de 31 de agosto de 2001. Disponível em: 

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/mpv/2216‐37.htm>. Acesso em: 17 fev. 2014. 

46 Decreto nº 6.931, de 11 de agosto de 2009. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007‐

2010/2009/Decreto/D6931.htm>. Acesso em: 17 fev. 2014. 

47 Lei nº 12.731, de 21 de novembro de 2012. Disponível em: <