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O teorema da convergˆ encia dominada estoc´ astica

No documento Integral estoc´astica e aplica¸c˜oes (páginas 104-117)

pelo lema4.27 temos

JY•XKt=

t

Z

0

Y2(s, ω)JXK(ds, ω)

= 0

poisY2(·, ω) = 0, P-q.s.Segue queJY•XK= 0 e portanto, pela proposi¸c˜ao3.13na p´agina47, item iii), segue queY•X´e constante e como (Y•X)0 = 0, segue que (Y•X)t= 0, P-q.s.O caso geral, isto ´e,X um semi-martingal cont´ınuo, resulta da decomposi¸c˜ao semi-martingal de X.

A propriedade associativa para este caso geral ´e um simples corol´ario dos teoremas4.28 e4.7.

Teorema 4.33. Seja X um semi-martingal cont´ınuo. Se K∈ L(X) e H∈ L(K•X) ent˜ao HK∈ L(X) e vale a propriedade associativa H•(K•X) = (HK)•X.

Observamos tamb´em que se todas as trajet´orias de um processo adaptado H forem cont´ınuas, ent˜ao H´e localmente limitado. De fato, tome τn= inf{t. ≥0 :|Ht|> n}. Temos que {τn}n≥1 ´e uma sequˆencia de tempos de parada, τn↑ ∞ e|Hτn| ≤n, para todon >|H0|.

O pr´oximo resultado justifica que de fato, Λb ´e um espa¸co de integrandos que n˜ao dependem do integrador X.

Proposi¸c˜ao 4.35. Seja X um semi-martingal cont´ınuo. Ent˜aoΛb ⊆ L(X).

Demonstra¸c˜ao. ConsidereX=M+Ae sejamH∈Λb e{τn}n≥1 sequˆencia de tempos de parada tal queτn↑ ∞e |Hτn| ≤Cn<∞, para todo n≥1, onde cadaCn´e uma constante. Fixet≥0 eω∈Ω tal que as trajet´oriass7→A(s, ω) sejam de varia¸c˜ao finita nos intervalos finitos e denote porV(t, ω) a varia¸c˜ao total dessa traj´etoria no intervalo [0, t]. Temos que para todon≥1,

t∧τn(ω)

Z

0

|H(s, ω)|VA(ds, ω)≤CnV(t, ω)<∞.

Escolhendo nsuficientemente grande, temosτn(ω)> t e assim, temos P-q.s.

t

Z

0

|H(s, ω)|VA(ds, ω)<∞

logo,H∈ L1loc(A). Da mesma maneira, temos, para todo n≥1,

t∧τn(ω)

Z

0

H2(s, ω) JMK(ds, ω)≤Cn2JMK(t, ω)<∞

e como antes, isso mostra que, para quase todoω ∈Ω,

t

Z

0

H2(s, ω) JMK(ds, ω)<∞.

Pela proposi¸c˜ao 4.23, segue queH∈ L2loc(M), e portantoH∈ L(X), como quer´ıamos.

O pr´oximo resultado, mostra que a integral estoc´astica est´a de acordo com a intui¸c˜ao apresentada

no in´ıcio do cap´ıtulo.

Proposi¸c˜ao 4.36. Sejam Xum semi-martingal cont´ınuo, σ≤τ tempos de parada e ξ uma vari´avel aleat´oria Fσ-mensur´avel. Ent˜ao,H=ξ1[]σ,τ]] ∈ L(X) e H•X=ξ(Xτ −Xσ).

Demonstra¸c˜ao. Seja X = M+A a decomposi¸c˜ao de X. O plano ser´a provar separadamente que H∈ L1loc(A) e H•A =ξ(Aτ −Aσ) e que H∈ L2loc(M) e H•M =ξ(Mτ−Mσ). Assim, estar´a provado o resultado pois

H•X=H•M+H•A

=ξ(Mτ −Mσ) +ξ(Aτ −Aσ)

=ξ((M+A)τ −(M+A)σ)

=ξ(Xτ−Xσ).

Para a primeira parte do plano, sejat≥0 arbitr´ario. Temos que

t

Z

0

|H(s, ω)|VA(ds, ω) =|ξ(ω)|

t

Z

0

1[]σ,τ]](s, ω) VA(ds, ω)

=|ξ(ω)|

t

Z

0

1[[0,τ]](s, ω) VA(ds, ω)−

t

Z

0

1[[0,σ]](s, ω) VA(ds, ω)

=|ξ(ω)|[VA(t∧τ, ω)−VA(t∧σ, ω)]<∞

e portanto H ∈ L1loc(A). Afirmamos que para terminar a demonstra¸c˜ao desta primeira parte, ´e suficiente mostrar que

Aτ =A0+A•1[[0,τ]]. (4.16)

De fato, se isto valer, ent˜ao

ξ1[]σ,τ]]•A=ξ

1[[0,τ]]−1[[0,σ]]

•A

A•1[[0,τ]]−A•1[[0,σ]]

=ξ[Aτ−A0−(Aσ−A0)]

=ξ(Aτ −Aσ).

Vamos provar portanto que (4.16) vale. De fato, seja t≥0,

A0+A•1[[0,τ]]

(t, ω) =A0+

t

Z

0

1[[0,τ(ω)]](s)A(ds, ω)

=A0+

t∧τ(ω)

Z

0

1(s, ω)A(ds, ω)

=A0+ (A(t∧τ(ω), ω)−A0)

=Aτ(t, ω).

Vamos agora tratar da segunda parte. Come¸caremos provando que H ∈ L2loc(M). Para isto, vamos verificar que H´e progressivamente mensur´avel. Sejat≥0 fixo. Temos que

H|[0,t]×Ω =ξ1[[σ∧t,τ∧t]] =ξ1[σ<t]1[]σ∧t,τ∧t]].

Agora, como ξ ´e Fσ-mensur´avel, afirmamos que ξ1[σ<t] ´e Ft-mensur´avel. Vamos provar esta afirma¸c˜ao. Suponha inicialmente que ξ = 1[F] onde F ∈ Fσ e seja t ≥ 0 arbitr´ario. Ent˜ao, pela defini¸c˜ao de Fσ, temos que F ∩[τ < t] ∈ Ft, de forma equivalente, ξ1[σ<t] = 1[F∩[σ<t]] ´e Ft -mensur´avel. Quando ξ for uma fun¸c˜ao simples, segue por linearidade queξ1[σ<t] ´e Ft-mensur´avel.

Agora, suponha ξ n˜ao negativa, Fσ-mensur´avel e t ≥0 e tome uma sequˆencia {ξn}n≥1 de fun¸c˜oes simples n˜ao negativas eFσ-mensur´aveis tal queξn↑ξ. Ent˜aoξn1[σ<t]↑ξ1[σ<t]. Temos queξn1[σ<t]

´

e Ft-mensur´avel para cada n ≥ 1 e portanto ξ1[σ<t] ´e Ft-mensur´avel. Finalmente, quando ξ for arbitr´ario e Fσ-mensur´avel, basta considerar a decomposi¸c˜ao ξ =ξ+−ξ.

Voltando, temos ent˜ao queξ1[σ<t]´eFt-mensur´avel. Como os tempos de paradaσ∧t, τ∧t: Ω→ [0, t] s˜ao Ft-mensur´aveis, o intervalo estoc´astico ]σ∧t, τ ∧t] ´eσ B[0,t]×Ft

-mensur´avel. De fato, ]σ∧t, τ∧t] .

={(s, ω)∈[0, t]×Ω : σ(ω)∧t < s≤τ(ω)∧t}

={(s, ω)∈[0, t]×Ω :τ(ω)−t−s≥0} ∩ {(s, ω)∈[0, t]×Ω :s−τ(ω)∧t >0}. Disso segue que H|[0,t]×Ω ´e σ B[0,t]×Ft

-mensur´avel, ou seja, H ´e progressivamente mensur´avel.

Agora,

t

Z

0

H2(s, ω) JMK(ds, ω) =ξ2(ω)

t

Z

0

1[]σ,τ]] JMK(ds, ω)

2(ω) (JMK(t∧τ(ω), ω)−JMK(t∧σ(ω), ω))

<∞ P−q.s.

e portanto, pela proposi¸c˜ao 4.23 temos que H ∈ L2loc(M). Resta agora provar que H •M = ξ(Mτ−Mσ). Para isto, defina Y .

= ξ(Mτ−Mσ). Temos que Y0 = 0. Vamos mostrar que Y

´

e um martingal local cont´ınuo. Note que podemos escrever Yt = ξ1[σ<t](Mt∧τ −Mt∧σ). Como ξ1[σ<t] ´e Ft-mensur´avel, temos que Y ´e adaptado e evidentemente cont´ınua. Pela proposi¸c˜ao 2.52 na p´agina30, podemos tomar uma sequˆencia de tempos de parada{ρn}n≥1 tal queMτ∧ρn eMσ∧ρn sejam uniformemente limitados. Dessa formaY ´e uniformemente limitado (por ser diferen¸ca de pro-cessos uniformemente limitados) e os propro-cessos Mτ∧ρn e Mσ∧ρn s˜ao, para cadan, martingais (pelo corol´ario 2.56 na p´agina 31). Agora, basta mostrar que para cada n ≥ 1, Yρn ´e um martingal, pois isso implica que {ρn}n´e uma sequˆencia redutora o que por sua vez implica que satisfizemos as condi¸c˜oes de martingal local pela defini¸c˜ao. Para isto, seja λ um tempo de parada limitado. Pelo teorema 2.37na p´agina 21, basta verificar que

E(Yρn(λ)) =E(Yρn(0)) =E(Y(0)) = 0.

De fato,

E(Yρn(λ)) =E(E(Yρn(λ)||Fσ))

=E(E(ξ(ρn(ω)) (Mτ∧λ−Mσ∧λ)ρn||Fσ))

=E ξ(ρn(ω))E Mτ∧λρn −Mσ∧λρn ||Fσ

=E ξ(ρn(ω)) E Mτ∧λρn ||Fσ

−E Mσ∧λρn ||Fσ

=E ξ(ρn(ω)) Mλ∧σρn −Mλ∧σρn

= 0.

Agora, falta provar que Jξ(Mτ −Mσ),NK = H•JM,NK para todo martingal cont´ınuo N. Pela

proposi¸c˜ao 3.29na p´agina58, temos

Jξ(Mτ−Mσ),NK=ξJMτ −Mσ,NK

=ξ(JM,NK

τ −JM,NK

σ)

=ξ JM,NK0+1[[0,τ]]•JM,NK−JM,NK0−1[[0,σ]]•JM,NK

=ξ 1[[0,τ]]•JM,NK−1[[0,σ]]•JM,NK

=ξ 1[[0,τ]]−1[[0,σ]]

•JM,NK

=ξ1[]σ,τ]]•JM,NK

=H•JM,NK.

Agora vamos apresentar o an´alogo do teorema da convergˆencia dominada para o caso estoc´astico.

Teorema 4.37. SejamXum semi-martingal cont´ınuo e{Hn}n≥1 uma sequˆencia de processos emΛb

satisfazendo Hn−→0, para todo (t, ω)∈R+×Ω. Se existir um processo K∈Λb tal que|Hn| ≤K, para todo n≥1, ent˜ao(Hn•X)−→P 0, quando n↑ ∞, para todo t≥0.

Demonstra¸c˜ao. Observamos que o resultado continuaria valendo se a desigualdade|Hn| ≤Kvalesse apenas para ω no complementar de um conjunto de medida P-nuloE. De fato, bastaria trocar Hn

por H0n=Hn1[]0,∞]×E], poisHe H0 s˜ao indistingu´ıveis e o resultado segue pela proposi¸c˜ao 4.32.

Vamos separar a demonstra¸c˜ao primeiro tratandoXcomo um processo de varia¸c˜ao finita e depois como martingal local cont´ınuo. Por hip´otese, para cada ω ∈Ω e todo n ≥ 1, Hn(·, ω) ´e integr´avel em todo intervalo [0, t]. Pelo teorema da convergˆencia dominada cl´assico, temos que para s ≤ t e n→ ∞,

s

Z

0

HndX−0

t

Z

0

|Hn|dVX−→0.

Assim, pontualmente temos, para qualquert≥0, sup

s≤t

|(Hn•X) (s)| −→0.

Como em espa¸cos de medida finita, convergˆencia pontual implica na convergˆencia em medida, isto ´e,

em probabilidade, provamos o caso quando o integrador ´e de varia¸c˜ao finita.

Agora, sejaXum martingal local cont´ınuo. Pela defini¸c˜ao do espa¸co Λb e pela proposi¸c˜ao2.52na p´agina 30, podemos tomar uma sequˆencia de tempos de parada {τm}m≥1 tal que τm ↑ ∞, |Kτm| ≤ Cm<∞ e Xτm ∈cH2, onde{Cm}m≥1 s˜ao constantes.

Fixe m≥1 e sejat≥0, arbitr´ario. Vamos provar que (Hn•X) (t,·)−→0 em probabilidade no conjunto [τm≥t]. Da arbitr´ariedade de me como∪mm ≥t] = Ω, resultar´a pela proposi¸c˜ao B.3na p´agina 154, que (Hn•X) (t,·)−→ 0 em probabilidade em todo Ω. Para isto, note inicialmente que Kτm ∈ L2(Xτm) .

=L2(R+×Ω,Pg, αXτm). De fato,

kKτmkXτm =E

Z

0

(Kτm(s, ω))2 JXτmK(ds, ω)

≤Cm2E

Z

0

JXτmK(ds, ω)

=Cm2E

lim

t→∞

t

Z

0

JXτmK(ds, ω)

=Cm2E

t→∞lim JXτmK(t,·)−JXτmK(0,·)

=Cm2E

t→∞lim JXτmK(t,·) .

Como Xτm ∈ cH2, pela proposi¸c˜ao 3.21 na p´agina 53, temos que E(limt→∞JXτmK(t,·)) < ∞ e portanto kKτmkXτm <∞. Agora, por hip´otese, |Hτnm| ≤ |Kτm|e limn→∞Hτnm(t, ω) = 0 , ∀(t, ω)∈ R+×Ω. Segue pelo teorema da convergˆencia dominada cl´assico que

n→∞lim Z

R+×Ω

(Hnτm(s, ω))2Xτm = Z

R+×Ω

n→∞lim Hnτm(s, ω)2

Xτm

= 0,

ou seja, limn→∞kHτnmk2Xτm = 0. Agora, como |Hnτm| ≤ |Kτm| e Kτm ∈ L2(Xτm), temos queHτnm ∈ L2(Xτm). Al´em disso, lembre-se queXτm ∈cH2 e portanto estamos sob as hip´oteses do teorema4.17, logo Hτnm •Xτm ∈ cH20 e pela isometria de Itˆo, kHτnmk2Xτm = kHτnm•Xτmk2H2 para todo n ≥ 1, e

portanto, pela proposi¸c˜ao4.21

n→∞lim kHτnm•Xτmk2H2 = lim

n→∞k(Hn•X)τmk2H2

= lim.

n→∞

sup

t≥0

k(Hn•X) (τm(·)∧t,·)k22

= 0.

Agora em [τm≥t],

0 = lim

n→∞

sup

t≥0

k(Hn•X) (t,·)k22

= lim

n→∞kHn•Xk22 (4.17)

e pela desigualdade de Doob, ficamos com w

w w w

sup

t≥0

|(Hn•X) (t,·)|

w w w w

2

2

≤4 sup

t≥0

k(Hn•X) (t,·)k22

= 4. kHn•Xk2H2. Dessa ´ultima igualdade e de (4.17), ficamos com

n→∞lim w w w w

sup

t≥0

|(Hn•X) (t,·)|

w w w w

2

2

= 0.

Pela proposi¸c˜aoB.2na p´agina154, a convergˆencia em L2 implica na convergˆencia em probabilidade e portanto supt≥0|(Hn•X) (t,·)| −→0, em probabilidade em [τm ≥t], e portanto pela proposi¸c˜aoB.3 na p´agina154, resulta o que quer´ıamos.

Uma das principais consequˆencias do teorema da convergˆencia dominada estoc´astica ´e que pode-mos deixar precisa uma rela¸c˜ao entre a integral estoc´astica e o conceito intuitivo de somas de Rie-mann. Para ver isto, considereXum semi-martingal cont´ınuo eHum processo estoc´astico adaptado e cont´ınuo quase-sempre. Fixe t ≥ 0 e seja P: 0 = t0 < t1 < . . . < tn = t uma parti¸c˜ao de [0, t].

Defina a vari´avel aleat´oria S(P,H,X) : Ω7→Rpor S(P,H,X)(ω) .

=

n

X

j=1

H(tj−1, ω) [X(tj, ω)−X(tj−1, ω)].

Veja o teorema2.27na p´agina18.

Defina tamb´em o processo estoc´astico R(P,H)(·,·) .

=H(0,·)1[{0}](·,·) +

n

X

j=1

H(tj−1,·)1[]tj−1,tj]](·,·).

Como para cada j ∈ {1,2, . . . , n+ 1}, H(tj−1,·), ´e uma vari´avel aleat´oria Ftj−1-mensur´avel, temos pela proposi¸c˜ao 4.36queH(tj−1,·)1[]tj−1,tj]](·,·)∈ L(X) e

H(tj−1,·)1[]tj−1,tj]](·,·)•X(·,·) =H(tj−1,·) [X(tj ∧t,·)−X(tj−1∧t,·)]

=H(tj−1,·) [X(tj,·)−X(tj−1,·)]. Assim,R(P,H)∈ L(X) e R(P,H)

(t,·) =S(P,H,X)(·), ou seja,

t

Z

0

R(P,H)(s,·)X(ds,·) =

n

X

j=1

H(tj−1,·) [X(tj,·)−X(tj−1,·)].

Com essas defini¸c˜oes em mente, temos o seguinte resultado:

Proposi¸c˜ao 4.38. Sejam X um semi-martingal cont´ınuo, H um processo quase sempre cont´ınuo e adaptado e t≥0. Ent˜ao

t

Z

0

H(s,·)X(ds,·) = lim

n→∞S(Pn,H,X)(·) em probabilidade

para toda sequˆencia {Pn}n≥1 de parti¸c˜oes do intervalo [0, t] tal que|Pn| −→0 quandon↑ ∞.

Demonstra¸c˜ao. Podemos supor sem perda de generalidade queHtem todas as trajet´orias cont´ınuas (de fato, podemos tomarH0indistingu´ıvel deHe a integral estoc´astica ´e a mesma, veja a proposi¸c˜ao4.32).

Dessa forma, temos que H∈Λb e portantoH∈ L(X).

Suponha inicialmente que |H| ≤C <∞, para alguma constanteC ≥0. Temos que R(Pn,H)(·,·) .

=H(0,·)1[{0}](·,·) +

n

X

j=1

H(tj−1,·)1[]tj−1,tj]](·,·)−→H(·,·),

pontualmente, para todo (t, ω) ∈ R+×Ω e R(Pn,H) ≤ C, para cada n ≥ 1. Temos ent˜ao que

R(Pn,H)−H−→0, pontualmente, para todo (t, ω) ∈R+×Ω e 

R(Pn,H)−H

≤2C. Temos pelo teorema da convergˆencia dominada estoc´astica que R(Pn,H)−H

•X

t −→ 0, em probabilidade, ou seja

R(Pn,H)•X

t= (H•X)t= lim

n→∞S(Pn,H,X)(·).

Agora, mais geralmente, temos que existe uma sequˆencia {τm}m≥1 de tempos de parada tal que τm ↑ ∞e |Hτm| ≤Cm, para todom >|H0|. Para este m, temos pelo caso anterior que

S(Pn,Hτm,X) −→(Hτm•X)t,

em probabilidade, paran↑ ∞. Assim, para ω∈[τm ≥t], temos que S(Pn,Hτm,X)=S(Pn,H,X) e pelo teorema 4.31, temos que (Hτm•X)t = (H•X)τtm = (H•X)t. Logo, S(Pn,H,X) −→ (H•X)t, em probabilidade, em cada [τm ≥t]. Como ∪m≥|H0|m ≥t] = Ω, o resultado segue da proposi¸caoB.3.

Corol´ario 4.39. Sejam Xum semi-martingal cont´ınuo,Hum processo estoc´astico adaptado e quase sempre cont´ınuo, 0 ≤ a < b e ξ uma vari´avel aleat´oria Fa-mensur´avel. Ent˜ao, Rb

aξH(s,·)X(ds,·) =ξRb

aH(s,·)X(ds,·).

Demonstra¸c˜ao. Podemos assumir que a= 0. Note que ξH´e q.s.-cont´ınuo e adaptado e para cada parti¸c˜aoP de [a, b] vale a identidadeS(P,ξH,X)=ξS(P,H,X). O resultado segue da proposi¸c˜ao anterior fazendo |P| →0.

O pr´oximo resultado pode ser pensado como a vers˜ao estoc´astica da f´ormula de integra¸c˜ao por partes.

Proposi¸c˜ao 4.40. Sejam X eY semi-martingais cont´ınuos. Ent˜ao para todo t≥0,

XtYt=X0Y0+

t

Z

0

XsdYs+

t

Z

0

YsdXs+JX,YKt.

Demonstra¸c˜ao. SejaP: 0 =t0 < t1 < . . . < tn=tuma parti¸c˜ao arbitr´aria do intervalo [0, t]. Note a

Lembre-se queH0´e constante. Veja as observa¸oes ap´os a defini¸ao4.34.

igualdade

XtjYtj−Xtj−1Ytj−1 = Xtj −Xtj−1

Ytj−Ytj−1

+Xtj−1 Ytj−Ytj−1 +Ytj−1 Xtj−Xtj−1

e some sobre j= 1,2, . . . , n. Obtemos

XtYt−X0Y0 =Q(P,X,Y)+S(P,X,Y)+S(P,Y,X).

Fa¸ca |P| → 0 e obtemos o resultado pelo teorema da convergˆencia dominada estoc´astico e pela proposi¸c˜ao 3.28na p´agina57.

Agora, vamos obter alguns resultados para integrais estoc´asticas com respeito ao processo de covaria¸c˜ao quadr´atica JX,YK. Novamente, seja P: 0 = t0 < t1 < . . . < tn = t uma parti¸c˜ao do intervalo [0, t]. Defina a vari´avel aleat´oria SQ(P,H,X,Y): Ω7→R por

SQ(P,H,X,Y)(ω) .

=

n

X

j=1

H(tj−1, ω) [(X(tj, ω)−X(tj−1, ω)) (Y(tj, ω)−Y(tj−1, ω))]

e vamos definirSQ(P,H,X) .

=SQ(P,H,X,X). Observe tamb´em que da rela¸c˜ao 4 Xtj−Xtj−1

Ytj−Ytj−1

= Xtj+Ytj

− Xtj−1 +Ytj−12

− Xtj−Ytj

− Xtj−1 −Ytj−1

2

segue que

SQ(P,H,X,Y)= 1 4

h

SQ(P,X+Y)−SQ(P,X−Y)i

. (4.18)

Proposi¸c˜ao 4.41. Sejam X um semi-martingal cont´ınuo e H um processo estoc´astico adaptado, q.s.-cont´ınuo et≥0. Ent˜aoSQ(Pn,H,X) −→Rt

0HsdJXKs em probabilidade, para qualquer sequˆencia de parti¸c˜oes{Pn}n≥1 do intervalo [0, t]tal que|Pn| →0.

Demonstra¸c˜ao. Por um argumento semelhante feito na demonstra¸c˜ao da proposi¸c˜ao 4.38, podemos assumir que as trajet´orias de H e X s˜ao cont´ınuas para todo ω ∈ Ω e que X e H s˜ao limitados.

Lembre-se da nota¸aoQ(P,X,Y) na proposi¸ao3.18na p´agina51.

Agora, pela proposi¸c˜ao 4.40com X=Y, temos

Xt2−X02 = 2

t

Z

0

XsdXs+JXKt.

Assim, se P: 0 =t0 < t1< . . . < tn=t´e uma parti¸c˜ao de [0, t], temos para 1≤j≤n,

Xt2j −Xt2j−1 = 2

tj

Z

tj−1

XsdXs+

JXKtj−JXKtj−1

e disso, temos que

Xtj−Xtj−12

=

Xt2j−Xt2j−1

−2Xtj−1 Xtj −Xtj−1

= 2

tj

Z

tj−1

XsdXs+

JXKtj −JXKtj−1

−2Xtj−1 Xtj−Xtj−1

.

(4.19)

Agora, pelo corol´ario 4.39,

Htj−1

tj

Z

tj−1

XsdXs=

tj

Z

tj−1

Htj−1XsdXs=

t

Z

0

Htj−11[]tj−1,tj]](s)XsdXs. (4.20)

Assim, multiplicando (4.19) porHtj−1, usando (4.20) e somando paraj = 1,2, . . . , nobtemos

SQ(P,H,X)= 2

t

Z

0

R(P,H)s XsdXs+S(P,H,JXK)−2S(P,HX,X). (4.21)

Agora fa¸ca |P| →0. Por continuidade,R(P,H)X−→HX, pontualmente emR+×Ω e o teorema da convergˆencia dominada estoc´astica garante que

t

Z

0

R(P,H)s XsdXs−→P

t

Z

0

HsXsdXs. (4.22)

Al´em disso, pela proposi¸c˜ao4.38 temos que

S(P,HX,X) P−→

t

Z

0

HsXsdXs e S(P,H,JXK) P−→

t

Z

0

HsdJXKs. (4.23)

Logo, de (4.22) e (4.23), temos por (4.21)

SQ(P,H,X) P−→

t

Z

0

HsdJXKs,

como quer´ıamos.

Corol´ario 4.42. Sejam Y um semi-martingal cont´ınuo eX,Hcomo na proposi¸c˜ao anterior. Ent˜ao SQ(Pn,H,X,Y) −→ Rt

0 HsdJX,YKs em probabilidade, para qualquer sequˆencia de parti¸c˜oes {Pn}n≥1 do intervalo [0, t]tal que |Pn| →0.

Demonstra¸c˜ao. Pela rela¸c˜ao (4.18) e pela proposi¸c˜ao anterior, temos que

SQ(Pn,H,X,Y) P−→4

t

Z

0

HsdJX+YKs

t

Z

0

HsdJX−YKs

. (4.24)

Agora, pela bilinearidade da integral estoc´astica vem que

4

t

Z

0

HsdJX+YKs

t

Z

0

HsdJX−YKs

= 4 ((H•JX+YK)−(H•JX−YK))

= 4 (H•(JX+YK−JX−YK))

=H•(4 (JX+YK−JX−YK))

=H•JX,YK.

(4.25)

Para obter a ´ultima igualdade usamos simplesmente a defini¸c˜ao de co-varia¸c˜ao quadr´atica. Substi-tuindo (4.25) em (4.24), provamos o que quer´ıamos.

Veja o teorema4.31. Veja a defini¸ao3.15na p´agina50.

No documento Integral estoc´astica e aplica¸c˜oes (páginas 104-117)