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O tetragrama organizacional e os sete saberes

1.3 Os postulados da teoria da complexidade

1.3.2 O tetragrama organizacional e os sete saberes

A complexidade não pode se resumir a uma única fórmula, como adverte Morin (2008a, p. 8) quando refere que:

A sua definição primeira não pode fornecer nenhuma elucidação: é complexo o que não pode ser reduzir-se a uma palestra mestra, o que não pode reduzir-se a uma lei ou uma idéia simples. Por outras palavras, o complexo não pode reduzir-se na palavra complexidade, reduzir-se a uma lei de complexidade ou uma idéia de complexidade.

Por isso, aliado aos operadores da complexidade, importante se torna a análise do tetragrama e dos sete saberes. O tetragrama seria “a chave que nos abre a porta dos fenômenos organizados e nos permite dialogar com o real.” (FORTIN, 2007, p. 42). Martinazzo (2009, p. 24) esclarece que é a partir do princípio dialógico e da observação da cosmogênese que se deduz o circuito tetralógico, ou seja:

O princípio dialógico Morin extrai da observação do que ele denomina de

“desordem genésica” (2003), ou seja, a questão da gênese e da criação do mundo que se apresenta como princípio de ligação existente entre, de um lado, a desordem e, de outro, a ordem e a própria organização. A partir da observação da cosmogênese Morin deduz o chamado circuito tetralógico entre ordem/desordem/interação/organização. (grifo nosso).

De fato, algo que o pensamento complexo considera é que qualquer atividade, de qualquer sistema vivo, ou qualquer explicação da realidade é guiada por uma tetralogia, ou seja, envolve uma relação de ordem/desordem/intera- ção/organização, a qual Morin (2008b) chama de tetragrama organizacional.

A ordem, no antigo sistema, era vista como sinônimo de lei, mas, com o passar do tempo, começou a se diversificar, denotando outros vieses como de constrangimento, estabilidade, constância, regularidade, transparecendo a idéia de estrutura (FORTIN, 2007). A desordem, por sua vez, é sinônima de desavença, desvios, perturbações, emergências. Já as interações, que “são ações recíprocas que modificam o comportamento ou a natureza de elementos, corpos, objetos, fenômenos em presença ou influência” (MORIN, 2008b, p. 72), são o ponto nodal do tetragrama, pois é por elas que “ordem, desordem e organização podem comunicar, colaborar, transmitir-se uma à outra, opor-se, combater-se até a morte” (FORTIN, 2007, p. 41). Por fim, a organização reflete o destino do sistema, e o sistema é sempre algo que vive na erupção da desordem, o que faz com que Morin (2006, p. 17) afirme que:

[...] estamos num pequeno planeta, satélite de um sol de periferia que, por sua vez, faz parte de uma galáxia periférica – a da Via Láctea. É impossível considerar a humanidade o centro do mundo, é impossível pensar que o objetivo da humanidade seja conquistar a natureza.

Dessa forma, “para que haja organização, é preciso interações: para que haja interações é preciso encontros, para que haja encontro é preciso desordem.” (MORIN, 2008b, p. 72).

Morin (2007a) afirma que se faz necessária uma reforma urgente do pensamento, pois o paradigma Cartesiano ensinou a dividir, a separar e a reforma do pensamento propõe reaprender a pensar, reaprender a ligar todos esses continentes que foram separados, moldando um pensamento de contexto e do complexo. No entanto, para reformar o pensamento, é necessária uma prévia reforma das instituições que, posteriormente, permitirão esse novo pensar, mas, para reformar as instituições, é necessário que já exista um pensamento reformado (MORIN, 2002). Portanto, há uma contradição lógica, e, em geral, essa contradição não pode ser ultrapassada a não ser que comece por movimentos marginais, movimentos-piloto, pelas universidades, pelas escolas de formação, “ademais, uma organização do saber já começou no e pelo reagrupamento de disciplinas até então dispersas. A ecologia científica, as ciências da Terra, a cosmologia já são ciências polidisciplinares.” (MORIN, 2007a, p. 23).

Um dos efeitos da separação, da fragmentação foi a distribuição do ensino em disciplinas, e a disciplina nada mais é do que o ramo do saber voltado para ele mesmo. Porém, hoje se fala muito nas palavras interdisciplinaridade, polidisciplinaridade e transdisciplinaridade ou transversalidade.

A interdisciplinaridade é um conceito bivalente, pois pode significar tanto disciplinas que se sentam à mesma mesa, mas cada qual defendendo o seu ponto de vista, como pode significar também troca e cooperação (MORIN, 2002). A polidisciplinaridade “constitui uma associação de disciplinas em torno de um projeto ou de um objeto que lhe é comum” (MORIN, 2007a, p. 50). Já a transdiciplinaridade é um esquema cognitivo que busca romper com a interdisciplinaridade e atravessar as disciplinas, dando mais unidade, tornando-se muito mais integrador e produtivo

(MORIN, 2002). É evidente que o pensamento complexo adota a visão transversal ou transdisciplinar, mas para que haja essa transversalidade, é necessário um pensamento organizador, que Morin (2007a)chama de pensamento complexo.

Para se atingir esta visão transversal, é necessária a construção de um ou mais metapontos de vista e não de um ponto de vista apenas, pois “nos parece muito importante, é ter metapontos de vista sobre nossa sociedade, exactamente como num campo de concentração, onde poderíamos edificar torres de vigia que nos permitiriam olhar melhor a nossa sociedade e o seu meio exterior” (MORIN, 2008a, p. 110). Isto é válido para a vida, para o homem, para o conhecimento, ou seja, serão reunidos diversos pontos de vista não como uma assembleia de diferenças, uma sentada do lado da outra, mas onde cada um está dando a sua contribuição para a construção do metaponto de vista.

Para auxiliar na criação desses metapontos de vista, Morin organiza sete saberes,29 que seriam inspirações para conduzir o operador na reforma do pensamento e das instituições, rompendo com a lógica disciplinar.

O primeiro saber diz respeito ao conhecimento e à idéia de erro, uma vez que, até então, a ciência sempre procurou afastar o erro e a ilusão de suas concepções, apesar de que sempre estiveram presentes. Ao se voltar para o passado, será possível se observar uma enorme série de erros e ilusões que eram considerados como conhecimentos certos e verdadeiros, da mesma forma que muitas certezas de hoje serão consideradas meras ilusões amanhã (MORIN, 2007a). É preciso integrar os erros nas concepções para que o conhecimento avance.

O segundo saber refere-se à idéia de conhecimento pertinente, que “é aquele capaz de situar toda a informação no seu contexto e, se possível, no conjunto em que se inscreve” (MORIN, 2002, p. 15). Dessa forma, o conhecimento pertinente não significa um acúmulo de informação, mas sim a qualidade da

29Que não devem ser confundidos com os operadores/princípios da complexidade, apesar de serem

informação, ou seja, “o verdadeiro problema não é o da informação quantitativa, mas o da organização da informação” (MORIN, 2007a, p. 85). O conhecimento pertinente somente será alcançado, caso se souber contextualizar o saber e as informações num “contexto dos contextos, o contexto planetário” (MORIN, 2002, p. 27), afastando ao máximo a visão redutora, disjuntiva e simplificadora, que, na ilusão de melhorar o conhecimento e propiciar o seu avanço, separou as disciplinas, criando um fosso asséptico entre elas. Importante ressaltar que o conhecimento pertinente busca não aniquilar a disciplina, mas rearticular a ideia da disciplina em outros contextos, como já acontece com a ecologia, a geografia e a cosmologia, por exemplo.

O terceiro saber diz respeito à condição humana, ou seja, à identidade de ser humano. Este saber tem estreita ligação com a pergunta: “Quem somos nós?” Em virtude da fragmentação do estudo em disciplinas, que culminou na separação das ciências humanas, cada área vai auxiliar o homem auxiliar a chegar a uma resposta parcelar de sua identidade. Assim,

Temos uma natureza biológica, uma natureza social, uma natureza individual. A Sociologia mostra o destino social do ser humano, a Psicologia mostra seu destino individual, a Histórias seu destino histórico, a Economia seu destino econômico que se desenvolve nos tempos modernos do ser humano. (MORIN, 2007a, p. 89).

Não é só a ciência o único elemento clarificador da identidade humana. Também o é a literatura e a arte, ou seja, o homem não é 100% razão; é 100% razão e 100% emoção. Aprende-se que o homem é caracterizado por ser “sapiens/sapiens”, ou seja, “sabe que sabe”, porém nunca foi ensinado que o homem também é “demens”, ou seja, também dotado de demencialidade, de loucura (MORIN, 2007a). O ser humano é, portanto, “sapiens/sapiens/demens” sem uma fronteira demarcada entre a razão e a demencialidade, pois, não raras as vezes, “no limite da loucura existe a genialidade como em Nietzsche.” (MORIN, 2007a, p. 91).

A identidade humana encontra-se disjunta e desintegrada. É preciso, por isso, um conhecimento que ultrapasse essa fragmentação e considere a totalidade, num olhar dialógico e hologramático sobre o ser. Precisa-se aprender que a identidade do ser humano não é apenas racional e cultural, mas também irracional, física, psíquica, mítica e imaginária, expressa na ideia do “sapiens/sapiens/demens”.

O quarto saber diz respeito à compreensão humana e visa compreender o ser humano não apenas como objeto, com uma série de traços objetivos, mas principalmente como sujeito. Para compreender o próximo, é preciso que o homem compreenda a si mesmo. Ou seja, quando vê que alguém chora de dor, só compreende quem sofre com a dor porque em algum momento já vivenciou situação similar; em algum momento já sentiu dor e chorou (MORIN, 2007a). Porém, o até então modelo paradigmático da ciência, que culminou por moldar também o comportamento da sociedade e dos indivíduos, levou o ser humano a um individualismo exacerbado, dando “a impressão que a incompreensão se desenvolve com o nosso individualismo, em vez dele nos ajudar a compreender a nós mesmos, como se o individualismo desenvolvesse uma espécie de auto-justificação egocêntrica permanente” (MORIN, 2007a, p. 93), levando às pessoas a evitarem assumir a culpa de seus erros, fracassos, imperfeições e insuficiências, expiando sua culpa para um terceiro, que pode ser o Estado, os desígnios divinos, mas, na maioria das vezes, é atribuído a algum outro indivíduo.

A incompreensão humana, ou a falta de capacidade para se compreender uns aos outros é bem nítida no momento em que se caracteriza uma pessoa, ou quando alguém se apresenta, o que geralmente o faz com a apresentação da profissão ou da função desempenhada na sociedade, fazendo existir uma hierarquia de reconhecimento, dependendo da profissão ou do status social. Esquece-se, por exemplo, que um juiz não é somente um juiz, mas também pode ser um pai, um filho, um amigo, um inimigo, alguém que tem alegrias e tristezas, satisfações e frustrações. É preciso aprender que a compreensão não pode se dar de forma fragmentada, disjuntiva e parcelada, mas num contexto dos contextos.

Por sua vez, o quinto saber diz respeito à incerteza, pois o que se ensinou até então são as certezas e um caminho (método) para chegar a elas. Porém este caminho somente considera as certezas, e a incerteza não é uma variante de análise válida, sendo então ocultada. Mas então emerge a questão: Como lidar com a incerteza e considerá-la como variante? Este é o objeto do quinto saber. Ao se olhar para trás na história, muitos são os exemplos em que a incerteza foi uma variante que fez a diferença, como o foi a destruição do Império Romano, o desaparecimento da civilização e da cultura Asteca e Inca, a derrota da Alemanha

na Segunda Guerra Mundial. Esses e muitos outros exemplos dão mostras da necessidade de se enfrentarem as incertezas (MORIN, 2007a).

Morin afirma que “Uma ação não obedece nunca às intenções daqueles que a fazem” (2007a, p. 97-98). Assim, ao se lançar no mundo uma boa ação, ao se desligar do seu autor, esta ação pode ser desvirtuada de sua intenção inicial ao ser apropriada por um terceiro, dando então novo significado, ou seja, “esta pode ter seu sentido deturpado e, muitas vezes, revertido contra a intenção de seus proponentes.” (MORIN, 2007a, p. 98).

A tarefa de agregar a incerteza torna-se mais fácil a partir do momento em que se toma conhecimento de dois importantes instrumentos de auxilio. O primeiro é a consciência do risco e do acaso a que se está sujeito; e o segundo é a estratégia, que envolve não só o plano da percepção das melhores alternativas, mas principalmente o plano da ação, da capacidade de moldar o comportamento em função dos novos acontecimentos e informações adquiridas (MORIN, 2007a).

O sexto saber refere-se à era planetária, e envolve a compreensão do atual momento histórico em que os homens estão envolvidos em um processo de mundialização da cultura ocidental e de um modelo tecnoeconômico que os conduzem a uma “comunidade de destinos sobre a terra” (MORIN, 2007a, p. 100), ou seja, os seres humanos estão cada vez mais interligados mundialmente, e exemplos não faltam. Na esfera econômica, uma alteração na bolsa de valores de Tóquio é sentida instantaneamente aqui no Brasil; na esfera ambiental, a poluição lançada individualmente por cada país reflete-se no aquecimento global mundial, e não apenas no espaço geográfico do país poluente. Assim, os reflexos da poluição não respeitam fronteiras, deixando clara a comunidade de destino, ou como Beck (2008, p. 26) afirma:

Somos miembros de una <<comunidad de peligro mundial>>. Los peligros ya no son una cuestión interna de cada país ni um país puede combatirlos solo. Surgen nuevas dinámicas para tratar los conflictos provocados por las desigualdades sociales.

Deve-se desenvolver a identidade terrena, da terra pátria. Tomar consciência de que a terra é um pequeno planeta que precisa ser sustentado a qualquer custo. A ideia da identidade terrena está ligada à idéia de sustentabilidade, de construir um planeta que seja viável também para as futuras gerações.

Ocorre que emerge um problema na identidade terrena, que reside na dificuldade de “participar simultaneamente da comunicação de todas estas partes da humanidade sem chegar a uma homogeneização, ou seja, à destruição e nivelamento das culturas” (MORIN, 2007a, p. 100). Dessa forma, a cidadania deve ser considerada num conceito mais aberto, não condicionado aos limites do Estado, e mais próximo de uma cidadania terrestre, que respeita as culturas locais. No atual estágio, a identidade do homem seria a identidade da terra pátria.

O sétimo saber diz respeito à antropoética, ou à ética do gênero humano, que é embasada sobre três elementos: o individuo, a sociedade e a espécie, então a antropoética deve buscar a religação dos três elementos indivíduo/socieda- de/espécie, ou seja, “a ética antropológica exige que desenvolvamos simultaneamente nossas autonomias pessoais, nosso ser individual, nossa responsabilidade e nossa participação no gênero humano.” (MORIN, 2007a, p. 102).

A partir desses três elementos, Morin elabora dois pontos centrais em relação à ética. O primeiro diz respeito ao binômio individuo/sociedade em que “a ética nos conduz à idéia de democracia, ou seja, ao sistema no qual os controlados controlam seus controladores” (MORIN, 2007a, p. 103). Nesse sistema, as eleições se tornam um importante mecanismo através do qual os cidadãos devem agir de forma responsável e solidária construindo uma democracia sólida e consciente, ou seja, “tem como base o controle do aparelho pelos controlados, reduzindo assim a sujeição, Configura-se, portanto, como regeneração contínua de um anel retroativo onde os cidadãos produzem a democracia que os produz” (MORIN, 2007a, p. 97). O segundo ponto diz respeito ao binômio individuo/espécie, que nos conduziria à noção de ética do gênero humano, ou, em outras palavras, a perspectiva de civilizar a Terra construindo uma cidadania além fronteiras, uma cidadania terrestre (MORIN, 2007a).

São justamente os operadores da complexidade juntamente com o tetragrama organizacional e os sete saberes, que vão construir a estrutura mestra da teoria da complexidade e bem conduzirão as ideias para um pensamento complexo.

A grande questão é fazer dialogar e dialogizar os operadores da complexidade, o tetragrama organizacional, a transdisciplinaridade e os sete saberes com o Direito Ambiental brasileiro para que este se torne um possível mecanismo propiciador de desenvolvimento sustentável e de eco-cidadania. É claro que isso exige, além de uma superação de paradigmas, um novo profissional/pensador do direito, porém isto será tratado adiante. Agora mister se faz uma digressão através da estruturação do Direito Ambiental brasileiro para que se possa visualizar suas possíveis incoerências, falhas e insuficiências, bem como apontar seus méritos.

2 PERCEPÇÃO DE TUTELA E O DIREITO AMBIENTAL BRASILEIRO

Os paradigmas do conhecimento, conforme a época e modelo adotado, irradiaram seus efeitos na sociedade e no indivíduo, modificando a sua maneira de compreender o real que o cerca e sua forma de ser e estar no mundo. No capítulo anterior, ficou claro que o atual modelo paradigmático é baseado em um forte apelo racionalista, o qual influenciou não só as ciências, nelas incluído o Direito, mas também o indivíduo e a sociedade. No final, apresentou-se uma alternativa possível para o atual momento: a teoria da complexidade.

Assim, os reflexos do até então modelo paradigmático interferiu na forma com que o ser humano se relaciona com o meio ambiente, desencadeando uma postura depredatória, que desconsidera a sustentabilidade de seu próprio habitat. Ocorre que, a partir do momento em que o meio ambiente começou a dar sinais de irritabilidade, essa atitude mais agressiva começou a ser revista, florescendo pensamentos e movimentos ambientalistas preocupados com o a manutenção da vida da Terra. Dessa forma, emerge a necessidade de análise deste despertar da consciência ambiental no pensamento do ocidente, atentando para os fatos e acontecimentos e sua repercussão nas diferentes posturas ecológicas adotadas pelos países.

Em um segundo momento, aborda-se o aspecto histórico da tutela constitucional brasileira ao meio ambiente, levando em consideração os aspectos qualitativos e quantitativos, possibilitando um cotejo com a consciência e tutela ambiental em âmbito externo.

Em virtude dessa mudança de postura no trato com o meio ambiente, que até então era visto como simples recurso natural, e como tal deveria ser explorado para poder ser mensurável economicamente, tem início um embate entre desenvolvimento econômico e sustentabilidade, sendo este, então, objeto de análise específica.

Por fim, focalizam-se os princípios do Direito Ambiental, principalmente como balizadores da legislação infraconstitucional. Para tanto, faz-se um corte e

focalizam-se algumas leis para análise, tendo em vista o considerável número de diplomas que tutelam o meio ambiente, o que tornaria o tema demasiadamente exaustivo se tratado na sua totalidade.

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