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2 PENA

2.4 LEI DE EXECUÇÃO PENAL – LEP

2.4.2 Objetivo da Execução Penal

A Lei de Execução Penal traz como redação em seu art. 1º que “a execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado” (BRASIL, 1984).

O objetivo da lei em questão é visar à efetiva reintegração social do condenado ou internado ao meio social ao qual foi excluído devido à transgressão da lei, simultaneamente, cumprindo com as disposições que a sentença criminal determinou para a pena. Com este objetivo propõe-se acompanhar a teoria de finalidade da pena adotada no ordenamento jurídico, que se baseia na forma mista, em que a natureza retributiva da pena não procura apenas retribuir o mal causado e prevenir a sociedade de futuros atos, mas sim, de humanizar o indivíduo que cumpre a pena, reeducando-o moralmente e eticamente.

Marcão (2016, p. 32) corrobora ao afirmar que “objetiva-se, por meio da execução, punir e humanizar.”

A execução é a mais importante fase do Direito punitivo, pois de nada adianta a condenação sem que haja a respectiva execução da pena imposta. Daí o objetivo da execução penal, que é justamente tornar exequível ou efetiva a sentença criminal que impôs ao condenado determinada sanção pelo crime praticado (NOGUEIRA, 1996, p. 03).

Nesse cenário, são dois os propósitos almejados: executar a pena de forma eficiente, propiciando que o condenado ou internado reconheça os valores da sociedade e oferecendo meios para que não aja mais em divergência com o bem comum e o segundo propósito é de garantir que a execução da pena seja inclinada ao devido processo legal, com respeito à dignidade humana, para que a recuperação e integração do indivíduo tenha legitimidade.

Além da função retributiva, preventiva e intimidativa da pena de privação de liberdade, a ressocialização do indivíduo deve ser pretendida, para a configuração de parâmetros satisfatórios de desempenho do setor prisional. Silva e Boschi (1986) alegam ser necessário que o preso ou internado submeta-se à sanção imposta, recebendo tratamento penitenciário adequado, para que se reintegre harmonicamente ao convívio com a sociedade do qual foi afastado e passe, a contribuir de forma construtiva com a comunidade.

No que se refere à regulamentação em lei, o Estado é definido como o ente que deve aplicar e fiscalizar o cumprimento da pena através de seus estabelecimentos penais.

Sobre a pena em sua fase de execução, Bruno (1984, p. 158) comenta:

Nesse caso é que a sanção penal começa verdadeiramente a atuar sobre o delinquente, que se mostrou insensível à ameaça contida na cominação. O Estado vai tornar efetiva essa ameaça e o delinquente passa a sofrer realmente a restrição ou privação do bem jurídico sobre o qual incide a pena aplicada, e sobre ele vai exercer-se o tratamento pelo qual se tentará ressocializá-lo.

Tratando-se de uma execução penal, demonstra-se diretamente que o Estado possui o poder de punir os indivíduos que agem contra a lei e ainda, o dever de lhes proporcionar a humanização da pena imposta.

[...] O objetivo da execução penal não se limita ao cumprimento da pena, já que também deve propiciar ao condenado condições para o seu retorno harmônico à sociedade. Observa-se, portanto, que a reinserção social do condenado constitui um dos objetivos fundamentais da execução da penal, de forma que o Estado deve providenciar todos os aparatos para a sua efetivação (HAMMERDCHMIDT; COIMBRA; MARANHÃO, 2009, p. 25).

O Estado tem como finalidade manter a harmonia na sociedade, deste modo, caso um indivíduo, pratique uma ação delituosa que impacte na harmonia

social, a atuação estatal o restringe ante o seu bem jurídico da liberdade de poder ir e vir. A pena de prisão não é apenas uma punição, é uma maneira de reeducar e reintegrar o infrator da lei à sociedade, fazendo com que o mesmo passe a ter mais empatia pelo próximo e que passe a cooperar com a harmonia social.

Nesta perspectiva, Beccaria (2011, p. 56) igualmente aduz:

[...] Fica evidente que o fim das penas não é a de atormentar e afligir um ser sensível, nem desfazer o delito já cometido.

[...] O fim da pena, é apenas de impedir que o réu cause novos danos aos seus concidadãos e demover os outros de agir desse modo.

É, pois, necessário selecionar quais penas e quais os modos de aplicá-las, de tal modo que, conservadas as proporções, causem impressão mais eficaz e mais duradoura no espírito dos homens, a menos tormentosa no corpo do réu.

Ao final do cumprimento da pena, o condenado deve ter sido possibilitado a ter um incremento pessoal que tenha adicionado à sua personalidade, valores da sociedade a qual está inserido e a visão de que necessita viver em grupo, pois sua natureza humana determina isto. Oliveira (1996, p. 09) destaca que o “ponto de partida para uma política criminal mais justa e eficiente é, portanto, o de que a pena, muito além da sua natureza aflitiva, deve ser à base da restauração pessoal.”

Porém nos dias atuais, este objetivo, que deveria satisfazer o caráter de humanização na execução pena, está entorpecido.

Na prática, lamentavelmente o Estado tem dado pouca atenção ao sistema carcerário, deixando de lado a necessária humanização do cumprimento de pena, em especial no tocante à pena privativa de liberdade, permitindo que muitos presídios se tenham transformado em autênticas masmorras, bem distantes do respeito à integridade física e moral dos presos, mesmo sendo direito constitucionalmente imposto (NUCCI, 2011, p. 1000).

Juntamente com o fator almejado da ressocialização do apenado dentro do estabelecimento penal, o Estado, preventivamente se utiliza da pena para fortalecer a ideia de respeito às proibições, mostrando aos seus cidadãos a correta observância dos preceitos legais e impedindo, na medida do possível, que haja ações ou omissões que abalem a convivência social, tal qual, é a eficácia da pena que desperta a consciência nos cidadãos e os inibe de desrespeitar a lei.

Segundo Lyra (1942, p. 09) a execução da pena tem como missão “prender o homem para libertá-lo dos fatores que condicionaram o crime.” Contudo, vê-se que o resultado ambicionado pela finalidade da pena trata-se, de fato, de uma teoria. Na prática, a realidade da execução penal e do sistema prisional no Brasil, é outra. O que se observa, na situação atual brasileira, contudo, não é a obediência às determinações legais ao real cumprimento da pena privativa de liberdade.