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Projeto de Lei do Senado n.º 513 de 2011

3 SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO

4.2 PRIVATIZAÇÃO, TERCEIRIZAÇÃO E PARCERIA PÚBLICO-PRIVADA

4.2.3 Parceria Público-Privada

4.2.3.1 Projeto de Lei do Senado n.º 513 de 2011

A fim de regularizar este fenômeno e apaziguar os debates, tramita desde o ano de 2011 no Senado Federal, o Projeto de Lei nº 513 proposto pelo então Senador Vicentinho Alves. Tal projeto estabelece normas gerais para a contratação de parceria público-privada para a construção e Administração de estabelecimentos penais no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Os dezenove artigos que compõem e disciplinam o projeto de lei, determinam como o mesmo será realizado, caso seja aprovado pelo Congresso Federal. São diretrizes do projeto: objetivo, abrangência da parceria público-privada, diretrizes observadas na contratação de parceria público-privada e o que será mantido e disponibilizada para os presos. Tal projeto procura deixar claro, quais os requisitos que serão atendidos pelos estabelecimentos penais, a atribuição do Poder Público na referida proposta e quem será o responsável pela fiscalização das unidades prisionais sob contratação de parceria público-privada, entre outras tantas importantes considerações que devem ser observadas.

Na justificativa do Projeto, o então Senador Vicentinho Alves, explica qual será o modelo de gerenciamento adotado nos estabelecimentos penais e quais os benefícios que ele trará, caso seja aprovado:

Este projeto não trata de “privatização” do sistema prisional. Seria mais adequado falar em terceirização ou ainda melhor, em cogestão dos estabelecimentos prisionais por meio da parceria entre setor público e privado, buscando otimizar a prestação dos serviços penitenciários. [...] Prima-se pela ideia de uma Administração Pública gerencial, em que se busca fazer com que o serviço público seja menos burocrático e atinja

sua finalidade, que a prestação do serviço seja mais eficiente, procurando, assim, eliminar fatores que inflacionam o gasto público, como a corrupção, o nepotismo, o abuso do poder dentre outros.

[...] A terceirização trará ganhos ao mirar os seguintes fatores: obrigatoriedade de trabalho para o preso, capacitação profissional e educação. São fatores fundamentais para um processo de ressocialização eficiente. Para tanto, a iniciativa privada precisa estar livre para explorar a mão-de-obra do preso como bem quiser, respeitados, obviamente, os limites legais. A lógica econômico-privada garantirá a auto regulação do sistema que só trará ganhos para a sociedade, pois possibilitará o que o sistema atual não possibilita, a ressocialização e talvez, no longo prazo, a autossuficiência (BRASIL, 2011, não paginado).

E ainda, se esclarece para que não haja dúvidas quanto à constitucionalidade da proposta, que o Estado, mesmo contratando empresas privadas para auxilia-lo a gerenciar o sistema prisional de forma compartilhada, será o órgão detentor do poder estatal:

O sistema de cogestão da execução penal não implica em abrir mão da competência privativa de executar a pena, que é do Estado. Mesmo que o setor de segurança seja administrado pela iniciativa privada, a responsabilidade pela execução da política penitenciária continua sendo estatal, já que se trata de matéria de índole constitucional. O corpo diretivo do presídio (diretor e vice-diretor) é composto por membros indicados pelo Estado, exercendo função pública típica. As competências jurisdicionais e disciplinares também são indelegáveis

O Estado mostrou-se incompetente para tratar da questão. Urge a transferência desses problemas para a iniciativa privada. Nesse sentido, julgamos a presente proposta fundamental para o futuro do sistema prisional brasileiro (BRASIL, 2011, não paginado).

O Senador ainda afirma sobre os ganhos com a adoção do referido modelo, escopo de seu projeto de lei:

A terceirização trará ganhos ao mirar os seguintes fatores: obrigatoriedade de trabalho para o preso, capacitação profissional e educação. São fatores fundamentais para um processo de ressocialização eficiente. Para tanto, a iniciativa privada precisa estar livre para explorar a mão-de-obra do preso como bem quiser, respeitados, obviamente, os limites legais. A lógica econômico-privada garantirá a auto regulação do sistema que só trará ganhos para a sociedade, pois possibilitará o que o sistema atual não possibilita, a ressocialização, e, talvez, no longo prazo, a autossuficiência. Em janeiro de 2011, por exemplo, foi firmado acordo entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Ministério dos Esportes e o Comitê Organizador Brasileiro da Copa do Mundo de 2014, com previsão de contratação de detentos e ex-detentos nas obras e serviços necessários à realização do Mundial. É disso que o Brasil precisa: uso inteligente e racional da mão-de-obra dos presos (BRASIL, 2011, não paginado).

Apesar das alegações positivas de implantação, vindas do Senador Vicentinho Alves, muitos especialistas são contrários e apresentam vários argumentos que justificam sua desaprovação ao projeto.

Para regularizar definitivamente através de dispositivo legal e amenizar discussões sobre a matéria, o Projeto de Lei nº 513/2011, desde a data de sua propositura, já passou por inúmeras comissões e debates dentro da Câmara de Deputados e Senado Federal. O referido projeto está atualmente em tramitação no Senado Federal desde a data de 24/11/2016, aguardando designação de relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado.

Desde 2011 em discussão, o projeto de lei ainda possui muitos vícios a serem sanados com discussões amplas e democráticas dentro das Comissões do Senado Federal e também fora dela.

Para que não haja dúvidas sobre sua inconstitucionalidade, devem ser apresentadas ao seu texto formalizações claras e incontestáveis de que o monopólio indelegável da função estatal, de punir e gerir o sistema penitenciário pertence exclusivamente ao Estado e não será conduzida de forma alguma pelas instituições privadas.

Observa-se que há muito caminho a percorrer até uma concreta designação legal destas parcerias dentro do sistema prisional brasileiro, contudo, o projeto representa um grande avanço dentro da temática, pois, até então, nenhum projeto de lei que viabilizasse regularizar esta questão havia dado passos tão promissores, com o auxílio da discussão e análise da sociedade brasileira.