• Nenhum resultado encontrado

Ora, a Constituinte deve ser soberana, dispensando essa ajuda, que representa, afinal, uma interferência

No documento MADAZNA Va.m - 460sro /rq% .le .}' 'P; (páginas 49-53)

de quem a escolhe ou designa o grupo de trabalho.

Hâ algumas questões inquietantes. Uma delas é certa palavra sobre os militares, sua constante parti-cipação na política, com os decorrentes desequilí-brios. O que há no texto atual é muito pouco. De-certo, não adianta fixar mais, pois se eles se dispuse-rem a interferir de novo, perturbando a ordem com o desvio das instituições, não hâ de ser a palavra con-denadora desse procedimento na Constituição que

Xrancisco ig/ósÍ.I'ifP'ST' sfÍf antes e Consfíruíções .Brasa/eiras

98 99

vai impedir o gesto. O exemplo de 64, desastroso

para o país e para eles, talvez lhes sirva para maior reflexão antes da aventura, como deve servir também aos civis na oposição para que não insistam no mau hábito de incentiva-los para o golpe, de falso apelo às Forças Armadas para garantir as instituições, quan-do na verdade é apenas o recurso para a conquista quan-do poder da parte de quem não dispõe de votos.

O Brasil caminha para mais uma Constituinte,

já na reta final do século XX. Ê incrível, mas em uma

idade de extraordinário avanço científico e tecnoló-gico, quando a inventiva atinge formas sofisticadas e que causariam espanto a áreas avançadas vinte anos antes, quando o homem já desceu na Lua, fez

ousa-das experiências espaciais, muda padrões de

com-portamento social no período de uma geração, molda

novos estilos para a vida e o homem, é incrível que

nosso país esteja ainda às voltas com problemas ele-mentares como o da propriedade da terra,

pagamen-to condigno do trabalhador, liberdade e igualdade para todos, casa própria, saúde, ensino,

alimenta-ção, enfim o atendimento das necessidades elemen-tares. Certas nações estão pensando em como organi-zar a sociedade na época do lazer, enquanto nós lu-tamos até hoje para o simples trabalho para o maior número. A diferença entre o Brasil e as áreas plena-mente desenvolvidos tende a agravar-se, pois o ritmo de crescimento é vertiginoso e a defasagem entre o desenvolvido e o subdesenvolvido é cada vez mais gri-tante. O Brasil tem de fazer muito para compensar o tempo perdido e colocar-se no nível de ponta, do qual

anda distanciado, sobretudo pelos desacertos dos úl-Com a superação do autoritarismo, esperava:se

clientelística com a chegada de outros elementos ao poder, os acordos espúrios, a troca de favores,

ajma-gemmelancólicad . . . . ..-:...

r

'' cpróximaeleição paraprefeituras com uma disputa de baixo nível, com o impatriotismo de executivos que nomeiam em poucos dias milhares de servidores inúteis, de um Congresso que aprova coisas como o Banco Sulbrasileiro, cria a votação .de lidemnça, dá o espetâculo degradante de deputados que fraudam a votação com mais de um voto, sem a devida pena de cassação pelo próprio Congresso, o desrespeito aos cargos, aos organismos, ao povo. Que estes desacertos dos primeiros tempos de uma fase

que se deseja nova sirvam de .advertência

do pelw

que se corre de perpetuação do arbítrio e do

incor-reto, a ser debitado ainda à longa ditadura de 21

anos. Não se deve concluir pela inviabilidade da na-' Ao fim do panorama que se esboçou, tem-se que o país esta mais uma vez na expectativa de outro

or-denamento. Se não se pode atribuir-lhe função de

magia, pode-se esperar pelo menos que

a.hstração

seja menor que em outros instantes iguais. O povo não pode ser agente passivo, à espera de modelagem de supostos guias. Deve atuar, pela discussão ampla e em todos os níveis -- em casa, no quarteirão, no

ao

100 Francisco lglési®

bairro, no distrito, na cidade. Se a participação ple-na, direta, à maneira de certos países pequenos e avançados, é pouco viável, note-se que a moderna tecnologia ainda não foi aplicada ao funcionamento democrático. A palavra hoje chega a todos os cantos, pela imprensa, rádio, cinema, televisão. Pode-se or-ganizar o voto com eficiência através de técnicas mó-demas, ainda não experimentadas entre nós. Se pre-valecer a busca da cidadania autêntica, outro será o resultado.

Muito se espera ainda do recrutamento a ser fei-to por correta lei eleifei-toral. Não é ingenuidade ou ufei-to- uto-pia essa esperança, mas a crença na afirmação hu-mana. Se algum dia ela faltar, resta apenas a

confor-midade com a injustiça e o autoritarismo.,E a

ativi-dade política será uma aventura sem sentido e a vida humana uma experiência destituída de grandeza.

INDICAÇÕES PARA IEI'LURA

O tema das Constituições, por ser relevante, tem enorme bibliografia, mas não sob o prisma histórico, que é o intentado no presente e breve estudo. A parte mais am-pla diz respeito aos aspectosjurídicos. As várias peças ins-ph'ajam obras às vezes de enomie vulto, em muitos volu-mes, como se poderia evidenciar com os comentários às di-versas Constituições, como os de Pontes de Mirando. Ser-vem sobntudo para o legislador ou advogado que precisa aplicar a lei. Capítulo amplo, não é objeto de nosso inte-O intuito do ensaio é uma notícia das Constituintes e Constituições. Dedicados ao estudo de História, pensamos em pequeno quadro do que tem sido esse processo no Bra-sil, de 1823 a 1985. O paísjá teve sete documentos básicos:

o mais longo sobreviveu 65 anos, de 1824 a 1889; não n-sultou de uma Constituinte. O segundo vai de 1891 a 1930, ou 39 anos. O terceiro, de 34 a 37, ou pouco mais de três anos. O quarto é de 37 a 46, cerca de oito anos, imposto à nação por golpe de Estado. O quinto é de 46, com duração de 18 anos, ou, com todos os atropelos, 21 anos. O de 67 nesseS

}

102 Francisco l8têsiw Constituintes e Constituições Brasileira 103 foi ditado pelo Executivo a um Legislativo coato e pouco

durou, logo alterado em partes e quase no todo em pouco mais de dois anos. O de 69, o mais esdrúxulo de todos, de 69 a 85, cerca de 16 anos. Feito por uma Junta Militar, foi alterado constantamente, uma vez que não se vivia um es-tado de direito, mas de simples expedientes ou casuísmos para a sobrevivência de sistema imposto pela força e rdei-tado pela sociedade.

Sobre quase todos esses momentos hâ obras espe-ciais. São estudos jurídicos, políticos, sociológicos, hi$' )-riogrâficos. Sobretudo os últimos nos interessam. Não se pode dizer que seja rica a bibliografia de história das Cons-tituições brasileiras, de história constitucional ou do di-reito do país. E, na verdade, ainda limitada. O

conheci-mento profundo da matéria jurídica nem sempre aparece em quem é também profundo conhecedor da história.

Pode se mesmo dizer que é bastante raro. Alguns títulos formam essa bibliografia, mas hâ ainda muitos claros a serem preenchidos.

Não é preocupação aqui um estudo acurado do as-sunto, sua crítica ou levantamento exaustivo. Tenta-se apenas apresentar alguns títulos que ajudem o interessado na matéria a fazer o devido aprofundamento. Faz-se a ci-tação sobretudo de livros que deram ajuda na elaboração do breve escrito ora editado. Tem-se; entre eles: A. Aulard e B. Mirkine-Guetzevitch, .[es déc/araflons dei droffs de /'&omme, Pauis, Payot, 1929; Luas Roberto Barrosã, l)p-reito constitucional brasileiro: Q problema da federação , Rio de Janeiro, Forense, 1982; Paulo Branda, cargas, da vida para a Afsrórla, Rio de Janeiro, Zahar, 1983; Adriana e Hilton Lobo Campanhole, Cbnsríttiíções do .Brasa/, 7a ed., São Paulo, Atlas, 1984; Edgard Carone, O felzen-rísmo, São Paulo, DIFEL, 1975; Fábio Konder Compa-rato, ''Um quadro institucional para o desenvolvimento

+

democrático", fn Hélio Jaguaribe, .Brasa/, socüdade demo-cráffca, Rio de Janeiro, José Olímpio, 1985(PP. 393-432);

to Alegre, Globo, 1975; .Assembléfa (bnsfíftiínfe -- .A le8í-íímídade recuperada, São Paulo, Brasiliense, 1981; .Flo-restan Femandes, .4 levo/ração burguesa no .Brasil, Rio de Janeiro, Zahar, 1975; Valdemar Ferreiro, História do di-reito consrífucíona/ órasi/eira, São Paulo, Max Limonad, 1954; Afonso Ailnos de Mello Franco, Curso de Direito CoPzsfifuclozza/ .Brasileiro, 11, Rio de Janeiro, Forense, 1960; 1)íreífo Consfífucfolzal, feorla da Consfífulçãoi as Consfírtzíções do IBrasd, 2a ed., Rio de Janeiro, Forense,

1981: Felisbelo Freira, .Hlsfórla consfíftzcíona/ da

Repú-b/íca dos Estados [/nados do .Brasa/, 3 vais., Rio de Janei-ro, Tip. Aldina, 1894-1895; Marília Garcia, O que é Cbns-füuínfe, 4P ed., São Paulo, Brasiliense, 1985; Ângela

Ma-na de Castro Games, ''A representação de classes Ma-na Cons-tituinte de 34'' , 1zz Ângela Mana de Castra Gomos (coord.), Regionalismo e cenfralízaçâo po/íríca, Rio de Janeiro, No-va Fronteira, 1980 (pp. 427-491); Francisco lglésias,

"Mo-mentos democráticos na trajetória brasileira'', ílz Hélio Ja-guaribe, .BrasíZ, sociedade 'democrática, Rio de Janeiro, José Olímpio, 1985 (pp. 125-221); Aurelino Leal, .17isfóHa consfffucío/za/ do .Brasa/, Rio de Janeiro, Imprensa Nacio-nal. 1915: Vitor Nunes Leal, Corara/Esmo, eriçada e polo, Rio de Janeiro, Forense, 1948; Fâbio Lucas, Cozzfetido :!-cla/ lias (;opzsfítufções brasileiras, Belo Horizonte, FACE, 1959; Evaristo de Motaes Filho, /rzrrodução ao Z)Ireífo do rraba//zo, 3a ed., São Paulo, LTR, 1982; José Honório

Rodrigues, (2)ncí/cação e r(:forma no .Brasfl, Rio de Janei-Civilização Brasileira, 1965; .4 .Assemb/éfa Consfífufn-fe de .1823, 'Petrópolis, Vozes, 1974; Leda Boechat

Rodri-j

104 Francücolg/ésfai 'l

gues, .Hh/órfã do .Supremo Tríbtzna/ Federal, 2 vais., Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1965-1968; Agenor de Roure, .4 Cb/zsfffufpzfe reptió/ícana, 2 volt. , Rio de Janei-ro, Imprensa Nacional, 1920; Wanderley Guilherme dos Santos,

''A

pós-revolução brasileira", ílz Hélio Jaguaribe, .Brasa/, sociedade democráffca, Rio de Janeiro, José Olím-Pio, 1985 (PP. 223-335); José Soder, Z)frelfos do domem, São Paulo, Comp. Editora Nacional, 1960; Alberto Ve-nâncio Filho, .4 íPzrewenção do .Elçfado zzo domínio

econó-mico, Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas, 1968;

Luas Viana Filho, O goverzzo Casfe/o .Branco, Rio de Ja-neiro, José Olímpio, 1975; Oliveira Vianna, O ídea/ümo da (;onirffuíÇão, 2a ed., São Paulo, Comp. Editora

Nacio-nal, 1939.

Como se vê, a indicação não é seletiva nem exaus-tiva. Consta apenas de indicações para o leitor desejoso de aprofundamento da matéria. O texto, ao contrário do 'co-mum em trabalhos universitários, não teve citações ou aparato erudito. O pequeno espaço e as características da coleção. "Tudo é História" explicam o procedimento e dis-pensam bibliografia mais ampla.

Sobre o Autor

Mineiro, nasceu em Pirapora, às margens do rio São Francisco. Curso de História na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais. Colaborou, com outros professores, na elaboração de livros e enciclopédias.

Autor de .l)o/ífíca económica do governo província/

mineiro(1958); Introdução â #üforiogra#a económica (.t9S9\ Periodização do processo industrial no Brasil

(1963); Hisfórfa e /deoZogía (1971); .4 levo/uçâo ízzdustría/

(1981); Calo Prado JHmíor (1982); .4 índuifría/ízação .óra-sl/eira (1985).

No documento MADAZNA Va.m - 460sro /rq% .le .}' 'P; (páginas 49-53)