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ORGASMO ANAL

No documento Toni Bentley a Entrega (páginas 143-149)

Quando aprendi a permanecer na bem‐aventurança, descobri algo mais. Eu tinha me tornado um veículo puro para seu pau, sem resistência. Posso abrir mão de todo poder. Sinto uma enorme atração gravitacional por esse homem que pode, e vai, me retirar todo o poder, tão desejosa estou de entregar tudo, de presenteá‐lo. Nunca soube quanto poder eu tinha até que dei tudo a ele através do meu cu. Meu cu é um tubo de poder.

Comecei a perceber que sou sua pista de decolagem, sua plataforma de lançamento. E depois de numerosas corridas à fronteira da inevitabilidade, o gozo final começa. Eu posso dizer que é o gozo final porque coincide, sempre, com minha habilidade de executar a completa submissão, de me manter completamente aberta, sem reservas, sem limites. Quando sente isso, ele quer o ouro. Se eu mostrar qualquer sinal em meu rosto, ou dentro do meu cu, de repúdio à submissão, ele diminui a velocidade e trabalha até que meu cu acredite que há apenas uma escolha, apenas um caminho. Não ter escolha além da submissão é a submissão. Sou inteiramente dele, de corpo, alma e cu. Renuncio à minha liberdade.

Moldada a seu pau, sinto a urgência dele. A estrada para o orgasmo é uma linha reta para dentro do meu cu, para o centro do meu ser, para o centro do mundo. Não sei quem começa a gozar. Sei, entretanto, que ele é o único homem cujo orgasmo me interessa mais do que o meu — façanha que não é pequena. Em certo ponto, sinto como se seu pau desse início às minhas contrações e minhas contrações, depois, dessem início às dele... Mas aí as dele dão início às minhas... Contrações no cu, contrações involuntárias: orgasmo anal.

Cavalgo o orgasmo dele como um jóquei num garanhão selvagem, sem perder contato mas sem nenhum controle. Ele explode. Meu cu nos suga

juntos para um vácuo sem ar e somos uma coisa só. Fundidos num espaço sem tempo, sei que meu destino é aquele momento, e não qualquer outro. Nós ficamos muito felizes depois. Normalmente não falamos, apenas ficamos nos encarando. Antes eu gostava de discutir o acontecido assim que recuperava a voz. O que é isso? De que se trata realmente? Por que acontece? O que, de fato, está acontecendo? Falava sem parar. Agora não conversamos mais, porque sei que nunca vou entender realmente. Agora estou apenas grata. Agora só quero dar o cu durante três horas; quando dou a ele todo o meu poder, ele o pega e me leva para visitar Deus. Isso é tudo de que preciso. Mais e mais e mais. Quero morrer com ele no meu cu.

N°246 N°246

Na noite passada cheguei em casa depois de uma viagem de três semanas. Ele está aqui e estamos em silêncio. Ele me fode na boca e também na boceta, grande e duro. Depois, no meu cu novamente virgem, vagaroso, profundo, um mergulho da espada. Quando está tudo dentro, com meu cu sugando em torno de seu cilindro, ele finalmente Ala: "Bem‐vinda ao lar."

"Bem‐vindo ao lar", eu ecoo, sugando‐o para dentro.

Mais tarde, cansada, sem fuso horário, subjugada, começo a chorar — embora nada esteja particularmente errado. Ele me vê chorar e me diz como minha vida é maravilhosa, depois coloca minha mão pequenina apertada em sua virilha, dizendo: "E eu tenho este grande pau aqui para você — você pode segurá‐lo se quiser." Eu paro com minha

autocomiseração e agarro seus shorts, descobrindo seu pau nas dobras, a marcha que dirige minha vida. Levanto os olhos para seu rosto nas sombras e vejo que estão brilhando. Depois uma lagrima corre vagarosamente por seu rosto... e outra. Espantada, pergunto por que ele está chorando. "Não sei", ele murmura. Quase 250 trepadas de eu nos trouxeram até aqui, à essência da doçura sem palavras.

A CAIXA

Uma bela, grande e redonda caixa chinesa laqueada e pintada à mão. Lisa e dourada. Brilhante. Uma gatinha com longos bigodes brancos na tampa. A coleção.

A coleção da coleção.

As camisinhas. Usadas. Cheias. Centenas. Látex selado com K‐Y.

Evidência. Minha mortalidade. Sua imortalidade. DNA. O Xe o Y. A Origem. Para sempre.

Minha homenagem. Meu altar.

Meu tesouro. A vida dele.

PARAÍSO

Aprendi algumas coisas, agora, sobre o Paraíso.

O Paraíso não é aquela coisa que fica no nebuloso e longínquo futuro, em outro lugar, outro mundo ou outra galáxia. Não é um estado mental ou um lugar na mente. Nem é o excitante prazer sexual de sangue pulsando e desejo gemido. O Paraíso não é alcançado apenas depois de um grande sofrimento. Pode haver um grande sofrimento antes ou depois do Paraíso, mas não é condição para a entrada. Ego ferido e narcisismo desenfreado requerem sofrimento. O paraíso simplesmente está ali, aqui, se você realmente o quiser.

Estou sentada no limiar. Talvez este seja o paradoxo final das maquinações paradoxais de Deus: meu cu é minha própria porta dos fundos para o paraíso. Os Portões de Pérolas estão mais perto do que você acha. Sagrado e profano unidos num único buraco.

O paraíso é grátis. Um dom. Um estado de graça. Uma dança de tempo e espaço. Ele reside dentro do ego e fora do ego, num lugar de pura harmonia, com outro corpo cavalgando sua bunda como se fosse a última trepada da Terra.

O paraíso é uma experiência que em tempo real pode durar apenas segundos. Mas nesses fragmentos imensuráveis o tempo pára, e apenas quando o tempo pára a morte morre e se entra no Paraíso. Ele é revelado nos espaços de tempo em que o ser é penetrado tão profundamente que fica totalmente aberto, e o amor corre para dentro como o oceano através de uma escotilha.

E o Paraíso, uma vez conhecido, torna‐se o objetivo de cada instante, sua perda inerente em cada instante. Esse é o peso do Paraíso encontrado.

Nº 262 Nº 262

Ele voltou! Tinha ido embora mas agora voltou. Um telefonema e ele está aqui. Declarações. Lágrimas. Regozijo. Claridade. Na frente do fogo resplandecente, beijos insanos, chupadas e trepadas. Insanas.

Completamente insanas.

Estou pura. Totalmente cega. Sou sua mãe, irmã, filha e amiga. Ele é meu pai, irmão, filho e amigo.

Depois, observamos as chamas e ele diz: "Viu o que fizemos?" "O quê?"

"Nós criamos amor a partir do sexo... e estamos apenas começando." "É", eu digo. "Talvez da próxima vez eu coma o seu cu." Ele sorri, faz uma pausa e me diz para ficar na frente dele, me virar.., e ele me inclina...

No documento Toni Bentley a Entrega (páginas 143-149)