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Capítulo 5. Resultados e Discussões

5.4. Grupo 4 – Plantas Carnívoras

5.4.1. Os argumentos do Grupo 4 – Plantas Carnívoras

Encontramos os objetivos do Grupo 4 nos resumos das duas versões da produção es-crita. Ocorreram mudanças na redação dos objetivos. Contudo, em ambas o objetivo do

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lho foi “demonstrar as glândulas que quatro espécies utilizam para a atração e digestão de animais, bem como as armadilhas de captura” (Grupo 4). Os argumentos foram compostos por “Dado”, “Garantia”, “Conclusão” e “Apoio”. Os argumentos da primeira e segunda ver-são da produção escrita se relacionaram com as quatro espécies de plantas estudadas pelo grupo.

No que diz respeito aos dados, observamos que os estudantes apresentaram as carac-terísticas anatômicas de cada espécie estudada ao longo do texto já na primeira versão da pro-dução escrita. Os dados deste grupo advêm da observação em microscópio e de referenciais teóricos (Figura 49). As garantias se relacionaram com a função das estruturas observadas nas lâminas e os mecanismos de captura dos insetos. Observamos que para algumas espécies es-tudadas houveram apoios específicos associados as garantias. Nesse sentido, adicionamos uma coluna para colocá-los na linha referente a garantia que davam suporte. Identificamos ainda apoios que deram suporte à todas as garantias do argumento. A conclusão apresentada no relatório foi que “As quatro espécies possuem estruturas adaptativas para captura e di-gestão de insetos, sendo assim consideradas plantas carnívoras” (Grupo 4) (Figura 49).

Na segunda versão, observamos que os estudantes mudaram a classificação do nível taxonômico de todas as espécies. As figuras foram substituídas ou alteradas, acrescentando a identificação das estruturas anatômicas e escala. Além disto, percebemos que os estudantes utilizaram como dado na segunda versão da produção escrita apenas as figuras de 5 a 9 (Figu-ras 51 e 52). Percebemos a exclusão de trechos de garantias e de apoios na primeira versão da produção escrita. Na segunda versão, observamos a inserção de citações em trechos já exis-tentes na primeira versão da produção escrita e de apoios (Figura 50).

Estas mudanças contribuíram para a construção de alguns aspectos do argumento, uma vez que as mudanças nos dados colocaram em evidencia as estruturas observadas e situa-ram as espécies estudadas em suas respectivas famílias, bem como a retirada de trechos das garantias deu maior clareza sobre quais informações contavam como válidas no contexto da produção escrita apresentada pelos estudantes (Figura 50).

Destacamos que os apoios A5, A6 e A7 que davam suporte ao argumento foram substituídos pelos apoios A8 e A9 (Figuras 49 e 50). Na primeira versão observamos que os apoios possuem citações. Contudo, os estudantes preferiram retirá-los e substituí-los por in-formações sem a devida referência. Consideramos que esta mudança fragiliza o argumento, pois utiliza de maneira inadequada o conhecimento produzido por outros autores, entrando em desacordo com questões éticas relacionadas à propriedade intelectual (VASCONCELOS, 2007).

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Figura 49 – Argumento identificado na primeira versão da produção escrita do Grupo 4 – Plantas Carnívoras. Em tachado estão os trechos que foram excluídos na segunda versão da produção escrita. Cada Dado, Ga-rantia, Apoio e Conclusão foram identificados com as letras D, G, A e C, respectivamente, associadas a um número de identificação.

Dado Garantia Apoio Conclusão

D28. Na Drosera communis foram observadas as glândulas secretoras de néctar que atraem as presas (Rice), além de outras glândulas que secretam mucilagens pegajosas e enzi-mas digestivas. Esta espécie pertencente a ordem Caryophyl-lales possui lâminas foliares cobertas por pelos glandulares semelhantes a tentáculos (Fig. 1, 2 e 3)

G13. As presas são atraídas pelo odor do néctar se-cretado por glândulas presentes nas lâminas.

G14. Devido à mucilagem secretada pelos tentácu-los, aqueles animais ficam grudados, após captura elas são digeridas pela planta, na própria folha.

A18. Entre o ápice dilatado e a base do tentáculo há células diferenciadas que, sob estímulos mecânicos, exsudam água a fim de diluir o líquido viscoso originário da capa secretora e cujo odor se assemelha ao do mel. Suas glândulas digesti-vas, situam-se na lâmina foliar e na base dos tentáculos (Guimarães, 2003).

C6. As quatro espécies possuem estruturas adaptativas para captura e digestão de insetos, sendo assim consideradas plantas carnívoras. D29. Na Sarracenia sp., em uma das lâminas, foram

obser-vados os pelos [...] na armadilha; na outra foram evidencia-das as glândulas de néctar extrafloral: e por fim uma terceira lâmina mostrou as glândulas que secretam as enzimas diges-tivas.

D30. A espécie pertencente à ordem ericales apresenta arma-dilhas chamadas de ascídios, folhas modificadas, que diferem da Nepenthes em relação ao seu formato mais fino.

D31. Figura 6 e 7

G15. As presas são atraídas devido à semelhanças com uma flor, pois a armadilha possui uma colora-ção que se assemelha a tal estrutura e é dotada de açúcar, secretado por nectários extraflorais localiza-dos próximos à abertura da armadilha. A fuga localiza-dos animais capturados é dificultada pelos pelos presen-tes no interior da armadilha.

G16. Assim como na Nepenthes, na base dos ascí-dios há glândulas secretoras de enzimas responsá-veis pela digestão das presas.

D32. [Utricularia gibba] Espécie hidrófila pertencente à or-dem Lamiales apresenta vesículas de sucção, chamadas de utrículos (Fig. 4 e 5), formadas a partir do recurvamento e posterior união das bordas de uma folha sobre sua superfície adaxial. O utrículo possui uma abertura que se mantém fe-chada por diversas cerdas. A água contida no utrículo passa continuamente através de suas paredes para o meio ambiente, resultando num equilíbrio instável.

G17. As cerdas funcionam como gatilho e ao menor contato se deslocam a porta, permitindo o súbito retorno das paredes à sua posição original; a água penetra no utrículo por sucção arrasta consigo tudo aquilo que estiver contido nas imediações.

A19. Essa armadilha permite a captura e a digestão de pe-quenos organismos aquáticos (Guimarães, 2003).

A20. Os organismos sugados e impedidos de fugir são dige-ridos por meio de enzimas (diástases) secretadas por glându-las da superfície interna do utrículo (Notare, 1992).

D33. Na Nepenthes graciliflora, as lâminas mostraram as glândulas secretoras de enzimas digestivas.

D34. As armadilhas da Nepenthes da ordem Caryophyllalles, os chamados jarros, são folhas altamente modificadas [...]. [Os nectários extraflorais] são células sulcadas cobertas por uma camada densa de escalas de cera epicuticular, um reser-vatório de fluído.

D35. Fig. 8 e 9

G18. Os jarros são adaptados a funções de atração, captura e digestão de animais, sobretudos insetos, a fim de utilizar os nutrientes desta digestão para su-prir suas necessidades. Atuam na atração [de inse-tos] os nectários extraflorais. Vemos que os nectá-rios especializados, as células sulcadas peculiares cobertas com uma cera epicuticular, e grandes glân-sulas multicelulares fazer as jarras de N. graciliflora adaptadas para a atração e captura e digestão de in-setos.

A21. Existem, no gênero, grandes glândulas multicelulares com função digestiva na base do jarro desenvolvida a partir de células individuais protodérmicas que formam uma glân-dula dentro de uma ligira depressão epidérmica. Combina-ções regulares de divisões perielinal e anticlinal formam o aglomerado inicial de quatro células dispostas em duas ca-madas. Divisões repetidas progrediram para formar a orga-nização simétrica da glândula.

Apoio A22. A plantas carnívoras possuem a capacidade de atrair, capturar, digerir e assimilar nutrientes dc suas presas, geralmente insetos, mas podem incluir em sua dieta moluscos, minhocas, aranhas, girinos e pequenos peixes (Juniper et al. 1989);

A23. [...] há uma convergência morfológica notável de armadilhas e uma convergência fisiológica de mecanismos para digerir e assimilar a presa. Em relação a custo-benefício, as armadilhas possuem um custo significativo para a aplanta, e este é compensado pelos benéficos de aumento de absorção de nutrientes a partir da extorção, em termos de reforço da taxa de fotosSíntese por massa ou área nos microsílios habitadas pelas plantas carnívoras (Pa-vlovie & Saganová, 2015);

A24. A maioria dessas proposições são estabelecidas a partir do estudo da estrutura física, os órgãos, suas interações, funcionamento, localização e dis-posição. A abordagem anatômica em plantas carnívoras recorre especialmente nas armadilhas, folhas modificadas, que possuem glândulas responsáveis pela secreção de enzimas digestivas, néctar atrativo, compostos adesivos e muitas outras substâncias (Castro & Machado, 2005).

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Figura 50 – Argumento identificado na segunda versão da produção escrita do Grupo 4 – Plantas Carnívoras. Em negrito estão os trechos que foram excluídos na segunda versão da produção escrita.

Dado Garantia Apoio Conclusão

D36 (D28). Na Drosera communis foram observadas as glân-dulas secretoras de néctar que atraem as presas (Rice, 2009), além de outras glândulas que secretam mucilagens pegajosas e enzimas digestivas. Drosera communis pertencente à famí-lia Droseraceae, possui lâminas fofamí-liares cobertas por pelos glandulares semelhantes a tentáculos (Fig. 5 e 6).

G13. As presas são atraídas pelo odor do néctar secretado por glândulas presentes nas lâminas. G14. Devido à mucilagem secretada pelos tentácu-los, aqueles animais ficam grudados, após captura elas são digeridas pela planta, na própria folha.

A18. Entre o ápice dilatado e a base do tentáculo há células diferenciadas que, sob estímulos mecânicos, exsudam água a fim de diluir o líquido viscoso originário da capa secreto-ra e cujo odor se assemelha ao do mel. Suas glândulas di-gestivas, situam-se na lâmina foliar e na base dos tentácu-los (Guimarães, 2003).

C6. As quatro espécies possuem estruturas adaptativas para captura e digestão de insetos, sendo assim consideradas plantas carnívoras. D29. Na Sarracenia sp., em uma das lâminas, foram

observa-dos os pelos [...] na armadilha; na outra foram evidenciadas as glândulas de néctar extrafloral: e por fim uma terceira lâmina mostrou as glândulas que secretam as enzimas digestivas. D38 (D30). A espécie pertencente à família Sarraceniaceae apresenta armadilhas chamadas de ascídios, folhas modifica-das, que diferem da Nepenthes em relação ao seu formato mais fino.

D39 (D31). Figura 8

(G15). As presas são atraídas devido ao açúcar, secretado por nectários extraflorais localizados pró-ximos à abertura da armadilha. A fuga dos animais capturados é dificultada pelos pelos presentes no interior da armadilha.

D40 (D32). [Utricularia gibba] Espécie hidrófila pertencente a família Lentibulariaceae apresenta vesículas de sucção, chamadas de utrículos (Fig. 9), formadas a partir do recurva-mento e posterior união das bordas de uma folha sobre sua superfície adaxial. O utrículo possui uma abertura que se mantém fechada por diversas cerdas. A água contida no utrí-culo passa continuamente através de suas paredes para o meio ambiente, resultando num equilíbrio instável.

G17. As cerdas funcionam como gatilho e ao menor contato se deslocam a porta, permitindo o súbito retorno das paredes à sua posição original,; a água penetra no utrículo por sucção arrasta consigo tudo aquilo que estiver contido nas imediações.

A22 (A19). Essa armadilha permite a captura e a digestão de pequenos organismos aquáticos (Guimarães et al., 2003).

A23 (A20). De acordo com Notare (1992), os organismos sugados e impedidos de fugir são digeridos por meio de enzimas (diástases) secretadas por glândulas da superfície interna do utrículo (Notare, 1992).

D33. Na Nepenthes graciliflora, as lâminas mostraram as glândulas secretoras de enzimas digestivas.

D41 (D34). As armadilhas da Nepenthes da família Nepen-thaceae, os chamados jarros, são folhas altamente modifica-das [...]. [Os nectários extraflorais] são células sulcamodifica-das co-bertas por uma camada densa de escalas de cera epicuticular, um reservatório de fluído.

D42 (D35). Figura 7

G18. Os jarros são adaptados a funções de atração, captura e digestão de animais, sobretudos insetos, a fim de utilizar os nutrientes desta digestão para su-prir suas necessidades. Atuam na atração [de inse-tos] os nectários extraflorais. Vemos que os nectá-rios especializados, as células sulcadas peculiares cobertas com uma cera epicuticular, e grandes glân-dulas multicelulares fazer as jarras de N. graciliflo-ra adaptadas pagraciliflo-ra a atgraciliflo-ração e captugraciliflo-ra e digestão de insetos.

Apoio A24. As plantas estudadas pertencem ao grupo parafilético das plantas carnívoras, que apresentam uma maneira alternativa de obter nutrien-tes: digerindo pequenos animais. Para que tal processo seja possível, essas espécies denominadas carnívoras atraem suas presas (geralmente pelo odor do néctar secretado pelos nectários extraflorais ou devido às cores vibrantes que se assemelham a flores), capturam-nas em armadi-lhas e então digerem-nas com enzimas produzidas pelas glândulas digestivas.

A25. Além disso, muitas dessas plantas secretam mucilagem, substância viscosa que dificulta a fuga das presas pois ficam “grudadas” no vege-tal. A família Droseraceae, por exemplo, apresentam folhas com tentáculos mulcilaginosos onde as presas ficam grudadas e serão digeridas. Já, as armadilhas das famílias Nepenthaceae e Sarraceniaceae são, em sua maioria, folhas modificadas em formato de jarro. A família Lentibula-riaceae é a mais diversificada dentre essas quatro, apresentando três gêneros com armadilhas muito distintas entre si: adesivas (gênero Pingui-cula) e vesículas de sucção (gêneros Genlisea e Utricularia).

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Figura 51 - Figuras de 1 a 9 utilizadas pelos estudantes como dado na primeira versão da produção escrita do Grupo 4 – Plantas Carnívoras.

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Figura 52 - Figuras de 5 a 9 utilizadas pelos estudantes como dados na segunda versão da produção escrita do Grupo 4 – Plantas Carnívoras.

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5.4.2. OS MOVIMENTOS EPISTÊMICOS E OS DADOS DO GRUPO 4 – PLANTAS