• Nenhum resultado encontrado

1.2 OS LEGIONÁRIOS BRUMMER

1.2.2 Os Brummer marcham

A historiografia que trata dos Brummer, representada em grande parte pelas obras de Claudio Moreira Bento (1981), Albert Schmid (1951) e Juvencio Saldanha Lemos (2015), trata em minucias o trajeto de ida e volta dos legionários do Rio Grande do Sul a Buenos Aires em seus aspectos militares. Não nos cabe aqui fazer outra cronologia detalhada dos legionários pelo espaço fronteiriço, portanto procuramos trazer elementos gerais da participação deles na Guerra contra Oribe e Rosas (1851-1852), como a questão das deserções, os desentendimentos entre os oficiais, as vicissitudes das longas e penosas marchas e a dissolução da legião. A participação dos legionários alemães na campanha contra Rosas foi expressa em uma marcha infindável pelo espaço platino, tanto por terra como por mar, que representou a experiência deles com o espaço fronteiriço. Junto do Exército imperial, do qual faziam parte, os Brummer passaram por grandes percalços ao longo de mais de nove meses, divididos entre Infantaria, Artilharia e Pontoneiros. Após a estadia no Rio de Janeiro, o Batalhão de Infantaria começou a ser enviado para o Sul em junho de 1851, com destino a Pelotas, a primeira parada. Lemos (2015) explica que a infantaria de alemães havia sido incorporada ao Exército imperial brasileiro com a denominação de 15º Batalhão de Infantaria, sem qualquer complemento ou alusão à nacionalidade de seus integrantes, e foi comandada pelo tenente-coronel von der Heyde, que protagonizou alguns conflitos com o major Lemmers-Danforth (SIBER, 1915).

Em agosto, embarcaram para Jaguarão, organizados em pequenos efetivos amontoados em pequenos vapores, com soldados encimados até mesmo nas proteções das rodas dos barcos. Em 20 de agosto todo o efetivo estava em Jaguarão, onde ficaram quatro semanas. O descanso foi pouco. Em 17 de setembro começaram a se mover para o outro lado do Rio Jaguarão, para encontrar o brigadeiro Fernandes com parte do Exército imperial brasileiro no acampamento do Arredondo. Mal chegaram, e já partiram, dessa vez acompanhando a 3ª divisão. O destino era Cerro Largo, no Uruguai (LEMOS, 2015).

Figura 4 – Esboço da marcha da Infantaria através do Uruguai

Fonte: LEMOS, Juvêncio Saldanha. Os Mercenários do Imperador: A primeira corrente imigratória alemã no Brasil (1824-1830). 2. ed. Porto Alegre: Letra&Vida, 2013. p. 196.

Ao chegarem lá, puderam descansar alguns dias. Em princípios de outubro começou a movimentação para fazer junção com a coluna principal do Exército imperial brasileiro que saíra de Santana do Livramento, sob comando do Duque de Caxias. Aquela foi uma marcha penosa. Em 11 de outubro alcançaram o Passo del Rey. A 22 de outubro a vanguarda do brigadeiro Fernandes chegou ao acampamento da coluna principal, instalado no Passo do Coelho, sobre o Rio Santa Luzia, distante cerca de 60 km de Montevidéu. Ali estava Caxias. Foram 62,5 léguas desde Jaguarão, aproximadamente 300 km. Estava, então, reunido o poderoso Exército imperial. Depois de cerca de 15 dias, começaram a marcha para Colônia de Sacramento, cerca de 30 léguas de marcha (145 km). Chegaram no dia 20 de novembro (LEMOS, 2015).

Por sua vez, o batalhão de artilharia começou a ser enviados para o Sul em outubro de 1851. Parte do contingente, a 2ª Bateria, foi enviado para Pelotas, enquanto a 1ª, 3ª e 4ª baterias foram enviadas para Rio Grande, onde deixaram de ser artilharia em pé, para se tornar artilharia montada (LEMOS, 2015). Em 2 de novembro de 1851, 150 homens da artilharia em Rio Grande foram embarcados para Montevidéu. Enfrentaram dois dias de viajem sem comida. Ao chegarem, foram alojados em um antigo matadouro, onde já estavam alocados o batalhão de sapadores da legião mercenária. Em dezembro, a 2ª bateria, deixada em Pelotas, foi buscada

pelo capitão Mallet e embarcada para Montevidéu para juntar-se aos seus camaradas (BENTO, 1981).

Por fim, os as duas Companhias de pontoneiros foram embarcadas em Hamburgo em fins de julho de 1851 e enviadas diretamente para Montevidéu, com escalas rápidas no Rio de Janeiro e Rio Grande para carregar suprimentos. Em fins de setembro desembarcaram em Montevidéu. Acamparam no Cerrito, junto com os 1º e 2º batalhões da artilharia brasileira. Em novembro, o tenente Riesenfels recebeu ordens de marchar para Colônia de Sacramento, com todos equipamentos de pontes. Negou-se a cumprir a ordem. De qualquer forma, na primeira quinzena de novembro todo o destacamento de Pontoneiros foi embarcado para Colônia de Sacramento, sem levar, contudo, os equipamentos que eram responsabilidade sua (LEMOS, 2015). Assim que chegaram em Colônia do Sacramento, o tenente Resienfels foi preso e recolhido a um navio de guerra, e todo o destacamento dos Pontoneiros foi extinto, por ser considerado inútil e suspeito. Os oficiais foram transferidos para a artilharia e as cerca de 180 praças distribuídas em cinco batalhões de infantaria brasileiros, em grupos de 20 a 30 homens por batalhão (BENTO, 1981).

Portanto, em novembro de 1851 as tropas de infantaria, artilharia e sapadores dos Brummer estavam em Colônia de Sacramento, assim como todo o Exército imperial reunido para auxiliar o general Urquiza no combate a Rosas, ou seja, 16.000 homens. Por motivos estratégicos, só 4.000 seriam enviados para Buenos Aires. Um destacamento de 80 infantes do 15º Batalhão de Infantaria, armados com fuzis Dreyse88, adquiridos em Hamburgo por Rego Barros, foram integrados a Divisão do brigadeiro Marques de Souza, e acompanharam a força brasileira destacada para Buenos Aires com o objetivo de enfrentar as forças de Rosas. Além deles, também foram os Pontoneiros, dissolvidos entre a infantaria brasileira. Portanto, cerca de 26089 Brummer seguiram para a guerra, armados com fuzis (os infantes) e mosquetões (os ex-pontoneiros) (BENTO, 1981).

88 Os fuzis de agulha Dreyse, explica Moreira Bento (1981), foram as primeiras armas de retrocarga usadas pelo

Exército Imperial brasileiro. Eram armamento do Exército prussiano. Foram adquiridos cerca de 500 exemplares, trazidas no mesmo navio em que veio o comandante von der Heyde. O legionário Schäffer conta que estas armas ofereciam perigo de vida quando com elas se atirava. Ele próprio não resistiu à curiosidade de dar um disparo. Acabou sendo jogado para trás com o impacto do tiro, que lhe afeou a audição e a visão.

89 Houve certa polêmica envolvendo a participação do destacamento alemão em Monte Caseros. De acordo com

Siber (1915), enquanto alguns admitiam a importância do destacamento Brummer no avanço sobre os inimigos graças ao uso dos fuzis Dreyse, outros o negam. Do lado bonaerense, conta Siber (1915, p. 487), “Os Castelhanos, porém, acreditavam, ou fingiam crêr, que tinham sido milhares de Allemães os que alli reforçaram os diversos batalhões brasileiros propriamente dictos. A incorporação das duas Companhias de Pontoneiros, com os seus capacetes e uniformes prussianos, pode talvez ter dado motivo a esta crença indelével, e os comandantes dos batalhões brasileiros temiam tanto a equivoca interpretação de similhante mixtura de Allemães e de negros, que fizeram tudo para induzi-los a vestir o fardamento brasileiro, ao menos por ocasião da entrada em Buenos Aires.

A primeira vista, pode parecer irrisória a representação dos Brummer junto a força aliada de 26.000 homens, e mesmo frente aos 4.000 soldados brasileiros. Porém, quando levamos em consideração os contingentes de nacionais e Brummer que ficaram em Colônia de Sacramento, percebemos que houve certa equidade de tratamento, afinal 30% das forças brasileiras atuaram junto aos aliados, ao passo que 22% dos Brummer restantes também o fizeram (BENTO, 1981). Os demais legionários da Infantaria e Artilharia permaneceram em Colônia de Sacramento junto aos 11.000 soldados brasileiros que permaneceu como força de reserva em condições de intervir. O objetivo era ter em território uruguaio, o mais perto possível de Buenos Aires, esse salvo conduto, razão da concentração de todo o Exército Imperial na Colônia do Sacramento (BENTO, 1981). A esquadra imperial brasileira transportou suas tropas e as de Urquiza até Potrero de Perez para seguir rumo a Diamante. A travessia do rio Paraná começou no dia 23 de dezembro de 1851 e durou até 8 de janeiro de 1852. Nesse interim foi travada e batalha naval do Tonelero.90

O deslocamento até Buenos Aires começou a 5 de janeiro de 1852. Foi uma marcha monumental e cansativa. As forças rosistas instalaram-se defensivamente na chamada cañada de Morón, antigo cemitério.91 Em 27 de Janeiro, Rosas seguiu para o acampamento em Caseros.

A dois de fevereiro o Grande Exército Aliado chegou ao arroio Morón, onde derrotaram Rosas no dia seguinte. Com o fim do conflito, a divisão do brigadeiro Manuel Marques de Sousa, na qual estavam incorporados os 80 legionários Brummer, começou a ser embarcada para Montevidéu em 1º de março de 1852. Chegaram ao Cerrito no dia 3 de março daquele ano (LEMOS, 2015).

Em 17 de fevereiro de 1852, as forças imperiais, estando aí incluídos os Brummer, deixaram Colônia de Sacramento e embarcaram para Montevidéu. Instalaram-se no Cerrito. Os Pontoneiros, então distribuídos no Exército imperial brasileiro, quando retornaram a Cerrito, foram incorporados ao 15º Batalhão de Infantaria. Por sua vez, o regimento de Artilharia a cavalo foi embarcado para Rio Grande em 13 de março de 1852. Em 3 de abril veio a ordem para o 15º Batalhão de Infantaria se preparar para partir. No dia da marcha, enquanto o

Mas, neste particular todos os recursos da eloquência e da força foram impotentes contra a obstinação dos cabeçudos Allemães” [sic].

90 Segundo Lemos (2015, p. 234) “Algo em torno de 24.000 homens, 50.000 cavalos e milhares de bovinos

cruzaram o rio Paraná com o apoio da esquadra de Grenfell e de mais de centena de barcos, botes, lanchas, canoas, caíques, pelotas, enfim tudo o que pudesse flutuar. Três balsas-currais com capacidade para 100 cavalos foram especialmente construídas pelos correntinos e utilizadas naquele incessante vai-e-vem entre as margens e que durou 16 dias”.

91 Origem do nome dado ao combate ali ocorrido no qual Rosas foi derrotado, a Batalha de Morón, Monte Caseros

acampamento era desmontado, cerca de 300 soldados desertaram. Assim, o batalhão começou a marcha tendo 480 homens (LEMOS, 2015).

O retorno do Exército Imperial para o Brasil começou no outono e invadiu o inverno. Foi uma marcha pesada, em terreno difícil, enfrentando calor, chuva, travessia de cursos de água cheios e, por fim, um frio de rachar. Chegaram a Cerro Largo em maio de 1852. O 15º Batalhão de Infantaria seguiu para Jaguarão junto com metade do Exército imperial, enquanto a outra seguiu para Bagé. Chegaram a Jaguarão no dia quatro de julho. Adentraram a cidade em frangalhos, contrastando com a imagem guardada na memória da população local de quando haviam partido daquele mesmo lugar, no ano anterior. O descanso foi breve. Receberam a informação de que seguiriam para Pelotas. Partiram no dia sete de junho e enfrentaram um deslocamento cruel, marcado pelo inverno, a lama da chuva e o vento frio. Chegaram em Pelotas no dia 20 de junho. Pareciam mais um bando de mendigos do que soldados (BENTO, 1981).

Rio Grande havia se transformado em um repositório de doentes, inválidos, presos e retardatários das tropas legionárias. Ao longo dos meses, vários soldados haviam sido enviados para lá, fazendo crescer o efetivo, a ponto de em abril de 1852 somar oito oficiais, um médico e cerca de 290 praças (SIBER, 1915). Em 15 de março de 1852, o general Fernandes juntou-os em um único contingente e, sob o comando do capitão Ehrenkreutz, os despachou para Pelotas, para serem aproveitados no serviço de guarnição daquela cidade. Não deu certo. Em Pelotas, eles passaram os meses de abril, maio e junho na maior ociosidade. Sabiam que a Legião Alemã seria dissolvida e adotaram um comportamento preparatório para isso (BENTO, 1981).

Com a chegada do 15º Batalhão de Infantaria em Pelotas, em 20 de junho, o contingente trazido de Rio Grande lhe foi incorporado, ficando então o batalhão com um efetivo de quase 800 homens. Decidiu-se mandar o 15º Batalhão de Infantaria para Rio Pardo. Embarcaram, então, para Porto Alegre, caminho obrigatório na viagem a Rio Pardo, e por onde tiveram passagem rápida. Chegaram cerca de 600 homens a Rio Pardo, em 12 de julho de 1852, sob o comando do Major Lemmers (LEMOS, 2015). Enquanto isso, os artilheiros prussianos embarcaram em Montevidéu para Rio Grande a 13 de março de 1852, cerca de 400 praças. Em Rio Grande, foram incorporados ao contingente da artilharia deixada para trás, cerca de 300, formando o 2º Regimento de Artilharia a Cavalo, sob o comando do tenente-coronel von Held. Foram para Rio Pardo, e posteriormente passaram cerca de dois anos em São Gabriel (BENTO, 1981).

Um aspecto presente no longo percurso dos Brummer foi a prática das deserções. Diversas foram as motivações: tirar proveito de alguns benefícios oferecidos pelo recrutamento,

como no caso daqueles que já em Hamburgo abandonaram a legião após receberem a gratificação de 25 a 50 táleres; o uso da oportunidade de engajamento no Exército imperial brasileiro para migrar ao Brasil; o apreço pelo local escolhido para desertar; o receio com o serviço militar; a aversão a marcha; etc.

Lemmers-Danforth (1941) oferece um panorama das deserções, sobretudo na infantaria. Em Hamburgo foram mais de 300 homens fugindo do contrato firmado, cujas vagas foram preenchidas por novos engajados. No Rio de Janeiro poucos desertaram, afinal, lá a vida era boa. O grosso das deserções ocorreu na Banda Oriental, onde as privações e longas marchas pesaram na decisão dos desertores. Entre novembro e dezembro de 1851 desertaram cerca de 150 homens da infantaria. A maior deserção ocorreu quando se anunciou a saída de Colônia do Sacramento, com o fim do conflito com Rosas. Contribuiu para isso o receio dos soldados de voltarem em marcha através dos campos, além disso o momento coincidiu com o recrutamento realizado por norte-americanos para a fragata “Congresso”, a fim de atrair mão-de-obra para a extração de guano na Patagônia. Houve cerca de 300 deserções.

Antes disso, Montevidéu já fora atrativo para desertores. Ao chegarem no acampamento às margens do Santa Luzia, no Uruguai, observa Siber (1915), descobriram que Montevidéu estava próximo e começaram a fugir para lá. Nas primeiras noites após a chegada, desapareceram cerca de 80 homens com armas e bagagens. Nem metade alcançou Montevidéu, os demais, durante algum tempo escondidos entre os habitantes da região, foram sendo aprisionados. De acordo com Lemmers-Danforth (1941, p. 58),

É notório que parte da oficialidade favorecia tais deserções. Muitos deles, como também muitos soldados, vieram para cá, levados por artes e lábias dos aliciadores e pela fantasia pessoal, na pretensão de que formariam uma espécie de guarda da pessoa do imperador e só teriam que paradear no Rio de Janeiro.

Nessa perspectiva, desiludidos e sem gosto pela guerra, tais oficiais teriam feito de tudo para prejudicar o batalhão na esperança do mesmo ser dissolvido e receberem os direitos prometidos pelo contrato ao fim do segundo ano de serviço militar. Outra hipótese para o favorecimento das deserções, pontua Moreira Bento (1981), residia na prática dos oficiais de embolsar parte do soldo e outros benefícios destinados aos desertores enquanto ainda não haviam sido desligados em absoluto da legião.

Por onde passavam as tropas alemãs, legionários ficavam pelo caminho. A maioria deles deixou o Batalhão de Infantaria, naturalmente porque o mesmo era o maior entre os três batalhões componentes da legião alemã, e também pelo fato de terem desenvolvido as maiores e mais pesadas marchas em direção ao palco da guerra, e depois de retorno ao Rio Grande do

Sul, enquanto os artilheiros e Pontoneiros foram locomovidos, em grande parte, através de embarcações, ficando isentos das monumentais caminhadas pelos campos platinos.

Em relação à dissolução das tropas legionárias, com o fim do conflito com Rosas, Lemos (2015, p. 283), destaque que,

Não foi difícil nem traumática a dissolução dos corpos da Legião Alemã. Havia uma conjunção de interesses. O governo brasileiro queria se livrar desses mercenários da forma mais rápida e barata possível, e os alemães não viam a hora de serem liberados de seus compromissos com o Império e de se adonar novamente de suas vidas. Contribuíam também para facilitar essa extinção a enorme quantidade de deserções ocorridas nos trâmites das baixas, bem como a total ausência de vínculos espirituais a conectar os mercenários alemães com o Exército Imperial, em cujo seio sempre foram vistos como um corpo estranho.

A dissolução ocorreu aos poucos e através da proposta de os soldados pedirem baixa abrindo mão de seus direitos. A maioria o fez. Aqueles que persistiram foram transferidos para corpos brasileiros, pois os batalhões seriam inevitavelmente extintos. Os últimos alemães contratados em 1851 e ainda em serviço no Exército Imperial brasileiro foram licenciados no dia 22 de junho de 1855. Algo em torno de 450 homens (LEMOS, 2015). Estima-se entre 1.200 e 1.500 o número de Brummer licenciados que permaneceram no Rio Grande do Sul, incluídos os desertores. Poucos retornaram à Europa, outros poucos emigraram para Buenos Aires e Montevidéu, e alguns foram para Santa Catarina, onde fundaram a Colônia Dona Francisca, atual cidade de Joinville. Um pequeno número de licenciados optou por aceitar os lotes de terra previstos nos contratos, cerca de cinco a dez hectares. A esmagadora maioria preferiu a indenização de 80$000. Boa parte estabeleceu-se nas colônias alemãs. Nas cidades encontraram colocação como artífices, no comércio e na indústria (LEMOS, 2015).