3. AS TRAJETÓRIAS DO DESLOCAMENTO INTERNO
3.1. Os condicionamentos da saída
Em seu estudo, Moore e Shellman (2004) recolhem dados para o período de 1952 a 1995, sobre refúgio e deslocamento interno no mundo, comparando estatisticamente as motivações para a saída. Os autores partem de duas premissas: a primeira, ponto de partida geral na literatura sobre o tema, é a de que as pessoas deixam suas casas quando sua liberdade, sua integridade física ou sua vida são ameaçadas. A segunda toma como base o trabalho de Davenport, Moore e Poe (2003), que propõe que os países e cidades de origem destas duas categorias de migrantes forçados têm grupos que lutam pelo poder político, e o comportamento destes grupos é a principal fonte de medo e a justificativa fundamental para a saída de população de seus locais de origem.
Para os autores, em todos os países existe um conjunto de informações que são avaliadas por todos os seus habitantes sobre o comportamento dos atores em confronto. As pessoas fazem uso dessa informação e lhe dão um peso na hora de decidir entre sair ou ficar. Assim, “alguém deixará sua casa quando a probabilidade de se tornar vítima de perseguição se faz suficientemente alta (...)” (Moore & Shellman, 2004, p.726-727).
Nos resultados encontrados, a violência da interação entre Estado e dissidência e a ameaça percebida pelas pessoas influiu para que, entre 1980 e 1990, milhões de pessoas saíssem como refugiados ou deslocados internos em países como Afeganistão, Sri Lanka e Colômbia (Moore & Shellman, 2004).
Nosso estudo confirma as razões encontradas pelos autores, avançando ainda na descrição dos fatos pontuais que geraram deslocamento. Assim, aparecem questões como o não cumprimento das normas impostas pelos atores armados quando exercem domínio sobre uma determinada região; atos atrozes como assassinatos ou massacres; os confrontos entre grupos armados; e o recrutamento forçado de combatentes entre as crianças e os jovens das comunidades.
As faltas às normas que um determinado ator armado impõe – como restrições para sair do município, horários para fechar o comércio, roupas permitidas ou não para se vestir, proibição para estabelecer relacionamentos, pagamento de taxas – foram as causas mais sublinhadas pelos nossos entrevistados.
No sul do departamento de Cauca61, fica o município onde o Tadeu foi despejado. Com sua esposa e seus dois filhos chega a Bogotá deixando a irmã, os pais e uma vida de trabalho e de lembranças. Um bloco paramilitar chega à região depois de expulsar o frente62 da guerrilha que tinha dominado por anos, impõe novas regras e começa a perseguir os povoadores procurando expulsar os guerrilheiros “que ainda ficaram”. Ele trabalhava como comerciante e foram suas constantes viagens para municípios vizinhos o que fizeram dele um “suspeito de levar informação para a guerrilha”. O boato de que o estavam procurando foi o sinal para sair na hora (Caderno de campo, 11 de agosto 2006).
O Senhor Airton é um homem de 54 anos de idade, forte e inexpressivo, daqueles que só falam “o necessário”. Aceitou nossa visita depois de ir à UAO bem cedo – aquela manhã tinha desistido de sair trabalhar por causa dos trâmites na Unidade e da nossa visita. Nosso encontro durou perto de uma hora. Falamos do negócio – mercearia – dos novos produtos que ele queria vender, das características dos fregueses, das outras atividades que ele e a esposa desenvolviam para sobreviver na cidade e, é claro, das filhas. Quando chegamos ao assunto da família, ele ficou abalado: o motivo do deslocamento foi proteger suas outras filhas depois do assassinato da filha mais velha por namorar “o rapaz errado”, um moço que estava no serviço militar numa região em que a guerrilha proibia esse tipo de relacionamentos (Caderno de campo, 4 de outubro de 2006).
Sandra e seu marido tinham um negócio de aluguel de lavadoras em domicílio na capital de um dos departamentos mais afastados do país, mas também um dos mais ricos por causa das explorações de petróleo, Arauca. Nos últimos 4 anos, naquela cidade, dia e noite apareciam pessoas mortas na metade da rua (...). O negócio foi crescendo e a guerrilha se aproximou deles para pedir “vacina” {taxa mensal ou
semanal que toda pessoa deve pagar segundo sua atividade}. Eles se negaram e em
retaliação a guerrilha matou o cunhado dela. No dia do funeral os guerrilheiros voltaram a ameaçá-los. Ela e os dois filhos saíram para Bogotá; o esposo ficou uma semana para fechar tudo – casa e negócio – e tentar vender o que puder, depois ele saiu para se encontrar com a família na capital do país (Caderno de campo, 7 de setembro de 2006).
Como no caso de Airton, Tadeu e Sandra, os fatos violentos recaem diretamente sobre eles e os familiares próximos. Isto faz com que as pessoas decidam se mover em proteção da própria vida e a dos restantes membros da família.
Em outros casos, observamos que, embora as ameaças não se dirigissem às pessoas que hoje estão deslocadas, fatos violentos ocorridos com vizinhos, amigos, líderes ou
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Para localizar os departamentos sublinhados neste capítulo, ver mapa figura 1, p.34.
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dirigentes da região têm a capacidade de enviar uma mensagem do que pode acontecer quando “se fura uma norma”. Debilitar estruturas organizativas ou de vizinhança, dividir comunidades, acabar com redes sociais, fragilizar os grupos sociais reduzindo sua capacidade de agir são parte dos objetivos que se atinge através da violência.
“A Fernanda, uma conhecida minha de XXXX-Tolima que está aqui em Bogotá há dois anos, trabalhava numa chácara. Despejaram-nos porque o patrão não quis pagar a “taxa” e, de um momento para o outro, mataram-no e disseram para os empregados: ‘Se alguém perguntar o que aconteceu aqui, vocês dizem que não viram nada. Se vocês querem, podem ir; mas se quiserem ficar, esperem para ver o que vem’. Então, o que a gente fica esperando? Eles saíram deixando tudo” (Entrevista concedida por Nilsa em 04 de dezembro de 2006).
Em sua maioria, a causa da migração faz referência ao esforço por evitar o recrutamento forçado dos filhos63. Assim, decide-se mandá-los para a cidade enquanto os pais tentam continuar a morar na região. Os filhos têm boas chances de conseguir emprego na cidade, além de serem recebidos provisoriamente, sem problema, por um familiar ou amigo. No entanto, pouco tempo depois, com o incremento da violência ou a perseguição dos atores do conflito, pais e filhos devem se juntar na cidade. A história de João e dona Nilsa são exemplos do que poderíamos chamar de deslocamento forçado fracionado.
Conheci o João o primeiro dia de voluntariado em JBO. No instante, percebi que ele era indígena. Ele me confirmou que era um Siriano do Vaupés – divisa com Brasil. Contou também que tinha chegado à cidade o ano retrasado junto com seu irmão mais velho. Eles saíram do seu resguardo porque a guerrilha queria-os recrutar. Os guerrilheiros passavam por cada resguardo, família por família, levando menino ou menina que “pudesse manipular uma arma”. Muitos não tiveram chance, eles dois saíram sem pensar. Faz um mês chegaram seus pais porque a situação de violência e as dificuldades para se abastecer de comida no resguardo, chegaram a ser insustentáveis (Caderno de campo, 21 de agosto de 2006).
A dona Nilsa vem do Tolima. Conta como as pessoas têm tido que sair até deixar vilas e distritos inteiros desocupados. Ela chega a Bogotá porque dois de seus filhos mais velhos já tinham vindo por causa da violência. A guerrilha das FARC passa recolhendo meninos ou meninas desde os 12 anos para vinculá-los ao seu grupo ou aos cultivos de papoula e, por isso, ela preferiu mandá-los para Bogotá antes de serem pegos. A filha mais velha saiu primeiro. Anos depois ela recebe o irmão e consegue um emprego para ele como jardineiro na creche onde trabalhava. Quando os guerrilheiros não viram mais os dois filhos da dona Nilsa, começaram as suspeitas. A situação que lhes faz tomar a decisão de sair acontece no dia em que dona Nilsa se negou a pagar a “taxa” pela venda de umas vacas. Os guerrilheiros falaram que se ela
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O recrutamento de jovens acontece de maneira forçada ou como produto de estratégias de persuasão. Alguns deles, hoje desmobilizados, narram os enganos com que são levados a se unir: primeiro ganham sua confiança, dão-lhes dinheiro ou outros presentes, garantem um salário mensal acima do pago na lavoura, fazem-lhes favores ou usam moças bonitas para atrair aos rapazes (Ex-guerrillero, ex-paramilitar y desplazada se unen en una obra
de teatro en Bogotá, em http://www.eltiempo.com/bogota/2007-06-30/ARTICULO-WEB-NOTA_INTERIOR-
não pagasse o imposto não poderia vender nada e, neste caso, era melhor sair da região, mas sem levar seus pertences. Imediatamente, ela viaja para a casa da filha, em Bogotá. O esposo fica na região com as duas filhas mais novas. Seis meses depois, ela pede para que ele venha a Bogotá. Ele vai com as duas filhas, mas volta para Tolima para trabalhar como mordomo em uma fazenda, sentindo que ia ser mais difícil adaptar-se na cidade. Ele permanece na região por mais um ano até a guerrilha chegar à fazenda onde se empregou e despejar todos: donos e empregados. No momento de nossa visita ele tinha chegado definitivamente para se juntar aos filhos e à esposa (Caderno de campo, 26 de julho de 2006 e entrevista concedida por Nilsa em 04 de dezembro de 2006).
A necessidade de “mão-de-obra” para as diferentes fases do negócio do narcotráfico – cultivo, processamento, transporte, segurança – faz do recrutamento forçado uma estratégia comumente utilizada pela guerrilha, no Departamento de Tolima. Segundo o Observatorio del Programa de Derechos Humanos y Derecho Internacional Humanitario (2002), o narcotráfico aparece na região sul do Departamento na década de 90, mediante o estabelecimento de cultivos ilícitos – especialmente o de papoula. Esta região se caracteriza por ser berço das autodefesas que deram origem às Farc na década de 1960 e pelos profundos conflitos agrários – dos quais a população indígena tem sido historicamente a protagonista –; situação que se agrava devido a que esta zona torna-se alvo de compra e apropriação de terras por parte dos narcotraficantes, na década de 1980, que agem com anuência dos grupos armados ilegais, especialmente as AUCs. Rapidamente, os cultivos ilícitos se estenderam pela cordilheira central e atravessaram todo o departamento – disputados também pela guerrilha das FARC – o que faz do narcotráfico um dos principais núcleos de conflito do departamento.
Regressando aos testemunhos de nossos depoentes, embora não tivesse o objetivo de proteger seus filhos do recrutamento, Célia também teve que fazer seu deslocamento por etapas. Ela e seu marido conseguem – como só uma minoria dos migrantes forçados – planejar a forma como migrarão, com a chance de algum dos cônjuges chegar à cidade, avaliar as possibilidades de morar, encontrar um emprego e transmitir essa informação para os outros membros da família, que conseguem se encontrar depois.
“Cheguei à casa de uma irmã do Jorge, meu esposo. Eu estive sozinha por um mês procurando emprego e um lugar para morar. Jorge tinha trabalhado 14 anos na prefeitura de XXXX-Huila e, embora quisesse manter o emprego, teve que se demitir porque continuaram os problemas. Então, ele viajou com as crianças que tinham ficado lá com ele para terminar o ano escolar. A mudança, foi um irmão meu que mandou, uma semana depois, em um caminhão dos que chegam a
Corabastos” [Ponto onde se comercializam os alimentos que logo são distribuídos na cidade] (Entrevista concedida por Célia em 05 de dezembro de 2006).
A situação de ameaça vivenciada pelo esposo de dona Célia, como funcionário da prefeitura de seu município, segundo o Observatorio del Programa de Derechos Humanos y Derecho Internacional Humanitario (2003), é reflexo da estratégia de controle do Departamento de Huila, planejada e executada pelas FARC. Tal estratégia se expressa através de: ataques armados a pequenos municípios; destruição de postos da polícia e assassinato de policiais no denominado “Plan pistola”; e pressão sobre as administrações municipais – orientando investimentos e políticas regionais e, de maneira violenta, ameaçando e obrigando a demissão de vereadores, prefeitos e funcionários públicos, a ponto de assassiná-los quando se recusam a seguir suas ordens.
Voltando ao deslocamento como forma de evitar o recrutamento, encontramos histórias como a da Sara, que preferiu sair com todos os seus filhos quando os paramilitares tentaram recrutar o mais velho deles. A migração, feita de uma só vez, foi relatada em maior proporção quando comparada com os casos em que a família sai fracionadamente.
Sara é uma mulher jovem (40 anos), bem arrumada e de um bom nível educacional. Ela trabalhou na capital de um dos departamentos da região leste do país, em várias entidades municipais e na Governação. Há um ano, um dos chefes paramilitares da região aproximou-se do filho mais velho dela (20 anos), que trabalhava como instrutor em uma academia da cidade, “convidando-lhe” para “treinar os homens de seu bloco”. Repetidas vezes, aquele homem foi falar da mesma coisa, até que um dia a fala se tornou ameaça e, em uma situação que a mesma Sonia preferiu não detalhar, ele cortou a orelha direita do rapaz. Sem pensar mais, ela pegou seus três filhos e veio morar em Bogotá (Caderno de campo, 12 de outubro de 2006).
Quem volta do exército é também procurado pelos grupos armados para ser ingressado como combatente. O fato de estarem “treinados” e de terem informação sobre as táticas do “inimigo”, os faz muito procurados pelos blocos em confronto. O Jonas encontrou tantas dificuldades para se livrar da perseguição dos paramilitares, inclusive em cidades de outros departamentos perto do seu, que optou por vir a Bogotá como última possibilidade para recomeçar a vida no anonimato.
Tendo cumprido com o serviço militar e voltado para seu município de origem, Jonas recebe uma oferta para entrar no bloco paramilitar da região. Suas negativas se transformam na confirmação para os paramilitares de que ele estava “em sua contra” e por isso, agora era seu inimigo. Dois homens chegam um dia a sua casa, lhe disparam 7 vezes e, achando que está morto, vão embora. Ele se arrasta pelo mato. É socorrido por um camponês e assim que pode, sai para XXXX – capital de um dos departamentos do sul do país, para a casa de um irmão. Permanece lá alguns meses até se recuperar. Passou por várias cirurgias para tirar as balas do corpo e recobrar a mobilidade da mão direita. Ainda com a ameaça sobre sua vida volta para a capital de seu departamento e contata o comandante do exército que o
conhece do tempo em que esteve no serviço militar. Ele lhe sugere sair do departamento, pois, segundo informações, “os paras” já sabem que ele está vivo. Depois de quase um ano de acontecido o atentando e sem possibilidades sequer de ficar, decide ir para Bogotá, acompanhado de seus filhos e sua nova companheira (...). Quase dois meses depois daquele primeiro encontro, fui visitar o Jonas para marcar uma segunda entrevista em profundidade. Ele e sua família não moravam mais ali. Ninguém sabia onde ele estava, nem telefones, nem endereços. O caso dele e de algumas outras pessoas beneficiárias do programa JBO que se mudaram sem deixar rastro pareciam nos indicar que, tristemente, o deslocamento nem sempre termina com a chegada a Bogotá (Caderno de campo, 26 de setembro de 2006).
O conflito no Departamento de Putumayo – onde acontece a história de Jonas – é bastante complexo por sua localização na divisa com Equador e Peru – estratégica para qualquer um dos grupos armados porque facilita o tráfico de armas, munições e explosivos –; pelos cultivos de coca – que, em 2000, representaram 40% do total nacional –; e pela ênfase da política nacional de fumigação e substituição de cultivos, através do Plan Colombia64. A presença de todos os atores armados – Exército, Farc e AUC – em busca do controle sobre o território e seus moradores, somado à massa de camponeses, indígenas e colonos com uma história antiga de colonização e conflitos sobre a terra fazem do Putumayo um departamento altamente convulsionado, caracterizado por índices elevados de violência, violação dos Direitos Humanos e deslocamentos forçados (Observatorio del Programa de Derechos Humanos y Derecho Internacional Humanitario, 2000)
A iminência da ameaça faz com que o deslocamento seja silencioso e apressado. Muitas vezes, não é possível contar para amigos, vizinhos ou familiares que moram no mesmo município. Poucos conseguem levar seus pertences, só algumas roupas e um pouco de dinheiro. Inclusive documentos, como certidão de nascimento ou carteira de identidade, são esquecidos. Em geral, ficam somente os mais velhos, por se recusarem a sair do lugar onde trabalharam e moraram a vida toda. Aos poucos, vão se desocupando povoados inteiros e os que outrora eram vizinhos, afilhados, compadres, conterrâneos e amigos se dispersam por diferentes pontos do país. Neste sentido, a Tahís nos contou sua experiência.
64 O êxito da estratégia do Plan Colombia no departamento se traduz na diminuição das áreas plantadas, que
passaram de 66 mil hectares, em 2000, a 4.386 em 2004 (5% do total nacional). No entanto, os cultivadores trasladam os cultivos para o departamento vizinho de Nariño, fazendo com que as fumigações passem a se focalizar neste e diminuam em Putumayo. Por volta de 2005, as plantações se duplicam com relação ao ano anterior, passando a 8.963 hectares e se localizando nas áreas montanhosas do departamento, aquelas de mais difícil acesso para realizar as fumigações (Revista semana, reportagem especial “La guerra perdida contra la
Tahís, seu marido e seus dois filhos saem junto com outras 10 famílias da vila no mesmo dia que a guerrilha entrou na vila, com os nomes de alguns dos moradores em uma lista, e matou 5 camponeses. Ela diz que todos se dispersaram: uns saíram para XXXX, outros para Neiva (capital de Huila) e outros mais para Bogotá. Eles decidiram vir a Bogotá, porque ela tinha uma amiga a quem contatou e que os acolheu por alguns dias, enquanto conseguiram uma moradia. Ela receia que nunca mais volte a encontrar antigos vizinhos e amigos (Caderno de campo, 07 de outubro de 2006).
Para concluir, não existe um padrão que defina o momento e o tipo de saída das pessoas. Isto depende da análise que eles façam da iminência da ameaça e da avaliação de sua capacidade para sobrelevar as pressões e se manter na região; ou pelo contrario, das chances que tenham para sair e se proteger. No final, se deslocar fracionadamente – mandando primeiro alguns membros da família, seja para sua proteção ou para analisar a viabilidade do lugar escolhido – depende de tantos fatores quanto as pessoas possam analisar em momentos de alta pressão, quando a própria vida e a de familiares muito próximos está ameaçada.
De outro lado, encontramos que as histórias de ameaça e vivência de violência das pessoas são reflexos pontuais de dinâmicas regionais complexas que entrecruzam processos de apropriação e concentração de terra, inserção de economias ilegais, interesses de diversos setores econômicos e planos estratégicos dos grupos armados a respeito de uma região.
Assim, as relações entre processos estruturais e processos de tomada de decisão individual desdobram-se no prisma do deslocamento interno.