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Os hábitos dos assinantes

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 PESQUISA DOCUMENTAL

5.1.3 Os hábitos dos assinantes

A Netflix divulgou informações no final do ano de 2018 em um release para a mídia relatando descobertas sobre os hábitos diários do consumidor que, em média, fica pouco mais de uma hora por dia assistindo ao conteúdo da plataforma e que somam 434 horas de conteúdo por ano, o equivalente a 18 dias inteiros dedicados a assistir filmes, séries e documentários. A empresa anunciou que seus usuários haviam assistido a 140 milhões de horas de conteúdo por dia, numa época em que o serviço de streaming possuía 118 milhões de assinantes, resultando em 1 hora e 11 minutos o tempo que cada pessoa assistia todos os dias de conteúdo. Ainda que, uma hora e onze minutos não pareçam muita coisa em um dia, a diferença é notável ao compará-la com o tempo médio de outras atividades.

Em março de 2019, Cindy Holland, vice-presidente de conteúdo original da Netflix, revelou que o assinante da Netflix passa em média duas horas por dia no serviço de streaming. Isso não quer dizer que são duas horas assistindo conteúdo, mas 120 minutos dentro do site, entre escolher filmes e organizar listas. Esse conjunto de atividades constitui a

“experiência Netflix” de consumo.

 

Figura 16 – Como o consumidor usa o seu tempo livre, tempo por dia x minutos

Fonte: Infomoney (2018)

De acordo com a empresa, as pessoas passam o dobro do tempo “maratonando”

conteúdo na Netflix em comparação com o tempo dedicado à família e atividades de lazer. O tempo médio que uma pessoa passa com membros da família é de cerca de 35 minutos por dia, o que quer dizer que as pessoas passam o dobro de tempo assistindo filmes do que conversando com os entes queridos. Segundo a Agência de Estatísticas do Trabalho e Uso do Tempo dos Estados Unidos, o tempo passado na Netflix é maior do que a soma do tempo que as pessoas passam curtindo com os amigos, lendo e exercitando.

Segundo os dados da Netflix, o número de “supermaratonistas” está em crescimento vertiginoso. Entre 2013 e 2016, a quantidade de assinantes que terminaram uma temporada no dia do lançamento cresceu mais de 20 vezes. “Existe uma satisfação única ao ser o primeiro a terminar uma história – que seja a última página de um livro ou os últimos momentos da série de TV favorita”, afirma Brian Wright, vice-presidente de séries originais da Netflix.

 

Figura 17 – Crescimento dos “super maratonistas”

Fonte: site metropolis.com

Assistir a um serviço de streaming de vídeo como a Netflix acompanhado nem sempre é possível. Porém, é possível reunir pessoas para uma sessão de Netflix mesmo que elas não estejam perto. A extensão para o navegador Chrome chamada Netflix Party é uma opção para ver os conteúdos da Netflix em conjunto com pessoas que não estejam próximas.

O sorvete Cornetto criou um gadget para evitar desentendimento entre os casais ao assistir episódios à frente do seu parceiro. Dois anéis com tecnologia Near Field Communication (NFC) ligada a uma plataforma de streaming que só pode ser ativada quando os anéis estão juntos. Os Commitment Rings funcionam conectados a um app nos smartphones dos usuários, assim eles fazem com que o serviço de streaming só funcione quando os dois anéis estiverem próximos ao aparelho.

Um brasileiro assistiu ao filme da Disney Ratatouille 344 vezes em 2017, na Netflix, segundo dados da empresa, que divulgou um panorama de consumo na plataforma no país, mas nenhuma informação foi revelada sobre o perfil do consumidor. Segundo a empresa, em média, um assinante assiste 60 filmes no ano. A empresa dividiu seu relatório em duas categorias: as séries mais “devoradas”, quando usuários assistem a série por mais de duas horas por dia e as séries mais “saboreadas” na plataforma, quando usuários veem a série por

 

menos de duas horas por dia. Além disso, o dia que a Netflix foi mais vista no Brasil foi em um domingo, 20 de agosto. No mundo, o dia em que a plataforma foi mais assistida em 2017 foi também no domingo, 1º de janeiro. Considerando todos os assinantes da Netflix, foram assistidas mais de 140 milhões de horas por dia, ou seja, mais de 1 bilhão de horas por semana.

 

Figura 18 – Retrospectiva 2017 Netflix

Fonte: BGR

 

Segundo os dados da Netflix, embora a maioria de seus usuários se tornam assinantes por meio de celulares ou PCs, 70% das horas assistidas do serviço vêm de aparelhos de TV.

Esse dado da Netflix contraria uma tendência global de movimento de vídeos para celulares e tablets. Segundo o Zenith’s Online Video Forecasts 2017, dos outros 30% de horas de Netflix assistidas no mundo, apenas 15% vêm de celulares ou tablets; os 15% restantes são vistos a partir de computadores ou notebooks. A Figura 19 abaixo ilustra essa situação.

Figura 19 – Canais onde o usuário assiste Netflix

Fonte: Zenith’s Online Video Forecasts 2017

No entanto, a imagem mostra também que a maioria das pessoas "migra" para as televisões após assinar o serviço. A assinatura é feita majoritariamente pelo computador (40%

das vezes) ou pelo celular (30%). As TVs, nesse momento, são menos importantes, respondendo por apenas 5% das assinaturas, e os tablets respondem pelos 5% restantes.

Essa proporção é praticamente constante entre todos os tipos de vídeos contidos na Netflix, desde séries até especiais de comédia. Há algumas variações sutis: programas infantis, por exemplo, têm uma proporção acima da média de visualização por TVs e abaixo da média para celulares e tablets; programas de ficção científica, por outro lado, costumam ser vistos, com mais frequência que o normal, em computadores.

Em março de 2019, Cindy Holland, vice-presidente de conteúdo original da Netflix, afirmou que há oportunidades de sucesso para grandes empresas de entretenimento e novos participantes, mas o verdadeiro desafio para o novo concorrente é crescer no futuro, quando

 

foi solicitada a identificar potenciais rivais da Netflix e refletir sobre a posição da Apple, Disney e Amazon, em entrevista na Conferência INTV de 2019, em Israel. Ela disse que, ao contrário do Google e do Facebook, a prioridade da Netflix é entreter, que a Netflix é muito diferente das empresas de tecnologia e que a empresa tem um modelo de negócios diferente e está mais próxima da TV a cabo. Em um momento da palestra realizada em Jerusalém, a vice-presidente também falou sobre panoramas futuros para o desenvolvimento da empresa, e sobre o plano de investir no mercado internacional, já que 80% da receita empresarial vem de fora dos Estados Unidos. A privacidade de dados, assim como praticamente todas as empresas com negócios on-line, é de conhecimento público o fato de a Netflix coletar informações a respeito dos usuários, incluindo o histórico de vídeos assistidos na plataforma. Naturalmente, a empresa consegue quantificar isso e descobrir os padrões de uso das pessoas. De outra forma, não seria possível personalizar a experiência de cada pessoa sem que essas informações fossem coletadas. Os termos de uso do serviço deixam claro essa situação, mas não explica muito bem para que os dados podem ser usados. As informações que coletamos automaticamente sobre você e sobre o uso que você faz do nosso serviço, suas interações conosco e com nossa publicidade, bem como informações a respeito do seu computador ou outro dispositivo que você usa para acessar nosso serviço (tais como consoles de videogame, smart TVs, aparelhos móveis e set top boxes, dizem os termos. A privacidade dos hábitos de visualização dos nossos assinantes é importante para nós. A informação representa tendências gerais de visualização e não informações pessoais de indivíduos específicos e identificados.

As pessoas assistem a filmes e programas de TV praticamente em qualquer lugar. A Netflix divulgou que 67% pessoas estão assistindo a séries e filmes fora de casa. Dentre os números, os brasileiros estão em quinto lugar no ranking dos povos da América Latina que mais assistem Netflix em público, totalizando 77% dos entrevistados. O Brasil está atrás de países como México, Colômbia, Chile e Argentina. O estudo, realizado com cerca de 37 mil pessoas em todo o mundo, mostra que o público não se incomoda em assistir a programas, filmes e séries em público. Dos brasileiros entrevistados, 49% assistem no avião, 45% no ônibus, 50% no trajeto diário e 39% em filas. Além disso, os entrevistados confessam que bisbilhotam as telas alheias: 61% dos brasileiros revelam que dão uma olhada no que os outros estão assistindo ao seu lado. Entretanto, 14% deles contam que já receberam spoilers durante o ato. E mais: os resultados mostram que os espectadores não se importam em soltar as emoções na frente de outras pessoas. Dos entrevistados, 65% já gargalhou assistindo Netflix em público e uma em cada cinco pessoas já chorou na frente da tela. Em todo o

 

mundo, o México é o país com o maior número de pessoas que assistem Netflix em público, cerca de 89% dos entrevistados. Logo atrás, estão Índia (88%) e Filipinas (86%).

Figura 20 – Maratonas

Fonte: BGR (2018)

Além disso, 26% dos entrevistados disseram que assistem filmes no trabalho. As pessoas nos EUA são mais propensas a assistir no escritório, enquanto os usuários em todo o mundo são mais propensos a assistir durante seus deslocamentos.

Muito dessa compulsão pública é impulsionada pelo aumento da visualização em aparelhos móveis. Segundo dados da Nielsen, nos Estados Unidos, por exemplo, o público passa mais tempo em smartphones e tablets a cada ano do que nos anos anteriores, pois o uso de smartphones prolifera em todo o mundo. Em 2013, a plataforma adicionou um recurso de