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4. DO ASSÉDIO MORAL – ESPECIALIZAÇÃO TEMÁTICA

4.2 Os Instrumentos de Consecução do Assédio Moral

Posto isto, já se é capaz de desenvolver um processo de identificação e individualização do assédio moral em detrimento de outras atitudes, também odiosas, mas que não se revestem da mesma gravidade.

Assim, a criação de uma lei federal que trata do tema e unifique a jurisprudência sobre o país é ainda mais imperiosa e plausível de se pensar, tendo em vista que o estudo e o trabalho na identificação do assédio se mostrou uma rica área de pesquisa. Logo, não há mais subterfúgios que justifique a morosidade do legislativo, sob a alegação de que esta é uma disciplina complexa.

Com este fim Leymann, listou em seu website10 na internet quarenta e cinco formas de exteriorização do assédio moral, dentre as quais Jorge Luiz de Oliveira da Silva (2012. p. 60-63) destacou oito que se compõe nas formas mais corriqueiras de se assediar. São elas:

1. Culpar a vitima por erros profissionais: é um tipo de atitude amplamente difundido, pois causa insegurança na vitima. Qualquer tipo de insucesso ou falha no trabalho lhe é atribuída, ainda que indiretamente, e mesmo que os protocolos que falharam em nada se relacionem com o assediado. Esse tipo de atitude prejudica a vida profissional da vitima, pois deturpa seu desempenho e atividade, ao gerar sobressaltos psicológicos e baixa autoestima.

2. Submeter a vitima a acusações e/ou insinuações maldosas: o assediado é submetido a acusações e insinuações maledicentes, que tem como foco os mais variados assuntos. São acusações muitas vezes veladas por conselhos ou curiosidade, que tem o objetivo de desequilibrar a pessoa. Usualmente são referencias pontuais e reiteradas que afetam o sujeito, pois faz com que se sinta ridicularizado e humilhado.

3. Isolamento da Vítima (“icing out”): consiste na total restrição da vitima do seu ambiente de trabalho. Ela é proibida de ter acesso a todos os tipos dados e informações vitais do emprego, bem como é privada do contato com colegas e subordinados, além de outras atitudes segregatórias, como o isolamento solitário da pessoa em uma sala. Sempre que o assediado busca uma resposta por tal comportamento o assediador responde de forma vazia, sempre se esquivando com evasivas ou o próprio silencio, o que acaba por fomentar uma situação angustiante desqualificadora da vitima, pois fica sem saber o motivo de seu afastamento.

Sobre esse instrumento do assédio, Jorge Luiz (2012, p. 61) comenta o fenômeno, intitulado por Marie-France Hirigoyen como “deformação da linguagem”:

onde o agressor realiza a comunicação com a vitima de maneira impessoal, com voz neutra, desagradável, soberba, sempre deixando

‘palavras no ar’ ou respondendo com evasivas. O resultado desse ‘jogo’ é o

10 Relação completa das quarenta e cinco formas de instrumentalização do assédio moral disponível em: <http://www.leymann.se>. Acesso em 16 de Julho de 2014.

desequilíbrio psicológico, que impulsiona diversos danos a saúde física e mental.”

4. Desconsideração do trabalho da vitima: o agressor setoriza sua violência, em ações com o intuito de desacreditar e invalidar o trabalho do assediado. Assim, por exemplo, a vitima tem seu trabalho ridicularizado; quando consegue algum êxito, este é encobertado ou atribuído a outra pessoa; lhe é retirada todas as atribuições importantes e relevantes, inerentes à função que desempenha, dentre outras tantas. Assim, a pessoa vai, paulatinamente, se sentindo inútil e desqualificada, sendo mantida sob pressão, com resultados danosos iguais aos descritos na instrumentalização do primeiro item.

5. Impor a vitima condições de trabalho insalubres: além daquelas funções em que a insalubridade, periculosidade e penosidade são inerentes ao trabalho, ou provocadas por má-gestão ou desídia do empregador, há casos não raros que compõe a cadeia assediatória, onde o molestador propositalmente expõe a vitima a condições de trabalho insalubres. Esse tipo de atitude expõe o empregado a distúrbios físicos e psicológicos, como a degradação de sua dignidade.

6. Estabelecer tratamento desigual entre a vitima e seus pares (e até mesmo em relação aos subordinados): aqui o agressor estabelece comparações entre a vitima e seus pares ou subordinados, que acabam sempre enaltecendo a estes. Neste tipo de exteriorização do assédio, as tarefas mais penosas e degradáveis são destinadas a vitima; os trabalhos importantes não lhe são repassados ou lhe é atribuída tarefa de menor valia; na concessão de prêmio, a vitima nunca é contemplada, por mais que tenha participado da cadeia produtiva.

Enfim, a pessoa acaba por se sentir frustrada, de modo que muitas vezes é dessa forma que começa o processo de “icing out”.

7. Estabelecer confusão em relação ás atividades da vitima: este tipo de tática é oferecida a partir da concessão de ordens obscuras e incoerentes. A vítima se perde, pois não sabe ou não entende o que deve fazer.

8. Agressões Diretas: apesar de o “mobbing” ser caraterizado por insinuações sutis e atitudes veladas, muitas vezes o agressor disfere agressões direcionadas diretamente a vitima, que acabam revezadas com agressões indiretas, o que provoca inquietação no assediado.

Mister ressaltar que as condutas aqui descritas não compõe um rol taxativo, uma vez que a perversão do ser humano é renovada, de modo que sempre aparecerão novos métodos de se denegrir a incolumidade física e moral do trabalhador. Por isso é importante sempre ter em mente os elementos caraterizadores do assédio moral, com o fim de no caso concreto identificar esse tipo de conduta.

Importante frisar que a presença de uma desta conduta não se garantirá a existência do assédio moral, tendo em vista que por ser um fenômeno complexo, depara-se verdadeiramente com um processo vitimizador.

Contudo, a maior importância na identificação das táticas de exteriorização do assédio moral é a necessária conexão entre as condutas e as gravidades dos danos causados por este mal, que será o próximo objeto de estudo dessa abordagem.