3. INTERFACE GRÁFICA, O QUE SABEMOS?
3.5 WEB DESIGN E WEB DESIGNERS
3.5.3 Os dez mandamentos do design da homepage
Como apresentado até o momento, os layouts dos sites não são baseados apenas na criatividade do designer e no que ele acredita ser favorável à navegação, mas muitos detalhes são estudados, testados e aperfeiçoados à medida que vão sendo desenvolvidos e colocados em contato com o usuário. Por este motivo, considera-se pertinente abrir esse subtópico no intuito de aprofundar o tema, buscando compreender de que maneira esses elementos podem contribuir no desenvolvimento de uma interface amigável.
No livro Homepage Usability: 50 Websites Deconstructed (2001), Jakob Nielsen e Marie Tahir avaliam cinquenta homepages de diferentes categorias, e traçam diretrizes para se obter uma boa homepage. Ao longo dos anos seguintes algumas diretrizes das então existentes foram alteradas, mas a maioria delas se manteve tal e qual. Isso porque segundo a “Lei de Jakob da experiência do usuário web”, os usuários passam a maior parte de seu tempo em outros sites, nos quais formam suas expectativas acerca do funcionamento da web49.
Dessa experiência acumulada por anos de pesquisa, Nielsen aponta dez pontos mais transgredidos pelos designers; todavia, uma vez contemplados são fortes diferenciais para uma homepage. Segundo Jakob, cerca de dois terços dos sites corporativos não atendem a esses requisitos. No livro, são ao todo 113 os tópicos citados como necessários para um bom
design gráfico de homepage. Em 2003, Nielsen fez um resumo dos dez principais pontos, os
quais, são os mais negligenciados pelos designers. Ei-los:
Primeiro: enfatizar o que o site oferece que é de valor para os usuários, e como os serviços oferecidos diferem aqueles dos principais concorrentes. Essa é a “regra três”, em seu livro; constata que 73% dos sites não a observam.
Segundo: deve-se usar um layout líquido, que permita aos usuários ajustar o tamanho da página inicial. O conteúdo deve se ajustar ao tamanho da tela em que está sendo visto, não tendo, portanto, largura e altura fixas. Esse tópico se refere à regra de número sessenta e sete de seu livro e cerca de 72% dos sites não a contemplam. Este provavelmente é um tópico que teve seu valor alterado, pois nos últimos anos a preocupação com o site responsivo50 se tornou evidente.
49
Tradução livre: “Jakob's Law of the Web User Experience: users spend most of their time on other sites, so
that's where they form their expectations for how the Web works”. 50
O Responsive Web Design é uma das soluções técnicas para esse problema de diversos tamanhos de tela. Programar um site de forma que os elementos que o compõem se adaptem automaticamente à largura de tela do dispositivo no qual ele está sendo visualizado.
Terceiro: recomenda-se utilizar cores para distinguir links visitados e não visitados. Esse ponto se refere à regra trinta e sete do livro, parecendo óbvio; mas, somente cerca de 33% dos sites atendem a esse requisito.
Quarto: é preciso fazer uso de gráficos para mostrar o conteúdo real, isto é, não os tamanhos apenas como elementos decorativos da página inicial. Nesse ponto (56), ele se refere à fotografia. Quanto mais próxima do real e menos genérica ela for, maior será a conexão com o usuário. Registra-se que cerca de 65% das homepages não atendem para este detalhe.
Quinto: a inclusão de uma linha de tag51 é imprescindível, resumindo explicitamente o que o site ou a empresa fazem (2). De fato, não é muito comum vermos isso nos sites, tanto que 66% não o exibem.
Sexto: será necessário tornar mais fácil acessar qualquer item recentemente apresentado na página inicial (33). Isso é muito útil, pois, entre uma página e outra, usuários em geral se lembram que viram algo que lhes interessava em algum lugar, mas não conseguem facilmente se lembrar onde foi. Cerca de 63% dos sites não têm essa função.
Sétimo: há necessidade de incluir-se uma curta descrição do site no título da janela (75). Esse tópico se torna importante, uma vez considerados pelo marketing e pelos motores de busca. Por estar no topo das páginas, é geralmente o primeiro item que os mecanismos de busca leem. Com a crescente profissionalização da web, esses números devem ter sido alterados, observando-se que o marketing digital tem sido bastante estudado e praticado pelas empresas. À época de publicação do livro, porém, somente 39% dos sites realizavam essa tarefa.
Oitavo: não se deve recorrer a um título para rotular a área de pesquisas; em vez disso, usa-se o botão "Pesquisar", à direita da caixa (49). Esse tópico tem sido bastante observado desde a chegada dos sites responsivos. No entanto, apenas 40% dos sites existentes o observam.
Nono: no que toca a cotações de ações, deve-se mencionar a porcentagem referente a mudanças verificadas, não apenas estampar pontos ganhos ou perdidos (110). Esta diretriz se aplica somente a sites que fornecem tais cotações, tais como os voltados a finanças e mesmo os de conteúdo variado. Pode ser também aplicada a sites que apresentam estatísticas, as quais certamente se alteram com o curso do tempo. Cerca de 60% dos sites conhecidos parecem desconhecer essa regra.
51
É uma palavra-chave (relevante) ou termo associado a uma informação constante da página em que se acha descrito, permitindo assim uma classificação da informação baseada em palavras-chave.
Décimo: não é uma boa prática incluir um link ativo, para a homepage, na própria
homepage (43). Quando já se está na página inicial, é desnecessário contar com a opção de ir
para ela. O mesmo raciocínio se aplica às demais páginas: esta prática, além de não ajudar em nada, pode confundir o usuário. Ainda assim, é possível ver que 59% dos sites não atentam para esta regra.
Como podemos observar, muitas dessas características quando aplicadas favorecem não só a aparição do site em buscas, mas o torna mais navegável. O destaque de informações, como qual o objeto do site, bem como um destaque para os links e menus, torna a navegação mais rápida e intuitiva. No entanto, as características citadas, devem ser pensadas pelos designers e programadores no ato da confecção do site.
Bem distante de ser algo por acaso, há muita técnica e detalhes ao se planejar um
layout. Dentre eles, talvez o mais exigido atualmente, é o relacionado com o segundo
mandamento, o de responsividade. Para tal, precisa-se pensar em uma interface web que venha a facilitar esse ajuste aos diversos tamanhos de tela, como o Flat Design. Sobre esse tema trataremos a seguir.