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CAPÍTULO 1 – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.4 Os participantes

Antes de discorrer especificamente sobre os participantes da pesquisa, faz-se necessário traçar um perfil de um aluno de 5ª série, por se tratar de uma fase importante na qual ocorrem bruscas mudanças biológicas e psicológicas (início da adolescência) e de ruptura no sistema escolar, uma vez que na 5ª série o número de disciplinas e de professores passa a ser maior, possuindo assim diferenças tanto na organização curricular com a qual o estava habituado quanto na forma de interação entre professor-aluno. De acordo com os PCN – LE (1998), é nessa série que muitos alunos terão o primeiro contato com a língua inglesa, e seu grau de familiaridade está intimamente relacionado à classe social de origem.

Os participantes deste trabalho foram a professora-pesquisadora e cinco alunos, que serão apresentados individualmente a seguir. Ressalto que foram cinco pesquisados para participar desta pesquisa porque foram os únicos que concordaram em participar de todas as atividades propostas para a realização deste trabalho. São elas: a) responder os questionários em sala de aula; b) participar dos jogos em sala de aula; e c) comparecer às entrevistas marcadas pela pesquisadora. A seguir, serão traçados os perfis da professora-pesquisadora e dos cinco alunos participantes deste estudo.

2.4.1 A professora-pesquisadora

Farei um breve resumo da minha experiência na área de Educação e da minha paixão pela opção profissional. Aos treze anos, comecei um curso de inglês em um instituto de línguas, e por lá terminei o curso com duração de oito anos. Durante esse período, já tinha a certeza de que queria ser professora de língua inglesa. Estudei Letras-Tradutor, formei-me bacharel (Tradução Inglês-Francês) e licenciei-me em Letras Português-Inglês em uma universidade situada na cidade de São Paulo. No último ano de faculdade, comecei a lecionar inglês. Ainda na faculdade, percebi que não gostaria de ser tradutora e, dois anos após a minha formatura, lecionava inglês e francês. Lecionei inglês em escolas de idiomas por quatro anos, com turmas de nível básico e intermediário. Lecionei também francês por dois anos.

Em 2006, após ser aprovada no concurso da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo para provimento da vaga de professor efetivo de língua inglesa – PEB II, ingressei em uma Escola Estadual, situada em uma cidade da Grande São Paulo, na qual realizei esta pesquisa e permaneço trabalhando até o momento. Apesar de saber que esta é uma profissão árdua, tenho certeza de que fiz a escolha certa, e, no mestrado, tenho confirmado o que aprendi na graduação, a saber, que o conhecimento não se encerra por aqui, porquanto seja uma constante busca em prol de auxiliar professor e aluno na construção de uma educação interativa, humana, reflexiva e crítica.

2.4.2 Os alunos

A pesquisa contou com cinco alunos de uma 5ª série (1ª série do Ensino Fundamental II) para serem participantes focais. O critério para a

seleção dos participantes era colaborar com as atividades propostas para o desenvolvimento da pesquisa, ou seja, responder aos três questionários durante as aulas de inglês e participar das entrevistas semi-estruturadas com a professora-pesquisadora.

Por meio de uma conversa informal com os participantes, observei que os cinco alunos pesquisados possuem experiências diversificadas em relação à língua inglesa. Nesse grupo, um aluno estuda inglês desde a 1ª série na escola e o pai o auxilia mediante compra de fitas em inglês. Uma aluna estuda inglês desde a 1ª série e possui bastante incentivo na sua casa para estudar esta língua estrangeira, além de fazer curso de inglês. Um outro aluno também é incentivado pela irmã, que no trabalho utiliza a língua inglesa. Os outros dois estudantes não são incentivados em seu círculo social imediato. Um deles não gosta de inglês, e o outro só se expressa sobre o inglês como sendo bom para o futuro. Faz-se necessário ressaltar que não usarei os nomes dos participantes, conforme um acordo feito com eles e cujo objetivo é proteger-lhes a integridade devida. Assim, os nomes que apresento a seguir são fictícios. Faço uso de nomes em lugar de letras ou números (como, por exemplo, em “o Aluno A disse ao aluno B”) porque desejo que o leitor enxergue-os como figuras mais humanizadas e menos codificadas em análises aparentemente neutras, sem que nelas reflitam o resultado de seu contexto e de seus próprios interesses e conceitos. Dito de outro modo, o nome, que em si já é a significação do ser e carrega consigo uma história que é só desse indivíduo, não pode ser, num estudo sociointeracionista, desprezado em detrimento de uma pretensa neutralidade, em que não se levem em conta os aspectos sociais, econômicos, históricos, e culturais dos alunos.

O aluno Bernardo tem 11 anos de idade, nunca estudou inglês e não se sente muito interessado em aprender. Soma-se ao desinteresse a consciência que ele tem de que apresenta dificuldade de aprendizagem em língua inglesa. O estudante pretende ser mecânico e acredita que a língua

inglesa não trará benefício algum para a sua profissão. No seu tempo livre, gosta de jogar futebol.

A aluna Nicole tem 11 anos, estuda inglês na escola desde a 1ª série (estudava em uma escola da Prefeitura), sente-se muito interessada em aprender essa língua e é considerada uma boa aluna. Ela faz o curso de inglês Trampolin Teens3. No seu tempo livre, gosta de brincar, ler e assistir a

filmes. Admite que deseja ser administradora de empresas e considera a língua inglesa importante no caso de ir trabalhar no exterior.

O aluno João tem 11 anos e, conforme o registro de suas experiências, almeja trabalhar com exportação, da mesma forma que sua irmã, e seguir a mesma carreira profissional. Ele usa bastante o inglês em atividades extracurriculares, tais como jogos no videogame e no computador, além de conversas no Orkut. Esse aluno gosta de ensinar a seus avós e pais, que não sabem inglês, o que aprendeu na escola durante as aulas.

O aluno Marlom tem 11 anos de idade. Apesar de se sentir bastante interessado em aprender a língua inglesa, apresenta dificuldade no aprendizado do idioma e em se concentrar para fazer as atividades, dispersa-se com facilidade e, na maioria das vezes, precisa de ajuda para executar as atividades em sala. Estuda inglês há cerca de um ano, almeja ser piloto de avião e argumenta que a língua inglesa será útil para viajar ao exterior. No seu tempo livre, joga basquete e estuda a língua inglesa utilizando o dicionário para memorizar palavras descontextualizadas e tentar melhorar seu vocabulário.

O aluno Marcus tem 11 anos e tem facilidade para aprender. Estuda a língua inglesa há cerca de cinco anos e demonstra muita preocupação com o emprego adequado das regras gramaticais, dado que para ele a comunicação em inglês depende do uso correto da gramática. Além disso, o aluno possui em casa um material extra-escolar de língua inglesa de um

3 Esse curso é realizado na própria unidade escolar e tem colaboração financeira de uma

ONG americana. Porém, não são todos os alunos que podem participar, existem alguns pré- requisitos, entre eles ser bom aluno e ter bom comportamento.

jornal da cidade de São Paulo, comprado pelo pai. O estudante utiliza os livros com enfoque na memorização e aprendizagem de palavras soltas e de regras gramaticais. Admite sua vontade de se tornar aviador ou arqueólogo e argumenta que a língua inglesa será muito importante para ele, uma vez que, conforme sua fala torna evidente, saber essa língua estrangeira o ajudará quando estiver no exterior. No seu tempo livre, costuma jogar basquete, praticar Kung Fu e estudar chinês com auxílio de seu professor de Kung Fu que o ensina um pouco daquela língua, da qual o aluno gosta por considerá- la uma língua diferente e interessante, assim como o inglês. O interesse pelo chinês deu-se por meio do Kung Fu.