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OS PRIMEIROS DIPLOMAS E O SABOR DAS PRIMEIRAS CONQUISTAS

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CAPÍTULO 3 PROJETOS COMUNITÁRIOS E DESENVOLVIMENTO DE NOVAS

4.6 OS PRIMEIROS DIPLOMAS E O SABOR DAS PRIMEIRAS CONQUISTAS

O Colégio Santa Teresa, trouxe aos moradores, contribuições valiosas e inúmeros benefícios. Alguns deles puderam ser constatados e experimentados sem muita demora, e outros tantos foram sendo colhidos continuamente ao longo de sua existência. A oferta do primeiro grau completo foi um dos resultados em curto prazo, que representou a superação de uma das grandes dificuldades e carências presentes na realidade educacional local, proporcionando às pessoas a possibilidade de prosseguirem nos estudos, que até então pela falta de oportunidades, se viam obrigadas a permanecerem estagnadas na quarta-série. Por isso, os primeiros diplomas em 1982, significaram o sabor das primeiras conquistas.

Figura 32 - Segunda turma que concluiu o primeiro grau no Colégio Santa Teresa em 1984

Fonte: Acervo do colégio Santa Teresa, 1984

No final deste mesmo ano, o casal de professores Eliane Rêgo e Aécio Rêgo, que participaram desde o início do projeto de ensino retornou para a cidade de São Luís, deixando como legado um trabalho de educação voltado para formação de pessoas comprometidas com a transformação da realidade na qual viviam. E, ao mesmo tempo, concedeu às crianças, adolescentes e jovens, a chance de crescimento pessoal e profissional, permitindo a elas fazerem escolhas, que seus pais não puderam. Conforme dito pela própria professora Eliane no encontro de ex-alunos do Colégio Santa Teresa, em janeiro de 2015, “paralelamente a construção do prédio de pedras”, [...] eles foram “construindo pessoas, gente, formando personalidades, trabalhando valores”.

Diante da saída do casal, o Pe. Dinis, preocupado em manter a qualidade do ensino e mediante informações obtidas sobre o importante trabalho educacional e social realizado pelos Irmãos Lassalistas, entrou em contato com os mesmos e os convidou a assumirem a direção e cuidarem da escola.

Como era de costume, ele reuniu e mobilizou os moradores a escreverem uma carta- convite com o objetivo de explicitar e sensibilizar a Congregação Lassalista, do esforço da comunidade na construção do colégio e do desejo de poderem contar com o apoio dos Irmãos Lassalistas, para que o projeto continuasse crescendo e frutificando.

A ida à vila e paróquia de Santa Teresa do Paruá, nome popular de Presidente Médici, resultou do atendimento à solicitação da comunidade local, através da sua “Comissão de Moradores”, apoiada entusiástica e incansavelmente pelo Pe. Dinis. Este, sabedor do interesse dos Irmãos de Porto de Alegre de ampliar sua presença no Norte e Nordeste brasileiros, além de contactar com os Superiores Lassalistas com numerosa correspondência, deslocou-se por duas vezes a Porto Alegre no esforço de

garantir sobretudo que os Irmãos assumissem a direção da escola de sua paróquia. (THIEL e WOLLMANN, p. 93, 2000).

O Pe. Dinis também sabia da intenção dos Irmãos Lassalistas em estender sua atuação nessa região do país, sendo este, portanto, mais um motivo para que aceitassem a proposta. Assim, “a ida dos irmãos ao Maranhão integrou a política missionária da Província Lassalista de Porto Alegre, o seu propósito de assumir novas frentes de trabalho na região Amazônica”. (THIEL e WOLLMANN, 2000, p. 93,).

Após tomarem conhecimento, os irmãos decidiram fazer uma visita ao povoado em setembro de 1981, a fim de averiguarem se a realidade condizia com a situação descrita pelos moradores e, de acordo com Thiel e Wollmann (2000, p. 93,), a presença e observação direta, tinha a finalidade de “facilitar o discernimento em vista de uma decisão”. Sendo assim, “[...] o Provincial, Irmão Edgar Hengemüle, delegou o então Irmão Raimundo Giasson para realizar uma visita de observação “in loco”, que por sua vez, [...] enviou um informe sobre o local e a escola, e sobre os agentes pastorais e educativos aí atuando”. Ao final da visita, ele emitiu o seguinte parecer: “sendo o plano provincial o atendimento preferencial às periferias e às missões, acho plenamente válida a tentativa de se iniciar mais uma frente de missão, sobretudo numa localidade completamente carente de recursos humanos”. (THIEL e WOLLMANN, 2000, p. 93).

Segundo os autores, uma nova visita ao local, aconteceu “em dezembro de 1982”, pelo “irmão Valério Mengat, então Procurador da Província”, que “complementou o levantamento de realidades, estabeleceu contatos e se fez presente na Assembléia na Prelazia, quando falou dos irmãos e de suas atividades”. (THIEL e WOLLMANN, 2000, p. 94,).

A partir das idas a Santa Teresa, os irmãos constataram e confirmaram a necessidade de colaborarem tanto para o bom funcionamento do colégio, quanto também na adesão e enfrentamento dos vários problemas sociais, e no envolvimento com as atividades religiosas da Igreja Católica65.

65 Segundo as informações apresentadas por Thiel e Wollmann (2000, p. 24), após verificar a real necessidade de abrir uma comunidade lassalista, em Santa Teresa, o Irmão Provincial acatou a decisão e seguiu o procedimento adotado, enviando a Roma, ao Superior Geral Lassalista, o pedido de abertura que foi deferido e datado em 3 de junho de 1983. Igual solicitação já havia sido feita ao Bispo da Prelazia de Cândido Mendes, em Fevereiro do mesmo ano, tal qual inscrito no documento disposto no Anexo 8, que trata sobre o Convênio assinado entre o Bispo e o Irmão Provincial, o qual estabelece: “as relações mútuas entre a Prelazia de Cândido Mendes e a nova Comunidade dos Irmãos, especificando-se as responsabilidades dos Irmãos, os compromissos da Prelazia [...] e o

Um mês antes, precisamente em 03 de novembro de 1982, o Conselho Provincial tinha aprovado o início das atividades lassalistas no Maranhão, em Santa Teresa do Paruá, a partir do início de 1983. Razões desta aceitação: o fato de a escola a ser assumida ser simples e não exigir a presença de mais de dois irmãos. E circunstâncias geográficas favoráveis: a proximidade do local com relação ao Pará; a facilidade de acesso a ele, tanto por Belém quanto por São Luís; a sua localização dentro do eixo da atuação lassalista na Região Amazônica. (THIEL e WOLLMANN, p. 94, 2000).

E, no dia 02 de fevereiro de 1893, os irmãos -, chegaram “a Vila de Santa Teresa do Paruá, ou Presidente Médici, [...] iniciando assim, a primeira comunidade lassalista no Maranhão” e, sobretudo, dispostos a assumirem os novos desafios encontrados. (THIEL e WOLLMANN, p. 95, 2000).

Figura 33 – Foto dos Irmãos Lassalistas junto à comunidade66

Fonte: Acervo de Francisco da Cruz Machado, 1984

período do Convênio”. (THIEL e WOLLMANN, 2000, p. 95). Em relação ao item previsto no Convênio, que trata sobre o possível acordo entre a Instituição Lassalista e a Colone é importante ressaltar que este não se efetivou em decorrência de “alguns contratempos”. E segundo explicam os autores Thiel e Wollmann (2000), o que “se subscreveu foi um contrato com a Comissão de Moradores, pelo qual, em síntese, os Irmãos se comprometiam em assumir a direção da escola e a Comissão a garantir a manutenção deles” ( p. 95).

66 Foto que retrata a comunidade reunida no centro comunitário, com os primeiros Irmãos Lassalistas: da esquerda para direita na primeira fileira, de baixo para cima, o irmão Glicério Follmann e ao seu lado o irmão Waldemar Wollmann.

Figura 34 – Foto dos Irmãos Lassalistas e a presença do Pe. Dinis67

Fonte: Acervo de Francisco da Cruz Machado,1984

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