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OS PRIMEIROS PROFETAS: OBADIAS, JOEL E JONAS

Obadias. O livro de Obadias é uma curta mensagem, contendo apenas 21 versículos, dirigida aos edomitas que se aliaram aos ini­ migos de Judá. Seu texto é o menor dos Profetas Menores, mas a sua data de composição é uma das mais controvertidas. Os edom i­ tas eram descendentes de Esaú, portanto, irmãos dos hebreus, mas se tornaram inimigos dos israelitas e negaram passagem pela sua

terra quando Israel peregrinava pelo deserto, mas Deus ordenou a Moisés tratar Edom com o irmão (Gn 36.1; Nm 20.20, 21; Dt 23.7).

A discussão sobre a data de sua com posição gira basicamente em torno dos w . 11 e 20.

No dia em que estiveste em frente dele, no dia em que os forasteiros levavam cativo o seu exército, e os estranhos en­ travam pelas suas portas, e lançavam sortes sobre Jerusalém, tu mesmo eras um deles [...] E os cativos desse exército dos filhos de Israel, que estão entre os cananeus, possuirão até Zarefate; e os cativos de Jerusalém, que estão em Sefarade, possuirão as cidades do Sul (w . 11, 20).

Os que defendem sua composição por volta de 845 a.C. acreditam que o profeta está se referindo à revolta dos edomitas contra Jeorão (848-841), rei de Judá: "Nos seus dias, se revoltaram os edomitas contra o mando de Judá e puseram sobre si um rei" (2 Rs 8.20). Essa passagem sozinha não apresenta suporte suficiente para tal inter­ pretação, pois os w . seguintes mostram o fracasso da campanha de Edom e a profecia afirma que os filhos de Esaú eram parte de uma campanha de "forasteiros", de "estrangeiros". É possível que eles tenham se juntado aos filisteus e aos arábios, que Deus levantou contra Jeorão: "Despertou, pois, o SENHOR contra Jeorão o espírito dos filisteus e dos arábios [...] e deram sobre ela, e levaram toda a fazenda que se achou na casa do rei, com o também a seus filhos e a suas mulheres; de modo que lhe não deixaram filho, senão a Jeo- acaz, o mais m oço de seus filhos" (2 Cr 21.16, 17). Esse fato pode explicar o significado da expressão: "lançavam sortes sobre Jerusa­ lém, tu mesmo eras um deles" (v. 11b). Eruditos conservadores como Keil e Delitzsch defendem essa interpretação.

Outros expositores bíblicos, igualmente conservadores, com o Charles L.Feinberg, acreditam que Obadias se refere à Queda de

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Jerusalém: "Os versículos 10 a 14 dão-nos o boletim de ocorrência contra esse obstinado inimigo de Israel. Eles retratam as condições de Israel quando Nabucodonosor invadiu Judá" (Os Profetas Menores, página 127). Se isso puder ser confirmado, a sua composição teria acontecido por volta de 585 a.C., data defendida por Martinho Lu- tero. O salmista parece referir-se à destruição da Cidade Santa pelos caldeus: "Lembra-te, SENHOR, dos filhos de Edom no dia de Jerusa­ lém, porque diziam: Arrasai-a, arrasai-a, até aos seus alicerces" (SI

137.7). O problema dessa interpretação, que alguns alegam, é que depois de tudo isso nada mais havia para lançar sorte.

Outra discussão é sobre a expressão "os cativos desse exército dos filhos de Israel", mais precisamente sobre o termo "cativo", (gãlüt), em hebraico. Parece mostrar que se trata da deportação para a Babilônia. É verdade que essa palavra é aplicada a capturas individuais de pessoas individuais (Am 1.9), mas não é esse o contexto aqui.

Joel. O texto não menciona o período em que recebeu ele os oráculos divinos, algo diferente daquilo que fizeram muitos outros profetas, com o Isaías, Jeremias, Ezequiel, Oseias, Amós, etc. Ele simplesmente se apresenta com o "filho de Petuel" (1.1). A data tra­ dicional de sua composição é 835 a.C., mas os críticos liberais a questionam alegando que o livro não faz menção alguma de reis de Israel ou de Judá, nem do problema da idolatria. Eles acrescentam ainda que a frase: "em que removerei o cativeiro de Judá e de Jeru­ salém" (3.1) está associada aleatoriamente com o cativeiro babilô- nico, e com a menção dos gregos no v. 6 procuram identificá-los com os do período de Filipe II, rei da Macedônia, pai de Alexandre, o grande. Assim, datam o texto com o obra do ano de 350 a. C.

Essas alegações são meras interpretações dos fatos, pois Joel era profeta de Judá e não é surpresa alguma a ausência do Reino do Nor­ te em seus oráculos. Israel é mencionado três vezes, mas não como

as dez tribos do norte, e sim, com o nação no fim dos tempos (2.27; 3.2, 16), pois os capítulos 2 e 3 são escatológicos. Há no seu livro um apelo nacional para jejum e santificação: "Congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, congregai os filhinhos e os que mamam; saia o noivo da sua recâmara, e a noiva, do seu tálamo. Chorem os sacerdotes, ministros do SENHOR, entre o alpendre e o altar" (2.16, 17). A mensagem menciona o povo, os anciãos, os sa­ cerdotes, os ministros do Senhor, mas não aparece a figura do rei porque se trata do período da regência de Joiada, durante a infância de Joás (2 Rs 11.4; 2 Cr 23.1-11), e a idolatria não era o problema de Judá naquela época. Nada afirma nesses oráculos que o "cativeiro" (3.1) seja o babilônico, e não é, pois o contexto é muito claro em mostrar que se trata do retorno da segunda diáspora, que começou em 70 d.C. A presença dos gregos no v. 6 não é impossível, visto que descobertas arqueológicas registram a presença helênica ali desde o século oitavo a.C.

Os inimigos mencionados são os fenícios, "Tiro e Sidom" e a "Filístia",5 rrô b s (pHesheth) em hebraico (3.4[4.4]), egípcios e os edomitas (3.19), justamente os povos que na época eram fortes e agressivos. Isso significa que a composição do livro aconteceu ain­ da num período em que a Assíria e a Babilônia não eram ameaças para Judá.

Jonas. Seu livro é uma breve narrativa biográfica de uma data da hegemonia de Nínive, quando esta era "uma grande cidade” (3.3). Sua composição é datada pela tradição em 752 a. C. Jonas era "filho de Amitai" (1.1), um profeta do Reino do Norte, do período de Jeroboão II (793-753 a.C.): "Também este restabeleceu os termos de Israel,

5 A versão Almeida Corrigida usa o nom e "Fenícia" (Jl 3.4 [4.4]), m as n o texto hebraico aparece (pflesheth) "Filístia", co m o registra a Alm eida Atualizada e a Tradução Brasileira. Há uma pequena diferença na divisão de capítulos e versículos em Joel, na Bíblia Hebraica, mas o texto é exatam ente o m esm o de nossas versões.

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desde a entrada de Hamate até ao mar da Planície, conforme a pa­ lavra do SENHOR, Deus de Israel, a qual falara pelo ministério de seu servo Jonas, filho do profeta Amitai, o qual era de Gate-Hefer" (2 Rs

14.25). Segundo Jerônimo, Gate-Hefer localizava-se na Galileia.

O QUARTETO DO PERÍODO ÁUREO