A Fenícia ficava numa região localizada no litoral mediterrâneo tendo fronteira com a Galileia, numa faixa estreita de terra que se alarga abrangendo os montes Líbanos e Anti-Líbanos. Destacou-se na história pela arte náutica. Eram inigualáveis navegadores e pe ritos mercadores. Fenix é uma planta da família das palmácias e, também, uma ave do Egito, que segundo a tradição, renascia das suas próprias cinzas, depois de queimada. Esse nome foi dado a essa terra pelo fato de haver tamareiras em abundância na região ou pelo fato de haver sobrevivido às muitas destruições. A Fenícia é a região do atual Líbano.
Os fenícios procederam de Sidom, filho de Canaã (Gn 10.15, 19; Is 23.11, 12). Povo muito antigo (Is 23.7). Não encontramos o nome "Fenícia" no Antigo Testamento, apenas no N ovo (At 11.19; 15.3; 21.2). Tiro e Sidom são as suas principais cidades-estados. Eles fundaram feitorias em Cartago, Malta, Silícia, Sardenha com o en trepostos para o desenvolvimento do comércio. Eram idólatras. Sua divindade nacional era Baal e adoravam também a Astarote e a Aserá (1 Rs 11.5; 16.31; 18.19).
Nos evangelhos a região é designada por "região de Tiro e Sidom" (Mt 15.21; Mc 7.26; Lc 6.17). Essa região serviu de refúgio para os discípulos de Jesus juntamente com Chipre e Antioquia da Síria, por ocasião da perseguição movida pelos judeus, depois do assassinato
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de Estêvão. Paulo e Barnabé atravessaram a região depois que re gressaram da primeira viagem missionária. Quando retornava de sua terceira viagem missionária, Paulo desembarcou nas proximidades de Tiro, na Fenícia, e seguiu em direção a Jerusalém (At 21.2, 3).
Durante o apogeu de sua glória Ezequiel profetizou contra Tiro anunciando de antemão o seu fim:
2 Filho do homem, visto com o Tiro disse no tocante a Je rusalém: Ah! Ah! Está quebrada a porta dos povos; virou-se para mim; eu me encherei, agora que ela está assolada, 3 portanto, assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu estou contra ti, ó Tiro, e farei subir contra ti muitas nações, com o se o mar fizesse subir as suas ondas. 4 Elas destruirão os muros de Tiro e derribarão as suas torres; e eu varrerei o seu pó e dela farei uma penha descalvada. 5 No m eio do mar, virá a ser um en- xugadouro das redes; porque eu o anunciei, diz o Senhor JEOVÁ; e ela servirá de despojo para as nações. [...] 14 E farei de ti uma penha descalvada; virás a ser um enxugadouro das redes, nunca mais serás edificada; porque eu, o SENHOR, o falei, diz o Senhor JEOVÁ (Ez 26.2-5, 14).
Tiro era uma importante cidade-estado da costa fenícia, situada a 40 quilômetros ao norte da Galileia e 40 ao sul de Sidom, outra cidade-estado. Havia nela dois portos, uma na ilha e outro no con tinente, o Porto Velho, ambos eram uma das causas de sua impor tância no com ércio e nas navegações. Ela alegrou-se muito com a destruição de Jerusalém, em 587 a.C., porque esta havia se torna do uma grande concorrente (v. 2). O profeta Ezequiel profetizou contra ela, anunciando sua ruína para sempre: "farei de ti uma penha descalvada; virás a ser um enxugadouro das redes, nunca mais serás edificada" (v. 14). Atualmente, Tiro é isso de que falou de antemão o profeta.
Sidom era outra cidade importante da Fenícia e o profeta Ezequiel dirigiu seus oráculos também contra ela, dizendo:
"21 Filho do homem, dirige o rosto contra Sidom e profetiza contra ela, 22 e dize: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis-me contra ti, ó Sidom, e serei glorificado no meio de ti; e saberão que eu sou o SENHOR, quando nela executar juízos e nela me santificar. 23 Porque enviarei contra ela a peste e o sangue nas suas ruas, e os traspassados cairão no meio dela, estando a espada em roda contra ela; e saberão que eu sou o SENHOR" (Ez 28.21 -23).
Observe que o profeta que predisse o fim de Tiro anunciou tam bém o castigo sobre Sidom, mas não disse que a cidade seria des truída e desabitada para nunca mais ser reedificada, por isso, ela existe ainda hoje, no atual Líbano.
ISRAEL
A história de Israel está ligada ao contexto escatológico. Deus escolheu esse povo com um tríplice propósito. O primeiro foi mostrar ao mundo o seu poder e a sua glória, e que somente Ele é Deus: "Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para em ti mostrar o meu poder e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra" (Rm 9.17). A passagem afirma que ele levantou o Faraó para que, por meio da sua intolerância com os hebreus, o Senhor pudesse abater esse monarca e dar liberdade ao povo da promessa e assim mostrar ao mundo o seu grande e eterno poder. O segundo objetivo foi dar ao mundo os seus oráculos: "Qual é, logo, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, em toda manei ra, porque, primeiramente, as palavras de Deus lhe foram confiadas” (Rm 3.1,2). Israel foi receptáculo dos oráculos divinos, o Senhor deu a Bíblia às nações por meio dos israelitas. E, finalmente, o terceiro,
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dar ao mundo o Salvador: "em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn 12.3), promessa divina feita a Abraão e Jesus disse à mulher samaritana: "porque a salvação vem dos judeus" (Jo 4.22).
Deus fez um concerto com Israel no monte Sinai, ratificando as promessas feitas aos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó: "agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu concerto, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha" (Êx 19.5), o que foi ratificado depois me diante um sacrifício: "Então, tomou Moisés aquele sangue, e o espargiu sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue do concerto que o SENHOR tem feito convosco sobre todas estas palavras" (Êx 24.8). Uma vez rompida essa aliança, o povo estaria vulnerável diante das nações, e a sua diáspora uma ameaça constante, pregada tanto por Moisés: "E vos espalharei entre as nações e desembainharei a espada atrás de vós; e a vossa terra será assolada, e as vossas cidades serão desertas" (Lv 26.33); como também por advertências similares em Deuteronômio (28.25, 36, 37). Os profetas que vieram depois alertaram o povo e as suas autoridades sobre tal perigo: "Portanto, lançar-vos-ei fora desta terra, para uma terra que não conhecestes, nem vós nem vossos pais;
e ali servireis a deuses estranhos, de dia e de noite, porque não usarei de misericórdia con
vosco" (Jr 16.13) e pelo Senhor Jesus Cristo, que anunciou a segunda diáspora: "E cairão
jr a fio de espada e para todas as nações serão
levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se com pletem" (Lc 21.24). A destruição de Jerusalém no ano 70, por Tito, general romano, assinala o
início do cumprimento de profecia.
Museu do Louvre - Tito, general romano que destruiu Jerusalém em 70 d.C. e veio a ser imperador.
A profecia de Jesus fala da dispersão e dos tempos atuais, diz respeito aos judeus e à Cidade Santa, vislumbra o retorno e a polê mica atual em torno de Jerusalém. Zacarias profetizou também sobre o assunto: "E acontecerá, naquele dia, que farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos” (Zc 12.3).
Quando a cidade de Jerusalém foi destruída, um grupo de judeus foi viver em Yavne ou Jâmnia, uma região na faixa de Gaza, entre 70 e 132 d.C.. Os rabinos estabeleceram um governo provisório, pois aguardavam a restauração de sua nação naqueles dias. Nessa oca sião o guerreiro Bar Cochba foi apresentado pelo rabino Akiva como o Messias de Israel.10 povo creu nele, que mais uma v ez se insurgiu contra Roma. Os líderes do m ovim ento pretendiam reorganizar o estado em ambos os lados do Jordão, pois a maioria dos combaten tes era proveniente do outro lado desse rio.
Em 132, o imperador Adriano foi pessoalmente à região, esfolou Bar Cochba vivo. Irritado com a grande baixa de seu exército e pela "teimosia" do povo judeu que resolutamente rejeitava o jugo roma no, decidiu exterminar para sempre a Terra Iudeorum. Uma das medidas para tal finalidade foi mudar toda a nomenclatura usual entre os judeus que pudesse relembrar seus vínculos a um estado independente e soberano. A começar por Jerusalém, deu aspecto pagão à Cidade Santa, mudando seu nome para Aelia Capitolina, em honra a Júpiter, deus máximo dos romanos, e proibiu os judeus de entrarem em Jerusalém sob pena de morte.
O termo b íO to '1 fH K (eretzyisrã ’êl), "Terra de Israel", soava e ain da soa muito forte na alma e no íntimo do povo judeu. Depois, para humilhar os vencidos, os romanos mudaram esse nome para "Pales tina", um antigo inimigo de Israel que habitava a faixa costeira medi
terrânea, em hebraico se chama □ 'r t ó S s (jflis h th ím ): os conhecidos
FO N T E: H IS TÓ RI A U N IV E R SA L D O S JUDE US A A u te n tic id a d e d a P r o fe c ia I 8 9 Tiro/ è FENlCIA iECUNDA r Nahum farnaum) »Hipos Abila •q • Helenópolii nSiti '• Maximianópoljç -CHÓpolis 6 Capitolias Pela / Sebastê , .. i Khameian N e á p o lis# â i • Apolônia PALESTINA PRII 6uedo • • Onus ^•Dióspolis lâmnia Parálios. Nicópolis Maiumas ^ Ã k a lo n Ascalom i r|>iocleti A ntédon + ju i . â «Belem tianopolist . . . . • â # Tricômias aTConstantiaEleuter6polÍS á.H ebron / k *Gaza • Sukomazon • Manois (Ma'on) k.Filadélfia Azotos Parálios,# , . .. rT i • ô A e lia C apitolina Liviasj * á « E s b u s ^ • M a d a b a A - Elussa (Khalutsa) • Màmpsis Nessana.h Subeita k m Eboda (Avdat) PALESTINA TERTIA á * Augustópolis •h Petra Mapa de Israel depois >ta Arindela Ad Dianam (Yotvata)
Limites de provfncia sob Deocleciano (cerca de 305)
^ Divisão administrativa no período bizantino (cerca de 405) CENTRO CRISTÃO NO FINAL:
à Século I
k Século III k Século V ® Sede do Patriarca
O Sede do Sinédrio depois de 135 □ Capital de distrito
Local de maioria judaica
Ruína de Cesareia Marítima - Israel. Aqueduto romar\o ■em Cesareia - Marítima - Israel.
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filisteus. Daí veio o nome "Palesti na”, que significa "Terra dos Filis teus”. O país foi dividido em três regiões, Palestina Prima: Judeia e Samaria, ficando Cesareia Maríti ma como capital, pois era a resi dência do governador romano; Palestina Secunda: Galileia, Golã e algumas áreas do outro lado do rio Jordão, sendo Séforis sua capi tal; a Palestina Tertia: incluindo o sul da Terra Santa até o mar Ver melho, sendo Petra sua capital. Essa divisão se manteve durante os períodos bizantino e persa, sendo alterado com a chegada dos muçulmanos, no século VII.
Nos séculos que se seguiram, o islamismo expandiu-se. Na Espanha, árabes e judeus foram bons amigos e juntos fizeram muita coisa. Os judeus procuraram aproximação com os muçulmanos em virtude de sua religião se parecer mais com a deles do que com o catolicismo romano e em razão das hostilidades dos católicos contra eles. O perí odo áureo da cultura judaica ocorreu durante a ocupação islâmica da Península Ibérica nos séculos 10 e 11. O norte da Espanha estava sob a administração dos cristãos, no minúsculo Reino das Astúrias. No sul estava o principado de Córdoba, independente da dinastia dos abássi- das, de Bagdá. Nessa época, a cultura árabe chegou ao topo, eles saí am na linha de frente nas descobertas científicas. O judeu Samuel ibn Nagrela foi vizir do califado de Córdoba.2 Nesse período, surgiram
Moshé Rambam ibn Maimônides. Estátua em Córdoba, Espanha.
Plantação de tâmaras no deserto de Negueve no sul de Israel.
Sh'lomo ibn G'vrol, Ibn Pakuda, Avraham ibn Ezra, o rabino Moshé Rambam ibn Maimônides e outros. Veja que eles se identificavam como ibn, "filho", em árabe ao invés de ]2 (bên), seu equivalente hebraico. Escreveram muitos tratados em árabe, mesmo sendo eles judeus.
O califa Omar chegou a Jerusalém em 636. Ele removeu os es combros do templo de Jerusalém, destruído pelos romanos em 70, e no local construiu uma mesquita. Em 691, o emir al-Malik, da di nastia dos Omíadas, reformou essa mesquita dando a forma que ela apresenta ainda hoje. A mesquita de cúpula dourada, que identifica a cidade de Jerusalém, no monte do Templo, é hoje conhecida com o Mesquita de Omar ou Domo da Rocha.
A dinastia dos Omíadas, de Damasco, foi se exaurindo com o passar do tempo e, depois da segunda metade do século VIII, o cali- fado foi transferido para Bagdá. No Iraque, a dinastia era dos Abás- sidas. Com ela começa a destruição e a desintegração geral de Eretz Israel. A terra produtiva foi transformada em desolação e espanto, era
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O deserto do Negueve florescendo - Israel (Is 35.1).
o cumprimento de uma profecia de Ezequiel: “Tom arei a terra em desolação e espanto, e será humilhado o orgulho do seu poder; os montes de Israel ficarão tão desolados, que ninguém passará por eles" (33.28). Apesar da diáspora, grandes comunidades judaicas habitaram o país. Os turcos otomanos ocuparam a região desde 1500 ao fim da Primeira Guerra. Eles cobravam impostos da população da Palestina por árvores plantadas, o que desmotivava o cultivo na região. Du rante essa dispersão a Palestina ficou em total abandono.
Em 1880, cerca de 24.000 judeus religiosos viviam em Jerusalém e Hebrom, Jafa e Tiberíades, além de Safed, cidade mística no norte de Israel. Dedicados à leitura dos livros sagrados, viviam em extre ma pobreza, de donativos provenientes da Europa Ocidental. Eles não se preocupavam com a reconstrução de uma pátria para os judeus, até porque eles, desde aquela época, acreditavam que o Messias viria primeiro. O que eles queriam era ter o privilégio de morrer na Terra Santa.
A cúpula dourada do Domo da Rocha -Jerusalém.
A Porta Dourada - muro oriental de Jerusalém.
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Vista parcial de Jerusalém.
Em 1882, os judeus provenientes da Rússia czarista, vítimas dos progrons de Alexandre III, imigraram para a terra de seus antepas sados. Nos anos seguintes, outros imigrantes estavam determinados a estabelecer a pátria do povo judeu na terra de seus pais. Muitos grupos vieram da Rússia nessa década. Até 1904, cerca de 25.000 deles chegaram à Terra Santa, e encontraram o país em miséria e desolado. Muitos deles morreram vítima de malária. O Barão de Rothschild, banqueiro francês, destinou uma verba graúda para ajudar nesse processo imigratório.
A segunda imigração aconteceu entre 1904e 1914. A profecia do retom o haveria de se cumprir a começar pelo norte: "Vive o SENHOR que fez subir e que trouxe a geração da casa de Israel da terra do Norte e de todas as terras para onde os tinha arrojado. E habitarão na sua terra" (Jr 23.8), e isso aconteceu, pois os primeiros imigrantes vieram da Rússia. Foram criados partidos políticos e organizações. O sionismo se encontrava em franco progresso. O hebraico já era a língua usada em cerca de 20 escolas. Eliezer ben Yehuda, nessa época, estava em Israel atuando nessa área, pois entendia que para existir um estado seria necessário uma língua nacional, que segun do ele seria o hebraico.
As profecias sobre a diáspora se cumpriram integralmente, mas Deus prometeu restaurar o seu p ovo depois do castigo. A lista des sas profecias sobre o retorno é muito grande, a seguir vão algumas delas: "E há esperanças, no derradeiro fim, para os teus descenden tes, diz o SENHOR, porque teus filhos voltarão para o seu país' (Jr 31.17); "Assim diz o Senhor JEOVÁ: Hei de ajuntar-vos do m eio dos povos, e vos recolherei das terras para onde fostes lançados, e vos darei a terra de Israel [...] E vos tomarei dentre as nações, e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra [...] Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu tomarei os filhos de Israel de entre as nações para onde eles foram, e os congregarei de todas as
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Cultivo de oliveira no deserto de Negueve (Am 9.14).
partes, e os levarei à sua terra” (Ez 11.17; 36.24; 37.21); "E rem ove rei o cativeiro do meu povo Israel, e reedificarão as cidades assola das, e nelas habitarão, e plantarão vinhas, e beberão o seu vinho, e farão pomares, e lhes com erão o fruto. E os plantarei na sua terra, e não serão mais arrancados da sua terra que lhes dei, diz o SENHOR, teu Deus" (Am 9.14, 15).
O profeta Ezequiel teve a visão de um vale de ossos secos e o próprio Deus lhe deu o significado da revelação:
1 Veio sobre mim a mão do SENHOR; e o SENHOR me levou em espírito, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos, 2 e me fez andar ao redor deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale e estavam sequíssimos. 3 E me disse: Filho do homem, poderão viver estes ossos? E eu disse: Senhor JEOVÁ, tu o sabes. 4 Então, me disse: Profetiza sobre estes ossos e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do SENHOR. 5 Assim diz o Senhor JEOVÁ a estes ossos: Eis que
farei entrar em vós o espírito, e vivereis. 6 E porei nervos sobre vós, e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis, e sabereis que eu sou o SENHOR. 7 Então, profetizei com o se me deu ordem; e houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um reboliço, e os ossos se juntaram, cada osso ao seu osso. 8 E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito. 9 E ele m e disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes m or tos, para que vivam. 10 E profetizei com o ele m e deu ordem; então, o espírito entrou neles, e viveram e se puseram em pé, um exército grande em extremo. 11 Então, me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel; eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós estamos cortados. 12 Portanto, profetiza e dize-lhes: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu abrirei as vossas sepulturas, e vos farei sair das vossas sepulturas, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel (Ez 37.1-12).
Ezequiel era parte dos cativos judeus deportados para a Babilônia e essa visão veio durante o tempo da primeira diáspora. Esse vale de ossos secos representa os judeus dispersos pelas nações: "estes ossos são toda a casa de Israel" (v. 11) e é a promessa de restaura ção: "e vos trarei à terra de Israel" (v. 12). Porém, o contexto rem e te para o fim dos dias: "depois de muitos dias, serás visitado; no fim dos anos [...] no fim dos dias" {Ez38.8, 16). Esses oráculos não dizem respeito ao retorno da primeira diáspora, decretada pr Ciro, rei da Pérsia (2 Cr 36.18-22), mas aos últimos dias, portanto, trata-se do fim da segunda diáspora. Assim, essa profecia começou a se cumprir na segunda metade do século 19. Os movimentos nacionalistas da Europa contribuíram para a unificação da Alemanha, por Bismarck,
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e da Itália, por Cavour, com isso os judeus despertaram para a cons trução de sua pátria. O caso Dreyfus, na França, levou os judeus à triste conclusão de que não havia mais espaço para eles na Europa e que eles mesmos teriam de iniciar o processo de fundação do Estado de Israel.
Em 1894, um agente da contra-espionagem francesa havia des coberto um bilhete na cesta de lixo do gabinete do adido militar alemão, na França. O bilhete dizia que os alemães haveriam de receber um importante manual francês de artilharia. Apenas pela caligrafia não foi possível reconhecer o culpado, mas eles precisavam de um bode expiatório. O escolhido foi o capitão Alfred Dreyfus, rico, requintado e, sobretudo, judeu. Um judeu no meio de aristo cratas discípulos dos jesuítas, num quartel militar, ou seja, num ambiente anti-semita. Foi fácil "descobrir" o "traidor": Dreyfus.
Cerca de um mês depois o capitão Dreyfus estava preso acusado de traição. Condenado à prisão perpétua em uma corte marcial por alta traição, por ter entregado segredos militares aos alemães. Em janeiro de 1895, Dreyfus foi degredado publicamente em Paris. Ele clamava: "Viva a França! Viva o Exército!" O povo respondia histe ricamente: "Morra o traidor!". Era uma armação orquestrada pelos clérico-monárquicos da Terceira República, em conluio com generais do exército, com o se estivessem revogando os princípios da Revo lução Francesa: liberdade, igualdade, fraternidade.
O quadro parecia irreversível. Desde 1886, os jesuítas vinham