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Os principais componentes de um projeto funcional são:

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Quanto aos condicionantes de natureza administrativa, é necessária uma avaliação da inserção do novo sistema nos contratos vigentes de delegação dos serviços de transporte e dos desdobramentos jurídicos decorrentes. Pode ocorrer, por exemplo, que a operação dos serviços de um BRT já faça parte do objeto/escopo potencial de atuação de um concessionário local, mas que sejam necessários ajustes econômico-financeiros decorrentes da incorporação de um novo serviço. Em outra situação pode não haver a previsão contra- tual necessária, sendo então requerida uma concessão específica.

No aspecto jurídico, cabe avaliar a disponibilidade e adequação dos instrumentos legais necessários para a viabilização do modelo de prestação de serviço escolhido, como por exemplo, os requisitos legais para promover uma Parceria Público-Privada (PPP).

Aspectos institucionais também devem ser avaliados, em especial, quando envolvem outras instâncias governamentais. Como exemplo, o sistema de TPC definido pode requerer a integração de linhas inter- municipais (sob gestão de um ente estadual) com as linhas munici- pais (sob gestão do município), o que exigirá o estabelecimento de convênios, contratos ou outros instrumentos legais para regular a relação entre ambos os serviços.

Quanto aos condicionantes de natureza econômica, deve-se avaliar a situação fiscal do ente público em relação à disponibili- dade de recursos próprios, à possibilidade de obter financiamentos externos, à capacidade de endividamento, aos reflexos em termos de subsídios oferecidos, entre outros.

Recomenda-se que a decisão sobre o modelo de prestação de serviços a ser adotado também seja fundamentada em uma análise multicritério, ainda que mais simples do que a necessária para a seleção do sistema de TPC, como apresentado no Capítulo 2. O poder público tem a responsabilidade pela prestação do serviço

à população. Nada impede, porém, que se conte com o apoio de empresas privadas na realização de diversas etapas necessárias para tanto. O gestor público pode, em alguns casos, aproveitar aspectos como o conhecimento técnico, a experiência prática e a flexibili- dade administrativa do setor privado, que resultem em qualidade e economia na prestação do serviço. A participação de entes públicos e privados gera diferentes arranjos, exemplificados na figura a seguir.

O gestor público deve realizar um processo de avaliação, discussão e seleção do modelo mais adequado para a implementação da solução. Este processo deve ser fundamentado na análise de diversos condicionantes, principalmente, aqueles de natureza administrativa, jurídica, institucional e econômica.

Responsável pela implantação da infraestrutura Responsável pela operação do serviço

Forma jurídica de delegação e prestação do serviço

Público Público Exploração direta (estatal)

Público Privado PPP ou concessão de serviço público

Privado Privado PPP ou concessão de serviço público

precedida da execução de obra pública Tabela 10

Modelos de prestação de serviços de TPC

c. adoção de equipamentos, sistemas e veículos adequados ao uso da infraestrutura viária;

d. uniformização de equipamentos, sistemas e procedimentos entre serviços integrados, de modo a proporcionar o funcio- namento de integração tarifária;

e. instituição de um modelo de repartição da receita integrada entre os operadores dos diferentes sistemas integrados;

f. modificação na equação econômico-financeira dos contratos de concessão vigentes, além de outras adequações contratuais por decorrência de todos os itens anteriores.

3.3.2 FINANCIAMENTO

Os recursos financeiros para a implementação do sistema de TPC podem ter origem em fontes públicas e/ou privadas. Os recursos públicos podem ser principalmente próprios do orçamento do município, do estado, do Orçamento Geral da União e obtidos por financiamento junto a instituições de desenvol-

vimento nacionais e internacionais29. Os recursos privados podem

advir da delegação do serviço mediante concessão, como também de operações urbanas consorciadas ou resultantes de outros instru- mentos de política urbana previstos no Estatuto da Cidade (Lei federal nº 10.257/2001) e adotados pela legislação do município.

A identificação das potenciais fontes de financiamento deve integrar as análises prévias do processo da seleção da forma de implementação do sistema de TPC (Etapa 3 do capítulo anterior).

Quando os recursos são obtidos por meio de financiamento público nacional ou de entes internacionais, é necessário realizar as atividades de formalização das consultas, a discussão com os agentes financeiros, a preparação da documentação, a obtenção

3.3 ATIVIDADES ASSOCIADAS

AO NÍVEL EXECUTIVO

Após as atividades do nível estratégico é possível partir para as do nível executivo, apresentadas a seguir.

3.3.1 ADEQUAÇÃO DA REDE

A implementação de novas soluções de TPC requer que as redes de transporte individual e coletivo sejam adequadas em razão das características do projeto. Entretanto, a necessidade de adequação deve ter sido identificada previamente à definição do sistema de TPC e ter sido desenvolvida no projeto funcional. Só então está madura para ser executada.

Como exemplo, a implementação de um BRT pressupõe o estabe- lecimento de um sistema tronco-alimentado, no qual as linhas origi- nárias de bairros são seccionadas em um terminal (linhas alimenta- doras) e são criadas linhas específicas para serem operadas no novo sistema (linhas troncais).

Em outras situações, as reestruturações podem não ser tão exten- sivas como a exemplificada acima, mas há a necessidade do estabele- cimento da integração física e tarifária da rede de transporte existente com as novas linhas projetadas. Exemplo desta situação é a imple- mentação de uma linha metroviária com a manutenção de algumas linhas da rede de ônibus integradas com a linha de Metrô. Neste caso, as linhas de ônibus podem ter seus trajetos alterados de forma a oferecer uma integração nos pontos de intersecção com o Metrô.

Diversos aspectos devem ser equacionados para o êxito da solução de TPC adotada, como:

a. alterações no plano de oferta das linhas modificadas, com reflexos na quantidade e tipologia da frota, na produção quilo- métrica e na quantidade de passageiros transportados;

b. definição da tarifa de integração entre os modos de

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