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OS PROCEDIMENTOS

No documento CURITIBA 2009 (páginas 105-110)

4. METODOLOGIA

4.5. OS PROCEDIMENTOS

Uma vez definidas as universidades estaduais paranaenses que oferecem o curso de Licenciatura em Matemática, foram enviadas, no segundo semestre de 2008, cartas registradas aos respectivos Departamentos, endereçadas aos coordenadores de curso e/ou chefes de departamento. O objetivo da carta foi apresentar a pesquisadora, a pesquisa, solicitando que os coordenadores e/ou chefes fizessem uma consulta ao corpo docente sobre o interesse em participar da referida pesquisa. Aos professores dos cursos que manifestaram interesse em participar da pesquisa, foi enviado um e-mail convidando-os a participarem da pesquisa, indicando a página na internet que deveriam acessar para a participação.

Os sujeitos também foram informados sobre os seguintes aspectos do estudo: seus dados pessoais ficariam restritos ao pesquisador, que se responsabilizaria pela não-divulgação deles; os dados obtidos seriam para uso exclusivo do estudo que se desenvolvia; todas as análises seriam realizadas sem a identificação dos sujeitos e os dados seriam analisados de maneira global. E, ainda, os sujeitos foram informados que sua identificação e uma forma de contato deveriam ser registradas no questionário, caso houvesse a necessidade do esclarecimento de alguma dúvida da pesquisadora.

A seguir, apresentam-se os procedimentos para a análise dos dados adotados para cada um dos instrumentos.

A) PARA O QUESTIONÁRIO

Os dados fornecidos pelas questões 1 a 18 foram descritos por meio de frequência absoluta e/ou relativa e apresentados em tabelas, com o objetivo de caracterizar os sujeitos participantes da pesquisa na planilha Excel. Aos dados fornecidos pelas questões 4 a 17 foi aplicada também a Análise Hierárquica de Similaridade, com o objetivo de analisar o nível de similaridade (convergência) das relações entre os estágios em que esses professores estão no uso do computador (informação esta fornecida pelo Questionário por Ramificação) e as experiências de formação e profissionais. Para isso utilizou-se o software CHIC (Classificação Hierárquica, Implicativa e Coesitiva).

A análise hierárquica de similaridade47 é um método de análise de dados estatísticos multidimensionais que permite “estudar e depois interpretar, em termos de tipologia e de semelhança (dessemelhança) decrescente, classes de variáveis constituídas significativamente a certos níveis de uma árvore de similaridade e se opondo a outros, nestes mesmos níveis” (ALMOULOUD, 2008, p. 306).

O critério de similaridade exprime-se da seguinte maneira nos casos das variáveis binárias: presença – ausência, verdadeiro – falso, sim – não, etc.

Consideremos um conjunto E, composto pelos sujeitos de pesquisa, e duas variáveis: ‘a’ e ‘b’. Sejam A e B, subconjuntos de E, formados pelos sujeitos com as características a e b, respectivamente. Dizemos que as variáveis ‘a’

e ‘b’ são muito semelhantes, quando o número de sujeitos A B é suficientemente grande, em relação aos números de elementos dos conjuntos E, A e B e, em relação ao número de elementos de E que estão em A ∩B, ou, em B ∩A (ALMOULOUD, 2008, p. 307).

Para a utilização do referido software, algumas questões foram agrupadas conforme a temática abordada: experiências de formação relacionada à pós-graduação (questões 5 e 6) e experiências profissionais na Educação Básica e Ensino Superior (7 a 15). As questões 16 (frequência no uso do computador) e 17 (tipos de uso do computador) não foram agrupadas. Além disso, as questões foram tratadas como variáveis binárias, ou seja, assumindo unicamente dois valores, 0 ou 1, na planilha preparada para análise do software. Esses valores foram atribuídos conforme presença ou ausência de determinada experiência ou característica que constituem as variáveis descritas no quadro a seguir:

47 Para melhor compreensão do critério de similaridade, consultar Anexo C.

FORMAÇÃO – RELATIVO ÀS QUESTÕES 4, 5 E 6 DO QUESTIONÁRIO NLicMat – sem licenciatura em Matemática

LicMat – licenciado em Matemática (curta ou plena) PosEd- todas pós em educação

PosEsp – todas pós em área de conhecimento específico PosAmbas – pós em ambas as áreas

Mest– seu último curso de pós concluído ou em curso é o mestrado Dout– seu último curso de pós concluído ou em curso é o doutorado

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL – RELATIVO ÀS QUESTÕES DE 7 À 15 DO QUESTIONÁRIO EdBas – possui alguma experiência prof. na Ed. Básica

NEdBas – sem experiência em Ed. básica Efet – professor efetivo

NEfet – professor não efetivo

TESup – menos de 11 anos de experiência no ensino superior

TLic – menos de 11 anos de experiência na Licenciatura em Matemática MTESup – mais de 11 anos de experiência no ensino superior

MTLic – mais de 11 anos de experiência na Licenciatura em Matemática PesqOu – desenvolve pesquisa em outras áreas que não E.M.

PesqEM – desenvolve pesquisa em Ed. Matemática

Esp – em 2008 trabalhou somente com disciplinas de conhecimento específico Ped – em 2008 trabalhou somente com disciplinas de conhecimento pedagógico

Ambas – em 2008 trabalhou tanto com disciplinas de conh. Específico como pedagógicos USOS – RELATIVO À QUESTÃO 17 DO QUESTIONÁRIO

CTeo – usa o computador para construção de teoria ADd – usa o computador para ter acesso a dados CDd – usa o computador para coleta de dados AnDd – usa o computador para analisar dados PrepD - usa o computador para preparar documentos Com - usa o computador para se comunicar

MCol - usa o computador como mídia colaborativa MEns - usa o computador como mídia de ensino MCons – usa o computador como mídia de construção MExp - usa o computador como mídia de expressão

ESTÁGIO NO USO DO COMPUTADOR – RELATIVO AO QUESTIONÁRIO POR RAMIFICAÇÕES

QUADRO 6 – VARIÁVEIS ANALISADAS COM O SOFTWARE CHIC.

B) PARA O QUESTIONÁRIO POR RAMIFICAÇÕES

O questionário por ramificações foi utilizado para definir o estágio em que os sujeitos se encontram no uso do computador, enquanto professores da Licenciatura

em Matemática. Esses estágios foram utilizados como variável atribuída na análise dos questionários e das autobiografias.

C) PARA A AUTOBIOGRAFIA

Os dados fornecidos pelas autobiografias são de natureza qualitativa. Para analisar esses dados, utilizou-se a Análise de Conteúdo, que é

[...] um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens (BARDIN, 2007, p. 37).

Para Bardin (2007), a organização da análise de conteúdo parte de três segmentos cronológicos: 1) a pré-análise; 2) a exploração do material e 3) o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação.

A pré-análise é a própria organização do trabalho. É nesta fase que se faz a escolha do objeto de estudo, bem como a formulação das hipóteses e objetivos do trabalho, o que se encontra definido no início desta pesquisa.

A exploração do material consiste em uma fase longa com procedimentos de codificação ou enumeração em função de regras previamente formuladas.

Estatísticas simples ou complexas permitem estabelecer um panorama de resultados com base em tabulações ou diagramas, os quais condensam as informações fornecidas para a análise (BARDIN, 2007).

Para analisar o material é necessário, antes, codificá-lo. A codificação é uma transformação que ocorre, segundo regras precisas em relação aos dados brutos, do texto analisado. Essa transformação permite atingir uma representação do conteúdo, por meio de recorte, agrupamento e enumeração. No caso de uma análise categórica, a organização da codificação se dá em três passos: 1) o recorte (escolhas das unidades de análises); 2) a enumeração (escolha das regras de contagem); 3) a classificação e a agregação (escolha das categorias). A categorização consiste no reagrupamento de temas específicos com critérios previamente definidos. Assim, classificar elementos em categorias impõe uma certa investigação por temas ou termos análogos. A escolha de categorias é um processo estruturalista e possui duas etapas: 1) o inventário, que nada mais é que isolar os

elementos, isto é, separar os diferentes temas e a 2) classificação, que consiste em repartir os elementos ou, em outras palavras, organizar os temas analisados (BARDIN, 2007).

Neste trabalho, as unidades de análise são as experiências dos professores com o computador. A escolha pela análise temática das experiências dos professores com o uso do computador se justifica por serem elas de extrema importância para a definição das atividades de formação (GARCIA, 1999). Segundo Bardin (2007, p. 99) “fazer uma análise temática consiste em descobrir os núcleos de sentido que compõem a comunicação e cuja presença ou freqüência de aparição podem significar alguma coisa para o objetivo analítico escolhido”.

Partiu-se então para a categorização, que é “uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento” (BARDIN, 2007, p. 111). Para este processo optou-se por não fornecer o sistema de categorias, antes o mesmo resultando da classificação analógica e progressiva dos elementos, sendo que o título conceitual de cada categoria somente foi definido no final da operação.

Como indicador foi escolhida a frequência, ou seja, assumiu-se que a importância de uma unidade de análise aumenta com a frequência de aparição.

As inferências basearam-se na comparação entre as unidades de análise e sua frequência nos diferentes estágios no uso do computador.

No documento CURITIBA 2009 (páginas 105-110)