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UMA TAXONOMIA PARA O USO DO COMPUTADOR EM PROCESSOS

No documento CURITIBA 2009 (páginas 84-88)

3. FORMAÇÃO DE FORMADORES DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA

3.3. UMA TAXONOMIA PARA O USO DO COMPUTADOR EM PROCESSOS

Buscando definir o que se compreende sobre o uso do computador no processo de ensino e aprendizagem da Matemática, optou-se por contribuições

44 Conforme Josso, ‘consciencial’ refere-se à consciência. Esta última compreendida como “a

‘presença atenta’ a si próprio, aos outros e ao seu ambiente e está ligada aos graus de sensibilidade de cada pessoa no que se refere aos seus sentidos, tais como o tato, o olfato, a visão, o movimento, etc. Sem essa presença atenta não há qualquer percepção do mundo” (2004, p. 50).

45 Heidegger, M. La essência del habla. In: HEIDEGGER, M. De caminho al habla. Barcelona:

Edicionaes del Serbal. 1987.

teóricas que se aproximassem bastante da prática e usos que os professores fazem do mesmo em sala de aula, buscando contemplar a dimensão do professor descrita por Lagrange (2003).

Neste sentido, encontramos a proposta de Bruce e Levin (1997), que definiram as TICs, e, portanto, o computador, como uma mídia para a expressão, a comunicação, a construção e a investigação. Esses autores, após uma revisão de literatura percebem uma tendência de que o foco dessas taxonomias ou classificações se desloque das características próprias dos softwares ou hardwares para o potencial das tecnologias educacionais nos processos de ensino e de aprendizagem.

Apoiados em Dewey (1956) e buscando essa centralidade dos usuários ou aprendizes, Bruce e Levin definem as tecnologias educacionais, inclusive o computador, como mídias para pensar, para se comunicar e atuar no mundo, utilizando a idéia de que a base para a aprendizagem deve ser os impulsos, instintos ou interesses naturais das crianças para investigar ou encontrar coisas (investigação), para conversar ou comunicar (comunicação), para fazer ou construir coisas (construção) e para expressar suas idéias e sentimentos (expressão).

O conceito de mídia enquanto “meio, este concebível como aplicável a qualquer coisa que é empregada para atingir um fim” (SANTAELLA, 1996, p. 213), contribui para a compreensão das considerações feitas por Bruce e Levin (1997) a cerca das tecnologias, que tendem a se tornar cada vez mais presentes nas práticas sociais, e cujo desafio no campo da educação é a compreensão de como se aprende através dessas mídias, uma vez que elas expandem as possibilidades de experiências de aprendizagem e de relações com o mundo social e natural.

Mesmo reconhecendo que toda taxonomia (sistema de classificação) reduz a complexidade de qualquer coisa que estiver sendo categorizada, Bruce e Levin (1997) afirmam que elas são importantes para fazer comparações, olhar novas tecnologias, suas origens e transformações.

A taxonomia proposta por Bruce e Levin (1997) e descrita abaixo, como os próprios autores afirmam, deve ser encarada como uma entre outras estruturas que podem ser adotadas, e como qualquer outra taxonomia pode ter algumas aplicações classificadas em mais de uma categoria:

a) mídia para investigação:

- construção de teoria – tecnologia como mídia para pensar: exploração de modelos e ferramentas de simulação, softwares de visualização, ambientes de realidade virtual, modelagem de dados (definição de categorias, relações e representações), modelos de procedimentos, modelos matemáticos, representação de conhecimentos (estruturas semântica), integração de conhecimento;

- acesso à dados – conexão ao mundo dos textos, vídeos e dados:

hipertextos e ambientes hipermídia, acesso a bibliotecas digitais, base de dados, músicas, voz, imagem, gráficos, vídeos, tabela de dados, textos;

- coleta de dados – uso da tecnologia para estender os sentidos: registro de vídeo e som, sensores de temperatura, movimento, batimento cardíaco;

- análise de dados: exploração da análise de dados, análise estatística, ambientes para investigação, processamento de imagem, planilhas, programas para fazer tabelas e gráficos, programas para a solução de problemas;

b) mídia para comunicação:

- preparação de documentos: processadores de textos, apresentações gráficas, expressões simbólicas;

- comunicação – com outros estudantes, professores, especialistas em vários campos, e pessoas ao redor do mundo: e-mail, conferências assíncronas e síncronas, servidores de distribuição da informação (World Wide Web) e outros;

- mídia colaborativa: ambientes de dados colaborativos, sistemas suportes de decisão grupal, preparação de documentos compartilhados;

- mídia para ensino: sistemas tutoriais, simulações instrucionais, exercícios e sistemas de prática;

c) mídia para construção: sistemas de controle (uso da tecnologia para afetar o mundo físico), robótica, controle de equipamento, construção de gráfico e diagrama;

d) mídia para expressão: programas de desenho e pintura, composição e edição de música, vídeos interativos e hipermídia, softwares de animação, composição multimídia.

Bruce e Levin (1997) destacam que essas tecnologias educacionais se aproximam de uma nova forma aos impulsos naturais das crianças através de dois caminhos:

a) oferecendo uma abundância de materiais incluindo texto, voz, música, gráficos, fotos, animações, vídeos, trazendo a possibilidade de expandir a gama de experiências de aprendizagem, abrindo os mundos sociais e naturais;

b) e a possibilidade que tais mídias trazem da aprendizagem ser dirigida pelas necessidades e interesses individuais do aprendiz, onde os estudantes podem escolher o que ver e fazer, registrar e estender o que eles aprendem.

Especificamente na área da Matemática, Kimmins (1995) já havia proposto uma taxonomia com alguns pontos em comum a proposta por Bruce e Levin, vendo o computador como um auxiliar no(a):

a) desenvolvimento de conceitos e habilidades matemáticas: aumento no poder de negociação entre as múltiplas representações; aumento na habilidade de visualização; aumento na oportunidade de construir conhecimento matemático através de investigação individual ou coletiva;

aumento na oportunidade de diagnosticar dificuldades e avaliar os alunos individualmente;

b) solução de problemas: aumento na habilidade de focar no processo de solução de problemas; aumento da habilidade de resolver problemas reais;

aumento da oportunidade dos estudantes de serem introduzidos a problemas interessantes e associados a temas muito antes; aumento da oportunidade de desenvolver a habilidade de modelagem matemática;

c) raciocínio matemático: aumento da habilidade de, considerando um conjunto de dados, formar conjecturas e aplicar o raciocínio indutivo;

aumento da motivação para pensar logicamente e em ordem para programar o computador;

d) comunicação matemática: aumento da motivação para comunicar-se matematicamente com precisão; aumento da habilidade dos estudantes de apresentar idéias matemáticas tanto oralmente quanto por escrito.

Nesta pesquisa será utilizada a taxonomia proposta por Bruce e Levin (1997), porque a mesma amplia mais a utilização do computador nos processos de ensino e aprendizagem do que a proposta por Kimmins (1995), fato possível de ser

percebido quando a primeira taxonomia traz dentro da classe ‘Mídias para investigação’ as três primeiras classes propostas por Kimmins (1995).

No documento CURITIBA 2009 (páginas 84-88)