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CAPITULO IV AS POSSIBILIDADES DA POLITICA DE ESPORTE NO BRASIL NUM PERÍODO DE TRANSIÇÃO

CONSIDERAÇÕES FINAIS

3. CAPITULO II ESPORTE, CONFERÊNCIAS NACIONAIS E LUTA DE CLASSES.

3.4 Os sujeitos envolvidos na política de esporte

3.4.5 Os Produtores: atletas, trabalhadores e praticantes.

Os Atletas

64 Nota de rodapé 2 do autor: ―http://www1.folha.uol.com.br/folha/esporte/ult92u632797.shtml‖. 65 Nota de rodapé 3 do autor: http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,ERT220450-

16418,00.html

66―Os aparelhos privados de hegemonia são a vertebração da sociedade civil, e se constituem das

instâncias associativas que, formalmente distintas da organização das empresas e das instituições estatais, apresentam-se como associatividade voluntária sob inúmeros formatos [...] não são homogêneos em sua composição e se apresentam muitas vezes como totalmente descolados da

A atuação política dos atletas está articula pelo COB, poucos têm atuação independe do comitê e de suas confederações. A partir de 2009 o COB cria a Comissão de Atletas do COB, inspirada na comissão do COI, tendo como primeiro presidente, Bernard Rajzman, que foi secretário nacional de esporte de Fernando Collor de Melo e é ligado ao Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB desde 1995.

No dia 26 de fevereiro de 2013 foi eleita uma nova Comissão para o período 2013-2016 tendo como novo presidente, Emanuel Rego, dono de três medalhas olímpicas no vôlei de praia e como vice-presidente, Hortência Marcari, campeã mundial e medalhista de prata nos Jogos Olímpicos Atlanta 1996. Vejamos como se dá o processo de eleição dessa comissão, seus objetivos e composição atual.

Catorze dos 19 integrantes da nova Comissão foram eleitos através de uma eleição online entre os atletas do Time Brasil participantes das duas últimas edições dos Jogos Olímpicos. Mais de 200 atletas que integraram as delegações brasileiras em Pequim 2008 e Londres 2012 participaram do pleito. Cada Confederação Brasileira Olímpica teve o direito de indicar até dois atletas para a eleição, que teve 30 candidatos. Os outros quatro atletas foram indicados pelo Conselho Executivo do COB: o ginasta Arthur Zanetti, ouro em Londres 2012 nas argolas; o nadador Thiago Pereira, prata em Londres nos 400m medley; e os ex-atletas Gustavo Borges, detentor de quatro medalhas olímpicas na natação; e Hortência Marcari. A atleta de snowboard Isabel Clark permanece na Comissão até a eleição que escolherá um(a) novo(a) integrante dos esportes de inverno após Sochi 2014.A Comissão tem como principal objetivo atuar como um canal de comunicação entre os atletas e o COB, oferecendo sugestões e recomendações sobre quaisquer assuntos relacionados ao Movimento Olímpico. O tempo de mandato da nova Comissão de Atletas do COB será de quatro anos, e irá até o fim do ciclo olímpico, em 2016. A Comissão tem obrigação de reunir-se pelo menos duas vezes por ano. Os objetivos da Comissão são: ser o principal canal de comunicação dos atletas com o COB; estabelecer um ambiente de discussão onde os atletas possam compartilhar informações e ideias relacionadas aos Jogos Olímpicos, Pan-americanos e Sul-americanos; oferecer sugestões e recomendações sobre qualquer assunto relacionado ao Movimento Olímpico; analisar a adoção dos melhores modelos, técnicas e padrões para o desenvolvimento dos atletas brasileiros; representar os direitos e interesses dos atletas olímpicos e formular recomendações a este respeito; incentivar a presença feminina no esporte; apoiar o desenvolvimento da educação dos jovens através do esporte. Relação dos 19 atletas da nova Comissão de Atletas do COB:

PRESIDENTE: Emanuel Scheffer Rego (vôlei de praia); VICE-PRESIDENTE: Hortência Marcari (basquete) - Indicada pelo Conselho Executivo do COB;

Arthur Zanetti (ginástica artística) – Indicado pelo Conselho Executivo do COB;

Chana Masson (handebol);

Fabiana Alvim de Oliveira – Fabi (vôlei); Fabiana de Almeida Murer (atletismo); Fabiano Peçanha (atletismo);

Fernanda Oliveira (vela);

Gustavo Borges (natação) - Indicado pelo Conselho Executivo do COB;

Isabel Clark (snowboard) – Permanece na Comissão até Sochi 2014;

Marcelo Machado – Marcelinho (Basquete); Maria Portela (judô);

Nivalter Santos de Jesus (canoagem); Rafael Silva (judô);

RenzoAgresta (esgrima); Robert Scheidt (vela); Tatiana Lemos (natação);

Thiago Pereira (natação) - Indicado pelo Conselho Executivo do COB;

Yane Marques (pentatlo moderno) (COB, 2013).67

Os atletas e ex-atletas compõem o Conselho Nacional de Esporte nas vagas de Representantes do Desporto Nacional, passam a dirigir as Confederações e Federações, alguns alçam vôo na política institucional, na condição de parlamentares (vide Bancada do Esporte) ou como secretários de esporte dos Estados e municípios, outros optam por serem técnicos ou representantes, ―donos‖, de ONGs ligadas ao esporte. Em grande medida associados aos interesses das grandes corporações ligadas ao esporte.

Os trabalhadores

Os demais trabalhadores (árbitros, professores de Educação Física, técnicos, etc.) – já que consideramos os atletas profissionais também trabalhadores do esporte – estão em sua grande maioria ligados aos comitês, confederações, federações, clubes e ONG‘s não possuindo organizações de classe autônomas a essa estrutura. As existentes em sua maioria são ligadas ao esporte de alto rendimento. A modalidade que possui um maior nível de organização dos trabalhadores é o futebol, porém ainda de interesses corporativos e de formação profissional. A Associação Nacional de Árbitros de Futebol (ANAF) que tem ligados a entidade, sindicatos de árbitros de todos os Estado brasileiros, mas que ainda pouco participam na disputa dos rumos da política de esporte.

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Informações extraída da página do COB http://www.cob.org.br/comite-olimpico-brasileiro/comisso-de- atletas . Acesso em 24 de março de 2012.

Em relação aos professores de Educação Física a principal entidade nacional que diz representá-lo o CONFEF/CREF68, ligados aos setores mais reacionários da área, que desde a Regulamentação do Profissional de Educação (Lei nº 9.696/98) passou a fiscalizar e punir, ameaçar, os professores que não sejam registrados no conselho, fazendo ingerência na formação, patrocinando sobre a divisão da área entre licenciados e bacharelados, jogando trabalhador contra trabalhador.

Os praticantes

São milhares de brasileiros que produzem e reproduzem a cultura esportiva das mais diversas formas, nas mais diversas e adversas condições. Os que mesmo sem um Sistema Esportivo Nacional e a garantia pelo Estado do acesso a esse direito, patrimônio cultural, praticam o esporte lúdico e/ou agonístico transmitido as novas gerações o gosto pelo esporte, principalmente, na sua dimensão alienada e alienante, associado aos valores da classe dominante, por não terem outras condições objetivas para praticá-lo.

3.4.6 Os consumidores

Em grande medida os produtores são também consumidores do esporte referente ao seu valor de uso, contudo, com a mercadorização do esporte, esse é cada vez mais separado do produtor e os produtos fruto do trabalho dos praticantes, trabalhadores do esporte são expropriados e o produto do seu trabalho é transformado em mercadoria. Passamos a ter uma grande massa que não pratica esporte, mas que consome os seus produtos e sub-produtos esportivos, principalmente, os chamados torcedores do esporte. Assim são entendidos pelo próprio Estatuto do Torcedor (Lei nº 10.671/2003) no Brasil. O Estatuto foi alterado em 2010 para atender as exigências e interesses da FIFA, referentes à realização da Copa de 2014, um ataque não só aos direitos dos consumidores, mas a soberania nacional.

Realizamos essa apresentação, mesmo que minimamente, dos sujeitos que compõem a arena do esporte para que possamos ter a dimensão de quão complexo é tratar da política de esporte considerando-a na sua totalidade, perceber as contradições,

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Aprofundar em Nozaki, Hajime T. Educação Física e reordenamento no mundo do trabalho: mediações da regulamentação da profissão. Tese de doutorado (Doutorado em Educação), Niterói: Faculdade de Educação, Universidade Federal Fluminense, 2004. E no blog do Movimento Nacional Contra a Regulamentação do Profissional de Educação Física (MNCR), movimento de professores contrários a regulamentação. http://mncref.blogspot.com.br/

os conflitos e os consensos existentes numa sociedade de classe, captando as tendências que se configuram e as possibilidades superadoras sintonizadas com as reivindicações históricas dos trabalhadores.

Com mais propriedade passamos a explicitar as contradições na política de esporte expressa por meio das Conferências Nacionais de Esporte, com intuito de apontar tendências e possibilidades superadoras.