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4 DISCUSSÕES, RESULTADOS E ANÁLISE DOS DADOS

4.7 OS RESULTADOS OBTIDOS NA PERSPECTIVA DO ALUNO

Conforme indicamos inicialmente e de acordo com a metodologia escolhida, a Sala de Aula Invertida, o aluno deve ser protagonista do seu processo de ensino e aprendizagem. Em nossas observações e análises, verificamos os alunos mostraram-se mais independentes tanto na busca pelo conhecimento quanto na verificação dos resultados da aplicação dos conceitos apropriados, mas importa-nos também saber se os alunos perceberam essas conquistas e se acreditam na efetividade do método empregado. Para isso, procuramos saber suas impressões sobre o método e os instrumentos utilizados.

Procuramos, assim, através de questionário, conhecer o que pensam os alunos sobre a contribuição da temática “Criptografia”; o uso do livro paradidático “Força Bruta” e sobre as TDIC usadas para subsidiar a aplicação da metodologia da SAI.

Quando questionamos os alunos sobre as contribuições do tema Criptografia e sobre o uso do livro “Força Bruta”, através de questionário fechado, com 26 respondentes, concluímos que a maioria dos alunos acredita que tanto a temática quanto o livro contribuíram para o aprendizado de função, conforme o Gráfico 20.

Gráfico 20 - O livro "Força Bruta" e Criptografia na perspectiva do aluno.

Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

No mesmo questionário houve duas manifestações sobre o uso da Criptografia. Na Figura 57 destacamos parte das respostas de uma aluna que normalmente não quer participar das atividades. Ela afirmou que a Criptografia “Não Ajudou” no que se refere à compreensão de Função, escrevendo inclusive na frente da questão: “Por que eu nem fiz”. Mas logo em seguida reconhece que a temática a “[...] deixava mais animada com a matéria”, o que claramente demonstra que, apesar de ela acreditar que a Criptografia não ajudou na compreensão de Função, seu uso contribuiu para instigar o interesse pela Matemática.

Do ponto de vista do professor, esta aluna não dificilmente interage com alguém da turma e, menos ainda participa de qualquer atividade da aula, passou a fazer as atividades que envolviam uma ação prática, apontando para a necessidade de aproximar a matemática escolar da vida do aluno, construindo elos entre o concreto e o abstrato e colaborando para elucidação da utilidade da Matemática e para a compreensão da Matemática em si.

Figura 57 – A não contribuição da Criptografia na perspectiva de uma aluna.

Fonte: Arquivo do pesquisador (2017).

O uso de material concreto, como o disco de Cesar, colaborou para desmistificar a Matemática, uma vez que a atividade além de ter um caráter pragmático, não utilizava nenhum tipo de número de forma explícita, o que desinibiu a participação da aluna em questão.

Outra aluna, coforme a Figura 58, afirmou que a Criptografia ajudou muito na compreensão de função e que o livro também contribuiu para isso:

“Gostei, acho que foi algo novo, que gostei de aprender. Apesar de conseguir resolver apenas alguns dos problemas no livro, aprendi bastante sobre Função – o que antes eu nem sabia o que era” (Relato de uma aluna, conforme Figura 58).

Figura 58 – A grande contribuição da Criptografia na perspectiva de uma aluna.

Para mais, os alunos reconheceram que o tema contribuiu para a compreensão do assunto estudado – Função – aumentando o interesse pela matemática. Na Figura 59, observa-se o seguinte relato:

“Ficou muito mais, foi um desafio legal para nós e depois que entendemos como fazia era uma sensação boa porque de fato entendemos o que estávamos fazendo.”

Figura 59 - O interesse pela Matemática.

Fonte: Arquivo do pesquisador (2017).

A temática também despertou para o uso da Matemática em áreas afins, dando sentido à Matemática para mais que um fim em si mesma e dando-lhe também materialidade, como algo que é historicamente constituído e inacabado.

“Boas, com as aulas sobre esse assunto [criptografia] eu pude entender um pouco sobre o que se passa por trás da informática e sobre as guerras” (Relato de um

aluno, conforme Figura 60).

Figura 60 – A materialidade da Matemática.

Fonte: Arquivo do pesquisador (2017).

Neste sentido, a criptografia contribuiu para desmistificar a ideia enraizada em muitos alunos de que o fazer Matemática é sinônimo de somente efetuar contas.

“Sim, por ele [o livro Força Bruta] eu consegui ver que a matemática é muito mais que fazer cálculos, é mais extenso que podemos pensar” (Relato de um aluno,

Figura 61 - Contribuição do livro "Força Bruta" para desmistificar a Matemática.

Fonte: Arquivo do pesquisador (2017).

Ainda sobre o livro Força Bruta, a maioria dos alunos gostaram da história e recomendam o uso do livro em outras turmas, de acordo com o Gráfico 21.

Gráfico 21 - Avaliação do livro Força Bruta por parte dos alunos.

Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

Do Gráfico 21 apreende-se ainda que muitos alunos recomendam o uso do livro. Alguns destacaram como a história e a dinâmica do livro são interessantes e sobre a recomendação de usar o livro novamente no próximo ano escreveram:

“Com certeza. Ele [o livro] é perfeito para entender, e não tem como não ficar curioso com esse livro” (Relato de uma aluna, segundo a Figura 62).

Figura 62 - Sobre o uso do livro Força Bruta no próximo ano: perfeito.

Fonte: Arquivo do pesquisador (2017).

“Sim, o livro deixou a matemática mais interessante, deu mais vontade de aprender”

(Relato de uma aluna, conforme a Figura 63).

Figura 63 - Sobre o uso do livro Força Bruta no próximo ano: interessante.

Fonte: Arquivo do pesquisador (2017).

“Sim, porque foi divertido e bem mais fácil aprender função com o livro” (Relato de

uma aluna, de acordo com Figura 64).

Figura 64 - Sobre o uso do livro Força Bruta no próximo ano: divertido.

Fonte: Arquivo do pesquisador (2017).

“Sim, porque é uma maneira legal de compreender função” (Relato de um aluno, em

Figura 65 - Sobre o uso do livro Força Bruta no próximo ano: legal.

Fonte: Arquivo do pesquisador (2017).

Essas transcrições (Figura 62, Figura 63, Figura 64 e Figura 65) apontam para a experiência que cada um desses alunos teve com o livro. É importante ressaltar que, por se tratar de um produto educacional, a aplicação do mesmo durante esta pesquisa serviu, também, como validador do produto, mostrando a opinião de um grupo de alunos para o qual converge a atenção das atividades desenvolvidas.

Vemos que, na opinião desses alunos, o livro serviu ao seu propósito: o de aproximar a Matemática ao aluno e despertar seu interesse por esta ciência, além de ser mais um instrumento para facilitar a compreensão do conceito de função.

O livro, no entanto, não foi aprovado por todos os alunos. Dois alunos não recomendaram o uso do livro, mas o argumento está focado no fato de acreditarem que os alunos não gostam de ler:

“Acho que não porque poucas pessoas não gosta muito de ler” (Relato de um aluno,

segundo a Figura 66).

Figura 66 - Sobre o uso do livro Força Bruta no próximo ano: leitura.

“Não acho chato passar um livro não é muito melhor que um vídeo os jovem de hoje só querem ver porno que é em vídeo” (Relato de um aluno, conforme a Figura 67).

Figura 67 - Sobre o uso do livro Força Bruta no próximo ano: vídeo é melhor.

Fonte: Arquivo do pesquisador (2017).

É perceptível a dificuldade que os alunos têm para escrever. Especialmente este último (Figura 67). Isso mostra a importância da leitura e justifica a iniciativa do uso de textos também nas aulas de Matemática. A leitura é importante meio de obtenção de informação, mas também de aprimoramento do vocabulário e estruturas linguísticas, especialmente no que se refere à comunicação escrita em situações formais, de modo que a expressão do aluno reforça, ainda que ele mesmo não perceba, o quão urgente é o hábito da leitura. Salientamos que para Vigotski, a linguagem é um sistema simbólico estruturante da mediação entre os sujeitos e o conhecimento e, na medida em que viabiliza os conceitos, permite a aprendizagem. Sendo assim, importa para esta pesquisa, a capacidade de comunicação e construção dos conceitos, tanto no sentido social quanto no sentido pessoal, apontados por Vigotski, porquanto a aprendizagem ocorre quando da internalização dos sistemas simbólicos (RICHIT, 2004).

Para mais, o Ensino Médio deve preparar o aluno para participar de nossa sociedade, que é complexa (BRASIL, 2006), de modo que a competência para compreender um texto, muito além da habilidade de lê-lo, é de extrema relevância para o egresso do Ensino Médio. Identificar tais dificuldades, especialmente ainda no início desta etapa, é essencial para que se desenvolva um trabalho eficiente.

Destarte concluímos que o livro foi aprovado pela maioria dos alunos que o leu e que pode ser utilizado em outras turmas visando, principalmente, à aprendizagem de função. Igualmente, ainda que tenha um propósito claro de propiciar o ensino e a aprendizagem de temas relacionados à função, o livro pode ser usado como desafio

em outras séries do Ensino Médio para ampliar a visão do aluno sobre a Matemática ou criar situações que permita ao aluno o exercício de conceitos já aprendidos, além de permitir o exercício da leitura também nas aulas de matemática.

No que tange ao uso do Moodle e ainda de acordo com a perspectiva dos alunos participantes da pesquisa, as opiniões ficaram bastante divididas, de acordo com o que se observa no Gráfico 22, embora em nossa avaliação esteja claro que as potencialidades do Moodle tenham sido subaproveitadas pelos alunos, que figuraram pouca interação através da plataforma.

Gráfico 22 - Sobre a facilidade do uso do Moodle pelos alunos.

Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

Dentre os que citaram as dificuldades de acesso à plataforma, estão os que tinham problemas com o uso do email, ou seja, alguns tinham uma conta de email, mas não sabiam a senha (porque fizeram a conta apenas para se criar conta em redes sociais) e outros que se quer sabiam a conta de email, sendo necessário criar nova conta. Assim, observa-se que a dificuldade não era específica com a plataforma, mas com as TDIC de modo geral, pelo pouco contado, que está restrito a alguns sites específicos.

Isso corrobora a urgência de se inserir de modo sistemático as TDIC no Ensino Fundamental, apontamento que já fizemos anteriormente.

Sobre a metodologia da Sala de Aula Invertida (SAI), especificamente sobre a prática de assistir a videoaulas antes da aula, tendo, portanto, contato prévio com a teoria tratada na aula, notadamente a maioria dos alunos que assistiram aos vídeos recomendou a prática, apontando que a mesma os ajudou na compreensão do conteúdo. O Gráfico 23 ilustra isso.

Gráfico 23 - O uso de vídeos antes das aulas presenciais.

Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

Dos alunos que não assistiram aos vídeos previamente, dois justificaram estar sem celular e não quiseram utilizar o laboratório da escola, tendo como material de apoio o livro didático e o livro Força Bruta impresso. Esses alunos demonstraram maior dificuldade durante as aulas, geralmente precisando de mais atenção que os demais.

Por eles, podemos perceber que o contato prévio fazia diferença no tempo em sala que o aluno demorava em compreender a teoria, mas isso não se refletiu no tempo

geral da sequência das aulas, ou seja, apesar de a SAI aumentar a velocidade da dinâmica da aula, ela não reduziu o número de aulas utilizadas para trabalhar o conteúdo, isso porque nos momentos de aula, as atividades tomavam mais tempo que a simples exposição e resolução de exercícios. Destacamos, entretanto, que a qualidade das atividades melhorou, uma vez que não se tratava de treino de listas de exercícios, mas de atividades que exigiam o uso da teoria aprendida de forma criativa e prática.

Essa dinâmica foi reconhecida pelos alunos:

“Sim, pois já adiantava as aula e ao era só o professor tira as dúvidas” (Relato de

uma aluno, de acordo com a Figura 68).

Figura 68 - Sobre o uso de videoaulas antes da aula presencial.

Fonte: Arquivo do pesquisador (2017).

Claramente a SAI atingiu seu objetivo de propiciar ao aluno o contato prévio, deixando o tempo de aula para aprofundamento do conteúdo e para atividades interativas, conforme apontam Travelin, Pereira e Neto (2013).