Ensinamentos complementares provenientes da linhagem
(7) OS SETE DHARMAS E DIVINDADES
Este conjunto de meditações e de ensinamentos compreende quatro divindades para a contemplação e três coleções de escrituras. As quatro divindades são o Boudha Shakyamuni, Avalokiteshvara, Tara verde e Acala. As três coleções de escrituras são: O Vinaya (código monástico), os Sutras (exposição de cada uma das Quatro Verdades), o Abhidharma (análise do ser individual e do mundo no qual ele vive): denomina‐se brevemente “Tripitaka” ou ʺTrês Cestos”. (8) AS QUATRO DIVINDADES E OS TRÊS CESTOS São as que foram explicadas na nota (7). (9) O TRONO DE LOTUS E DE LUA
O assento é constituído de um lótus de pétalas abertas sobre o qual repousa horizontalmente o disco de uma lua cheia. O lótus exprime a pureza absoluta que se levanta sobre um pântano lamacento do samsara e a lua sugere a idéia da compaixão refrescante em contraste com o calor fervente do estado de sofrimento. (10) LINHAGEM DE TRANSMISSÃO
A linhagem dos lamas que transmitiram os ensinamentos sobre “o treinamento da mente” começa com o Bouddha Shakyamuni e prossegue com Maitreya, que passou as instruções a Asanga. A partir de Asanga esta transmissão segue a linhagem da Tradição da Ação estendida até Serlingpa, Aticha e Drom Teun. Ela prossegue na linhagem Kadampa por Po‐ta‐oua, Cha‐ra‐oua, Tche‐ka‐oua e outros.
Todas as linhagens de transmissão de “aprendizagem espiritual” tiveram estas origens em comum, mas, como diferentes escolas se estabeleceram no Tibet, novos ramos de linhagem se criaram para seguir os principais mestres de cada escola. Kongtrul faz elevar‐se a transmissão da “aprendizagem espiritual”, que ele recebeu através dos mestres Kadampa tais como Tog‐ne‐Zang‐po, até Chekya Chok‐den. A partir de lá a transmissão entra no Jo‐
H- !R/- 2lR/- :P?- $;%- P%- , dR$- (R?- {- hR- eJ, :VR3- !R/- 0,
1)*J- <2?,
2)(J.- .- 2eR.- 0:A- 5S3?,
3)L%- (2- ?J3?- .0:A- <A3- 0,
4)
2a%- 0- !/- =?- 2+?-0,
5)L%- (2- ?J3?- 0:A- ?,
6)*/- ,R?- 0:A- ?,
nang‐pa e se junta à tradição Changpa Kagyu (uma tradição separada que não tem relação com os Dakpo‐Kagyu, mas remonta a Niguma, uma santa indiana que foi introduzida no Tibet por Khyoungpo Neldjor, um contemporâneo de Atisha).
A transmissão se faz na tradição Changpa por Taranatha e alcança até Kongtrul. É então que a linhagem Changpa foi amplamente absorvida na transmissão Karma Kagyu.
Kongtrul recebeu sem dúvida alguma estes ensinamentos sobre “a aprendizagem espiritual” através de muitas linhagens de transmissão, mas sua escolha é talvez devida a inclinação especial que ele tinha pela linhagem Changpa Kagyu, na qual a “aprendizagem espiritual” inclui uma meditação de Avalokitechvara tendo Niguma por origem e se intitulando “As necessidades dos outros não podem deixar de ser satisfeitas”. (11) O ORIFÍCIO DE BRAHMA No alto do crânio, um lugar que se encontra a oito dedos de largura atrás da linha dos cabelos. (12) EXISTÊNCIA VERDADEIRA
Para os seres comuns os objetos são percebidos como unidades permanentes e independentes. É relativamente fácil de desmontar a falsidade de tal percepção pela análise lógica: entretanto, ainda que o intelecto possa compreender que os objetos comuns não são permanentes, que eles dependem de outros fatores para sua existência e que eles não são unidades indivisíveis, a experiência que eles têm sobre isto permanece a mesma de antes, experimenta‐se sempre que a cadeira no canto do cômodo é um objeto real, sólido, que ela independente de outros fatores quanto à sua existência. Nesta primeira instrução se é encorajado a negar este sentimento e a desenvolver em seu lugar a idéia de que o mundo dos objetos é simplesmente uma aparência vazia de existência própria, como os objetos que se manifestam no curso de um sonho.
(13) A MENTE
Levar à prática a instrução precedente conduz necessariamente à compreensão de que todos os fenômenos são aparências que provêem da mente. A questão que se coloca então é: “Qual é a natureza da mente?” “A mente” neste contexto (e no Budismo em geral) não deveria ser apreendida seguindo a noção geralmente aceita no Ocidente de um meu ou uma entidade metafísica difusa, em oposição à matéria.
A mente denota antes a noção de conhecer, de dar atenção a qualquer coisa. Na instrução seguinte esta função de conhecimento por um ser consciente é submetida a um exame atento a fim de determinar se ela é verdadeiramente existente ou não. E na instrução que lhe segue, a atenção é voltada para a própria meditação. Desta forma determina‐se que a natureza da mente é sem origem, vazia, límpida, não discursiva e além de toda formulação conceitual. (14) A COGNIÇÃO CONCEITUAL As instruções precedentes colocaram em relevo um tipo de análise que nos conduz a uma compreensão da natureza da mente. Com o fim de cultivar esta compreensão até o ponto em que as forças perturbadoras e que obscurecem a existência submetida ao ego se dissipam, e até que a própria mente seja revelada como vazia e límpida, deve‐se desenvolver e nutrir a capacidade de deixar a mente em paz, no estado claro e não discursivo, livre de apreensão e de formulação conceitual. Este estado, uma vez que ele seja corretamente realizado, é a cognição fundamental, a base de todas as coisas. Quando a ignorância está
2.J/- 0<-P2- 0,
?J3?,
presente, esta cognição fundamental é a fonte de todas as elaborações da consciência e de uma existência fundamentada no ego; mas ele é também o potencial da budeidade, nossa natureza de Buddha que resplandecerá sem esforço, uma vez dispersa as nuvens da ignorância.
Estas três instruções representam o coração dos ensinamentos que Maitreya confiou a Asanga sob uma forma adaptada à prática contemplativa. É dito nestes ensinamentos de Maitreya:
1) Após a tomada de consciência não há nada senão a mente;
2) Vem então a compreensão de que a mente ela própria não é coisa alguma; 3) Aquele que é inteligente sabe que estas duas compreensões não são coisas; 4) E, abandonando esta mesma compreensão, ele permanece em paz na
esfera de todos os fenômenos (Dharmadathu).
Estes quatro versos correspondem, respectivamente, às quatro instruções sobre a meditação do texto raiz. Kongtrul, em suas instruções “Instruções sobre a filosofia
Madhyamika do ponto de vista da vacuidade qualificada”,
$5/- !R%- .2- 3- (J/- 0R:C- OA.,
explica nestas linhas a seguir:Desde tempos sem princípios, nossa mente fundamentada sobre as impurezas acidentais da ignorância, se levanta como aparências variadas, as quais – caso elas não sejam esquadrinhadas e examinadas, são como as aparências enganosas de um sonho. Quando se examina sua aparência é claro que elas não são coisa alguma existente e que elas são vazias em suas próprias essências. Todas as aparências não são, pois, senão criações da mente.
Assim o modo de ser daquilo que é verdadeiro relativamente é que as aparências que são tomadas por nascidas exteriormente não têm natureza própria: elas são como o reflexo da lua sobre um lago. A mente que se apega a estas aparências não está localizada nem exteriormente nem interiormente, e ela não existe concretamente com cores ou formas. Deste processo contínuo de fixação sobre um ego – que dá falsamente existência ao que não é (quer dizer o eu) surgem oito formas de consciências que são como as flores do céu, vazias por essência.
Portanto a pura forma de perceber os fenômenos, a consciência primordial que é desprovida da polaridade sujeito‐objeto está presente em todos os seres desde os Buddha até os seres comuns; é a natureza de Buddha, e ao par sua própria existência, ela é totalmente límpida e nunca foi tingida por impurezas (acidentais). É o modo de ser daquele que é ultimamente verdadeiro.
Quando estas duas verdades são convenientemente reconhecidas deve‐se permanecer neste estado. Este é o assunto dos cinco ensinamentos de Maitréya. (15) A MÃE O desenvolvimento da Bodhitchitta consiste em uma série de contemplações. Ainda que elas possam variar em sua ordem e seu conteúdo, segundo as diferentes tradições, elas compreendem sempre o tema da ajuda que nos foi dada por nossos pais, particularmente por nossa mãe, isto com a finalidade de desenvolver em nós um amor sincero e caloroso por todos os seres. A bondade de nossa mãe durante a gravidez, o nascimento e a infância é, para certas pessoas, mascaradas por acontecimentos posteriores no lar e na vida em família, ao ponto em que uma contemplação sobre os pais como exemplo de bondade é difícil ou impossível no começo. Em tais casos pode ser vantajoso utilizar como suporte da meditação um amigo, um mestre ou qualquer outra pessoa que nos mostrou muita bondade. Ou ainda, pode‐se,
imaginando o que teria sido sua vida se nunca tivesse tido uma mãe, valorizar os aspectos positivos das relações com seus pais, aspectos que tínhamos negligenciado até então.
Dado que o desenvolvimento de uma espécie de calor e de bons sentimentos para com todos os seres é essencial para a prática “da doação e da tomada sobre si”, é bom ensaiar‐se todos os aspectos destas meditações para encontrar aquelas com as quais obtemos maior êxito.