5 METODOLOGIA
5.1 EXPERIMENTO PILOTO
5.1.1 Os Suvenires do Centro de Artesanato de Pernambuco
A noção de cultura turística abordada até a execução desta etapa da pesquisa foi construída com base na relação entre as evidências teóricas encontradas que circundam o suvenir. Com o intuito de compreender de maneira empírica essa construção, encontram-se a seguir as informações coletadas no experimento piloto.
Trataram-se de duas perguntas que listaram os artefatos mais vendidos segundo o “Setor de Captação” do estabelecimento, encontram-se a seguir:
Pergunta a) Quais produtos são mais vendidos?
1. Peças do Alto do Moura
! Preços entre - R$1,88 e R$150,00. ! Produzidos artesanalmente de barro. ! Tamanhos e pesos variados.
Figuras 18, 19 e 20: Peças do Alto do Moura. Fonte: a autora.
2. Tecidos de Salgadinho, Passira e Poção ! Preços entre - R$18,76 e R$52,50.
! Produzidos artesanalmente com tecidos de algodão e bordados. ! Pequenos, leves e dobráveis.
Figuras 21, 22 e e23: Peças de Salgadinho, Passira e Poção. Fonte: a autora.
3. Santos variados de Ibimirim
! Preços entre - R$375,00 e R$1.250,00.
! Produzidos artesanalmente em madeira ou barro. ! Tamanhos e pesos variados.
Figuras 24, 25 e 26: Peças de Ibimirim. Fonte: a autora.
4. Peças de barro do Sítio Rodrigues ! Preços entre - R$3,13 e R$21,25. ! Produzidos artesanalmente em barro. ! Tamanhos e pesos variados.
Figuras 27, 28 e 29: Peças do Sitio Rodrigues. Fonte: a autora.
Pergunta b) Quais os 5 suvenires mais vendidos?
1. Cordel
! Preços entre - R$1,88 e R$12,00.
! Impresso industrialmente e artesanalmente por meio de xilogravura. ! Pequenos e leves.
Figuras 30 e 31: Literatura de Cordel. Fonte: a autora.
2. Bonecas da sorte ! Preço R$2,00
! Boneca de pano produzida artesanalmente na cidade de Gravatá com mensagem impressa indicando os possíveis sortilégios que o suvenir pode oferecer.
! Pequenas e leves.
Figura 32: Bonecas da Sorte de Gravatá. Fonte: a autora.
3. Mini esculturas que representam o cotidiano do Alto do Moura ! Preços entre - R$1,88 e R$12,50.
! Produzidos artesanalmente de barro.
! Pequenos, leves e com larguras e alturas entre 5 e 18cm.
Figuras 33, 34 e 35: Suvenires do Alto do Moura. Fonte: a autora.
4. Peças que representam o frevo
! Preços entre - R$1,88 e R$12,50. ! Peças artesanais e industriais. ! Pequenos e leves.
Figuras 36 e 37: Suvenires que representam o frevo. Fonte: a autora.
5. Imãs com temas de Pernambuco ! Preço R$2,00.
! Peças artesanais e industriais. ! Pequenos e leves.
Figura 38: Suvenires que retratam o carnaval pernambucano. Fonte: a autora.
A interpretação das respostas acima se baseou no cruzamento teórico da tríade design, artesanato e turismo estabelecido até o momento de desempenho desse experimento. Desdobrando-se na análise da produção artesanal nos seguintes pontos de vista:
a) da subjetividade da autenticidade, relacionada à; b) transitoriedade dos significados, e;
c) a reprodutiblidade dos espaços e culturas turísticas dos suvenires mais vendidos.
Para tanto, estes elementos foram confrontados aos artefatos citados pelo Cape por meio da tabela 03, abaixo, que sintetiza o ensaio analítico que o experimento piloto causou.
Suvenir Autenticidade da tradição Reprodutibilidade
Peças do Alto do Moura
Estilo de vida e folguedos popular do interior pernambucano (considerado
por Freire80, o estado mais
puro da cultura herdada).
As cenas são reproduzidas artesanalmente, mesmo que em massa, em barro e
com uma morfologia específica para a coleção
de produtos do Alto do Moura.
Literatura de Cordel
Causos que também retratam o estilo de vida do
interior pernambucano (considerado por Freire, como dito anteriormente, o estado mais puro da cultura
herdada).
As histórias além de serem reproduzidas por meio de
rimas específicas que caracterizam a literatura de cordel, têm as capas dos folhetos que parecem impressos artesanalmente
com xilogravura.
Bonecas da sorte
Crença encenada que transporta o valor de antigo brinquedo das mulheres do interior para a boneca da
sorte.
Boneca produzida artesanalmente de tecido, com texto rimado sobre as
lendas da boneca e referência da cidade de Gravatá. Peças que representam o frevo e o carnaval
Estilo musical de origem pernambucana, característico dos festejos carnavalescos, período de intensa atividade turística no
estado, especialmente na região metropolitana, inclusive, no marco zero.
Bonecos gigantes de Olinda entalhados artesanalmente em compensados de madeira. Passistas de frevo produzidos em papel machê, com sombrinhas
de frevo. Imãs com tema
do estado
Personagens folclóricos específicos do estado como
Papangus, caboclos de lança, imagens do Recife,
etc.
Trabalhos manuais ou industriais.
Tabela 03: Análise dos suvenires mais vendidos no Cape. Fonte: a autora.
O experimento piloto, reforça a ideia de que o mapa de uma cidade visitada é refeito pelo viajante que se localiza pelos espaços turísticos. A delimitação da cultura turística pode permear de um monumento a todo um estado, ou um festejo, um rio, uma crença, uma história de morte ou nascimento.
As peças em barro do Alto do Moura, no município de Caruaru, PE, são as mais presentes no Centro, espalhadas por vários setores (como demonstra as figuras 39, 40, 41 e 42). Refletem que um turista pode levar como lembrança da viagem uma bandinha de pífano mesmo sem ter conhecido e/ou ouvido o som de alguma pessoalmente. Isso possivelmente ocorre, pela noção de tradição da produção artesanal e na ligação de unicidade da peça com o território, classificando esses suvenires também como produtos terroir.
De acordo com isso e com a observação disposta na tabela 3, as peças modeladas no Alto do Moura representam o imaginário de uma comunidade produtora sobre o lugar em que vive. Bem como, surpreendem as expectativas do visitante sobre a imagem turística do espaço visitado.
Pelas respostas encontradas destes produtos terroir e considerando a visão de Veblen (1983) que mostra que o consumo tem por substrato a significação coletiva, a produção de suvenires do Alto do Moura foi escolhida para ser estudada como estudo de caso através da cultura turística e dos rumos do design que esta pesquisa aborda.
Com isso, refletimos previamente que considerar o suvenir um produto com função de significar o espaço turístico experimentado é uma relação bem mais figurada do que fiel entre o turista, o monumento ou a tradição, e o artefato no ato da compra. A função do suvenir transporta a intenção do entretenimento, ou seja, a resposta positiva da vivência. Aparece como uma opção complementar à atividade turística, podendo trazer de volta os conceitos de contemplação (caso o artefato tenha características artísticas), evasão (observação da exposição de suvenires e compra por prazer) e aprendizagem (como no caso do folguedo popular do estilo de vida do interior retratado pelos artesão do Alto do Moura).
Figuras 39, 40, 41 e 42: Exposição do artesanato do Alto do Moura no Cape. Fonte: a autora.