“Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.3; Dt 5.7).
O primeiro mandamento é o testemunho da singularidade e exclusividade de Deus, ou seja, revela o Senhor em Seu caráter, Seu ser e Sua ação. A questão da existência e revelação de Deus é o ponto fundamental da ética cristã. É impossível fazer uma ética cristã autêntica sem conhecê-lO. Portanto, o início da ética cristã consiste em conhecer a Deus e Sua vontade como revelados nas Sagradas Escrituras, procurando entender aquilo que Ele é. Quem é Deus e o que Ele exige do homem em termos morais: essas são as questões fundamentais de qualquer ética verdadeiramente cristã.
A versão literal deste mandamento traz em si um problema no que se refere à tradução da expressão “diante de mim”, que pode significar “ante minha face” ou “acima de mim”. Em ambos os casos o resultado final é o mesmo: Javé não dará Sua glória a nenhum outro deus, ou Sua honra a imagens de escultura (Is 42.8). O que se postula neste primeiro mandamento é o fato de que nada menos do que a totalidade de nossas vidas deve estar sob o senhorio de Deus.
Concluímos com Calvino que a finalidade deste mandamento é deixar claro “que Deus quer, só, ter a preeminência em Seu povo e exercer Seu direito em plena medida”.1
I. A versão inibidora e crítica do primeiro mandamento no Antigo Testamento
“Não terás outros deuses diante de mim” atinge diretamente a idolatria. Quando Deus fez essa proibição, Seu povo estava envolvido com o bezerro de
ouro (Êx 32-34). A religião revelada no Sinai é totalmente contrária às imagens. Toda a história do povo de Deus narrada no Antigo Testamento desenrola-se entre a idolatria c a adoração verdadeira. “Não encontramos no Antigo Testamento uma ascensão que partisse da idolatria para a pura adoração a Deus, mas antes, um povo que possuía uma adoração pura e uma teologia espiritual que constantemente combatia, por meio de líderes espirituais divinamente erguidos, contra as seduções religiosas que, apesar dessa luta, freqüentemente arrastaram a massa do povo. A idolatria é um declínio para a anormalidade, e não um estágio anterior que gradualmente e com dificuldade é superado.”"
Na versão crítica ou negativa, o primeiro mandamento contém a condenação explícita de qualquer forma de idolatria, seja visível ou invisível; além disso, alveja o ateísmo (“não precisamos de nenhum Deus”, em vez de “necessitamos de Deus”), o politeísmo (“precisamos de muitos deuses”, em vez de “precisamos somente de um Deus vivo e poderoso sobre todos”) e o
formalismo (“precisamos somente de uma religião formal”, em vez de
“precisamos de uma fé viva, que ama, teme e serve ao Senhor de todo coração, corpo, espírito e alma”).
O Antigo Testamento salienta a insensatez do bezerro de ouro em Êxodo 32-34. Repetidas vezes encontramos a loucura da idolatria em termos sarcásticos e enfáticos (Jr 2.26-28; 10.1-16; Is 40.18-20; 41.4-7; 44.9-20; SI 115; 135). Os ídolos são artifícios em forma de imagens: nada são, não têm nenhum préstimo, nada entendem, confundem-se, têm olhos e não vêem, têm ouvidos e não escutam, têm lábios e não falam, têm cabeças e não pensam, têm braços que não se movimentam e pés que não andam; são deuses inúteis e sem vida, condenados ao ridículo.
As seguintes referências bíblicas mostram-nos ainda mais detalhadamente as implicações da versão inibidora do primeiro mandamento:
a) Êxodo 22.20 revela que sacrificar aos deuses, e não somente ao Senhor, leva à destruição. Novamente é enfatizada a exclusividade e singularidade de Deus Javé. O sacrifício aos deuses é uma calamidade que aniquila. Deve-se tomar o mandamento do Senhor a sério, pois a simples inobservância conduz o homem imperdoavelmente à derrocada;
b) Êxodo 23.13 nos conscientiza de que não devemos nos lembrar do nome de outros deuses, nem usá-lo em nossa boca. Para o judeu, usar o nome de um indivíduo significa relacionar-se e identificar-se com tal pessoa. O que Deus exige aqui é uma radical separação cultural dos deuses pagãos;
c) Êxodo 34.13, 14 refere-se às três espécies mais comuns de idolatria praticadas por Israel: altares, colunas e postes-ídolos. Essas formas visíveis tornaram-se uma prática comum no reino dividido (1 e 2 Rs). Por ser zeloso, Deus adverte o povo escolhido a não adorar esses deuses (Êx 34.14). O Senhor não Se refere a um ciúme divino, mas ao testemunho da singularidade e exclusividade de Si mesmo. Em vez de adorar deuses falsos, é necessário
derrubar os altares, quebrar as colunas e cortar os postes-ídolos. Isso aconteceu apenas duas vezes na história de Israel: no reinado de Ezequias (2 Rs 18.1-4) e no de Josias (2 Rs 22.1, 2; 2 Cr 34.4), e em ambos os casos o povo presenciou um avivamento espiritual; e
d) Êxodo 34.15-17 mostra a relação entre os deuses fundidos e os casamentos mistos. Êxodo 34.16 emprega pela primeira vez a metáfora da prostituição espiritual com deuses pagãos como resultado de casamentos mistos. O casamento com um parceiro pagão leva-nos a quebrar, mais cedo ou mais tarde, o primeiro mandamento. Muitos jovens cristãos têm se desviado do Deus vivo e verdadeiro por causa de um namoro impuro ou um casamento misto.
Quando esquecemos a aliança do Senhor nosso Deus e negligenciamos a devoção diária, podemos ser levados a substitui-lO por alguma imagem esculpida ou por algo de que o Senhor nos proibiu (Dt 4.23). Esquecimento ou frieza espiritual são as doenças preponderantes nos filhos dos cristãos, pessoas que foram criadas no evangelho mas não se comprometeram com o Cristo ressurreto. Quando o Deus vivo e verdadeiro é olvidado, volta-se para a superstição, a astrologia e os cultos esotéricos, que têm prosperado muito em nossos dias.
Conforme Deuteronômio 11.16, existem quatro quedas consecutivas no caminho da idolatria: o engano do coração, o desviar-se, o servir a outros deuses e, finalmente, o prostrar-se diante deles. Feliz o homem que guarda seu coração no caminho do Senhor. Exigem-se vigilância e oração para evitar a queda.
Enquanto Êxodo 22.20 nos fala da destruição da pessoa que sacrifica aos deuses falsos, Deuteronômio 11.28 refere-se à maldição sobre a pessoa que não obedece ao mandamento do Senhor. Este versículo mostra a serenidade e a severidade com que Deus dá Suas ordens e estabelece os mandamentos. Deus não brinca. Quando Ele diz uma coisa, Ele o faz, independentemente da crença, status, educação, poder aquisitivo ou ponto de vista do homem. Vemos um exemplo dessa maldição na própria história de Israel: Deus chamava-o de Seu povo mas, quando este povo idolatrou outros deuses, foi amaldiçoado, deixando de ser denominado segundo o nome de Deus (Êx 32.7). Essa maldição era de caráter espiritual: exclusão da comunhão viva com o Senhor. Outra desventura era de caráter físico: o idólatra era morto pelo povo de Deus, que assim eliminava a contaminação de seu meio (Dt 13.6, 8, 9). O castigo imposto era horrível: apedrejamento, a punição injusta que Estêvão sofreu (At 6.8-7.60). No Antigo Testamento encontramos verdadeiras listas de maldições divinas contra a desobediência (Lv 26.14-46; Dt 28.15-68; 32.15-28).
Deuteronômio 17.2-7 regulamenta o processo jurídico na aplicação da pena de morte por apedrejamento: só é lícita quando existem pelo menos duas ou três testemunhas evidentes e o réu tem o direito de ser ouvido antes da execução (v. 4). A finalidade da pena era eliminar o mal do meio do povo (v. 7).
Isto significa que a não-observância da execução do réu levaria à contaminação do povo e a perdas de bênçãos espirituais, como no caso de Acã.
Josué 23.7 indica cinco maneiras de se quebrar especificamente o primeiro mandamento: misturar-se com nações pagãs por meio de casamentos; mencionar os nomes dos deuses dos imigrantes; fazer juramentos em seus nomes; prestar serviço a eles; e cultuá-los. É interessante observar que a quebra começa com os casamentos mistos. Já nos tempos dos patriarcas a influência dos deuses do lar era enorme. Veja o caso de Raquel (Gn 31.19). Uniões desse tipo foram terminantemente proibidas ao povo de Deus da antiga aliança (Êx 34.15, 16; Dt 7.3; Jz 3.6; 1 Rs 11.2; Ed 9.1, 2; 10.2), porque Deus o separou, escolheu-o dentre todas as nações para ser Sua propriedade exclusiva (Êx 19.5, 6). A mesma advertência é repetida no Novo Testamento, sendo válida para a igreja de nosso Senhor Jesus Cristo (2 Co 6.14-18). A diferença é que a linha divisória não está mais entre judeus e pagãos, mas entre crentes e incrédulos.
Encontramos outra versão negativa do primeiro mandamento em Josué 24.14, 23, onde ele volta a enfatizar a importância de o povo deitar fora os deuses aos quais seus pais haviam servido além do Eufrates e no Egito. Parece que alguns hebreus ainda cultuavam, ou haviam voltado a cultuar, tais deuses; caso contrário, a tão enfaticamente repetida advertência do líder Josué não faria sentido.
O período dos juizes encerra a triste história de um círculo vicioso de quatrocentos e trinta anos de infidelidade espiritual de Israel. Toleravam outros povos, casavam-se com mulheres pagãs, adoravam deuses falsos, tornavam-se cativos de reis estrangeiros, choravam por socorro, eram libertados por Deus mediante juizes, para depois repetirem a lição não aprendida (Jz 1-21).
O texto em 2 Reis 17.33ss. relata a origem do sincretismo religioso dos samaritanos. Entre eles havia descendentes de nações pagãs que serviam aos deuses falsos e, paralelamente, temiam ao Senhor, bem como israelitas que serviam a Deus e corrompiam-se com os ídolos, embora Deus os tivesse advertido repetidas vezes para que não esquecessem a libertação do cativeiro no Egito. Quem merece o temor, a adoração, o scr\'iço c o sacrifício é Deus Javé, que fez subir Israel da terra do Egito “com grande poder e com braço estendido” (2 Rs 17.36) e ordenou que Seu povo observasse diariamente os juízos, a lei e o mandamento que Ele lhes escrevera. Mas como Israel não tinha o cuidado de observá-los, todos começaram a esquecer os princípios normativos e o temor do Senhor e, por conseguinte, foram levados ao cativeiro na Assíria
(2 Rs 17.1ss.).
Segundo o testemunho do Saltério, haverá glória, justiça, alegria, comunhão e domínio divino entre os que temem o Senhor (SI 16.1-3; 97.1-6, 8-12), mas muitas penas e confusão (ou melhor, “vergonha”) entre “os que servem imagens de escultura, os que se gloriam de ídolos” (SI 97.7).
Repetidas vezes os profetas se levantam contra a idolatria do povo de Deus (Is 57.5-8; Jr 2.20, 24; 3.6; Ez 6.1-14; Os 2.2-3.5), condenando de forma
específica a prostituição espiritual nos “lugares altos”, cm Israel e Judá. As trágicas consequências da desobediência ao primeiro mandamento são pestilência, morte, fome, rejeição, deportação, pragas e, pior, separação da comunhão com o Senhor.
II. A versão inibidora e crítica do prímeiro mandamento no Novo Testamento
Onde se encontra a versão proibitiva do primeiro mandamento no testemunho da nova aliança? As referências que seguem não apenas provam sua validade irrevogável, pelas devidas reafirmações dentro dos ensinos de Jesus e dos apóstolos, mas também ampliam o conceito de idolatria, estendendo-o a qualquer objeto ou item, mesmo que invisível. No Antigo Testamento, a feitiçaria era praticamente limitada a fetiches exteriores, visíveis, tais como deuses de madeira, pedra, bronze, prata, ouro, e a cartomantes, médiuns etc. Já o Novo Testamento amplia a feitiçaria, incluindo deuses interiores invisíveis e não tangíveis, tais como imagem humana (Rm l.ISss.), glutonaria (Fp 3.19), honra, prestígio, influência, ambição, domínio, sabedoria humana, posição, atitudes, pensamentos, orgulho (problema coríntio), avareza (Cl 3.5) ou riqueza (Mt 6.26).
Daí, podemos concluir que quebrar o primeiro mandamento significa cultuar qualquer coisa visível ou invisível, exterior ou interior, pessoal ou impessoal. O apóstolo Paulo é até irônico ao escrever aos coríntios: “... sabemos que o ídolo de si mesmo nada é” (1 Co 8.4). Com isto ele polemiza a questão, não querendo dizer que os ídolos não são uma realidade, mas que eles não possuem nenhuma divindade em si.
Faz parte da missiologia e da pregação apostólica paulina partir do primeiro mandamento para depois falar da singularidade e exclusividade do Senhor Jesus Cristo. Chegando a Atenas, na segunda viagem missionária, o apóstolo pregou, inspirando-se na enorme idolatria que viu (At 17.16, 23). Ele se irritou e se revoltou (At 17.16), mas também analisou e pesquisou bem o fenômeno da idolatria ateniense para, então, entrar bem preparado na pregação cristã (At 17.23). Essa pregação missionária não faria sentido se a idolatria não constituísse a quebra do primeiro mandamento. Mais uma vez, e em forma radical, encontramos a versão condenatória do primeiro mandamento no Novo Testamento.
Na Carta aos Gálatas encontramos a versão crítica do primeiro mandamento, na passagem onde se diz que outrora, quando não conheciam a Deus, os gálatas haviam servido a deuses que por natureza não o são (G1 4.8). No contexto, percebe-se que Paulo provavelmente se referia à astrologia, em que dias, meses, tempos e anos são observados conforme a constelação das estrelas (G14.10).
Em nenhuma epístola paulina a problemática do primeiro mandamento está tão presente quanto em 1 Coríntios. Paulo alude a esse mandamento várias
vezes: o apóstolo ensina que o idólatra sofrerá dano maior do que o apedrejamento, pois não herdará o reino de Deus (6.9); revela a nulidade dos deuses falsos (8.4); associa a idolatria à comida, à bebida e ao divertimento religioso da forma como eram praticados no templo da deusa Vênus, em Corinto (10.7); recomenda-nos a fugir da idolatria (10.14); e afirma, novamente, que o sacrificado ao ídolo não tem nenhum valor moral ou salvífico (10.19). O versículo 10.20 é a referência mais radical nesta carta: Paulo identifica o sacrifício aos ídolos com as oferendas aos demônios. Embora os ídolos em si não sejam necessariamente idênticos a demônios específicos, existe uma dimensão demoníaca na idolatria, isto é, Satanás, que age por trás e através da idolatria, apesar de ter sido neutralizado e desentronizado diante da vitória de Cristo (1 Jo 3.8b). Finalmente, em 12.2 temos uma referência a ídolos mudos, isto é, deuses falsos que não falam, que não têm condições de expressar sua vontade mas que, mesmo assim, têm condições de “guiar”, ainda que para o caminho errado. É o “guiar” do pensamento gentílico.
Efésios 5.5 repete o pensamento de 1 Corínlios 6.9, isto é, que nenhum idólatra tem herança no reino de Cristo e de Deus. Paulo reafirma as conseqüências da não-observância do primeiro mandamento: nenhuma herança no reino de Cristo, exclusão de Seu amor, de Seu cuidado e da vida eterna.
A última palavra do apóstolo João aos cristãos da Ásia Menor foi uma advertência contra a quebra do primeiro mandamento: “guardai-vos dos ídolos” (1 Jo 5.21). Este mandamento era tão importante e significativo para o apóstolo que a última frase da carta é uma afirmação de sua validade.
III. A versão positiva e construtiva do primeiro mandamento no Antigo Testamento
Dos dez mandamentos, oito foram formulados começando com o advérbio “não”. Apenas o quarto e o quinto são positivos. A fórmula predominante no decálogo é proibitiva. Mas é notável observar que no testemunho do Antigo Testamento encontramos repetidas vezes, e em forma explicativa, a versão positiva dos oito mandamentos formulados negativamente. Portanto, na interpretação e aprendizagem dos dez mandamentos precisamos sempre procurar sua versão construtiva e afirmativa. Lutero referiu-se ao
affinnativissimum secundum spiritum do mandamento.3 A cada proibição
corresponde uma ordem positiva. Daí podermos interpretar o decálogo negativa e positivamente.
A hermenêutica utiliza a sinédoque para descobrir o sentido e o valor real de cada mandamento. Isso significa ver a verdade do mandamento dentro de sua conjuntura maior, o negativo pelo positivo e vice-versa, a origem pela causa, o pequeno pelo maior. Esta metodologia foi usada por Lutero,4 Calvino5 e na Teologia Moral Católica de H. Noldin e A. Schmitt.6 Desta maneira,
podemos incluir todo material afirmativo do Antigo e do Novo Testamento, obtendo assim uma ética cristã ampla, objetiva e verdadeiramente bíblica.
- A -
CONFIAR NA SUFICIÊNCIA DE DEUS
A versão positiva é evidente nesta frase: “Não terás outros deuses”. Nós não precisamos de deuses, porque podemos confiar na suficiência de Deus. Não temos motivos para querer outros deuses ou precisar deles. Se Deus nos é suficiente, confiamos e esperamos só nEle. Se temos um problema para resolver, uma decisão a tomar, oramos, acreditando que Ele nos guia como Pedro sugeriu: “... lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pe 5.7).
Para aquele que crê na suficiência de Deus, restam apenas palavras de gratidão e adoração. Salomão orou: “O Senhor Deus de Israel, não há Deus como tu, em cima nos céus nem embaixo na terra, como tu que guardas a aliança e a misericórdia a teus servos que de todo o coração andam diante de ti” (1 Rs 8.23).
Em meio a todo o culto a Baal no monte Carmelo, a confianca na■ » t suficiência de Deus foi renovada quando o fogo do Senhor consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, a terra e ainda lambeu a água que estava na valeta ao redor do altar. Lá o povo novamente reconheceu a singularidade e exclusividade de seu Deus, e confiou na suficiência dEle: “O Senhor é Deus! o Senhor é Deus!” (1 Rs 18.39).
A crença na suficiência de Deus também caracteriza a oração do rei Ezequias relatada em 2 Reis 19.15-19 e em Isaías 37.16-20. Nela, o rei Ezequias expressa sua total fé na suficiência, singularidade e exclusividade do Deus Javé: “O Senhor Deus de Israel, que está entronizado acima dos querubins, tu
somente és o Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus e a terra” (2 Rs
19.15; Is 37.16b). Tal confiança está expressa também na oração monoteísta do conhecido Shema (Dt 6.4-9).
- B -
SER FIEL A DEUS
A fidelidade a Deus é outra forma positiva de obedecer ao primeiro mandamento. A história de Daniel mostra-nos o piedoso profeta na corte babilônica: em meio a tanta idolatria, superstição e desobediência, ele se manteve fiel a Javé mediante uma vida de oração. Três vezes ao dia, ele dirigia o olhar pela janela aberta de seu quarto em direção ao templo em Jerusalém, lembrando o lugar da presença de Javé, e orava. Fidelidade cercada de
superstição e de paganismo babilônico. Quem é meu Senhor? Em quem eu confio? Diante de quem tremo? Estas são as perguntas de Daniel e de todo o primeiro mandamento. Nós afirmamos: Deus é nosso Senhor e ninguém mais, nenhum homem, nem Satanás, nem a religião babilônica, nem a superstição, nem nós mesmos podemos sê-lo. Prestamos fidelidade somente ao Deus Javé, ao bendito Senhor que nos salvou.
- C -
ADORAR AO SENHOR
A adoração verdadeira é outra maneira legítima de cumprir o primeiro mandamento. Em vez de adorar ídolos, reverenciemos a Deus, e só a Ele. Cultivar conscientemente Sua adoração nos guarda do mal, da queda, da desobediência e da frustração espiritual. Onde há ingratidão, onde domina a crítica e o espírito de desobediência, o verdadeiro culto é rapidamente esquecido. O perfeito louvor é de suma importância para o desenvolvimento espiritual. Numa época em que a frieza espiritual predominava nos corações dos israelitas e os levitas desobedeciam a Deus, Elcana e Ana mantiveram viva sua fé por meio da adoração fiel. De ano em ano subiam a “adorar e sacrificar ao Senhor dos Exércitos em Silo” (1 Sm 1.3), e Deus honrou a veneração deles com o nascimento do profeta Samuel, que chamou o povo de volta à obediência ao primeiro mandamento (1 Sm 1.19; 2.21; 3.8). Outras passagens mostrando que a adoração a Deus é o cumprimento positivo do primeiro mandamento são:
1 Crônicas 16.29; 29.20; 2 Crônicas 20.18; Salmos 27.4; 29.2; 95.6; 96.9. - D -
SER ZELOSO PELO SENHOR
Os homens zelam por aquilo que apreciam. Quem gosta do carro preserva-o, quem ama sua esposa cuida dela. Quem de fato ama o Senhor zela por Sua santidade e exclusividade, e guarda Seus mandamentos diligentemente (1 Rs 19.10; Dt 11.13, 22). Sejamos zelosos e diligentes para com nosso Senhor e guardemos Seus mandamentos com alegria, firmeza e satisfação.
- E -
TEMER, OBEDECER, AMAR E SERVIR AO SENHOR
Em Deuteronômio 10.12, 13, Deus exorta Seu povo à obediência simples. O Senhor deseja quatro coisas: que Seu povo O tema, ande em todos Seus caminhos, ame-0 e sirva-Lhe de todo coração e alma. Quando isso acontece
com singeleza e sinceridade, a consequência lógica é a observância dos mandamentos e estatutos do Senhor. O homem que seguir esses passos será ricamente abençoado (Dt 11.14-15).
- F -
SER ÍNTEGRO EM SEU SERVIÇO
Josué é um belo exemplo de como servir ao Senhor. Em Josué 24.14-25 encontramos o verbo “servir” catorze vezes e o substantivo “servidão" uma vez. O líder despede-se do povo deixando como herança espiritual uma fé inabalável, uma dedicação sincera e exemplar: “Agora, pois, temei ao Senhor, e servi-o com integridade e com fidelidade; deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais...” (Js 24.14). Integridade no serviço a Deus, dedicação total, imparcial e exclusiva era o testemunho vivo de Josué, seu legado para o povo escolhido, que herdou a terra prometida de Canaã.
- G - OUVIR SUA VOZ
Além de andar no temor de Deus, guardar Seus estatutos e servi-lO de todo coração, é preciso ouvir Sua voz para cumprir este mandamento (Dt 13.4). Quando atendemos à Sua palavra com calma e atenção, já não percebemos o clamor do mundo. Para não prestar obediência à propaganda materialista do presente século precisamos, urgentemente e em primeiro lugar, dar ouvidos à Sua palavra. As promessas de misericórdia alcançam aqueles que dão atenção à Sua voz (Dt 30.2, 3; Zc 6.15).
- H -
GUARDAR, BUSCAR E OBSERVAR
Estes três verbos falam do cumprimento positivo do primeiro mandamento. Se eu guardar a lei do Senhor e buscá-10 em todas minhas decisões, observando diligentemente Suas ordens reveladas na Bíblia, então não desejarei desobedecer e desviar-me de Seu precioso mandamento.