Como vimos antes, aquando do estudo do quadro de contas, estas estão distribuídas em 10 classes, codificadas de 1 a 0.
As classes de 1 a 5, bem como a 8, conduzem à construção do balanço. As contas das classes 6 e 7, em conjugação com as existências iniciais e finais de produção, permitem a determinação dos resultados do exercício.
O conjunto das contas das classes 1 a 8 integram a contabilidade geral, externa ou financeira, que se ocupa, com vimos antes, do registo e controlo dos factos patrimoniais verificados entre a empresa e terceiros, das modificações do património e do apuramento do resultado global.
As classes 9 e 0, ficam reservadas, à contabilidade interna, analítica, de custos ou de gestão e ao tratamento de outras informações, entre as quais as designadas «contas de ordem».
4.3.1-Classe 9 – Contas de Contabilidade Analítica
4.3.1.0- Introdução
A contabilidade analítica (interna ou económica), trata do registo e controlo do movimento interno e da medida e análise dos custos e proveitos, tendo por objectivo os aspectos económicos da gestão.
Da forma como esta contabilidade se liga ou articula com a contabilidade geral, resultam os chamados sistemas de contas.
4.3.1.1- Sistemas de contas
Nos sistemas monístas não existe separação entre as duas contabilidades, encontrando-se a contabilidade analítica integrada na contabilidade geral. Existe, por consequência, apenas uma contabilidade que abrange não só as operações externas como as internas.
No Razão Geral, ao lado das contas da contabilidade geral, aparecem as contas da contabilidade analítica, nomeadamente as de apuramento do custo dos produtos e outras relativas ao movimento interno (classificação de custos e proveitos com certas finalidades, por centros de actividades ou de custos, etc..)
Neste sistema, os custos classificados e registados por natureza em contas de contabilidade geral, são depois e de acordo com a sua função, distribuídas pelas diversas contas típicas da contabilidade analítica, tendo em vista o apuramento de resultados analíticos por produto, por actividade, etc.
Nos sistemas dualistas as duas contabilidades aparecem totalmente separadas.
No sistema duplo contabilístico a contabilidade analítica além de se processar separadamente,
recorre também ao método digráfico (partidas dobradas). A concordância entre as duas contabilidades obtém-se através de contas de ligação existentes na contabilidade analítica, designadas de contas «reflectidas» ou «refectoras»
4.3.2- Classe 0- Contas de Ordem
Estas contas, visavam o registo dos factos que, não alterando de imediato a situação patrimonial, eram
susceptíveis de poder vir a alterá-la ( responsabilidades por valores de terceiros que lhe foram confiados, garantias prestadas, etc, ).
O POC, contudo, não contempla a representação destas contas nos documentos finais. Outrossim, estabelece que deverá ser apresentada nota descrevendo as responsabilidades da empresa por valores de terceiros que lhe foram confiados.
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5- OPERAÇÕES DE FIM DE EXERCÍCIO
5.1- Enquadramento e significado
Por operações de fim de exercício, devem considerar-se todos os registos contabilisticos não correntes, com vista ao apuramento de resultados, elaboração do balanço, demonstrações de resultados e demais peças contabilísticas (ou extra- contabilísticas).
Assim, as operações de fim de exercício deverão ser abordadas segundo duas ópticas distintas : uma primeira respeitante à sequência das operações e registos a efectuar; e a segunda relativa aos mapas a elaborar : demonstrações de resultados, balanços e anexos.
Quanto à sequência, as operações de fim de exercício têm como ponto de partida os elementos fornecidos pelo Balancete de Verificação do Razão Geral de 31/12 de cada exercício e pela inventariação do património da empresa.
ESQUEMA DA SEQUÊNCIA DAS OPERAÇÕES DE FIM DE EXERCÍCIO
Balancete Lançamentos Balancete Lançamentos Balancete Lançamentos Fim do trabalho de >>>> de >>>> >>>> de >>>> de >>>> de >>>> do Verificação Regularização Rectificado Apuramento Encerramento fecho de exercício (dados fornecidos | de Resultados Contas (do fim do exercício) pelo inventário) | | | | | | |--- Demonstração | | de | | Resultados Líquidos | | |---Demonstração | de
| Resultados por Funções |
| |_---Balanço |
|____ Anexos
5.2- Lançamentos de regularização de contas e Balancete Rectificado
A regularização de contas tem por finalidade rectificar saldos contabilísticos das contas. Tem como
base os elementos fornecidos pelo balancete de verificação de 31/12 de cada exercício e pelo inventário a que se deverá proceder nesta data e permitem-nos adaptar os saldos contabilísticos das contas, aos seus valores reais, registando as diferenças encontradas em ambos. Os lançamentos de regularização mais correntes são os seguintes :
- lançamentos de registo de diferenças encontradas (diferenças de caixa, diferenças do saldo de depósitos, quebras ou sobras de stocks, etc.)
- lançamentos de registo de custos ou de proveitos do exercício mas que ainda não houve
respectivamente, a despesa e receita correspondentes, ( ex. : consumos de água e energia ainda não facturadas; rendimentos da empresa relativos ao exercício findo mas ainda não documentados). São designadas despesas a pagar e rendimentos a receber, respectivamente.
- lançamentos de rectificação de despesas ou de receitas do exercício que devam ser consideradas como custos ou proveitos, respectivamente, do exercício económico seguinte (ex. prémio de seguro
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pago no exercício mas que corresponde, em parte, ao exercício económico seguinte; recebimento em Dezembro de uma renda correspondente ao mês de Janeiro seguinte; etc. ) . São designados correntemente custos diferidos e/ou proveitos diferidos, respectivamente.
- lançamentos de constituição, reforço, anulação e reposição de provisões.
- lançamentos de registo das quotas anuais de amortização do imobilizado.
- lançamentos de rectificação das existências, quando a empresa utilize o sistema de inventário intermitente.
- lançamento da estimativa para impostos ( IRC ) (após apuramento dos resultados do exercício)
Em esquema, virá :
Dados do balancete
de verificação - Diferenças
>>>>>>> encontradas Lançamentos BALANCETE - Valores não >>>>> de >>>>>
Dados do Inventário registados regularização RECTIFICADO
Após efectuados os lançamentos , no Diário e no Razão, elabora-se um novo balancete, que é o Balancete Rectificado. Neste, as contas apresentam já saldos reais, visto que os seus valores contabilísticos foram rectificados pelos lançamentos acima referidos. Aqui reside a diferença fundamental entre o Balancete de Verificação e o Rectificado ou de Inventário; a forma é a mesma, contudo, a sua composição (valores das contas) será naturalmente distinta.
B) - Listagem de conceitos e termos essenciais
Já descritos no sumário.
C)- Bibliografia de referência
Elementos de Contabilidade Geral, pág.s 735 a 748
Plano Oficial de Contabilidade; 6- Balanço; 7- Demonstração de Resultados;8-Anexo ao Balanço e à Demonstração de Resultados D)- Exercícios de aplicação Aplicação 94, pág. 820 a 845;
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5.3- Lançamentos de apuramento de resultados
Os lançamentos de apuramento de resultados têm por finalidade transferir para as contas principais os
saldos evidenciados pelas contas subsidiárias, com vista à determinação dos resultados líquidos da empresa no exercício.
As referidas contas subsidiárias, são na sua totalidade, contas de custos e de proveitos, isto é, pertencentes ás classes 6 e 7, daí poder dizer-se que os lançamentos de apuramento de resultados permitem atingir simultaneamente dois objectivos :
- o primeiro, agrupar nas contas principais os factores positivos e negativos do rédito, resultando daí o seu valor;
- o segundo, fechar as contas de custos e proveitos, visto que ficarão com saldo nulo após a transferência dos seus valores para a conta principal.
O POC adopta uma classificação funcional dos resultados, visto estruturá-los por funções :
OPERACIONAIS CORRENTES RESULTADOS FINANCEIROS EXTRAORDINÁRIOS
Os lançamentos de apuramento dos resultados deverão permitir-nos a determinação de cada um dos referidos resultados, pelo que observarão as seguintes etapas :
1- Apuramento do resultado operacional
Este resultado é apurado na conta 81-«Resultados operacionais» pela transferência e lançamento a débito dos saldos devedores das contas de custos e perdas operacionais 61 a 67, das existências iniciais de produção 33,34 e 35 e, eventualmente da regularização de existências a débito das contas 383 e 384 e, pela transferência e lançamento a crédito dos saldos credores das contas de proveitos e ganhos operacionais 71 a 76, das existências finais de produção 33,34 e 35 e, eventualmente, da regularização de existências a crédito das contas 383 e 384.
2- Apuramento do resultado financeiro
Este resultado é apurado na conta 82- «Resultados financeiros» pela transferência e lançamento, a débito do saldo devedor da conta 68-«Custos e perdas financeiras» e a crédito do saldo credor da conta 78-«Proveitos e ganhos financeiros».
3- Apuramento do resultado extraordinário
Este resultado é apurado na conta 84- «Resultados extraordinários» pela transferência e
lançamento, a débito do saldo devedor da conta 69-«Custos e perdas extraordinárias» e a crédito do saldo credor da conta 79-«Proveitos e ganhos extraordinários».
4- Apuramento do resultado corrente
Trata-se, como já visto antes, duma fase optativa que a empresa poderá ou não utilizar.
Se for adoptada, o apuramento do resultado corrente far-se-à na conta 83- « Resultados correntes» pela transferência dos saldos das contas 81 e 82 e pelo seu lançamento a débito, se devedores, ou a crédito, se credores.
5- Apuramento do resultado antes de impostos
Trata-se também duma fase facultativa, pelo que dependerá ainda da opção da empresa a sua adopção ou não.
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Se for adoptada, o apuramento do resultado antes de impostos far-se-à na conta 85-«Resultados antes de impostos» pela transferência dos saldos das contas 83 (no pressuposto de que esta conta é utilizada) e 84 e pelo seu lançamento a débito, se devedores, ou a crédito, se credores.
6- Apuramento do resultado líquido
Corresponde ao agrupamento na conta 88-«Resultado líquido do exercício» do resultado antes de impostos e da tributação sobre os rendimentos.
Obtém-se pela transferência do saldo da conta 85-«Resultados antes de impostos», a débito se for prejuízo, a crédito se for lucro e do saldo da conta 86-«Imposto sobre o rendimento do exercício», sempre a débito, pelo IRC estimado.
Após estas transferências, todas as contas de resultados ficarão saldadas, com excepção da conta 88 que representa o resultado do exercício, liquido da correspondente tributação, ou seja, a situação liquida adquirida no período ou exercício.
5.4- Balancete final ou de encerramento
É elaborado após terem sido efectuados os lançamentos de apuramento de resultados no Diário e
correspondente passagem ao Razão.
Assim :
BALANCETE Lançamentos BALANCETE >>>>> de apuramento >>>>>>
RECTIFICADO de resultados FINAL OU DE ENCERRAMENTO
O balancete final ou de encerramento difere dos anteriores, porquanto :
1º.- Todas as contas subsidiárias, quer de resultados quer de existências, aparecem saldadas, visto os seus saldos terem sido transferidos para as contas principais respectivas.
2º.- As contas que neste balancete evidenciam saldo são contas de balanço: activas, as que
apresentem saldo devedor e passivas, as que apresentem saldo credor . Aqui as noções activas e
passivas não têm a limitação das correspondentes rubricas do Balanço, mas sim um significado mais amplo.
Com base no balancete de encerramento elaboram-se os Balanços Finais (mais desenvolvidos ou mais simplificados, ou mais analíticos ou mais sintéticos) e efectua-se o lançamento de fecho de contas ( a
desenvolver mais adiante ).
A concluir este ponto, convirá referir que neste balancete devem estar representadas todas as contas do grau a que corresponde, mesmo que estas se apresentem saldadas. ( Ex. : se for um balancete das contas do 1º. grau deverá conter todas as contas de dois dígitos, se for do 2º. grau deverá conter todas
as contas de três dígitos e assim sucessivamente, mesmo algumas dessas contas se encontrem saldadas)
B) - Listagem de conceitos e termos essenciais
Já descritos no sumário.
C)- Bibliografia de referência
Elementos de Contabilidade Geral, pág.s 748 a 755
Plano Oficial de Contabilidade; 6- Balanço; 7- Demonstração de Resultados;8-Anexo ao Balanço e à Demonstração de Resultados
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