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Outras possibilidades de ambientes informatizados

CAPÍTULO 01 MÍDIA-EDUCAÇÃO E POLÍTICAS DE INSERÇÃO DE TECNOLOGIAS DA

2. Políticas e propostas de inserção das TIC na escola

2.3. Outras possibilidades de ambientes informatizados

Verifica-se que o modelo de SI concebido em nosso contexto, que centraliza e fragmenta os recursos e os trabalhos com as mídias, pode se mostrar como uma das barreiras para a educação para as mídias, nas salas de aula. O laboratório ou sala de informática, muitas vezes, é utilizado para capacitar os alunos para uso e acesso, numa abordagem mais instrumental e técnica. Dentre as atividades realizadas, muitas estão limitadas à digitação de textos, montagem de power point, pesquisa na internet, e os jogos educativos.

Deste modo, o contato com as tecnologias e a aprendizagem no ambiente informatizado fica deslocado das atividades da sala de aula - espaço onde predominam a maior parte das ações didáticas. Além disso, para utilizar o ambiente informatizado, os professores devem escrever um projeto, planejar e agendar um horário com o responsável pela sala, muitas vezes, um tempo bastante concorrido. Assim, os professores não conseguem ‘conectar’ o trabalho com as TIC ao seu planejamento diário e cotidiano, na sua prática de ensino e aprendizagem. Com isso, delegam aos profissionais do ambiente informatizado toda a responsabilidade do trabalho com as TIC na escola.

A disposição física dos computadores e equipamentos digitais nas salas também pode interferir nesse processo, tanto para melhor, quanto para pior. De acordo com Gilleran, em algumas escolas da Europa:

O fato de os computadores estarem em uma sala especial pode impedir sua utilização, já que estes espaços costumam ser controlados por apenas uma pessoa ou permanentemente reservados para as disciplinas especializadas e, portanto, não disponíveis para os professores das demais disciplinas. (2006, p. 96)

Nesta direção, alguns modelos de ambientes informatizados têm sido discutidos no sentido de uma inclusão digital que supere a fragmentação dos meios; algumas propostas têm investido em experiências de distribuição dos equipamentos em salas de aula, ao invés de instalá-los em um único ambiente na escola.

Em relação à distribuição dos equipamentos nas salas, Rivoltella (2007) comenta que “as escolas provavelmente ganhariam mais se tivessem um computador em cada sala em vez de uma sala de informática com todos os computadores dentro – e 30 ou 40 turmas brigando para usar o espaço. Isso permitiria inserir as tecnologias nas práticas cotidianas”. Mas o autor ressalta que tal perspectiva de inserção “só funciona se todos os professores estiverem dispostos a trabalhar com o computador no dia-a-dia”, caso contrário serão somente equipamentos instalados na sala de aula. Os professores devem estar dispostos a romper com a lógica tradicional de sala de aula, e fazer com que as tecnologias sejam instrumentos que ajudem na re-significação do processo de ensinar e aprender, permitido pelas TIC. Afinal, um novo modelo de sala de aula pressupõe um novo professor e um novo ensino.

Apesar de as SI utilizarem o modelo de informatização concebido a partir das políticas do Proinfo, é fundamental garantir a autonomia da escola, quanto ao uso e a distribuição dos equipamentos recebidos. Os trabalhos com as TIC na escola não precisam ser reduzidos a um único ambiente que centraliza as TIC, com agendamento prévio, muitas vezes com trabalhos descontextualizados da sala de aula. Defendemos que a sala informatizada seja mantida em concomitância aos equipamentos tecnológicos distribuídos em sala de aula. Um espaço não exclui o outro. Afinal, se houver poucos computadores em sala de aula, determinadas atividades e projetos poderão ser realizados na sala informatizada, com recursos mais específicos.

Aliás, a representação dessa nova sala de aula já pode ser observada tanto em algumas produções culturais, como no HQ Charlie Brown:

Fig. 1 - HQ Charlie Brown. Fonte: didaticaplicadamatematica.blog.terra.com.br

A ilustração do HQ Charlie Brown demonstra a representação estética do computador incorporado à sala de aula. No entanto, a presença destes equipamentos lado a

lado, demonstra certa convivência do novo com o velho, pois a organização das carteiras ainda é a mesma, e o uso do quadro e do giz permanece quase o mesmo. Isso também pode ser observado nos espaços de algumas salas de aula:

Fig. 2 – Estante de uma sala de aula da escola.

Fonte: acervo pessoal da pesquisadora.

Em Florianópolis já existem iniciativas de introdução das TIC na sala de aula, mas como está sendo este processo? Mesmo com a inclusão das tecnologias em sala de aula, sabemos que a alfabetização midiática pressupõe muito mais que o simples acesso às informações, e que é preciso colocar todos os recursos tecnológicos que a escola dispõe a serviço da promoção da cidadania, da ampliação do repertório cultural de professores e alunos, e da promoção de formas alternativas de ensinar e aprender.

Diante desta perspectiva de “pulverização” das TIC em salas de aula, um trabalho educativo com as tecnologias não pode depender unicamente dos profissionais responsáveis pelo ambiente informatizado, pois todos os professores devem estar habilitados para atuar com as TIC na prática educativa. O professor do século XXI não pode abrir mão dos saberes e competências do educomunicador, no sentido proposto por Jacquinot (apud FANTIN, 2006), que é o perfil necessário a todos os professores do presente. Este perfil é como um patrimônio de todos os professores, que deveriam integrar as diferentes mídias no seu fazer pedagógico, envolvendo a técnica e a mediação cultural.

No entanto, sem negar a presença de um responsável pela sala informatizada, até para articular os trabalhos, as formações e etc., defendemos que todos os professores sejam preparados e que estejam dispostos a trabalhar com as TIC, a fim de transformar sua prática de ensino. Afinal, de acordo com Rivoltella (2007):

se apenas um professor responde pelo conhecimento da tecnologia e da mídia (como ocorre em muitas escolas que têm salas de informática), os outros tendem a se desinteressar pelo assunto. E, para ser eficaz, esse trabalho precisa ser feito em equipe.

Para o autor, a mídia deve permear todos os processos de ensino e aprendizagem, como um tema transversal. Deste modo, a introdução das TIC na sala de aula pode aproximar professores e alunos dos recursos tecnológicos, fazendo com que as TIC sejam elementos que propiciem uma mudança radical nas propostas pedagógicas que só reproduzem um modelo educativo arcaico e fracassado, como temos visto em nossa realidade. Uma verdadeira introdução das TIC na educação deve estar mais próxima do cotidiano de alunos e professores, permitindo assim, que ambos, possam fazer uso pleno das potencialidades das tecnologias digitais e realizar práticas realmente mais inovadoras.

Por fim, para situar outras possibilidades de práticas diferenciadas com o uso das TIC, não podemos deixar de mencionar os projetos pilotos que estão sendo desenvolvidos no Município de Florianópolis: XO e UCA.