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CAPÍTULO 3. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO ESTADO CAPITALISTA

3.10. PADRÃO DE MATERIALIDADE EM ESTADOS DIVERSOS

Os dados disponíveis para 18 países da OCDE (Tabela 3.15) mostram que a movimentação da renda a partir do Estado na maioria deles encontra-se localizada no quadrante de

compartilhamento da reprodução da acumulação de capital (G >50,0% do PIB). Somente 7

(sete) estados (Alemanha, Espanha, Islândia, Japão, Luxemburgo, Noruega e Polônia) apresentam movimentação imediatamente abaixo. Dos estados no terceiro quadrante, metade deles (Áustria, Dinamarca, Finlândia, França, Hungria e Itália) já se situava nessa condição nos anos noventa. De fato, naquele período, a maioria dos estados perseguiu ajustes fiscais, o que culminou, na década seguinte, com redução da apropriação de renda por parte desses estados. Assim, ao longo do primeiro decênio do século XXI, apenas 3(três) estados (Islândia, Luxemburgo e Portugal) registraram crescimento perante o período anterior. Por sua vez, na década em curso, verifica-se uma recuperação das disponibilidades dos estados relativamente aos anos iniciais desta série em cerca de 1/3 deles. Dinamarca (58,27% do PIB), Espanha (46,43%), França (56,23%), Irlanda (56,25%), Islândia (49,47%), Luxemburgo (43,18%), Países Baixos (50,70%) e Portugal (50,41%) elevaram a parcela de renda movimentada em relação aos anos 90. Os demais estão superiores à posição da década passada, à exceção de Suécia e Alemanha, esta última registrando redução desde 1990.

O conjunto dos países da OCDE apresenta uma movimentação destinada à defesa, na sua maioria, entre 1,0% a 2,0% do PIB. Na década atual, a Grécia responde pela maior alocação militar (2,38%), seguida por França (1,94%) e Portugal (1,68%). Islândia registra a menor (0,04%), acompanhada por Irlanda (0,43%). Desde os anos 90, esta movimentação vem se reduzindo na maioria dos países, excetuando a própria Islândia, Hungria, Japão, Itália, Polônia e Portugal.

Desde a década de 90, verificou-se um comportamento uniforme de crescimento entre os estados em relação às movimentações destinadas à proteção social e saúde. A primeira registrou aumento em 11(onze) países. Quanto à segunda, à exceção de Áustria, Hungria e Islândia, os demais países realizam atualmente despesas superiores àquele período. Por sua vez, as movimentações em relação à saúde são as maiores funções em 10 (dez) estados. Em 7 (sete), a principal reside em serviços públicos gerais e em uma, educação.

A partir de base de dados do Fundo Monetário Internacional - FMI, podemos verificar o estágio do padrão de materialidade do estado para uma quantidade expressiva de países. Dados compilados com quantidade variada de países desde a década de 80 até o presente (Tabela 3.21) mostram que a proporção de nações situadas no segundo quadrante (G>=25,0,0% e G <50,0% do PIB) predomina na atualidade (66,67% do total dos observados), enquanto somente 7,90% deles encontram-se no terceiro (G>=50,0% e G <75,0% do PIB). Esta situação, certamente, se deve aos efeitos das políticas de ajustes iniciadas ao final dos anos 80, que tem no Consenso de Washington de 1989 sua síntese doutrinária. Naquele período, 18,47% dos estados ocupavam o quadrante mais alto. Desde então, a maioria reduziu suas movimentações até o início do século XXI, retornando ao primeiro quadrante (G <25,0% do PIB), ou caindo para o segundo, no caso dos países melhor posicionados.

A análise desses dados segundo o nível de renda dos países (Tabela 3.22) mostra as nuances da evolução mais recente do padrão de materialidade do estado. De fato, levando-se em conta o nível de renda que correlatamente define a maior ou menor capacidade de movimentação de renda por parte do Estado, temos que as nações de mais 'baixa renda' trilharam trajetória positiva de saída do primeiro quadrante no período, chegando, no decênio atual, a registrar, em média, movimentação superior a 25,0% do PIB. De modo semelhante, os países nas duas faixas de renda subsequentes elevaram as disponibilidades estatais. Por outro lado, os estados de 'alta renda da OCDE', com maior média de despesas governamentais, recuaram, no conjunto, ligeiramente suas posições de 44,97% nos anos 80 para 43,44% na segunda década do século XXI. Este foi também o comportamento dos países de 'alta renda-não OCDE', cujas despesas governamentais caíram do limite da segunda metade do quadrante (37,83% ) no início do período analisado para 32,82% do produto interno.

Combinando esses dados com os analisados para EUA e Reino Unido, assim como dados para o Brasil, obtemos um quadro síntese para as 10 (dez) maiores economias (Tabela 3.23). Somente o Estado Francês se situa expressamente no quadrante de compartilhamento de reprodução do capital, movimentando 55,60% do PIB. Próximo desta posição encontra-se Itália (49,81%), que enfrenta, na atualidade, conjuntura de ajuste macroeconômico. Logo a seguir se localizam Alemanha e Reino Unido, que, nas décadas anteriores, enfrentaram ajustes e, no primeiro caso, reduziu sua movimentação, a se confirmar, tendo, porém, ocupado posição superior (48,57%), e, no segundo, mesmo nas circunstâncias, apresenta tendência ascendente. Já Japão (40,31%), EUA (38,40%) e Brasil estão em transição para segunda

metade do segundo quadrante. O Estado Chinês, por sua vez, com suas peculiaridades, registra uma movimentação direta a partir do Estado (23,98%) caracteristicamente de fundação do estado capitalista.

Em relação ao padrão da materialidade segundo as funcionalidades de acumulação do capital, observando-se os dados consolidados para a década atual (Tabela 3.16 a 3.20), a

suplementação de renda para o trabalho é a principal em todos os estados da OCDE, que

alocam, em média, mais de 28% de seu PIB. Representam mais de 30% na França (33,3%,), Finlândia (32,2%) e Suécia (30,9%). Ela é menor na Irlanda (22,6%) e no Japão (23,9%). Na Irlanda, destaca-se a suplementação de renda ao capital, onde ela atinge 16,5% do PIB. Este, porém, é um comportamento atípico, pois, na maioria dos países esta movimentação oscila entre 4,0% e 7,0%, excetuando-se a Grécia que redireciona somente 3,7% para esta funcionalidade.

As despesas defensivas totais variam entre 11,5% e 13,8% do produto interno. Encontram-se acima desta faixa na Dinamarca (17,4%), França (15,3%), Grécia, (14,9%) e Irlanda (15,2%). Abaixo dela, estão Suécia (10,9%) e Polônia (10,2%).

O padrão da contributividade na materialidade (Tabelas 3.24 a 3.27) dos estados analisados apresenta maiores variações do que no caso das funcionalidades, destacando-se individualmente diversos deles pelas combinações distintas de incidência de tributos que praticam. Conforme os dados correntes, na Alemanha, prevalecem as contribuições sociais (40,1% do total), que representam vinculações com funções. Na Dinamarca, elas constituem fonte ínfima (2,2%), destacando-se o imposto de renda (56,1%), cuja incidência é direta. Do mesmo modo, Irlanda (18,08%) e Islândia (11,2%) conferem pouca ênfase às contribuições, concentrando-se no imposto de renda, que respondem, respectivamente, por 38,04% e 45,2% do total de sua arrecadação. Na Hungria, a principal fonte de tributação reside nos tributos indiretos do consumo e produção (45,7%). Já na França, Países Baixos e Japão, a contributividade se distribui entre contribuições sociais, em primeiro lugar, e tributos indiretos, a seguir.

3.11. PADRÃO DE REPRODUTIBILIDADE NOS ESTADOS UNIDOS E REINO