A pesquisa contemplou também a participação de duas empresas do segmento moda praia. A empresa E1, voltada principalmente para mulheres das classes B e C, possui oito lojas, trabalhando com atacado e varejo. Seis das sete lojas localizam-se em Fortaleza e a sétima é situada em Caruaru, Pernambuco. A faixa etária atingida pelos produtos da empresa E1 estende-se de 20 a 45 anos. Também há fabricação de produtos masculinos e infantis, porém, em menor quantidade. A capacidade produtiva da empresa
chega a sete ou oito mil peças por mês. Além da fábrica própria, a empresa conta com o auxílio de uma facção, terceirizando parte da produção.
A empresa E1 já chegou a atuar no mercado externo, exportando para a Dinamarca e Portugal, porém, atualmente não funciona mais dessa forma, direcionando toda a produção para o mercado interno. Os motivos que levaram à extinção da participação internacional foram o grande esforço em alterar a modelagem dos biquínis para atender ao gosto do cliente que mora no exterior e também a incapacidade fabril de atender esta demanda.
Além do Ceará e de Pernambuco, a empresa atende, por meio de representantes, os estados do Maranhão, Sergipe e Bahia. Os clientes atendidos nas Regiões Sul e Sudeste do país são pontuais.
A entrevistada da empresa E1 afirma que a concorrência dos produtos asiáticos não afetou as vendas. Alguns produtos adquiridos de fornecedores são provenientes da China. Ela alega que as empresas são brasileiras, mas os tecidos são importados. Contudo, as partes de estamparia e beneficiamento são realizadas internamente: o beneficiamento da estamparia ocorre em São Paulo, os acessórios são adquiridos em Santa Catarina.
A cadeia de fornecedores encontra-se principalmente nas regiões Sul e Sudeste (Santa Catarina e São Paulo), já que, com relação a acessórios, por exemplo, o custo é menor ao adquirir o produto diretamente da indústria. De fornecedor local, a empresa conta com apenas um, que é o fabricante de bojos usados nos biquínis. A entrevistada ressalta que nunca houve mobilização para trazer os fornecedores para mais perto da fábrica.
Na empresa E1, a busca pela inovação fez com que organização encontrasse um fornecedor capaz de produzir tecidos digitais, substituindo os tecidos de cilindro, que gastam mais água e poluem mais.
Contudo, a motivação principal dessa substituição foi a redução de custos proporcionada pela troca de tecidos e a exclusividade adquirida para as estampas produzidas. Além de modelagem e estampas diferenciadas, outro diferencial competitivo dos produtos comercializados pela empresa E1 é a qualidade do tecido utilizado.
Dentre as estratégias adotadas pela empresa E1 para diferenciar o produto fabricado por ela em relação ao dos concorrentes, a entrevistada destaca que são desenvolvidas pesquisas para saber quais as tendências do momento, o que está em alta
na moda, a fim de incorporar esses elementos em seus artigos, além do processo de personalização dos acessórios, investimento em tecidos de alta durabilidade, produção de estampas digitais exclusivas e variedade de modelagens para os diferentes tipos de corpo.
A outra empresa do segmento moda praia que contribuiu com a pesquisa foi a E2, cujo público-alvo encontra-se majoritariamente na classe B, chegando a atingir, em menor escala, as classes A e C também.
A opinião da gestora da E2 é que o mercado de moda praia no Brasil não sofreu com a enxurrada de produtos asiáticos, principalmente chineses, com a extinção do ATV em 2005. A principal matéria-prima utilizada na produção do biquíni é a Lycra, mas a China não produz esse componente.
Com relação às exportações, a entrevistada alegou que, desde a queda do dólar, o volume exportado é pouco relevante. Uma vez estava bastante difícil de conquistar espaço fora do país, a empresa concentrou esforços em garantir a clientela nacional, já que o mercado interno estava em crescimento acelerado.
Em 2013, o volume de exportação da empresa E2 estava baixo, já que o câmbio não se encontrava favorável para o comerciante brasileiro que desejasse exportar. A empresa decidiu, então, focar suas ações em prospectar mais clientes no mercado interno. A entrevistada alega que os consumidores internacionais atentam basicamente para o preço na hora de decidir qual produto adquirir, comportamento que torna ainda mais difícil a inserção do biquíni brasileiro no cenário mundial.
Atualmente, um dos grandes desafios encontrados pela empresa E2 é a falta de mão de obra qualificada, conforme consta no Quadro 3. Para a gestora da empresa, esse problema impacta diretamente na produção da empresa. Além disso, soma-se o fato de que o preço praticado na venda da Lycra em território nacional e internacional varia muito pouco entre as localidades, ou seja, não é possível economizar nessa aquisição.
Outro entrave ao crescimento da empresa E1 é tributação vigente no país, em especial, no Ceará. O estímulo dado pelo governo estadual para que as companhias realizem compras internamente não funciona para a empresa E1, já que não existe nenhum fabricante de Lycra em território cearense, assim como os produtos acabados vendidos na loja, por exemplo, bolsa, óculos, sandália, entre outros acessórios, a entrevistada só consegue adquirir em outros estados.
À semelhança do que ocorre com a empresa E1, a empresa E2 também destaca como estratégia para tornar o seu produto diferenciado a questão da inovação,
enfatizando a existência de uma estamparia exclusiva. Antes de lançar uma coleção, é realizada pesquisa para conhecer as tendências no mercado de moda praia e para saber quais as preferências do consumidor.
No segmento surf wear, contamos com a participação da empresa E3 na pesquisa, cujo público-alvo é constituído pelas classes B e C, na faixa etária aí dos 16 aos 30 anos, focando o maior volume produtivo na faixa que vai de 18 a 24 anos. Tal organização está presente em todos os estados brasileiros, através de lojas próprias em Fortaleza, Belo Horizonte e Salvador e da presença em lojas multimarcas no restante do país.
Segundo o entrevistado, a empresa E3 já teve algumas experiências em vendas para o exterior, mas, com a valorização do real, essas práticas se tornaram inviáveis, de maneira que a parcela de produtos destinados ao mercado externo atualmente é praticamente zero, perante a fragilidade do preço praticado pelo artigo têxtil brasileiro.
O entrevistado salienta que o volume de importações no Brasil vem crescendo substancialmente de ano a ano, por exemplo, as importações de 2006 para 2012 cresceram 212%, em geral. Ou seja, teve um crescimento de 200% das importações em cinco anos. O fim do ATV, em 2005, não foi o principal motivo para a queda expressiva da indústria brasileira no cenário mundial, já que o problema, segundo o gestor da E3, encontra-se na carga tributária elevada, na legislação trabalhista atrasada e na falta de infraestrutura. A situação tributária no Ceará também é questão delicada, pois influenciou bastante na perda de competitividade para outros estados, com cargas tributárias mais favoráveis, como o Rio de Janeiro.
Como estratégia adotada para se proteger perante essa enxurrada dos produtos estrangeiros, a empresa E3 procurou também investir em importações nos nichos específicos que a empresa não é competitiva, fator presente no Quadro 3. Por outro lado, o entrevistado destaca que os clientes em geral não fazem distinção entre um produto brasileiro e um produto estrangeiro na hora da compra. O consumidor já está ciente que os produtos chineses não são de baixa qualidade, não são feitos com mão de obra escrava. O motivo de importar itens chineses/asiáticos é a competitividade do preço praticado por esses produtores. Para a empresa E3, os chineses constituem fornecedores de tecidos, tintas, aviamentos e também produtos acabados.
De acordo com o gestor da empresa E3, a indústria cearense só representa 6% da produção nacional. Corrobora que não faz sentido um fornecedor vir instalar uma fábrica no Ceará para depois atender 6% do mercado. É melhor estar no Rio de Janeiro
ou em São Paulo ou em Santa Catarina, que possuem mais expressivas e que têm muitas empresas para atender por perto. O Ceará vem perdendo competitividade ao longo desses anos.
A visão da empresa E3 é que a moda não é feita no Brasil, mas sim na Europa, então não é possível existir um diferencial competitivo perante os produtos estrangeiros. Essa diferenciação só pode ser feita em termos de marca, uma vez que cada marca pode criar um diferencial, que gere um desejo de consumo.
Os diferenciais criados para a marca caracterizada pela empresa E3 são o estilo e a identidade idealizada. As estratégias utilizadas no lançamento, na comunicação, no posicionamento auxiliam na construção de um diferencial em relação aos concorrentes, os quais estão segregados por estado ou região, já que poucas marcas trabalham a nível nacional como a E3 atua. Destacam-se a HangLoose e a OKDOK na Região Sudeste, a
Mormaii na Região Sul, a Cobra D’agua no Espírito Santo e em alguns estados do
Centro-Oeste, a Mahalo na Bahia, em Alagoas e em Sergipe.
No segmento moda feminina e masculina, contamos com a participação da empresa E4 na pesquisa. Em termos de classe social, ela atende o público C e D, só que, com o desenvolvimento de ações mercadológicas, a empresa conseguiu atingir também os públicos A e B, em menor escala. Com relação à faixa etária, a E4 trabalha com vários estilos de vida, comercializando produtos para o recém-nascido, com um mês de vida, e pessoas de idade mais avançada, contemplando toda a sociedade. Com relação aos locais de comercialização, hoje a empresa E3 possui lojas próprias no Brasil inteiro, em todos os estados, tendo como grandes concorrentes a Renner e a C&A.
Como vantagem competitiva em relação aos grandes players do mercado, a entrevistada ressalta a existência de uma fábrica própria que abastece a E4, atribuindo vantagem competitiva em termos de agilidade, caracterizando a produção de fast fashion, e a proximidade com o seu maior fornecedor, garantido maior flexibilidade. Ainda, atualmente não há a pretensão de atuar no mercado fora do país, através do estabelecimento de lojas no exterior, pois a gestora enfatiza que o Brasil ainda tem muito mercado a ser explorado.
Com o fim do ATV, a empresa E4 sofreu bastante. A entrevistada destaca a enorme diferença entre preço do produto importado pra o produto nacional, já que o empresário brasileiro ainda tem que suportar uma elevada carga tributária. Nesse período, em 2004, a empresa E4 teve que se adequar à nova realidade. A empresa
adquiriu produtos importados, inclusive matérias-primas, maquinário, tecidos e botões, atitude que ajuda a tornar o preço final do produto mais competitivo.
A gestora afirma que os preços das peças são estipulados de acordo com o mercado e que a empresa adota a estratégia de focar na profissionalização da equipe responsável pelos diversos estilos que a companhia atende a fim de tornar o produto diferenciado. Ainda, segundo ela, é possível que o consumidor consiga diferenciar o produto da empresa E4 de um produto asiático. Os fornecedores de produtos finais estão distribuídos por vários lugares, como Fortaleza e São Paulo, contudo, o maior se encontra no Rio Grande do Norte.
A empresa E5, participante do segmento moda íntima, já faz parte do mercado cearense há 24 anos. O entrevistado reforça que a empresa tem como público-alvo as classes B e C, embora tenha outros consumidores também. Atua fortemente com vendas efetuadas por meio de representantes comerciais, tendo apenas uma loja de varejo, que serve apenas para regular os preços praticados na revenda, conforme destacada na frase
“[...] só tem uma loja funcionando em frente ao Iguatemi que houve um trabalho de
pesquisa junto ao cliente final, junto aos revendedores. Junto ao cliente final, a gente constatou que começou a formar uma opinião de que o produto era bom, mas era caro e nós não estávamos vendendo caro, então essa diferença estava exatamente no preço praticado pela revenda. Então a gente colocou essa loja e deu certo, deu uma segurada no preço porque aí a pessoa tem um norte, ela compra por aquele preço quando ela descobre que a loja lá tem um preço x e pode até continuar pela revendedora por um preço mais caro por causa da comodidade. Mas ela tem a ideia de custo.” (E5)
A faixa etária dos clientes que compram da empresa E5 é de 25 a 45 anos. De uma forma mais abrangente, em torno de 65% a 70% dos clientes estão nessa faixa. O gestor afirma que constitui um desafio para a empresa trabalhar com um público-alvo tão jovem, porque a característica do nosso produto é muito conservadora, não tão ousado como os padrões atuais. Dentre os concorrentes, o entrevistado cita Thais Ferreira, Feminize, Robia, Diuncorpo e Diamantes Lingerie.
A empresa E5 começou no segmento moda praia, entretanto, os gestores optaram por redirecionar o foco e investir na moda íntima, em função do custo de matéria-prima, para fazer calcinha, a matéria-prima era mais barata. O processo de aquisição da matéria-prima também era mais fácil. A transição de moda praia para moda íntima, então, foi realizada por necessidade própria dos donos.
A fábrica se localiza em Fortaleza, mas a clientela está espalhada por todo o Brasil, com destaque para os consumidores cearenses, que adquirem 50% do volume produtivo da empresa E5.
Perguntado sobre os desafios encontrados pela empresa após a extinção do ATV, o entrevistado ressaltou que, em momentos de crise, a indústria também cresce, pois os gestores precisam pensar em boas estratégias para lidar com a situação, produzir de uma maneira mais eficiente, agregar mais valor ao produto. Tem também o lado negativo, já que a concorrência tornou-se mais acirrada e tem como agravante o preço praticado pelos produtores estrangeiros, difícil de ser batido pela indústria nacional.
Então, a estratégia adotada pela empresa E5 para posicionar seus produtos no mercado mundial com uma vantagem competitiva é agregar valor ao produto, já que não é possível concorrer em preço. Todo ano, são realizadas pesquisas por meio das quais conclui-se sobre o nível de satisfação do consumidor com relação aos produtos fabricados pela empresa. Os resultados destacam que qualidade e preço nunca foram problemas apontados pelos clientes.
Segundo o entrevistado, a questão da elevada carga tributária não pode ser apontada como fator que dificulta a sobrevivência da indústria têxtil nacional, pois quem paga o tributo, na realidade, é o consumidor. Esse quesito impacta apenas quando é feita uma comparação com o mercado externo, já que tem um peso muito significativo para concorrer com um produto estrangeiro. O fator realmente relevante, que desequilibra a dinâmica das empresas, é a informalidade, a sonegação.
Como forma de se defender perante a enxurrada de produtos estrangeiros, a empresa E5 realizou investimentos na criação de um departamento de planejamento e controle da produção, contratou estilista, a fim de incorporar novas tendências e aperfeiçoar o processo produtivo, o qual se encontra atualmente bastante informatizado.
Ainda, o entrevistado alega que existe influência do regionalismo na definição do desenho da peça, mas na lingerie, é muito difícil agregar elementos do artesanato, porque muitas vezes um artigo com tais detalhes não é funcional, marca na roupa, impossibilitando a utilização no dia a dia.
Há dificuldade de acesso aos fornecedores de matérias-primas que atendem à empresa E5. O entrevistado afirma que em torno de 90% deles estejam nas Regiões Sul e Sudeste, o que demanda maiores custos de transporte. Contudo, há planos de atrair os fornecedores para perto da fábrica, contando com a ajuda governamental.
No cenário têxtil cearense, encontram-se também empresas familiares, a exemplo da empresa E6, cujo público-alvo é constituído por mulheres pertencentes às classes A e B e presentes na faixa etária de 25 a 50 anos. Assim, o produto da empresa E6 não pode ser considerado indispensável, mas atualmente essa questão é relativa, depende da maneira como o produto é apresentado para o cliente. Dentre as principais concorrentes da E6, destacam-se as marcas Take a Nap, Juji, Fruit de La Passion, Liebe, Sensuality, Linhas e Cores. A fábrica localiza-se em Fortaleza e possui capacidade produtiva de 12 mil peças/mês, contando com 55 funcionários na parte produtiva e 30 nas lojas.
Quando a empresa E6 surgiu, ela era voltada para o atacado e vendia para várias cidades do Brasil. Então começou a perseguição fiscal e começaram a aparecer outros polos de venda de atacado e empresa começou a enveredar pra o varejo. Atualmente as vendas são exclusivamente direcionadas ao varejo e para o mercado interno cearense. Contudo, a entrevistada esboça planos de ampliar a rede de lojas e direcionar as vendas também para as demais capitais do Nordeste, como Recife e Salvador.
Conforme o entrevistado, o fim do ATV não influenciou a dinâmica dos negócios da empresa E6. Na realidade, tal instituição apenas adquire matérias-primas provenientes da China, os insumos como fios, tecidos e alinhamentos. Em quesito de produto acabado, não há concorrência com os asiáticos. 100% do poliéster adquirido pela companhia, por exemplo, é proveniente da China, representando 20 a 25% da matéria-prima em volume. Ressalta ainda que o Ceará é um grande produtor de lingerie. Além disso, a empresa E6 já realizou pesquisa de mercado na China, como participante de uma missão da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), através do Sindicato das Indústrias de Confecção de Roupas e Chapéus de Senhoras no Estado do Ceará (SindConfecções). Após tal experiência, os gestores chegaram à conclusão que, para o pequeno empresário, é inviável ainda fazer esse tipo de importação, porque a quantidade mínima requerida é muito grande, além das restrições referentes a tamanho e cor. Adicionalmente, observou-se que algumas fábricas cearenses conseguem produzir a mesma calça jeans que os chineses produzem por um preço quase igual ou um pouco acima do chinês.
Como a empresa E6 trabalha com produção própria e todas as peças comercializadas nas lojas são fabricadas em Fortaleza, então se torna fundamental a existência de variedade, modelos diferenciados, a não ser que seja um produto de venda rotineira, que é sempre demandado pelo consumidor.
O entrevistado enfatiza que os clientes não se preocupam com a procedência do produto têxtil adquirido. Um atributo diferenciador que eles conseguem notar é se o produto foi fabricado por quem está vendendo-o, característica que transmite confiança e destacada no Quadro 3.
Questionado sobre o trabalho informal, o entrevistado da empresa E6 sente a necessidade do Governo intensificar a fiscalização junto aos concorrentes informais, destacando a existência do comércio desleal na Rua José Avelino, em Fortaleza, no qual várias empresas que não pagam impostos comercializam seus produtos livremente. Outra dificuldade destacada é a falta de mão de obra, pois devido aos programas sociais, parcela da população se acomodou com o auxílio recebido e desistiu de procurar colocação no mercado de trabalho.
Dentre os diferenciais das peças elaboradas pela empresa E6, o principal é o acabamento das peças. O entrevistado atesta que, na China, a produção é em escala e, por isso, normalmente não é muito requintada, nem muito detalhada, além do índice de perda e/ou falha ser bem alto. Inclusive os comerciantes chineses já embutem essa informação no preço ajustado, pois em qualquer negociação que seja feita com eles, já é fornecido um abatimento no valor total da mercadoria em decorrência de defeitos que poderão existir.
Sobre o posicionamento do produto têxtil brasileiro perante o produto estrangeiro, o entrevistado afirma que no Brasil não há incentivos de agregação de valor em tecnologia para a diferenciação dos bens produzidos, já que constitui uma economia de base primária e secundária. Outro ponto citado foi a questão de que o governo não incentiva a produção nacional, apenas fomentando o mercado de automóveis, eletrodomésticos e construção civil, em virtude das práticas de lobbying existentes. Quem tem representatividade política, recebe benefício. A economia brasileira nos últimos dois anos só está crescendo por incentivos fiscais. Então é um crescimento forçado que se a regra continuasse a mesma a gente tava sem crescimento econômico. Então eu acho que o problema de gestão política da economia brasileira é um grande desafio a todos. Não tem estímulo pra gente. Não existe um planejamento de longo prazo, uma economia sustentável, o governo não investe em infraestrutura, que sem infraestrutura não existe nada, não existe transporte, produtividade, logística.
Outra organização que colaborou com a pesquisa foi a empresa E7, destinada ao público feminino, na faixa etária de 18 a 40 anos. Ela possui uma fábrica, na qual há a produção das peças, com destaque para o setor de desenvolvimento de produtos, e posteriormente é realizada a venda para lojas multimarcas. Vale ressaltar que não há loja própria, a comercialização das peças é realizada diretamente por representantes de venda.
A empresa E7 constituiu a sua rede de clientes nas capitais da Região Nordeste e em São Paulo, e tem como foco os consumidores das classes B e C. A fábrica é sediada em Fortaleza, contudo, pequena parcela da produção é destinada ao público cearense, sendo direcionada mais para os outros estados do Nordeste, como Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Maranhão e Piauí. Ainda, não existe a pretensão em intensificar as vendas para a Região Sudeste e para outros países, atuando apenas em lojas multimarcas, lojas de boutiques e centros comerciais.
O foco da empresa E7 não está no mercado externo ou em outras regiões do