4 An´ alises e Resultados
4.2 Parametriza¸c˜ ao do Modelo
Nesta se¸c˜ao, ´e apresentada a parametriza¸c˜ao do modelo adotada em todas as simula¸c˜oes. Nas simula¸c˜oes individuais, alguns parˆametros s˜ao explicitamente alterados; os demais s˜ao mantidos com os valores definidos nesta se¸c˜ao. Os parˆametros definidos a seguir n˜ao foram obtidos de estima¸c˜ao ou da literatura, entretanto, procurou-se configurar uma economia que apresentasse desigualdades nos pre¸cos e nos tamanhos de firmas e bancos da ordem de pelo menos 100 vezes, como se verifica na pr´atica. A seguir, os parˆametros adotados s˜ao apresentados por grupos.
Parˆametros de escala: As simula¸c˜oes foram executadas em 1000 per´ıodos, conside- rados suficientes para a avalia¸c˜ao dos fenˆomenos, a partir de economias geradas ao in´ıcio da simula¸c˜ao. Na maioria das vezes, optou-se por configurar a economia com 1000 firmas e 100 bancos, n´umero razoavelmente alto de agentes, mas n˜ao alto o suficiente para inviabilizar o processamento por motivos de tempo e mem´oria. Os produtos foram distribu´ıdos em cestas de consumo (consumidores finais) canˆonicas, ou seja, 1 produto por cesta, o que determinou a gera¸c˜ao de um n´umero de cestas igual ao de produtos. N˜ao foram definidos produtos exclusivamente intermedi´arios (n˜ao-inclu´ıdos em nenhuma cesta), nem cestas compostas por mais de 1 produto, embora isso fosse poss´ıvel. Quanto `as cestas de consumo do governo, foram geradas como uma replica¸c˜ao das cestas de consumo de consumidores (poderiam ser dife- rentes). A economia tem, inicialmente, 10000 trabalhadores, dos quais 90% est˜ao empregados inicialmente.
Associa¸c˜oes entre agentes: Na associa¸c˜ao entre firmas e bancos, definiu-se a pro- por¸c˜ao de 10 firmas por banco (ver item anterior). No entanto, essa propor¸c˜ao n˜ao ´e fixa para todos os bancos: as firmas foram associadas aos bancos depois de se extrair, para cada banco, o n´umero de firmas correntistas que deveria ter, de uma distribui¸c˜ao lognormal; em seguida, as firmas a serem associadas foram escolhidas aleatoriamente, de modo que todas as firmas fossem associadas a algum banco. N˜ao se impˆos que todos os bancos possu´ıssem firmas correntistas. Com rela¸c˜ao `a associa- ¸c˜ao entre firmas, foi utilizado um processo aproximadamente igual, mas partindo da 2
Uma an´alise n˜ao-realizada, mas que poderia ter sido feita, ´e a referente aos impactos de decis˜oes de pol´ıtica fiscal.
probabilidade de uma conex˜ao entre firmas i e j existir (conectividade), dada pelo parˆametro PCN . O valor desse parˆametro, quando n˜ao-alterado, foi de 10%. Como as cestas de consumo foram canˆonicas, n˜ao houve a necessidade de sorteio.
Defini¸c˜ao das fun¸c˜oes de produ¸c˜ao: As fun¸c˜oes de produ¸c˜ao de cada firma possuem a forma funcional definida em (3.12). Para cada firma i, os insumos foram determi- nados pelas interconex˜oes entre firmas definidas no item anterior. As quantidades consumidas de cada insumo j pelas firmas i foram extra´ıdas de uma distribui¸c˜ao uniforme u[0.1, 100], as produtividades espec´ıficas de cada insumo QXi,j e do tra-
balho QWi foram extra´ıdas de u[0.1, 10], e a quantidade de trabalho consumida foi
extra´ıda de u[0.1, 500]. Por fim, as demandas dos consumidores finais pelas cestas foram extra´ıdas de u[0.1, 100] e a intensidade do ru´ıdo na determina¸c˜ao da demanda foi assumida ξ = 0.1.
Caracter´ısticas dos bens: Uma parcela dada por FBK = 0.4 dos bens foi definida como bens de capital. Esses bens foram sorteados do conjunto total de bens. As taxas de deprecia¸c˜ao foram extra´ıdas de u[0.02, 0.5] (taxas de deprecia¸c˜ao de 2% a 50% por per´ıodo). Por sua vez, o excedente de produto que cada firma procurou manter em estoque foi definido como IR = 0.1 da meta de produ¸c˜ao do per´ıodo. Por fim, o coeficiente de substitutibilidade dos bens nas fun¸c˜oes de demanda (equa¸c˜ao (E.13)) foi assumido ρ = 0.5.
Taxas de lucros de firmas e bancos e custos fixos de firmas: Inicialmente, foram definidas, como taxas de lucro-alvo de firmas, PMI = 0.01, (lucro calculado sobre os custos totais) e dos bancos, PMB = 0.01 (calculado sobre o total de empr´estimos banc´arios). Quanto aos custos fixos de firmas, foram obtidos de um custo fixo unit´ario extra´ıdo de uma distribui¸c˜ao lognormal, escolhida por sua assimetria `a direita. O prop´osito de gerar os custos fixos dessa maneira foi gerar desigualdades nos pre¸cos dos produtos, como pode ser verificado na equa¸c˜ao (C.8).
Taxas de juros: A taxa b´asica de juros foi, inicialmente, zero. Os coeficientes para c´alculo das taxas de juros de cr´edito comercial (ver 3.9) e banc´ario (ver 3.10) foram: ϕ1 = 0.2 e ϕ2 = 0.01. Por sua vez, os utilizados nos c´alculos de taxas do interbanc´ario
(ver 3.17) foram: ϕI
1 = 0.1 e ϕI2 = 0.01.
Vari´aveis de gerenciamento de bancos: O n´umero m´aximo de parceiros no mercado interbanc´ario foi 3. O recolhimento compuls´orio foi calculado com δ = 0.7 e a margem de seguran¸ca calculada sobre o requerimento de reservas foi µ = 0.3. O coeficiente de adequa¸c˜ao de capital Capital Adequacy Ratio foi assumido γ = 0.08, e a margem de seguran¸ca calculada sobre esse requerimento, ν = 0.3. A alavancagem m´axima que uma firma precisava ter para ter uma solicita¸c˜ao de cr´edito banc´ario aceita foi configurada como LMAX = 0.8.
Aportes e reservas de socorro: Inicialmente, foi definido que os aportes deviam ser realizados pelos investidores, ou seja, as reservas de socorro de s˜ao onde retirados os valores para os aportes deviam ser mantidas com os lucros obtidos do conjunto dos agentes (firmas ou bancos) aos quais se destinavam. O n´ıvel de recursos que se procura manter nas reservas ´e calculado sobre a soma dos valores l´ıquidos, no in´ıcio da simula¸c˜ao, de firmas e bancos. Nesse c´alculo, foram utilizados os multiplicadores KSF = 0.02 e KSB = 0.02.
Al´ıquotas de imposto: Sobre renda auferida por pessoa f´ısica: Tw = 0.2; sobre lucro
de firmas Ty = 0.05e sobre lucro de bancos, Tb = 0.2.