e irregularmente circunscritas ou podem ser coalescentes e envolver grande parte ou toda a porção glandular do estômago, podendo ser vistas erosões e úlceras.
O diagnóstico definitivo, com base no exame de fezes, é difícil porque os ovos são similares aos do estrôngilo. As fezes podem ser cultivadas e, em aproximadamente 5 dias, as larvas infectantes podem ser identificadas. Alguns dos benzimidazóis e ivermectina são eficazes contra T. axei.
PARASITAS GASTROINTESTINAIS DE
helmínticos. A doença Tipo I ocorre primariamente em bezerros de 7 a 15 meses de idade. É comum a partir do momento do desmame e nos meses seguintes em regiões de temperatura quente, e em bovinos jovens durante o verão e início do outono em regiões temperadas frias.
Na ostertagíase Tipo II, grandes números de larvas, que tinham desenvolvimento dormente ou inibido no quarto estágio larval inicial, emergem das glândulas. Isto ocorre principalmente em bezerros de 12 a 20 meses de idade. Em regiões temperadas quentes, as larvas propensas à inibição são adquiridas na primavera, e a doença pode resultar quando grandes números de larvas recomeçam o desenvolvimento ao estágio adulto no fim do verão/outono. Em regiões temperadas frias, a aquisição de larvas propensas à inibição ocorre durante o fim do outono, e a maturação durante o fim do inverno/início da primavera. A inibição larval (hipobiose) na O. ostertagi e outros nematóideos é considerada como análoga à diapausa em insetos. Tem sido interpretada como um mecanismo de sobrevivência no qual os estágios pré-parasíticos no pasto evitam as condições adversas do inverno em regiões frias, bem como condições quentes e secas ou quentes e alternadamente úmidas e secas de muitas regiões quentes. Os fatores que causam inibição não são completamente conhecidos, porém experimentalmente foi demonstrado que o condicionamento das larvas infectantes ao frio é importante em uma região de clima frio temperado. Nas regiões quentes de ambos os hemisférios, o condicionamento dos estágios pré-parasitários à inibição ocorre principalmente durante a primavera, antes do verão quente e seco. Os fatores que estão envolvidos na maturação são ainda mais obscuros, mas podem incluir os efeitos do parto, nutrição, infecção concomitante, resposta imune do hospedeiro ou simplesmente lapso de tempo.
H. placei também permanece dormente durante o inverno e retoma o desenvol-vimento na primavera, infectando as pastagens com ovos em tempo hábil para seu desenvolvimento. Ambos os estágios, larval e adulto, são patogênicos porque são sugadores de sangue. T. axei causa gastrite com erosão superficial e hiperemia da mucosa e diarréia. A perda de proteína pela mucosa lesada e anorexia causa hipoproteinemia e perda de peso. A hipobiose não ocorre no mesmo grau comT. axei.
Achados clínicos – Animais jovens são os mais freqüentemente afetados, mas animais adultos não expostos anteriormente comumente apresentam sintomas e sucumbem à infecção. Infecções por Ostertagia e Trichostrongylus são caracteriza-das por profusa diarréia aquosa, que é geralmente persistente. No caso da hemoncose e da infecção por Mecistocirrus, há pouca ou nenhuma diarréia, mas possivelmente períodos intermitentes de constipação. Anemia em graus variados é um sintoma característico de hemoncose.
Concomitantemente com a diarréia, devido às infecções por O. ostertagi e T.
axei, e à anemia causada por infecção por Haemonchus, há freqüentemente hipoproteinemia e edema, principalmente abaixo da mandíbula inferior (“bottle jaw”) e, algumas vezes, ao longo do abdome ventral. Infecções muito severas podem provocar a morte antes do surgimento dos sintomas clínicos. Outros sinais variáveis são progressiva perda de peso, fraqueza, pêlos eriçados e anorexia.
Lesões – Os vermes podem ser facilmente observados e identificados no abomaso, e pequenas petéquias podem ser vistas onde os vermes se alimentavam.
As lesões mais características das infecções por Ostertagia são pequenos nódulos umbilicados, de 1 a 2mm de diâmetro, disseminados por todo o abomaso. Eles podem ser discretos, mas em infecções graves tendem a coalescer dando ao abomaso uma aparência de “calçamento” ou de “couro marroquino”. Os nódulos são mais marcantes na região fúndica, mas podem cobrir toda a mucosa abomasal. Se o pH subir para 6 ou 7, o excesso de pepsinogênio pode ser reabsorvido e altos níveis podem ser encontrados no plasma. Há também evidências de que a presença de adultos de Ostertagia pode causar a secreção direta de pepsinogênio. O edema Parasitas Gastrointestinais de Ruminantes 247
é geralmente pronunciado e, em casos graves, pode-se estender por todo o abomaso, intestino delgado e omento.
Nas infecções por T. axei, a mucosa do abomaso apresenta congestão incipiente a discreta, mas erosões superficiais, às vezes cobertas por exsudato fibrinonecrótico, podem ser vistas.
Diagnóstico, Tratamento e Controle ver página 254.
Infecção por Cooperia
Diversas espécies de Cooperia ocorrem no intestino delgado de bovinos; C.
punctata, C. oncophora e C. pectinata são as mais comuns. Os adultos, vermelhos e espiralados, medem de 5 a 8mm de comprimento e o macho possui uma grande bolsa. É difícil observá-los macroscopicamente. Seu ciclo de vida é essencialmente o mesmo dos outros tricostrôngilos. Estes vermes aparentemente não sugam sangue. A maior parte deles é encontrada nos primeiros 3 a 6m do intestino delgado.
O período pré-patente é de 12 a 15 dias.
Os ovos geralmente podem ser diferenciados dos de outros nematóideos gastro-intestinais comuns pelos seus lados quase paralelos, mas a cultura de larvas das fezes é necessária para diagnosticar com certeza a infecção por Cooperia em animais vivos. Em infecções graves por C. punctata e C. pectinata ocorrem diarréia profusa, anorexia e emaciação, mas não anemia; a porção superior do intestino delgado apresenta marcada congestão da mucosa, com pequenas hemorragias. A mucosa pode apresentar uma fina camada necrótica superficial semelhante a uma renda. A Cooperia oncophora produz uma doença mais leve, mas pode ser responsável por perda de peso e produtividade ruim. Geralmente é necessária uma raspagem da mucosa para revelar Cooperia spp, que devem ser diferenciadas de Trichostrongylus, Strongyloides papillosus e formas imaturas de Nematodirus.
Para diagnóstico, tratamento e controle, ver página 254.
Infecção por Bunostomum
O macho adulto da Bunostomum phlebotomum mede , 15mm e a fêmea ,25mm. Estes vermes duodenais possuem cápsulas bucais bem-desenvolvidas, com as quais se prendem à mucosa; placas cortantes na borda anterior da cápsula bucal são usadas para desgastar a mucosa durante a alimentação. O período pré-patente é de aproximadamente 2 meses. A infecção pode ser por ingestão ou por penetração pela pele; a última é a mais comum.
A penetração larval dos membros inferiores pode causar desconforto e irritação, particularmente em gado estabulado. Os vermes adultos causam anemia e rápida perda de peso. Diarréia e constipação podem-se alternar. Pode ocorrer edema hipoproteinêmico, mas a “bottle jaw” raramente é tão severa como nos casos de hemoncose. Durante o período patente, o diagnóstico pode ser feito pela demons-tração da presença de ovos característicos nas fezes.
À necropsia, a mucosa pode estar congesta e edematosa, com numerosos pontos hemorrágicos pequenos onde os vermes estavam fixados. Os vermes são facilmente vistos no início do intestino delgado e o conteúdo é, em geral, tinto de sangue. Uma quantidade de 2.000 vermes pode causar a morte em bezerros.
Lesões locais, edema e formação de crostas podem resultar da penetração das larvas na pele de bezerros resistentes.
Para diagnóstico, tratamento e controle, ver página 254.
Infecção por Strongyloides
O verme intestinal, Strongyloides papillosus, tem um ciclo de vida incomum.
Somente as fêmeas ocorrem na fase parasitária do ciclo. Estas têm de 3,5 a 6mm Parasitas Gastrointestinais de Ruminantes 248
de comprimento e se alojam na mucosa da parte superior do intestino delgado.
Pequenos ovos embrionados são eliminados nas fezes, rapidamente eclodem e podem-se desenvolver diretamente em larvas infectantes ou em adultos de vida livre. A descendência destes adultos de vida livre pode-se desenvolver em outra geração de adultos de vida livre ou em larvas infectantes. O hospedeiro é infectado pela penetração através da pele ou por ingestão; a transmissão das larvas infectantes pelo colostro pode ocorrer como em outras espécies do gênero. O período pré-patente é de aproximadamente 10 dias.
As infecções são mais comuns em bezerros jovens, particularmente em gado leiteiro. Embora os sintomas sejam raros, eles incluem diarréia intermitente, perda de apetite e peso e, às vezes a presença de sangue e muco nas fezes. Um grande número de vermes no intestino provoca enterite catarral com petéquias e equimoses, especialmente no duodeno e jejuno.
Para diagnóstico, tratamento e controle, ver página 254.
Infecção por Nematodirus
Embora muitas outras espécies, por exemplo, Nematodirus spathiger e N. battus, possam infectar o gado, a N. helvetianus é geralmente reconhecida como a espécie mais comum em bovinos. Os machos adultos de N. helvetianus têm aproximadamen-te 12mm de comprimento, e as fêmeas de 18 a 25mm. Os ovos se desenvolvem lentamente; o terceiro estágio infectante é atingido dentro dos ovos em 2 a 4 semanas e pode permanecer aí por vários meses. Os ovos podem-se acumular nas pastagens e eclodir em larga escala, após as chuvas, para provocar violentas infecções em um curto período. Os ovos são altamente resistentes e aqueles eliminados pelos bezerros de uma estação podem-se manter vivos e contaminar os bezerros da estação seguinte. O estágio adulto é alcançado em aproximadamente 3 semanas, após ingestão das larvas infectantes. Os vermes são mais numerosos em 3 a 6mm do piloro.
Os sintomas incluem diarréia e anorexia. Estes sintomas desenvolvem-se geralmente na terceira semana de infecção, antes que os vermes estejam sexual-mente maduros; infecções clínicas têm sido observadas em bezerros acima de 6 semanas. Durante o período pré-patente, o diagnóstico é difícil; durante o período patente, o diagnóstico é feito facilmente, com base nos ovos característicos. Este parasita produz um número relativamente pequeno de ovos. A resistência a uma reinfecção é desenvolvida rapidamente. A necropsia pode mostrar apenas uma mucosa edematosa e espessa.
Para diagnóstico, tratamento e controle, ver página 254.
Infecção por Toxocara
O ascarídeo Toxocara vitulorum é um verme esbranquiçado e rijo (machos de 20 a 25cm, fêmeas de 25 a 30cm) que ocorre no intestino delgado de bezerros com menos de 6 meses de idade; bezerros mais velhos são resistentes. As larvas que eclodem dos ovos ingeridos passam para os tecidos e, em vacas prenhes, movem-se no final da gestação e são transmitidas para o bezerro pelo leite. Os ovos aparecem nas fezes dos bezerros a partir de 3 semanas de idade, sendo facilmente reconheci-dos pela sua casca espessa e com depressões circulares. Em algumas partes do mundo, esta infecção é considerada séria, particularmente em bezerros de búfalos.
Para diagnóstico, tratamento e controle, ver página 254.
Infecção por Oesophagostomum
Os adultos de Oesophagostomum radiatum (verme nodular) têm de 12 a 15mm de comprimento e a cabeça é inclinada dorsalmente. Os ovos são muito semelhan-Parasitas Gastrointestinais de Ruminantes 249
tes aos de H. placei e, freqüentemente, são agrupados a estes nos exames fecais de rotina. O ciclo de vida é direto. As larvas penetram na parede inferior do intestino delgado, 3 a 6m, mas também no ceco e cólon, onde permanecem por 5 a 10 dias e, então, retornam ao lúmen como larvas de quarto estágio. O período pré-patente em animais suscetíveis é de aproximadamente 6 semanas. Entretanto, nas reinfecções subseqüentes, as larvas ficam retidas por algum tempo e muitas delas podem nunca retornar ao lúmen (encistamento no hospedeiro).
Os animais jovens sofrem o efeito dos vermes adultos, enquanto nos animais mais velhos o efeito dos nódulos é mais importante. A infecção causa anorexia;
diarréia escura e fétida severa e constante; perda de peso; e morte. Em animais mais velhos e resistentes, os nódulos que envolvem as larvas calcificam-se, reduzindo assim a mobilidade do intestino. A estenose ou a intussuscepção ocorrem ocasio-nalmente. Os nódulos podem ser palpados pelo reto e os vermes e nódulos podem facilmente ser observados à necropsia.
Para diagnóstico, tratamento e controle, ver página 254.
Infecção por Chabertia
Os adultos do verme intestinal de boca grande, Chabertia ovina, têm aproxima-damente 12mm de comprimento inclinados ventralmente na extremidade anterior.
Possuem um ciclo de vida direto típico. As larvas penetram a mucosa do intestino delgado logo após a ingestão; posteriormente elas emergem e vão para o cólon. O período pré-patente é de pelo menos 7 semanas. As larvas e adultos podem causar pequenas hemorragias com edema no cólon e a emissão de fezes recobertas com muco. A chabertíase clínica é muito raramente observada em bovinos.
Para diagnóstico, tratamento e controle, ver página 254 e seguintes.
Infecção por Trichuris
As infecções por Trichuris spp são comuns em bezerros jovens e de sobreano, mas o número de vermes raramente é grande. Os ovos são resistentes e as infecções podem persistir em propriedades-problemas. Os sinais clínicos são improváveis, mas em infecções intensas ocasionais, diarréia com fezes escuras, anemia e anorexia podem ser observadas.
Para diagnóstico, tratamento e controle, ver página 254.
Infecção por vermes chatos
Os vermes chatos anoplocefalídeos Monienzia expansa e M. benedeni são encontrados em bovinos jovens. Os vermes deste grupo são caracterizados pela ausência de rostelo e ganchos, e os segmentos geralmente são mais largos que compridos. Os ovos são triangulares ou retangulares e são ingeridos por ácaros oribatídeos de vida livre, que vivem no solo e no pasto. Depois de um período de 6 a 16 semanas, os cisticercóides infectantes estão presentes nos ácaros. A infecção ocorre pela ingestão dos ácaros; o período pré-patente é de aproximadamente 5 semanas. Monienzia são normalmente consideradas não patogênicas em bezerros, mas foi relatada a estase intestinal.
Para diagnóstico, tratamento e controle, ver página 254.
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ARASITASG
ASTROINTESTINAISDEC
APRINOSEO
VINOS Várias espécies de nematóideos e cestóideos são capazes de provocar gastrite e enterite parasitárias em caprinos e ovinos. As mais importantes são Haemonchus contortus, Ostertagia circumcincta, Trichostrongylus axei, espécies intestinais de Trichostrongylus, Nematodirus spp, Bunostomum trigonocephalum e Oesophagostomum Parasitas Gastrointestinais de Ruminantes 250columbianum. Cooperia curticei, Strongyloides papillosus, Trichuris ovis e Chabertia ovina também podem ser patogênicos em ovinos; estas e as espécies congêneres foram discutidas junto com os helmintos de bovinos (ver anteriormente).
Infecções por Haemonchus, Ostertagia e Trichostrongylus
Os principais vermes estomacais dos ovinos e caprinos são Haemonchus contortus, Ostertagia circumcincta, O. trifurcata e Trichostrongylus axei e, em algumas regiões tropicais, Mecistocirrus digitatus. A transmissão cruzada de Haemonchus entre ovinos e bovinos pode ocorrer, mas não tão facilmente quanto em transmissões em espécies homólogas. Os ovinos são mais suscetíveis às espécies de bovinos que os bovinos o são às espécies de ovinos. Para informações sobre o tamanho e o ciclo de vida destes vermes, ver PARASITAS GASTROINTESTINAIS DE BOVINOS, anteriormente.
Haemonchus é a espécie mais comum nas áreas tropicais ou subtropicais ou em áreas com verão chuvoso, enquanto Ostertagia e T. axei são mais comuns nas áreas com inverno chuvoso. As últimas espécies predominam nas zonas temperadas.
A hemoncose ovina pode ser classificada como hiperaguda, aguda ou crônica.
Nos casos de doença hiperaguda, a morte pode ocorrer em 1 semana por violenta infecção, sem sintomas significativos. A doença aguda é caracterizada por anemia severa, acompanhada de edema generalizado; a anemia é também uma caracte-rística de infecção crônica, geralmente com pouco ônus e acompanhada de progressiva perda de peso. A diarréia não é um sintoma de hemoncose; as lesões são aquelas associadas à anemia. O abomaso é edematoso e, na fase crônica, o pH eleva-se, o que causa disfunção gástrica. Os bovinos adultos podem desenvol-ver infecções sérias ou mesmo fatais, particularmente durante a lactação.
As lesões, patogenias e sintomas das infecções por Ostertagia e T. axei são similares às encontradas em bovinos. Mesmo em níveis subclínicos de infecção, causam diminuição do apetite, redução da digestão gástrica e da utilização da energia metabolizável e proteína. Ostertagia é o principal gênero envolvido no aumento da contagem de ovos fecais no período periparto nos ovinos e, nas infecções graves, pode causar diarréia e diminuir a produção de leite das ovelhas.
A eliminação dos ovos funciona como a principal fonte de contaminação para os cordeiros. O mesmo tipo de desenvolvimento inibido (hipobiose), visto em bovinos, ocorre tanto com Ostertagia quanto com Haemonchus.
Para diagnóstico, tratamento e controle, ver página 254.
Tricostrongilose intestinal
O ciclo de vida do Trichostrongylus intestinal (T. colubriformis, T. vitrinus, T.
rugatus) é direto; as larvas desenvolvem-se enterradas superficialmente nas criptas da mucosa e tornam-se formas adultas e poedeiras de ovos, em 18 a 21 dias.
Anorexia, diarréia persistente e perda de peso são os principais sintomas. Ocorre atrofia dos vilos que resulta em digestão prejudicada e malabsorção; ocorre perda de proteína pela mucosa lesada. Não há lesões diagnósticas e uma contagem total dos vermes deve ser realizada para comprovar a infecção e avaliá-la.
Para diagnóstico, tratamento e controle, ver página 254.
Infecções por Bunostomum e Gaigeria
Os adultos da Bunostomum trigonocephalum (vermes duodenais) são encontra-dos no jejuno. O ciclo de vida e os achaencontra-dos clínicos são essencialmente os mesmos dos ancilostomídeos de bovinos. Quantidades de apenas 100 vermes podem causar sintomas clínicos. Gaigeria pachyscelis é encontrada na África e na Ásia, e assemelha-se ao Bunostomum em tamanho e forma (2 a 3cm). As larvas de Parasitas Gastrointestinais de Ruminantes 251
G. pachyscelis penetram somente pela pele. É uma voraz sugadora de sangue e provavelmente a mais patogênica dos ancilostomídeos.
Para diagnóstico, tratamento e controle, ver página 254.
Infecções por Nematodirus
As espécies de Nematodirus que ocorrem no intestino delgado dos ovinos são similares em morfologia e ciclo de vida na N. helvetianus (ver pág. 249). Infecções clínicas por Nematodirus são de considerável importância na Grã-Betanha, Nova Zelândia e Austrália, onde têm sido relatadas perdas de 20% dos cordeiros em rebanhos afetados. Nos EUA, os parasitas são endêmicos em algumas partes das Montanhas Rochosas, onde ocasionalmente causam a doença clínica em cordeiros.
Nestas áreas onde as infecções clínicas são comuns, a doença freqüentemente possui um padrão sazonal característico. Muitos dos ovos expelidos pelos cordeiros afetados permanecem dormentes durante o restante da estação de pasto e no inverno, aparecendo um grande número de larvas no início da estação de pasto do ano seguinte. Portanto, os cordeiros de uma estação contaminam o pasto para os cordeiros da estação seguinte e conseqüentemente o ciclo de vida pode ser interrompido, se a mesma área não for usada como pasto para cordeiros em anos consecutivos. A maioria das infecções clínicas ocorre em cordeiros de 6 a 12 semanas de vida.
A N. battus ocorre na Grã-Betanha e em outras partes da Europa e tem sido recentemente relatada na América do Norte. Ela parece ser mais patogênica que as outras espécies; por causa das técnicas de manejo usadas nestas áreas e pelos ovos não eclodidos até serem expostos a condições de frio, a doença ocorre com grande regularidade na primavera. Como os ovos são muito resistentes e não eclodem a não ser em condições favoráveis de umidade, eles se acumulam no período da seca e eclodem em grande quantidade depois das chuvas, sendo que os surtos da doença manifestam-se 2 a 4 semanas depois. Nematodirus spp ocorrem freqüentemente em regiões de baixa pluviosidade (por exemplo, Karroo, na África do Sul e no interior da Austrália) onde outros parasitas raramente ocorrem.
A doença é caracterizada por surgimento repentino, desânimo, abatimento, diarréia profusa e visível desidratação, ocorrendo a morte em 2 a 3 dias após o início da manifestação. A nematodirose normalmente é restrita a cordeiros ou carneiros recentemente desmamados, mas em regiões pouco chuvosas onde os surtos são esporádicos, os animais mais velhos podem sofrer graves infecções. As lesões geralmente consistem de desidratação e moderada enterite catarral, mas pode ocorrer inflamação aguda de todo o intestino delgado. Contagens de pelo menos 10.000 vermes, juntamente com os sintomas característicos e históricos, são indica-tivos de infecções clínicas. Os cordeiros afetados podem eliminar uma grande quantidade de ovos, que podem ser facilmente identificados; entretanto, como o surto pode preceder a maturação dos vermes fêmeas, isto não é um achado constante.
Para diagnóstico, tratamento e controle, ver página 254.
Infecção por Oesophagostomum
O verme nodular dos ovinos, Oesophagostomum columbianum, é semelhante morfologicamente no seu ciclo de vida ao verme nodular dos bovinos (ver pág. 249).
A diarréia geralmente desenvolve-se durante a segunda semana de infecção. As fezes podem conter muco excessivo, assim como estrias de sangue. À medida que a diarréia progride, os animais vão se tornando emaciados e fracos. Estes sintomas com freqüência decrescem no final do período pré-patente, mas a presença contínua de numerosos vermes adultos pode resultar numa infecção crônica, na qual os sintomas podem não se desenvolver por vários meses. Os animais tornam-Parasitas Gastrointestinais de Ruminantes 252
se fracos, perdem peso, apesar de terem bom apetite, e apresentam períodos intermitentes de diarréia e constipação.
À medida que se desenvolve a resistência, formam-se nódulos em volta das larvas e estes podem-se tornar caseosos e calcificados. A formação de nódulos geralmente é mais pronunciada em ovinos que em bovinos. Os carneiros afetados têm um andar duro e freqüentemente as costas arqueadas. Estenose e intussuscep-ção podem ocorrer em casos graves. O diagnóstico é difícil durante o período pré-patente, o qual deve ser baseado largamente nos sinais clínicos, embora os nódulos freqüentemente possam ser palpados pelo reto.
Para diagnóstico, tratamento e controle, ver página 254.
Infecção por Chabertia
Os vermes adultos causam sérios danos à mucosa do cólon, resultando em congestão, ulceração e pequenas hemorragias. Os carneiros infectados são fracos;
as fezes são moles, contêm muito muco e podem ter estrias de sangue. A imunidade desenvolve-se rapidamente e as recidivas são observadas somente sob condições de estresse severo.
Para diagnóstico, tratamento e controle, ver adiante.
Infecção por Strongyloides
Infecções severas por vermes adultos causam uma doença que lembra tricostrongilose. A infecção geralmente se dá por penetração da pele, mas também pode ocorrer via leite. O dano à pele entre as unhas, produzido pela penetração da larva, lembra os estágios iniciais da podridão do casco e pode ajudar a penetração dos agentes causadores de podridão. A maior parte das infecções é transitória e sem conseqüências.
Para diagnóstico, tratamento e controle, ver adiante.
Infecção por Trichuris
As infecções graves por vermes chicotes não são comuns, mas podem ocorrer em cordeiros muito jovens ou em condições de seca prolongada, onde os carneiros comem cereais no chão. Os ovos são muito resistentes. Congestão e edema da mucosa cecal, acompanhados de diarréia e fraqueza, são observados.
Para diagnóstico, tratamento e controle, ver adiante.
Infecção por vermes chatos
A patogenicidade da Moniezia expansa em ovinos tem sido longamente discu-tida. Muitas das primeiras observações que associavam esta doença a diarréia, emaciação e perda de peso, não faziam diferença entre as infecções por vermes chatos e infecções por certos pequenos nematóideos (por exemplo, Trichostrongylus colubriformis). Hoje sabe-se que os vermes chatos são relativamente não patogê-nicos, mas infecções violentas podem causar fraqueza suave e distúrbios GI. O diagnóstico pode ser feito encontrando-se as proglotes em forma de sino e de coloração amarelada ou branco-perolada nas fezes ou protruindo a partir do ânus, ou pela demonstração dos ovos característicos no exame de fezes. O ciclo de vida envolve um ácaro oribatídeo que vive nas pastagens. O período pré-patente nos ovinos é de 6 a 7 semanas. Os cordeiros desenvolvem resistência rapidamente e são raras as infecções após , 4 ou 5 meses de idade.
Thysanosoma actinioides, o “verme chato franjado”, habita o intestino delgado, assim como os canais biliares e pancreáticos. Este verme é comumente encontrado em ovinos das áreas das Montanhas Rochosas dos EUA. Embora não tenha sido Parasitas Gastrointestinais de Ruminantes 253