Capítulo V Propostas institucionais para o pós-2020
2) Parecer do Comité Económico e Social Europeu
O parecer do CESE é resultado de uma consulta pedida pela presidência estónia do Conselho em agosto de 2017, tendo sido desenvolvida e adotada nos meses seguintes4 (CESE, 2017).
Com base na consulta pública, este órgão fez recomendações para 2021-2027, identificou problemas verificados atualmente (2014-2020) e, por fim, apresentou um conjunto de propostas, como se segue:
Em relação às recomendações, o CESE defende um DLBC obrigatório, apoiado por diferentes fundos, sendo necessário esbater as fronteiras entre os mesmos, e aplicado em todas as tipologias de territórios: rurais, costeiros e urbanos. Sugere que se crie um Fundo de reserva DLBC a nível comunitário e para além disso, que se garanta que cada Estado-membro dispõe de um Fundo DLBC, para o qual contribuem os quatro FEEI. Os Estados devem afetar, no mínimo, 15% do montante de cada FEEI que lhes é atribuído ao Fundo DLBC, que deve também ser alimentado com recursos do orçamento nacional. Deve ser definido um quadro harmonizado para os quatro FEEI e estipular regras simples para a aplicação do novo Fundo DLBC, a nível comunitário.
O CESE considera também que devem ser evitadas interrupções entre os períodos de programação e garantir que 2021-2027 se inicia melhor que 2014-2020. A burocracia deve ser diminuída, assim como a morosidade associada ao enquadramento jurídico complicado e à sua
4 Decisão da mesa em setembro, adotada em secção em novembro e em plenário em dezembro, estando o
transposição para o quadro nacional. Recomenda-se que se garanta a simplificação dos regulamentos e dos procedimentos de aplicação e que se aposte mais nas oportunidades e na confiança e se dê menos centralidade aos riscos e à prevenção de erros. Deve estreitar-se o diálogo entre todos os intervenientes do DLBC, a todos os níveis geográficos, a fim de se assegurar a sua participação na preparação do próximo período de programação e de se fomentar a confiança e garantir-se um DLBC integrado.
Recomenda-se a promoção da capacitação dos intervenientes, das autoridades, dos GAL, dos representantes dos GAL e dos organismos de gestão e pagamento. Deve fazer-se uso de soluções informáticas para divulgar exemplos de boas práticas e simplificar os FEEI. Essas soluções devem ter origem na participação de todos os interessados. Por fim, recomenda-se a avaliação e a divulgação das realizações dos GAL, sendo que as avaliações se devem centrar mais nos resultados, no desempenho e nos impactos e menos no controlo das elegibilidades (CESE, 2017).
Relativamente aos problemas que se têm verificado no atual período de programação, o CESE refere a falta de coesão entre os Fundos, a fraca coesão territorial e a falta de reconhecimento dos decisores políticos dos benefícios do DLBC. Continuam a haver fronteiras entre os Fundos e entre as tipologias de territórios, regulamentos e regras distintas para a aplicação de cada Fundo, falta de cooperação entre as diferentes autoridades de gestão e falta de coordenação. É referido que os países acrescentaram regras e requisitos suplementares ao DLBC que o complicaram, houve erros na transposição dos regulamentos europeus para os quadros nacionais e, portanto, é fundamental uma simplificação para 2021-2027. O DLBC está a ser aplicado sob a forma de um conjunto de medidas pré-definidas.
O CESE considera, neste sentido, que as medidas devem ser definidas a nível local e devem ser mais flexíveis. O período 2014-2020 arrancou com um grande atraso. Segundo o CESE, muitos dos países não conseguiram assegurar a continuidade de 2007-2013, o que gerou ansiedades, incertezas, desmotivações e perdas de conhecimentos. A pouca confiança entre os diferentes intervenientes do DLBC impede a aplicação correta da abordagem. A aplicação de sanções na fase de execução compromete o diálogo e a confiança. As autoridades de gestão e organismos pagadores têm a possibilidade de decidir pela não aplicação de sanções e o CESE defende que devem fazer uso dessa possibilidade mais frequentemente.
É também referido que não se conseguiu simplificar os sistemas informáticos e que houve falta de participação de vários dos intervenientes no DLBC no desenvolvimento dos sistemas. Os
sistemas devem ser simples e flexíveis e menos padronizados, conforme as especificidades dos territórios de intervenção dos GAL. As verbas disponíveis são insuficientes, deitando por terra expetativas e esforços previstos. Houve falta de diálogo entre os intervenientes (autoridades de gestão, organismos de pagamento, GAL, entidades que os representam e redes LEADER) o que levou a aumento da burocracia e a atrasos no início do período de programação e na atribuição dos fundos. Há falta de conhecimento dos GAL e das autoridades sobre as respetivas realidades, faltando ações de formação e intercâmbio de conhecimentos. O DLBC multifundos e as possibilidades da sua implementação não foram bem explicados, os Estados-membros não sabiam como aplicá-lo nos seus territórios e, por isso, há a necessidade de no futuro se definirem modelos simples.
É criticado o facto de os GAL se terem tornado meras fontes de financiamento e um nível administrativo adicional. Os GAL devem ser verdadeiras organizações de desenvolvimento, promotores da cooperação, da formação e do trabalho em rede. Outro problema identificado é a inexistência de modelos claros e simples de avaliação. As avaliações devem servir para a aprendizagem, logo, não devem ser meramente quantitativas. Por fim, foram referidas situações, em alguns países, de abuso de poder por parte das autoridades de gestão, em que os GAL não são vistos como parceiros iguais, e/ou a existência de pressões de municípios, e ainda a utilização do DLBC para fins de agenda política (CESE, 2017).
Por fim, relativamente às principais propostas apresentadas, o CESE considera que é fundamental definir claramente a nível europeu o que se pretende e como se quer aplicar o DLBC, obrigatoriamente multifundos, para se definirem atempadamente os modelos e orientações (simples). Devem ser apresentados, em 2018, guias de boas práticas para o DLBC. É necessário procurar soluções originais, levando-se a sério a possibilidade de se criar um Fundo de reserva DLBC a nível europeu. Há que harmonizar as regras dos FEEI e estipular regras simples para a aplicação do Fundo DLBC a nível europeu, sendo necessário garantir que cada Estado-membro afeta 15% do valor de cada FEEI que recebe, juntamente com recursos nacionais para o Fundo DLBC.
Tem que haver também, dentro da filosofia propositiva exposta, um reforço do diálogo entre os intervenientes do DLBC. Propõe-se ainda alterar o nome do instrumento de DLBC para LEADER, ou outro, mais apelativo. É necessário garantir, a nível nacional, que o DLBC se destina às três tipologias de territórios. É proposta a criação, a nível nacional, de um Programa Operacional DLBC, no âmbito do qual se aplique o Fundo DLBC, e neste não deve haver fronteiras entre os diferentes FEEI. O Fundo deve estar reservado para os objetivos das EDL dos
GAL e deve ser aplicado de forma descentralizada, através dos GAL, para se garantir que as EDL respondem às necessidades e desafios locais. Deve ser criado um organismo de gestão único, a nível nacional, para o DLBC. Deve garantir-se que não haja interrupções entre 2014- 2020 e 2021-2027. A nível local ou regional poderá aumentar-se a capacidade administrativa dos GAL e ponderar a possibilidade dos GAL não estarem unicamente adstritos a uma tipologia de território, isto é, juntar territórios rurais, costeiros e urbanos num mesmo GAL ou então aumentar a ligação entre as EDL, mas deve ter-se em atenção que os GAL não podem tornar-se demasiado grandes sob pena de se poderem tornar ineficazes.
É ainda necessário adaptar as estratégias a todas as situações, dada a permanente evolução que afeta as condições de vida e de trabalho (coesão social, pobreza, migrações, agrupamentos regionais, economia verde, alterações climáticas, soluções inteligentes, novas tecnologias). Deve aumentar-se a cooperação interterritorial e transnacional. É preciso promover a formação contínua, a cooperação e o trabalho em rede dos intervenientes locais e do pessoal do GAL. Por fim, é fundamental avaliar-se continuamente, a nível local, o decorrer da execução das EDL e arranjar formas de incluir as comunidades nesse processo de avaliação (CESE, 2017).
Fonte: CESE (2017)