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3.4 O material empírico da pesquisa

3.4.2 Peculiaridades dos documentos segundo o momento

Para alcançar uma compreensão mais acurada acerca das características de cada um dos documentos e atores que fazem parte dos processos analisados, é importante pontuar as suas especificidades. Serão abordadas as peculiaridades segundo o momento do processo judicial em que são produzidos, ou seja, as etapas e instâncias existentes em um processo, e segundo os atores responsáveis pelo documento.

Nos julgamentos de primeira instância, quando se inicia o processo judicial, a sentença é prolatada por apenas um magistrado, escolhido por distribuição aleatória de Varas do Trabalho (VT). Cada VT possui um juiz titular e um juiz substituto que se encarregam, não em conjunto, dos julgamentos distribuídos para a unidade do Tribunal pela qual são responsáveis de modo exclusivo.

Já nos julgamentos em segunda instância que, no caso presente, ocorrem no Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região, há três turmas de cinco juízes que se encarregam dos julgamentos, coordenados por um juiz relator que analisa os autos dos processos, sobretudo a peça que recorreu àquela instância (denominado na Justiça do Trabalho Recurso Ordinário - RO), e elabora um voto escrito a ser sustentado oralmente para subsidiar os votos orais de três dos cinco juízes. O documento escrito pelo relator a partir da análise dos autos é disponibilizado aos demais componentes da turma e ao juiz revisor, também encarregado da análise do processo e de sustentar oralmente o seu voto após a sustentação feita pelo juiz relator.

Com base nesses dois votos, os três juízes restantes podem votar segundo um ou outro posicionamento, assim como podem revelar uma terceira posição em relação a uma parte do que foi relatado ou revisado, ou sobre o teor geral dos votos. Obtido um veredicto final com o resultado dos pleitos, redige-se um documento denominado “Acórdão”, que é o equivalente à sentença, por sua vez proferida em primeira instância.

É possível também que os três magistrados não incumbidos da relatoria ou da revisão, em vez de votarem com base apenas na sustentação oral dos dois juízes (relator e

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revisor), bem como das partes envolvidas (advogado de acusação ou promotor/procurador do Ministério Público, advogado de defesa e eventuais assistentes processuais), requisitem “vistas” do processo, hipótese em que recebem o inteiro conteúdo dos autos para avaliação pormenorizada, sem prazos muito rígidos para tanto. Nesses casos é comum que o magistrado que requisitou vistas ao processo anexe todo ou parte do seu voto por escrito nos autos.

É oportuno esclarecer que, além dos casos de promoção funcional, há outra hipótese em que é possível os juízes de primeira instância exercerem suas funções em uma corte de segunda instância. Essa possibilidade é a convocação de um juiz de primeiro grau para compor uma turma de segundo grau, quando um dos componentes desta turma está temporariamente ausente36

.

Nos julgamentos de segunda instância de quatro dos cinco processos analisados nesta pesquisa, houve a presença de ao menos um juiz convocado da primeira instância. Em um dos casos, o magistrado que proferiu a sentença de um dos processos em primeiro grau participou dos julgamentos em segunda instância de três outros processos. Em um deles foi apenas um componente da turma, e nos outros dois foi juiz relator e juiz revisor. Com isso, em apenas um dos processos tal juiz não participou37

. Nesse caso, o juiz em questão foi “promovido” para o TRT no período compreendido entre o julgamento em primeiro grau em que participou e os ocorridos em segunda instância.

Os argumentos apresentados nos autos possuem origens e papéis diferentes, a depender de quem os profere. O réu (acusado) contesta em uma “peça de defesa” ou “peça de contestação da defesa” os argumentos da peça inicial da ação civil pública, também denominada no jargão jurídico “peça exordial”. Antes de ser proferida uma decisão ou sentença, o autor da ação (no presente caso, o MPT) replica o documento apresentado pela defesa e reforça a validade dos seus pedidos, fundamentos e provas, por meio de uma “peça de réplica”.

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É muito comum esta ausência tanto porque os magistrados gozam de dois meses de férias, como porque os magistrados do TRT também podem ser convocados para julgamentos em instância superior, a saber, no TST.

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É importante ponderar que o processo que o referido juiz participou em primeira instância é diferente daqueles três que participou, posteriormente, em segunda instância, devido a proibições ligadas ao direito de reforma das sentenças judiciais (Cintra et.al., 2007).

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Posteriormente à réplica podem ser emitidas peças menores de “razões finais” por ambas as partes, sendo tal apresentação facultativa. O réu pode, ainda, como foi o caso em dois dos cinco processos aqui analisados38

, apresentar juntamente à sua defesa, outra peça processual denominada “peça de reconvenção”, que significa um contra-ataque, em um mesmo processo, para pleitear que o antes “credor” (o réu) se transforme em “devedor” 39

. O último documento emitido ainda em primeira instância é uma sentença que avalia tudo o que está presente nos autos do processo, de forma a se convencer sobre aqueles pontos em conflito à luz da sua interpretação das leis, precedentes e jurisprudências, considerados não apenas os fatos, as provas e os argumentos exibidos, mas também o seu entendimento mais amplo daquele tema.

Os cinco processos contiveram também pedidos para a concessão de antecipação de tutela, ou, em outras palavras, pedidos por decisões em caráter liminar40

. Trata-se da situação em que se requer que uma decisão seja tomada imediatamente e em caráter temporário. Para ser concedida, a liminar exige o reconhecimento pelo juiz de um direito “líquido e certo”. Com isso, é provisoriamente deferido o pedido do autor, até que haja o exame completo de todos os argumentos apresentados nos autos.

A depender da velocidade de julgamento de um pedido de liminar, é possível que antes de serem escritas as peças de contestação da defesa (do réu) e a réplica (feita posteriormente à contestação, e em sua resposta) já se tenha uma ideia do que adviria das sentenças, já que há a publicação das decisões sobre os pedidos liminares pelos juízes de primeira instância. No tocante aos casos pesquisados, uma das decisões liminares foi de especial importância, haja vista a rapidez com que foi prolatada (uma semana depois do dia em que foram ajuizadas as cinco ACPs), o seu tamanho fora do normal (dez folhas de processo, enquanto todas as outras ocuparam uma ou duas), e o teor bastante semelhante daquele transcrito na sentença proferida em caráter definitivo.

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Processos nº 00928-2005-014-10-00-5 e nº 00936-2005-012-10-00-9.

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Utiliza-se esse instituto quando o então réu entende que a propositura da ação acarreta em danos injustos para, como no caso dos bancos, a imagem pública da empresa.

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Por liminar, entende-se medida ou providência que precede o objeto principal da ação judicial.

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3.5

Estratégias de análise do