4 MARCA: O PATRIMÔNIO INCORPÓREO E O PRINCÍPIO DA MENOR
4.3 PENHORA DA MARCA E O PRINCÍPIO DA MENOR ONEROSIDADE
A marca goza de um status privilegiado constante no ativo de algumas empresas. É ainda perceptível que as marcas fazem parte do nosso dia-a-dia e que, se para os consumidores têm uma importância na escolha do produto sobre qual esta gravada, para os proprietários de marcas famosas são vitais para o sucesso no mercado.
Por isso, como em algumas companhias a marca é a totalidade da propriedade que a empresa, e em outras é boa parte do patrimônio, o direito também se preocupou com a marca em vários ramos de aplicação jurídica.
126
ALMEIDA, Amador Paes de. Manual das sociedades comerciais (direito de empresa). 17. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2008. p. 42.
127
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 420.303/SP, Pedro Conde Filho. Relator: Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira. Brasília, 06 de junho de 2002. Disponível em:
<https://ww2.stj.jus.br/websecstj/cgi/revista/REJ.cgi/IMG?seq=2279&nreg=200200314250&dt=200 20812&formato=PDF>. Acesso em: 10 jun. 2010.
Em atenção, o que não se pode perder de foco é a característica primária de propriedade industrial, bem móvel já frisado, mas que cabe relembrar com as palavras da LPI no seu art. 5º: “Consideram-se bens móveis, para os efeitos legais,
os direitos de propriedade industrial.”128
Assim, valendo-se como bem móvel ou coisa móvel (pelo direito civil) a outra aplicação visada pela ciência jurídica é a das obrigações ou restrições de uso que
podem recair sobre a marca. Vemos pelo trecho da obra do IDS:
Ademais, os direitos de propriedade industrial, como os bens móveis, integram o patrimônio de seus titulares constituindo-se em elementos do fundo de comercio das pessoas, podendo ser dados em garantia de empréstimos ou utilizados na forma de capital social de empresas de diversos tipos.129 (grifo nosso)
Pelo mesmo caminho, a LPI determina que os gravames serão anotados no assentamento do INPI para que surtam efeitos legais e administrativos.
Art. 136. O INPI fará as seguintes anotações: [...]
II - de qualquer limitação ou ônus que recaia sobre o pedido ou registro; [...]
Art. 137. As anotações produzirão efeitos em relação a terceiros a partir da data de sua publicação.130
Nesse liame, pretende o legislador tratar de hipóteses de determinações advindas de autoridades judiciais ou administração, ou até por lei específica ou outro acordo, em que o titular do registro da marca passe a ter restrição na plenitude de
exercer seu direito sobre ela, e que noutro momento era pacificamente seu. 131
Assim, por pairarem sobre as marcas ônus reais, novamente o IDS nos esclarece pontuando exatamente pelo que rege o Código Civil:
Trata-se de gravames que podem incidir sobre os bens móveis em geral, in casu, as marcas, cujos ônus reais estão regulamentados, no ordenamento pátrio, no Título II, do Novo Código Civil, que trata dos direitos reais.
128
BRASIL. Lei n° 9.279, de 14 de maio de 1996. Regul a direitos e obrigações relativos à propriedade industrial. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9279.htm>. Acesso em: 10 abr. 2010.
129
IDS-INSTITUTO DONNEMANN SIEMESEN DE ESTUDOS DE PROPRIEDADE INTELECTUAL. Comentários à lei de propriedade industrial. Rio de Janeiro: Renovar, 2005. p.15.
130
BRASIL. Lei n° 9.279, de 14 de maio de 1996. Regul a direitos e obrigações relativos à propriedade industrial. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9279.htm>. Acesso em: 10 abr. 2010
131
IDS-INSTITUTO DONNEMANN SIEMESEN DE ESTUDOS DE PROPRIEDADE INTELECTUAL. Comentários à lei de propriedade industrial. Rio de Janeiro: Renovar, 2005. p.273.
Conforme o Art. 1225 do Novo Código Civil Brasileiro, são direitos reais: Art. 1.225. São direitos reais:
I - a propriedade; II - a superfície; III - as servidões; IV - o usufruto; V - o uso; VI - a habitação;
VII - o direito do promitente comprador do imóvel; VIII - o penhor;
IX - a hipoteca; X - a anticrese;
XI - a concessão de uso especial para fins de moradia; XII - a concessão de direito real de uso.
[...]
Alem do próprio direito de propriedade atribuível ao titular da marca, podem recair sobre ela os direitos de coisa alheia, também chamados de direitos limitados, de usufruto e penhor, previstos no Título VI e X, respectivamente, no Novo Código Civil.132
Seguindo esse raciocínio, no art. 1.431 do Código Civil é possível que se visualize a imposição da penhora sobre os bens móveis, e como nesse caso o ativo intangível de nossa apreciação é assim definido, eis o dispositivo:
Art. 1.431. Constitui-se o penhor pela transferência efetiva da posse que, em garantia do débito ao credor ou a quem o represente, faz o devedor, ou alguém por ele, de uma coisa móvel, suscetível de alienação.133 (grifo nosso)134
Nesse momento afirma-se, que a garantia de ônus real do penhor ou o direito de usufruto sobre a marca surgirá de vontade de particular dela proprietário, de um negócio jurídico, ou por uma decisão do judiciário que aborde o direito ora identificado, entendendo que ele exista e a ela seja aplicado. Para tal, será o INPI, após uma das situações que o movem, responsável por anotar no processo de
registro pertinente qualquer impedimento ou direito, seja ele penhor ou usufruto.135
Como se observa, ainda abordando a modalidade de penhora pouco discutida na doutrina, seja ela constrição que recai sobre a marca e cerne deste trabalho acadêmico, com o assedio crescente a este bem, é pertinente apresentar alguns julgados específicos e as devidas considerações.
132
IDS-INSTITUTO DONNEMANN SIEMESEN DE ESTUDOS DE PROPRIEDADE INTELECTUAL. Comentários à lei de propriedade industrial. Rio de Janeiro: Renovar, 2005. p.274.
133
BRASIL. Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002. I nstitui o Código Civil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 10 abr. 2010
134
BRASIL. Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002. I nstitui o Código Civil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/2002/L10406.htm>. Acesso em: 10 abr. 2010
135
IDS-INSTITUTO DONNEMANN SIEMESEN DE ESTUDOS DE PROPRIEDADE INTELECTUAL. Comentários à lei de propriedade industrial. Rio de Janeiro: Renovar, 2005. p.275
No primeiro julgado selecionado tem-se, já em 1996, ano da lei de propriedade industrial, a demonstração da utilização da penhora como reforço de penhora:
EXECUCAO - PENHORA. DEFERE-SE O REFORCO DA PENHORA SE A AVALIACAO OFICIAL REVELA A INSUFICIENCIA DOS BENS PENHORADOS PARA GARANTIR A EXECUCAO. PENHORA DA MARCA: POSSIBILIDADE. AGRAVO PARCIALMENTE PROVIDO.136 (grifo nosso)
Do mesmo modo, nesta outra jurisprudência, o tribunal do estado vizinho determinou que a marca poderia ser penhorada para complementar a garantia do pagamento ao credor:
PENHORA-EMBARGOS. DISCUSSAO SOBRE O VALOR DOS BENS PENHORADOS E EMBARGOS SOBRE O VALOR DA EXECUCAO. DEFERIMENTO, EM OUTRO AGRAVO, DA PENHORA DA MARCA FASOLO. GARANTIA DO DIREITO CONSTITUCIONAL DE ACAO E DO ACESSO A JURISDICAO, COMPLETANDO-SE OPORTUNAMENTE A PENHORA, SE INSUFICIENTE PARA GARANTIR O PAGAMENTO, APOS DEFINICAO DO VALOR DO CREDITO. 137 (grifo nosso)
A jurisprudência colacionada pelo Tribunal Catarinense é alinhada no mesmo sentido:
AGRAVO DE INSTRUMENTO - EXECUÇÃO - PROPRIEDADE INDUSTRIAL - MARCA - PENHORA – ADMISSIBILIDADE. ‘O devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei’ (CPC, art. 591). A MARCA industrial - como bem integrante do patrimônio da empresa devedora, de valor economicamente mensurável - pode ser penhorada. 138
Alem disso, vale ressaltar que o relatório desse julgado apresenta um peculiar importante acerca da constrição judicial da marca. Refere-se à inviabilidade das atividades da empresa quando da restrição dos direitos sobre sua marca. Neste caso, os magistrados entenderam que não afetaria o andamento da empresa e mantiveram assim a penhora.
136
RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Alçada. Agravo de Instrumento Nº 196196851. Relator: Des. Moacir Leopoldo Haeser. Bento Gonçanves, 05 de novembro de 1996. Disponível em:
<http://www1.tjrs.jus.br/busca/?tb=juris>. Acesso em: 10 jun. 2010
137
RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Alçada. Agravo de Instrumento Nº 196196737. Relator: Des. Moacir Leopoldo Haeser. Bento Gonçanves, 10 junho de 1997. Disponível em:
<http://www1.tjrs.jus.br/busca/?tb=juris>. Acesso em: 10 jun. 2010.
138
SANTA CATARINA. Tribunal de Justiça. Agravo de Instrumento nº 1999.012365-0. Relator: Des. Newton Trisotto. Blumenau, 08 de fevereiro de 2001. Disponível em:
<http://app.tjsc.jus.br/jurisprudencia/acnaintegra!html.action?parametros.todas=1999.012365- 0¶metros.rowid=AAARykAAHAABaEFAAE>. Acesso em: 10 jun. 2010.
Da decisão que determinou a penhora e a constrição judicial para que tornem o uso das mesmas indisponíveis, a devedora interpôs agravo de instrumento, sustentando que para garantir a execução ofereceu imóvel, o qual não foi aceito pela credora, e que a manutenção da penhora inviabilizará suas atividades.139
Outrossim, a ementa seguinte traz à luz a dificuldade utilizar a marca como bem penhorável, haja vista a liquidez complicada proporcionada por tal.
AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO. PENHORA SOBRE O FATURAMENTO BRUTO MENSAL. NOMEAÇÃO DE BENS À PENHORA INEFICAZ. MARCA DA DEVEDORA. A marca indicada à penhora está situada no último lugar na ordem de gradação do artigo 11 da Lei nº 6.830/80, e é fato conhecido nesta Corte que se trata de bem de dificílima liquidez e de baixa cotação do mercado. Por outro lado, considerando o expressivo valor do débito tributário ante a inexistência de bens suficientes para garantir a execução onde predomina o interesse público, é admissível a penhora sobre 5% do faturamento bruto da empresa, ausente pedido para que incidisse sobre o faturamento líquido. Agravo desprovido por maioria, vencido o Des. Roque. 140
Por outro lado, vale ressalvar o apontamento feito no recorte anterior. Versa categoricamente que a marca aparece como último item no rol de bens a penhora, de acordo com o art. 11 da Lei nº 6.830/80.
Em primeiro lugar, nem sempre se pode por a marca como ultimo item na lista de bens a serem arrestados, pois ora se pode referir a bem móvel, como maciçamente vimos, ora se pode referir a direitos sobre ela, e isso varia a posição nessa lista. O segundo ponto importante é a perceptível quantidade de julgados do nosso certame baseados em execução fiscal. De forma alguma queremos adentrar a seara da lei de execução fiscal (LEF), porém a título de esclarecimento, vale lembrar que o rol de bens à penhora do CPC era subsidiário à LEF por ser ela uma lei mais específica. No entanto, como o CPC foi alterado recentemente, existem controvérsias no tocante a essa ordem, em que momento se utiliza uma ou outra, além de outros fatores divergentes entre essas duas leis. Dadas as inúmeras controvérsias entre elas, por óbvio, não serão aqui estudadas por ser, mormente, bastante assunto para várias monografias.
139
SANTA CATARINA. Tribunal de Justiça. Agravo de Instrumento nº 1999.012365-0. Relator: Des. Newton Trisotto. Blumenau, 08 de fevereiro de 2001. Disponível em:
<http://app.tjsc.jus.br/jurisprudencia/acnaintegra!html.action?parametros.todas=1999.012365- 0¶metros.rowid=AAARykAAHAABaEFAAE>. Acesso em: 10 jun. 2010.
140
RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Justiça. Agravo de Instrumento Nº 70014698575. Relator: Des. João Armando Bezerra Campos. Porto Alegre. 17 de maio de 2006. Disponível em: < http://www3.tjrs.jus.br/site_php/consulta/download/exibe_documento_att.php?ano=2006&codigo=4 19717>. Acesso em: 10 jun. 2010
Como se observa, na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça há utilização da penhora da marca Yves Saint Laurent para resguardar direito do credor, neste caso, a fazenda do município do Rio de Janeiro:
TRIBUTARIO - IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS (ISS) - UTILIZAÇÃO DE MARCA - EXPLORAÇÃO DE MODELOS E DESENHOS ARTISTICOS - DEL 406/1968 - PRECEDENTES STJ.
- OS CONTRATOS DE LICENÇA PARA UTILIZAÇÃO E USO DE MARCA SÃO CONSIDERADOS BENS INCORPOREOS, PASSIVEIS DE LOCAÇÃO, SUJEITANDO-SE A TRIBUTAÇÃO REGULADA PELO ISS. - RECURSO NÃO CONHECIDO. 141
Existem ainda, julgados não menos importantes, mas menos comuns. Os tribunais a quo e o próprio STJ julgam também em favor do credor para não aceitar a marca como a bem a ser constritado. É perceptível nessas situações, que o judiciário não concordou com vasta abrangência da marca, que cause impacto social a ponto de ser bem contada no mercado. Deste modo, em geral os tribunais aceitam inclusão de outros bens aos autos em detrimento da marca. Do STJ colaciona-se:
TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA DE MARCAS. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. ART. 11, § 1º DA LEI 6.830/80. REEXAME DAS CIRCUNSTÂNCIAS FÁTICO-PROBATÓRIAS. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO PRETORIANO. MERA TRANSCRIÇÃO DE EMENTAS. 1. A Corte regional, com base na prova dos autos, entendeu inexistir situação excepcional que autorizasse a penhora das marcas da requerida, consoante dispõe o § 1º do art. 11 da Lei de Execuções Fiscais. Solução em contrário à adotada pela instância inferior, no sentido de que a hipótese dos autos enquadra-se na citada situação excepcional, estaria vedada em face do óbice do disposto na Súmula 7 desta Corte.
2. A recorrente limitou-se a transcrever ementas de julgados sem realizar o necessário cotejo analítico com o aresto atacado, fato que se mostra insuficiente para comprovar a divergência. Ademais, ainda que se tratasse de dissídio notório a pretensão esbarraria na proibição do preceituado na Súmula 7/STJ.
3. Recurso especial não conhecido. 142
Do tribunal do Rio Grande do Sul, o entendimento semelhante:
AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. NOMEAÇÃO À PENHORA DA MARCA DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. A nomeação à penhora da marca da empresa desatende a ordem estabelecida no art. 11 da LEF e no art. 655 do CPC. Ademais, sendo de difícil alienação o bem
141
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 63.847/RJ, Yves Saint Laurent. Relator: Min. Peçanha Martin. Brasília, 03 de abril de 1997. Disponível em:
<http://www.stj.jus.br/webstj/Processo/imagem/abreDocumento.asp?num_registro=199500180499 &dt_publicacao=19/05/1997>. Acesso em: 10 jun. 2010.
142
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 712.025/RS, Fazenda Nacional. Relator: Castro Meira. Brasília, 20 de outubro de 2005. Disponível em:
<https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=588220&sReg=20040180598 7&sData=20051107&formato=PDF> Acesso em: 11 jun. 2010. p. 226.
oferecido, devolve-se o direito de nomeação ao credor para a satisfação do crédito. Agravo desprovido, por maioria. 143
Do mesmo modo temos:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA DA MARCA DA EMPRESA DEVEDORA. IMPOSSIBILIDADE. Não há omissão no julgado que reconhece descabida a nomeação à penhora da marca da empresa devedora porque desatende a ordem estabelecida no art. 11 da LEF. Embargos rejeitados.144
E sustentando a importância da marca como forma de patrimônio intangível, de valor significativo para algumas empresas, é imprescindível evidenciar o princípio na menor onerosidade da execução. Esse princípio está disposto no art. 620 do CPC e pondera que quando há vários meios de gerar a execução, o juiz
deve determinar a que seja “menos gravosa para o devedor”145.
DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. NOMEAÇÃO À PENHORA DA MARCA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. A ordem prevista no art. 11 da LEF não é absoluta, podendo ser quebrada quando, em razão de circunstâncias fáticas, a nomeação à penhora dos bens indicados pelo devedor, não prejudica o credor e realiza o princípio da menor onerosidade da execução (art. 620 do CPC). Por maioria, deram provimento.146 (grifo nosso)
No mesmo raciocínio versa outra ementa:
AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. PENHORA DE MARCA DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE DESRESPEITO À GRADAÇÃO LEGAL, PORQUANTO RESPEITADOS OS PRINCÍPIOS DA EFETIVIDADE DA EXECUÇÃO E DA
MENOR ONEROSIDADE AO EXECUTADO. AGRAVO PROVIDO.147 (grifo
nosso)
143
RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Justiça. Agravo de Instrumento nº 70029331063. Relator: Marco Aurélio Heinz. Porto Alegre, 12 de agosto de 2009. Disponível em:<
http://www3.tjrs.jus.br/site_php/consulta/download/exibe_documento.php?codigo=1260849&ano=2 009> Acesso em: 11 jun. 2010.
144
RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Justiça. Embargos de Declaração nº 70032444671. Relator: Marco Aurélio Heinz. Porto Alegre, 04 de novembro de 2009. Disponível em:
<http://www3.tjrs.jus.br/site_php/consulta/download/exibe_documento.php?codigo=1869574&ano= 2009>Acesso em: 11 jun. 2010.
145
BRASIL. Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Institui o Código de Processo Civil. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L5869compilada.htm> Acesso em: 11 jun. 2010.
146
RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Justiça. Agravo de Instrumento nº 70023726771. Relator: Francisco José Moesch. Porto Alegre, 28 de maio de 2008. Disponível em:
<http://www3.tjrs.jus.br/site_php/consulta/download/exibe_documento.php?codigo=963192&ano=2 008> Acesso em: 11 jun. 2010
147
RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Justiça. Agravo de Instrumento Nº 70030258990. Relator: Marilene Bonzanini Bernardi. Porto Alegre, 08 de julho de 2009. Disponível em:
Aqui, se percebe a importância de preservar a marca na vida empresária. Se ela é notória, de alto renome ou ainda bem conceituada, é um patrimônio dotado de função social - função social da propriedade - e como tal, afeta diretamente a sociedade, que é a manutenção da atividade da empresa. O Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF4) externa :
EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA SOBRE O FATURAMENTO DA EMPRESA. SUBSTITUIÇÃO. PENHORA SOBRE A MARCA.
Admite-se como sendo possível, proceder-se à penhora sobre o faturamento da empresa, desde que não sejam apresentados outros bens passíveis de garantir a execução, ou, caso indicados, sejam de difícil alienação. Não basta tão-somente a indicação de bens; é necessária a demonstração de que são idôneos e podem efetivamente garantir o débito exeqüendo.
Mostra-se adequada a recusa à substituição da penhora do faturamento pela penhora da marca, tanto pelo gravame que impõe à sobrevivência dos negócios, quanto pelos prejuízos que traz à liquidez necessária à garantia da execução fiscal. A marca, associada aos serviços que presta, é parte importante, se não essencial, do patrimônio da empresa, sendo, pois, inegável que a impossibilidade de utilizá-la poderia inviabilizar definitivamente a continuidade das suas operações.
Justificável, além disso, a recusa do credor, porquanto o princípio da menor onerosidade ao executado (art. 620 do CPC) deve estar em harmonia com o princípio de que a execução realiza-se no interesse deste último. (art. 612 do CPC).148
Em momento anterior o TRF4 já trazia entendimento baseado no art. 620 do CPC quando aplicado à marca, haja vista que naquele momento a penhora estava constituída sobre a marca Varig. A constrição neste caso paralisaria as atividades da empresa e afetaria diretamente inúmeros trabalhadores. Vê-se na decisão:
PROCESSO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA SOBRE MARCAS. A marca comercial corresponde a bem incorpóreo da empresa, podendo ser penhorado em sede de execução fiscal. Contudo, a sua penhora é medida de caráter excepcional, tal qual aquela que recai sobre os demais bens do "estabelecimento comercial", nos termos do § 1º do art. 11 da Lei 6.830/80, a ser deferida na hipótese em
que não acarrete a paralisação da empresa.149 (grifo nosso)
<http://www3.tjrs.jus.br/site_php/consulta/download/exibe_documento.php?codigo=1054430&ano= 2009> Acesso em: 11 jun. 2010
148
BRASIL. Tribunal Regional Federal. Região 4. Agravo de instrumento nº 2007.04.00.043484-5. Relator: Vilson Darós. Porto Alegre, 14 de setembro de 2008. Disponível em:
<http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/visualizar_documento_gedpro.php?local=trf4&documento=22 14190&hash=89bd438ba3345d7439901646e598ffff> Acesso em: 11 jun. 2010
149
BRASIL. Tribunal Regional Federal. Região 4. Agravo de Instrumento nº 2003.04.01.038864-4/RS, Relator: João Surreaux Chagas. Porto Alegre, 09 de setembro de 2004. Disponível em:
<http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/visualizar_documento_gedpro.php?local=trf4&documento=26 1661&hash=e9ca12a74907ce6d192fd1283024ff27> Acesso em 11 jun. 2010
O julgado do caso Varig repercutiu em decisões de outros tribunais. Prova disso foi a decisão proferida pela Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, no processo em que a Fazenda Nacional solicitou a constrição da marca Gradiente para garantir o pagamento de débitos tributário-fiscais. Os trechos da Decisão publicada nos ensinam, nos mesmos moldes do caso Varig do TRF4:
[...] Não obstante os fundamentos da decisão agravada, a penhora da marca da agravante constitui medida excepcional, não só pelo prejuízo que causa à empresa, a se cogitar sua própria paralisação, como pela sua ineficiência em garantir a execução fiscal, tendo em vista tratar-se de bem de difícil alienação e de frágil liquidez.
[...] Não se trata aqui de faculdade judicial, mas de preceito cogente, no qual o Magistrado deverá buscar, dentro das diversas possibilidades, aquela que menos agrave a situação da devedora para saldar seu débito.
[...] Ante o exposto, defiro o pedido de tutela antecipada recursal, para