Descritores • Quantitativos
/ Ainda que o enquadramento do mapa continue dependendo, para a
2.7 MAPAS COGNITIVOS E GRUPOS
2.7.1 Pensamento de Grupo e Pensamento de Equipe
2.7.1.1 Pensamento de Grupo
O pensamento de grupo (Janis apud (Neck e Manz, 1994)) pode ser definido como “um modo de pensar que as pessoas (atoresj se engajam quando elas estão profundamente envolvidas em um grupo coeso (...) a busca dos membros p or unanimidade sobrepõem-se à motivação de cada membro do grupo em avaliar realisticamente cursos de ações alternativas (...) uma deterioração da eficiência mental, teste da realidade e julgamento moral que resulta da pressão do grupo. ’ (Janis apud Neck e Manz, 1994, p. 931).
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O ponto central dessa abordagem é de que, quando um grupo é excessivamente coeso, a presença de determinadas condições antecedentes de natureza destrutiva, influenciarão um padrão de pensamento destrutivo, aumentando a probabilidade que o grupo exiba sintomas de pensamento de grupo (ver Figura 33). Os sintomas do pensamento de grupo são: pressão social direta do grupo contra um membro que argumente contrariamente aos valores e crenças compartilhados pelo grupo; auto- censura dos membros cujos pensamentos ou preocupações desviam-se do consenso do grupo; ilusão do grupo de invulnerabilidade à falha; uma ilusão compartilhada de unanimidade; a auto-criação de mentes vigiadas (“mind guards”) que desconsideram informações adversas advindas de fora do grupo; esforços coletivos para a racionalização; visões estereotipadas dos líderes inimigos de outras organizações como fracos ou incompetentes; uma crença inquestionável sobre a moralidade inerente ao grupo. Tais sintomas levam o grupo a uma perda de efetividade em seu processo grupai.
O grupo, quando vitimado do pensamento de grupo, perde sua capacidade de fazer uso da habilidade cognitiva de seus membros, pois busca complacência e concordância total. A ênfase excessiva na coesão e conformidade do grupo acaba por interferir no processo de pensar dos atores envolvidos, sendo tal processo dominado pelas lideranças. Isso gera interferências na contribuição dos membros ao grupo, em sua criatividade e inovação.
Figura 33. Pensam ento de grupo (adaptado de (N eck e M anz, 1994, p. 932)).
A perda de qualidade do mapa cognitivo do grupo vitimado de pensamento de grupo se dá nos seguintes aspectos: levantamento incompleto de
objetivos/metas/valores e também de alternativas/ações; falha em avaliar os riscos de uma determinada escolha; falha em reconsiderar alternativas/ações inicialmente descartadas; pobre pesquisa de informações sobre o problema; excessiva tendenciosidade em processar as informações disponíveis.
2.7.1.2 Pensamento de Equipe
Dado um determinado conjunto de condições antecedentes de natureza construtiva, esses influenciarão padrões de pensamento construtivo do grupo. Sendo tais padrões majoritariamente construtivos, o grupo apresentará sintomas de pensamento de equipe (Neck e Manz, 1994) (ver Figura 34), são eles: encorajamento de visões divergentes; abertura para expressar inquietações e idéias; preocupação sobre limitações/ameaças; reconhecimento das singularidades de seus membros; discussão de dúvidas coletivas. Tais padrões, que podem ser vistos como oposições construtivas aqueles sintomas do pensamento de grupo, irão levar a um ganho na efetividade do processo grupai. (E portanto a um aumento da qualidade do mapa cognitivo enquanto representativo das interpretações pessoais sobre o problema dos atores envolvidos nesse processo).
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As condições antecedentes favorecem o pensamento de grupo ou o pensamento de equipe, de acordo com a sua natureza destrutiva ou construtiva, respectivamente. Elas são compostas por três variáveis, que interagem entre si:
• Crenças e pressupostos do grupo - se eles (crenças e valores) fazem com que um grupo de atores considere o problema em questão como uma oportunidade de superar desafios, terão características construtivas. Caso as crenças e pressupostos do grupo façam-no considerar o problema como um obstáculo que o levará ao fracasso, eles terão características destrutivas.
• Auto-verbalização - é definida como o que o grupo fala abertamente a si próprio. Se os membros do grupo exercem pressão social sobre qualquer outro membro cuja verbalização desvia-se da forma dominante de diálogo no grupo, prevenindo assim a ruptura do consenso grupai, tal variável terá características destrutivas. Caso contrário a auto-verbalização terá características construtivas.
• Imaginário mental do grupo - é definido como o processo em que o grupo cria e experimenta simbolicamente resultados imaginários de seu comportamento antes de realizar a ação. Um grupo que compartilha uma visão comum apresenta um comportamento construtivo à essa variável. Caso contrário éla assumirá características negativas.
Os padrões de pensamento são aqueles padrões de pensar que tendem a se repetir quando acionados por eventos. Os grupos podem assumir padrões construtivos de pensamento quando consideram o problema como uma oportunidade (“opportunity thinking”), avaliando realisticamente a dificuldade da situação, e encarando-o como um desafio a ser superado. Os grupos assumirão padrões destrutivos de pensamento quando centram o foco nos aspectos negativos do problema, seus obstáculos (“obstacle thinking”), considerando-os como razões para abandoná-lo.
Portanto, a natureza e a interação das condições antecedentes influenciarão os padrões de pensamento. Dependendo do tipo desses padrões (construtivo ou destrutivo), o grupo terá sintomas de pensamento de equipe ou pensamento de grupo (respectivamente). Tais sintomas o levarão a ser efetivo, ou não, em seu processo grupai, o que determinará a qualidade do mapa cognitivo congregado
em termos de representar as percepções de cada ator envolvido no problema (ver Figura 35).
Se o processo grupai for efetivo, o mapa representa “bem” as perspectivas dos atores, caso contrário não as representará. Existe, porém, uma dificuldade prática em avaliar a efetividade do processo grupai e, portanto, a qualidade do mapa. Portanto, parece melhor avaliar indiretamente a qualidade do processo (e do mapa) através da observação dos sintomas associados ao pensamento de grupo ou ao pensamento de equipe. Existe uma hipótese básica aqui proposta: a de que quanto mais eficiente é o processo grupai, melhor será a qualidade do mapa em definir o problema. Tal hipótese deve ser testada em futuras pesquisas, para verificar sua veracidade.
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A construção de um mapa cognitivo de todo o grupo é uma representação de como esse grupo entende o problema com que se depara. Enquanto é possível construções de diferentes mapas a partir do mesmo grupo (por exemplo, se a análise se concentra nos aspectos hierárquicos ou cibernéticos), existe apenas uma estrutura cognitiva coletiva básica. Esta é uma estrutura cognitiva dinâmica que ao mesmo tempo vigora e é negociada pelos atores. Tal estrutura coletiva pode ser representada em um dado instante do tempo por um mapa cognitivo congregado, fruto do processo social de construção do mapa (Bougon, 1992).
Ao longo desse processo social, o facilitador deve continuamente determinar o quanto deve desmantelar ou desordenar a dinâmica social usual do grupo (principalmente nas relações de poder nele existentes). Quanto mais ele intervir nessa dinâmica, menos os membros poderosos sentirão que o grupo está atingindo alguma coisa durante o encontro. Por outro lado, intervindo na dinâmica do grupo, o facilitador pode levá-lo a ver novas possibilidades de abordar o problema (Eden et a l, 1983).
O facilitador pode fornecer ao grupo três formas de benefício (Eden et a l, 1983), por questionar os procedimentos utilizados pelo grupo e recomendar a direção em que as discussões grupais podem evoluir, são eles: estimular os membros a pensar em pontos que de outra forma não seriam pensados, facilitando assim o pensamento lateral (de Bono, 1995) e a criatividade; fazer com que os membros do grupo ouçam pontos que não são usualmente ouvidos ou levados a sério, o que pode levá-los a perceber tais pontos; permitir aos membros dizer coisas que de outra forma eles teriam pensado mas não diriam.
Na construção de um mapa cognitivo de um grupo, existe uma grande quantidade de conceitos diferentes e/ou conflitantes entre seus membros. Mas, também, existe uma grande quantidade de conceitos comuns ou similares, em número suficiente para que seja permitida alguma forma de agregação, considerando a existência de uma intersubjetividade entre os atores. Apesar de atores diferentes perceberem (e interpretarem) o mesmo problema de forma diferente, para realizar alguma coisa, eles têm de atuar levando em conta os outros atores do grupo. Consequentemente, eles têm