A cultura móvel que vivenciamos atualmente emergiu de uma ruptura tecno- lógica proporcionada pela possibilidade de usos sociotécnicos em movimento, tanto por meio de telecomunicadores, quanto por computadores portáteis. Tal processo afetou diretamente nossas formas de ser e estar no mundo, com novas propostas de comunicação, consumo, trabalho, estudo, entretenimento e outros. Portamos nossos dispositivos móveis conectados em rede, para as mais diversas funções do cotidiano, os celulares já não são somente artefatos para ligações, suas funcionalidades foram expandidas e outras mídias convergem nesse aparelho, proporcionando usos diversificados.
Deste modo, torna-se importante compreender as potencialidades da comu- nicação móvel e ubíqua e como esses eventos tecnológicos imbricados em nossa cultura nos convidam a pensar sobre a educação, refletindo sobre os modelos pedagógicos presentes hoje e outras concepções que considerem a aprendizagem
1 O presente trabalho foi realizado com apoio financeiro do Programa Institucional de Incentivo à Produção Científica, Tecnológica e Artístico-Cultural (PROCIÊNCIA) e pelo Programa Institucional de Incentivo às Atividades de Extensão (Pró-Extensão) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do
contínua, a educação em rede, a aprendizagem colaborativa, com currículos móveis, hipermidiáticos e amparados pela interatividade e diversidade. Além de pensar em práticas pedagógicas direcionadas para a hipermobilidade e a ubiquidade, que estejam coerentes com os praticantes2 (CERTEAU, 1994) ciber-
culturais que estão em nossas salas de aula, acessando informação na palma das mãos e aos toques dos dedos.
O presente artigo possui como objeto de estudo a Pedagogia para a hiper- mobilidade como o desenvolvimento de metodologias e práticas pedagógicas a partir dos usos realizados por professores praticantes ciberculturais com aplica- tivos no âmbito educacional. A pesquisa é desenvolvida ao longo do doutorado em Educação, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).Com a pro- posta de sistematização de práticas pedagógicas em hipermobilidade, pensando em estratégias de aprendizagem e ensino que possibilitem usos com aplicativos, em conexão, em diferentes contextos, atividades e disciplinas.
Como método de pesquisa, tem-se a pesquisa-formação na Cibercultura (SANTOS, E., 2014), como uma opção para a produção de conhecimento na cultura contemporânea, em que praticantes estejam em interação horizontal, ou seja, na relação em que todos são vistos como potenciais formadores e pes- quisadores, em contexto de educação on-line. A partir da pesquisa-formação na Cibercultura compreendemos o professorpesquisador3 (STENHOUSE, 1991
apud OLIVEIRA; ALVES, 2002) como aquele que ensina, aprende, pesquisa e se autoriza a criar e inovar. “Criando com os praticantes culturais o método em sintonia com a empiria e as teorias acionadas sempre no devir da pesquisa, uma vez que todos os envolvidos constroem juntos os dispositivos, vivenciando-os”. (D’AVILLA; SANTOS, 2014, p. 1)
Apostamos que a originalidade do método situa-se, em primeiro lugar, em nossa constante preocupação com que os autores de narrativas consigam reali- zar uma produção de conhecimentos que tenha sentido e que eles próprios se inscrevam num projeto de formação que os institua como sujeitos ativos que
2 “Termo de Certau (1994) para aquele que vive as práticas/táticas cotidianas.” (ALVES, 2008, p. 10) 3 Adotamos tal forma de inscrita inspirada em Alves (2008), para quem a escrita conjunta dos termos
atua como um posicionamento contra a ciência moderna que separa as palavras como semelhantes, mas opostas entre si.
criam e se autorizam. Em segundo lugar, pela constanteressignificação enquan- toprofessoraspesquisadoras, que se encontram em aprendizagem contínua, nos modificando a cada caminhar da pesquisa e nos implicando integralmente no processo. E, por fim, pelo método que considera as ambiências formativas na ci- bercultura, considerando a educação on-line e os dispositivos4 de pesquisa em
mobilidade ubíqua, tema de interesse deste projeto.
O objetivo geral da pesquisa é compreender,5 em contexto de Pesquisa-formação
na Cibercultura, que táticas de aprendizagem e ensino com aplicativos são criadas cotidianamente nas redes educativas, possibilitando a construção colaborativa de uma Pedagogia da Hipermobilidade. Uma das autoras atua como professo- ra de Educação a Distância e Tecnologias Educacionais do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), escolhendo como campo de pesquisa cursos de formação continuada de professores, para pesquisar com um público que já estivesse em sala de aula e pudesse compartilhar, de forma mais amadurecida, criações e usos com aplicativos em seus contextos cotidianos.
O campo de pesquisa do presente artigo ocorreu ao longo do Projeto de Pesquisa “App-teaching: por uma Pedagogia da Hipermobilidade” (Prociência - IFRJ) e pelo Projeto de Extensão “Formação de Docentes para a Educação Online” (Pró-Extensão - IFRJ). O Projeto de Extensão conta com um curso de extensão, com o mesmo nome, que busca contemplar a formação continuada para a educa- ção on-line de professores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Durante o curso, dispositivos de pesquisa foram acionados para contribuir com o entendi- mento das questões que se fazem latentes e serão exploradas no presente artigo. Para tanto, o presente texto foi desenvolvido em tópicos específicos: inicia com esta introdução, apresentando as opções teóricas, metodológicas e o contexto da pesquisa; reflexões a respeito da Pedagogia da hipermobilidade; na sequên- cia das seções temos as seguintes abordagens: os caminhos da pesquisa, com o
4 Assumimos o conceito de dispositivo a partir de Ardoino (2003), para quem os dispositivos são modos e meios utilizados pelos sujeitos para expressar noções necessárias ao pesquisador para compreender os fenômenos.
5 A formação é um processo que não se explica, deve ser compreendido. “Interessado em descrever para compreender, o pesquisador fenomenológico sempre está interrogando: o que é isto? No sentido de querer apreender o fenômeno situado e o que o caracteriza enquanto tal”. (MACEDO, 2010, p. 18, grifo
método da pesquisa-formação na Cibercultura; os achados parciais da pesquisa; e algumas considerações conclusivas, com uma síntese dos conteúdos abordados.