4 PROVAS EM ESPÉCIES
Veremos, neste tópico, que o Código de Processo Penal dispõe expressamente de alguns meios de prova, no entanto, cabe salientar que outros meios de prova que não estejam elencados no CPP podem ser produzidos pelas partes. As provas não enumeradas no CPP são aparentadas como provas inominadas. Assim, todas as provas que não sejam ilícitas ou imorais podem ser realizadas e usadas na formação da convicção do magistrado.
provar através de conhecimentos específicos. Assim sendo, as provas periciais deverão ser produzidas por pessoas devidamente habilitadas, conhecidas como peritos.
O artigo 159 do Código de Processo Penal expõe que “o exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito oficial, portador de diploma de curso superior”.
Isto posto, as perícias em gerais e o exame de corpo de delito serão realizados por peritos oficiais, ou seja, pessoas aptas na própria legislação, que cuidarão das profissões e atividades periciais regulamentadas e fiscalizadas por órgãos regionais e nacionais.
Cumpre observar os dizeres de Eugênio Pacelli (2012, p. 418) sobre o referido tema:
Normalmente, o próprio Poder Público tem em seus quadros de carreiras os peritos judiciais, responsáveis pela realização das perícias solicitadas pela jurisdição penal. São chamados peritos oficiais. A partir da Lei nº 11.690/08, a perícia poderá ser realizada por apenas um perito oficial, portador de diploma de curso superior, salvo quando o objeto a ser periciado exigir o conhecimento técnico em mais de uma área de conhecimento especializado (art. 159, caput, e § 7º, CPP).
Como visto, a perícia será executada por um perito oficial, ocorre que, na ausência do perito oficial no juízo, o exame poderá ser feito por duas pessoas idôneas, que detenham diploma de curso superior, preferencialmente na área específica e requisitada, dentre aquelas pessoas que tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza requisitada do exame. Os peritos não oficiais deverão prestar o compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo, é o que determinam os parágrafos 1º e 2º do artigo 159 do CPP.
Na hipótese de dois peritos atuarem na mesma área de conhecimento, cada um elaborará seu laudo, de forma separada. Caso ocorra divergência entre os laudos poderá a autoridade nomear um terceiro perito para elaborar um novo laudo. No entanto, caso este terceiro laudo disponha diversamente dos outros dois laudos, a autoridade, ainda, poderá requisitar a
produção de um novo exame pericial por outro perito, é o que relata o art. 180 do CPP.
O magistrado, ainda, poderá discordar do laudo pericial, pois não ficará a ele vinculado, podendo rejeitá-lo ou aceitá-lo, no todo ou em parte, conforme disposição expressa do art. 182 do CPP.
O artigo 158 do Código de Processo Penal expõe que “quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado”.
Renato Brasileiro de Lima (2016, p. 641) define corpo de delito:
Corpo de delito é o conjunto de vestígios materiais ou sensíveis deixados pela infração penal. A palavra corpo não significa necessariamente o corpo de uma pessoa. Significa sim o conjunto de vestígios sensíveis que o delito deixa para trás, estando seu conceito ligado à própria materialidade do crime.
A respeito do tema, Eugenio Pacelli (2012, p. 421) ensina:
Se deixar vestígios a infração, a materialidade do delito e/ou a extensão de suas consequências deverão ser objeto de prova pericial, a ser realizada diretamente sobre o objeto material do crime, o corpo de delito, ou, não mais podendo sê-lo, pelo desaparecimento inevitável do vestígio, de modo indireto.
Nestes termos, o exame de corpo de delito poderá ser direto, quando o perito, “diretamente”, realizar a perícia sobre o vestígio deixado, ou
“indiretamente”, quando o perito proceder o exame com base em informações fornecidas a ele, desde que tenham relação com o caso, a título de exemplo uma perícia feita em uma pessoa do sexo feminino após dois meses do estupro.
O exame indireto será realizado a partir de informações dadas por testemunhas ou pelo exame de documentos que tenham relação aos fatos, cuja existência busca provar-se.
Noutro giro, o artigo 184 do CPP expõe que “salvo o caso de exame de corpo de delito, o juiz ou a autoridade policial negará a perícia requerida pelas partes, quando não for necessária ao esclarecimento da verdade”. Entende-se que o exame poderá ocorrer tanto na fase investigativa quanto na fase processual, determinando, ainda, que a autoridade não poderá indeferir a realização do exame de corpo de delito.
O exame de corpo de delito é, em princípio, exigido naqueles crimes que deixam vestígios. Ocorre que o artigo 167 do CPP autoriza a compensação do exame pela prova testemunhal, caso os vestígios do crime tiverem desaparecido. Vejamos o que dispõe Vicente Greco Filho (2009, p.
212) sobre este ponto:
O art. 167 do Código de Processo Penal, como uma exceção à garantia do acusado quanto à constatação dos vestígios por exame pericial, deve ser interpretado estritamente, impondo que se aplique, exclusivamente, à hipótese de desaparecimento natural, ou por ação do próprio acusado, e não por inércia dos órgãos de persecução penal que atuam contra o eventual réu.
Outra ressalva à obrigatoriedade do exame de corpo de delito é aquela disposta no § 1º do art. 77 da Lei 9.099/95, o qual estará dispensado nos casos de infrações de menor potencial ofensivo (competência dos Juizados Criminais), desde que a peça inicial acusatória venha assistida de boletim médico, ou outra prova similar, atestando o fato.
Na realização das provas periciais e no exame de corpo de delito há algumas formalidades a serem observadas, dentre elas, a possibilidade do ofendido e do assistente de acusação formular quesitos, indicando assistente técnico e requerer esclarecimentos aos peritos (art. 159, §§ 3º, 4º e 5º do CPP). O assistente técnico começará a atuar na fase processual, a partir da admissão do juiz.
O art. 159, § 5º, II do CPP, dispõe que os assistentes técnicos sejam inquiridos em audiência, bem como, poderão ser feitos pedidos de esclarecimentos quanto aos laudos que apresentarem.
Ainda, além da prova pericial realizada direta ou indiretamente, sobre o corpo de delito, existem outras provas que também têm sua importancia ao esclarecimento de questões valorosas. As demais perícias poderão ser realizadas para a demonstração de circunstâncias do crime, como o modo de execução, o tempo em que ocorreu e outros fatores, que serão úteis até mesmo para identificar o autor do deleito. A título de exemplo, podemos citar o exame de balística, a autópsia em cadáver (art. 162 CPP), bem como aqueles exames realizados acerca do instrumento do crime. Haverá, também, aquelas perícias a serem realizadas no local do crime, como nos casos de incêndio (art. 173 CPP).
Quando a perícia estiver relacionada com a análise de destruição de coisa ou rompimento de obstáculo (art. 171 CPP), os peritos, além de descreverem os vestígios, indicarão com que instrumentos, os meios usados e tempo ocorrido, pois tal perícia será necessária para a definição do tipo penal, que poderá qualificar o crime, exemplo, do crime de furto qualificado (art. 155,
§ 4º, CPP).
Outras perícias também têm sua importância, como é o caso da perícia de reconhecimento de escritos (art. 174, CPP), bem como as perícias de laboratório (art. 170, CPP), em que os peritos deverão colher material suficiente para caso, posteriormente, necessitem de uma nova perícia.