TRABALHO EXEGÉTICO EM JOÃO 20, 11-
Lucas 24:1-12 E no primeiro dia
1.6.2. Perícope posterior – João 20.19-
A perícope anterior (20,11-18) que pertence ao nosso estudo, termina enfatizando o anúncio feminino em favor da ressurreição. O fato é que a igreja ainda estava perplexa e com medo, e a manifestação epifânica do Cristo é importante para o fortalecimento da fé dessa comunidade.
Segundo Vidal, os versos 19-20 e 30-31 seguem o relato do E1. O verso 21 tem uma nota explicativa, que é a mesma do verso 19, “veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco!” A mesma frase no verso 21 “Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco!”. Assim, ele acredita que esse texto pertence ao bloco 21-29, e dentro dele a toda uma dialética discursiva que apresenta as divergências de comunidades que estão ao seu redor, principalmente a de “Tomé”, de acordo com o verso 24.
O texto com seu teor profético escatológico realizado se manifesta em concordância com a descrição das próprias palavras do Cristo na ceia, e em seu discurso pós-ceia. “ (Jo 14,19;16,16), o dom do Espírito Santo (14,26. 15,26; 16,7-13), a oferta da paz (14,27) e da alegria (15,11; 16,24)”. (CASALEGNO, 2013, p. 84).
A primeira metáfora desse bloco é “Sendo, pois, de tarde no primeiro dia da semana”. Esse tema é o contraponto da perícope anterior, afinal, na escuridão, Madalena, Pedro e o dis- cípulo amado, não encontraram o corpo de Jesus. Porém, a história que tem uma redação cres- cente, mostra pouco depois o encontro da Madalena no jardim, deixando transparecer que o encontro dos dois aconteceu em um momento posterior, já diante da iluminação, após a madru- gada e o amanhecer.
É então, de tarde (outro símbolo da iluminação) que a comunidade cristã recebe a revela- ção completa do seu mestre, sua entrada triunfante mesmo a “portas fechadas”. Essa é outra metáfora, e sinal esse que mostra o medo dos discípulos, afinal por volta de 62 d.C, a morte de Tiago o menor causou grande medo em todos. Aqui talvez haja uma referência ao temor gene- ralizado que abalava a fé da igreja cristã.
Devemos aqui ressaltar um viés interessante do simbolismo narrativo joanino, sobre o momento do encontro. O discurso que envolve lugar e tempo, são reflexões teológicas desse autor. Nesse caso, tanto o tempo, quanto o lugar em João são sempre representativos desta concepção. Primeiro temos o sepulcro o local do acontecido. E o tempo também está evidente dentro desse contexto. Segundo a interpretação de Casalegno, citando Léon-Dufour, podemos
ver o tempo como uma representação e afirmação eclesiástica, quando diz “à tarde daquele dia, o primeiro da semana” ou “oito dias depois”, não passam de “evocações litúrgicas”, aludindo à celebração dominical que foi âmbito em que as narrativas se formaram”. (CASALEGNO,2013, p.83).
Assim, o verso de abertura desta perícope, também é um artifício redacional joanino onde ele utiliza também o dualismo. Basta-nos pensar no primeiro momento da ressurreição, no qual Maria chega no momento da escuridão, e não o encontra. Por isso não há a compreensão da glorificação, e só depois ela entende, após ele mesmo se revelar. Então a “tarde” do encontro com seu grupo se torna revelação, ação e transformação do estado de letargia, para a euforia.
Com esse conceito básico, podemos dizer que a arte literária joanina, tem o princípio estético aristotélico, já que a arte como modelo mimético não apenas imita, mas, constrói o novo, assim como a comparação com Moisés, mostra-se nesse sentido, o novo profeta de Deus com maior perfeição, e assim esse Jesus representa o segundo Adão, que é melhor e completo.
Depois disso, temos também as imagens dualistas, que em João são divergentes, ou se fazem necessárias para que possa existir complemento, mostrando a melhor imagem da arte construída a partir do imaginário do Cristo.
Diferente do que pensa Ashton, que afirma que o relato da ressurreição de João não pre- cisa mostrar a glória de Jesus, pois já era apresentada desde o início (Jo 1,14) (ASHTON, 2007, p.476), vemos que o prólogo e a maioria dos textos da glorificação de Jesus, estão no E3. Por isso não constam desde o início da construção literária, podemos dizer que a base dessa com- preensão talvez fosse comum à comunidade, mas o corpo literário completo se organiza depois, o que dará ao leitor do texto o entendimento completo, apenas quando obtiver o texto final em mãos.
Entretanto, parece que isso não veio da transmissão oral, e nem foi desde aos primeiros momentos da construção literária. Provavelmente foi reorganizado ao longo do tempo, e distri- buído ao texto, com recursos e formas literárias joaninas particulares. Assim o sinal da glória foi mais uma vez apresentado no final do texto, segundo nossa interpretação.
Antes de continuarmos, queremos lembrar que Senén Vidal coloca os versos 30-31, antes desse bloco central. Nesse aspecto o texto ficaria mais ou menos assim:
Jo 20:19-20/30-31a. Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro da semana, trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco! 20 E, dizendo isto, lhes mostrou as mãos e o
lado. Alegraram-se, portanto, os discípulos ao verem o Senhor. 30 Na verdade, fez
Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. 31
Para ele o primeiro momento do texto de João denominado por ele E1, uniu-se a coleção de milagres (CM), fazendo com que, as atividades de Jesus animassem a fé da comunidade. (Cf. VIDAL, 1997.p.381).
Voltando ao contexto anterior, para a afirmação da fé no verso 20, diz que mostrou-lhes as mãos e o lado. O que a perícope anterior vai deixar claro, é que a comunidade Joanina já acreditava, mas ele fez isso para o restante do grupo.
Quadro comparativo sobre o crescimento das perícopes:
Pericope Anterior Perícope Principal Perícope Posterior 2ª pericope post. Antes da Manhã Por inferência “pela
manhã”
Encontrou os discípulos de Tarde
Menos Tomé que não viu, não creu. Pedro Entrou e não en-
tendeu
Maria não entrou não entendeu
Jesus entrou e todos en- tenderam
Jesus aparece nova- mente para Tomé Discípulo amado enten-
deu, mas ñ anunciou.
Maria após a revela- ção reconheceu, rece- beu a ordem/anun- ciou.
Jesus deu ordem para anunciar, e poder para perdoar e não retirar
Pq viu creu, Feliz os que não viram e cre- ram.
Esse quadro mostra a crescente transformação das perícopes e como elas se interligam de forma dialógica, mostrando que as ambiguidades textuais, são recursos joaninos, para apontar o crescimento teológico do grupo cristão nascente.
O verso 21 reinicia o quadro anterior, para continuar um novo diálogo. Agora a imagem que o autor pinta, após apresentar as marcas do Cristo, e mostrar aos discípulos, não apresen- tam ou falam que “Pedro e o discípulo amado” estão presentes, por inferência entendemos que sim. Talvez fosse uma forma de proteger os dois líderes nesse momento. Afinal, temos aqui, todos reunidos como uma só comunidade, mediante o medo dos inimigos da fé cristã, ou seja, os judeus. Portanto, os dois discípulos devem ser símbolos de coragem e força que esse grupo necessita.
O verso 22 prepara os discípulos para receberem as promessas que já haviam sido feitas (Jo cap. 14-17), e nesse caso mais uma vez é para mostrar a autoridade gloriosa do Senhor segundo (KONINGS, 2005, p. 356), assim seguindo o formato do escritor, onde vemos: a verdade (16,13; 7,39); ou Espírito da verdade (14,17) etc.
Além disso, o tema do sopro alude supostamente à manifestação do Espírito da vida em Gn 2,7, quando o fôlego de vida em Adão é afirmado, assim como em Ez,37,9, onde temos o
Espírito reavivando os ossos. “Em ambos os casos, a Septuaginta usa “emphysao” evmfusa,w (sopro), o mesmo verbo que se encontra em João 20,22” (cf. BEUTLER, 2013.p.461). O texto afirma: “22 E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo”.
O verso constata positivamente a autoridade dos discípulos, e o paralelismo é como um modelo usual da tradição judaica, demonstrando qual é a relação do sopro do Espírito na vida da comunidade cristã. O verso 23 pode ser analisado como um paralelismo antitético:
23 Se de alguns perdoardes os pecados, são-lhes perdoados;
se lhos retiverdes, são retidos.
O autor seguindo sua ideologia, deixa transparecer a forma de ação transformadora que é dependente de Deus, por isso em seu contexto, vemos que o Espírito é doado. João reafirma essa ideia, colocando o texto em relação com a dependência de um agente.
“A primeira qualificação de Jesus em João era: o “Cordeiro tira o pecado do mundo” (1,29). Agora ele dá seu Espírito aos discípulos para que, ocupando seu lugar no mundo, participem dessa missão. E isso, com garantia divina. “[os pecados] ... serão perdoados [ou]... serão mantidos” (o uso da voz passiva é ‘teológico”: significa que o agente é Deus)” (KONINGS, 2005, p. 356).
Por meio disso, entendemos que a missão é da igreja, fortalecida e mantida pelo Espírito da verdade, e a ela é concedida não a autoridade para salvar ou não, apesar de aparentemente dar esse sentido, mas na verdade a sua grande obra é para anunciar, ou seja, fazer a missão para o qual foi designada, pois a salvação vem de Deus.
A seguir, os versos 24-29, são referentes à vida de Tomé e sua frustração e desconfiança em não participar da primeira revelação do Cristo para sua igreja. Pelo menos é o que deixar transparecer o texto.
No verso 24 Tomé aparece, e, é chamado de Dídimo, (Gêmeo) uma rápida explicação do termo aramaico, para os membros gregos da comunidade. Vemos também que ele é um dos Doze, nota essa que será importante para mostrar à comunidade que mesmo sendo um dos que andara com Jesus, ele teve problemas em aceitar a ressurreição, ou chegar a uma conclusão positiva a respeito dela.
Com isso, ficamos sabendo que Tomé não estava entre eles, e a fala dos discípulos é (20,25) “Vimos o Senhor” (20,25). Podemos entender que o redator coloca dentro do cenário a lembrança do anúncio de Maria Madalena (20,18) “Vi o Senhor!”, talvez mais uma vez vemos o fortalecimento da autoridade joanina, em cada cena, temos incredulidade e o desentendimento dos grupos, e mesmo depois de ser anunciado, e de ser visto, é novamente comunicado seu aparecimento, pois ainda existem membros da comunidade que precisam ver e tocar, para crer.
E é com esse recurso literário que João vai apresentar a fraqueza na fé, de grupos cristãos, e nesse caso eles são representados por Tomé.
Os relatos sobre Tomé nasceram em um momento posterior à primeira edição do texto. Podemos ver, que a comunidade está em um estágio de resolução de problemas internos, e por isso o texto precisa de reformulações. Em João 11,16 ele afirma: “Vamos também nós para morrermos com ele.” Segundo Casalegno (2013, p. 102), esse texto é ambíguo, pois justamente esse ainda não era o momento da sua morte.
Uma segunda fala importante ocorre em 14,5 “Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais; como saber o caminho?” Mais uma vez, a incompreensão da revelação e da ação de Jesus no mundo, é uma constante em Tomé, pelo menos, é uma das nossas impressões sobre a sua fé, ainda que alguns possam suscitar se realmente exista a dúvida, ou se o texto representa a fé em discussão.
Temos ai o clímax desse bloco, (20,25) onde relata a sua indignação sobre o aparecimento do Cristo. Os verbos agora usados, após saber de sua vinda entre os discípulos, enfatizam de forma acentuada que Tomé não crê de forma alguma. Isso se confirma na expressão usada pelo autor para retratar tal ideia - “eva.n mh. i;dw”, (sê não ver) - e ele termina com “ouv mh. pisteu,sw” (não o crerei). Assim, vemos que no início e no fim da sua fala ele usa termos da negativa e de forma radical, com esse paralelo, podemos lembrar de 4,48: “Se não virdes sinais e milagres, não crereis”. Podemos também entender que “Pela reação inicial de Tomé, o narrador mostra o ceticismo natural do homem diante da inédita vitória sobre a morte, ceticismo manifestado, pelos atenienses quando ouve Paulo afirmar que Jesus ressuscitou (At 17,31-32)”. (LÉON-DU- FOUR, 1998, p. 176).
Não devemos esquecer como o próprio Léon-Dufour nos lembra, de que Tomé é um ju- deu, e por isso ele não duvida da ressurreição, ainda mais por ser um dos discípulos, e a esperava para o último dia, como a própria Marta também o afirmou. Assim podemos ver as dificuldades joaninas dentro de sua comunidade.
Tomé deixa claro que precisa ver as feridas nas mãos e tocar no lado, sinais esses que mostram incredulidade para a maioria dos exegetas, mas que Konings, compara como um ato que não é abominável. Assim ele compara o fato com 1Jo 1,1, “o apalpar em relação à “palavra da vida” é citado como título de credibilidade” (KONINGS, 2005, p. 358). Em todo caso, se- guimos com nossa análise comum, onde a sua falta de fé, culminará em um dos mais belos pronunciamentos posteriores de fé da comunidade.
Depois disso, outro termo relacionado ao momento litúrgico da igreja “Oito dias depois”, (20,26). Eles estão reunidos novamente, as portas trancadas, ou seja, é mais um culto, onde Jesus apareceu no meio, assim ele mostra-se o centro do culto na comunidade. E novamente o cenário e os participantes são os mesmos, e, é claro, dessa vez com a presença do interessado “Tomé”.
Logo no início Jesus já se apresenta a comunidade de fé, e, com um grupo incrédulo, isso também acontece com os sinóticos, (Mt 28,27; Lc 24,38), e com a fórmula joanina diz “Erce- tai” (vem). O termo usado está no presente do indicativo, “ei=pen” (disse) verbo no aoristo in- dicativo, ou seja, como o aoristo é uma ação do evento em si, e um tempo indefinido, vemos aqui a presença do Cristo no culto. Há uma escatologia presente, ou realizada; é fundante e evidencia que as comunidades joaninas, tem o Cristo vivo e de corpo presente na celebração, é um ato de fé, e que mais adiante isso vai se confirmar com a profissão de fé de Tomé.
Por isso mais uma vez, ao iniciar o culto a saudação convidativa para a participação de todos na ação do Espírito e na representação de Cristo, temos também a sua fraseologia, que nessa perícope é usada pela terceira vez, “Paz seja convosco”, dando a comunidade que ainda estava em dúvida, a certeza da veracidade da ressurreição.
Ao mesmo tempo que Tomé pertence a um grupo que duvida, ele serve também como aquele que ao reconhecer o senhorio de Jesus e sua centralidade no culto, entende o poder da ressurreição, cedendo assim com humildade.
Verso 27 “le,gei” (diz), o discurso de Jesus nesses versos está no presente, é um convite para a comunidade participar do culto, para viver o tempo atual da revelação, Depois a fala do Cristo, traz no imperativo os termos “Fe,re” (traz) duas vezes, e “ba,le” (põe); com isso ele impõe sua autoridade sobre a falta de credulidade do fiel, e, é nesse momento de sua fala que a reação de Tomé mostra-se renovada.
Vemos aí mais uma vez a dualidade joanina “a;pistoj( avlla. pisto,j” (incrédulo mas crente), Com esses adjetivos, fica evidente que a esperança era a fé, a qual seria evidenciada com a fala posterior de Tomé.
O verso 28 responde com a profissão de fé da comunidade, que ecoa sobre a autori- dade da “alta cristologia”. O “Kyrios” em muitos momentos tem a força e a significação do Rabi. Além disso ele cresce em rigor teológico, pois está em justaposição com “Theos”, e nesse sentido, torna-se a proclamação e unidade de Jesus com Deus. “Literalmente, a confis- são de Tomé reproduz os termos da Septuaginta traduzindo a invocação do Sl 34,23 LXX: “Meu Deus e meu Senhor”!”. (LÉON-DUFOUR, 1998.p.179).
Para nós existe aqui uma correspondência entre Tomé e Natanael, justamente pela cons- trução dos textos onde eles aparecem, e pelo resultado relatado nos versos referente aos dois. O texto 1,40-50 demonstra esse recurso joanino, que em meio à dúvida de Natanael relacionada a divindade de Jesus, irá dar uma resposta para esse Judeu piedoso por meio da visão de Jesus sobre ele na figueira. Essa questão acerca dessa dúvida é um fator importante e que na verdade apresenta uma denúncia diante da pouca fé de alguns cristãos, onde apenas os sinais conseguem fazê-los crer na divindade de seu mestre.
Levando-se em conta que na primeira mão do texto (E1), já encontramos Natanael como personagem importante, ou seja, ele é o representante do grupo judaico na comunidade, en- quanto no segundo momento (E2) temos o acréscimo de um discurso de revelação. Portanto, entendemos que as diferenças entre a comunidade se estenderam por um bom tempo, e que percebendo essa divisão entre eles nas cartas, fica evidente que a solução proposta pelo contexto de Tomé, tentava manter a unidade. Porém, transparece o fato de que não houve resolução do problema na sua totalidade. Vejamos agora o quadro criado pelo evangelista para entender o processo de construção literária:
Jo 1:49-50 49 Então, exclamou Natanael: Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!
50 Ao que Jesus lhe respondeu: Porque te disse que te vi debaixo da figueira, crês? Pois ma-
iores coisas do que estas verás.
Jo 20:28-30 8 Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu! 29 Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.
Esse quadro mostra que havia uma divisão entre aqueles que acreditavam em Jesus, e que a priori estava entre os Judeus iniciados na fé, e que também havia se propagado entre outros grupos. Com isso, o redator criou um quadro de entendimento da autoridade de Jesus e de retorno a essa crença. O tema é crescente, e a forma de adoração também, pois temos “Filho de Deus e Rei de Israel”, e a exortação se responde pela fala do Cristo “coisas maiores verás” para Tomé: Porque me viste, creste? Bem-aventurado os que não viram e creram”.
Essas palavras, que nos apresentam certa ligação ao modelo da fé, já antecipam a neces- sidade de todos os que chegarão a comunidade, e necessitarão crer sem ver. Temos essa ênfase em, (1 Pd 1, 8-9 ) “Ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso”. Assim mesmo que alguns autores possam entender que a fé de Tomé é considerada elevada, para nós, ela é uma fé que precisa se firmar
na reunião e comunhão do culto, e continuar crendo, mesmo que o ressuscitado não esteja mais presente fisicamente, mas sua presença se faz real no culto e no partir do pão.
Por fim, os versos 30-31 concluem a trama com uma recordação para a comunidade dos milagres do mestre, e que não estão nesse livro. E mais uma vez, vemos que os termos que estão escritos são para que “creiais” e “crendo”, obviamente é a fé no Filho de Deus, que importa, e essa crença leva a ter vida em seu nome.